O QUE FAZER? (perante o aprofundamento da crise)

0

0

TESE: A política revolucionária, neste momento, passa pelo agrupamento dos revolucionários proletários em cima das bandeiras históricas da classe operária (tais como a luta por um governo operário, pelo controle operário das fábricas e outras). O dever dos revolucionários proletários, neste momento, passa pela formação de um jornal revolucionário, para todo o Brasil, que se transforme no coração de um grupo revolucionário de agitação e propaganda que terá como tarefa ligar os revolucionários ao movimento operário que, de maneira inevitável, deverá entrar em ascensão no próximo período.

 

ANÁLISE:

 

Neoliberalismo, refluxo, burocratização da esquerda e nova esquerda revolucionária

 

  1. Na década de 1960, os chamados “Anos Dourados” do capitalismo mundial chegavam ao fim nos países desenvolvidos. A crise capitalista de 1967 acelerou a inflação e o desemprego. Esta foi a base material dos movimentos estudantis de 1968, que se aceleraram a partir do repúdio à agressão imperialista contra o Vietnam.
  2. Em 1971, a Administração de Richard Nixon, nos Estados Unidos, aplicou o calote da desvinculação do dólar do padrão ouro devido à impossibilidade de enfrentar os crescentes gastos da Guerra do Vietnam. Era o fim da “ordem” estabelecida pelos acordos de Bretton Woods, de 1944, pela qual os Estados Unidos tinham se comprometido a manter a conversibilidade do dólar ao ouro enquanto os demais países passaram a usar o dólar como o principal lastro para as moedas locais.
  3. O “keynesianismo” foi a política aplicada pelos governos das potências centrais com o objetivo de conter a crise capitalista aberta em 1929, em cima do aumento dos gastos públicos direcionados, principalmente, para obras de infraestrutura e gastos militares. Mas, na realidade, a contenção da crise de 1929 somente foi possível em cima da brutal destruição das forças produtivas que aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial. O esforço de reconstrução da Europa em escombros, por meio do Plano Marshall, a partir de 1948, gerou um período de relativa prosperidade nos países desenvolvidos que durou por, aproximadamente, 20 anos e que teve como lápide a crise mundial do petróleo de 1974, em grande medida, impulsionada pelos gigantescos gastos absorvidos pela Guerra do Vietnam.
  4. Em 1974, explodiu a chamada crise mundial do petróleo que esteve na base do colapso das políticas “keynesianas” (altos investimentos públicos em obras de infraestrutura e armamento). A inflação e o desemprego escalaram. As ditaduras militares, que foram impostas pelo imperialismo norte-americano nos países atrasados após o final da Segunda Guerra Mundial, colapsaram. Os mecanismos de contenção do desenvolvimento das tendências revolucionárias apresentaram fraturas por causa da crise capitalista.
  5. Um novo ciclo de revoluções se abriu em cima do aprofundamento da crise capitalista. A Revolução de Portugal, de 1974, foi o tiro de largada. A Revolução no Irã, em 1979, foi o ponto culminante. O Irã tinha sido desde o sangrento golpe de 1954, promovido pela CIA contra o governo nacionalista de Mossadegh, o país mais forte do Oriente Médio e o principal instrumento do imperialismo norte-americano para controlar a região. A crise revolucionária que se abriu na Polônia, em 1980, com grandes mobilizações operárias, colocou abaixo os regimes estalinistas na Europa Oriental e na própria União Soviética.
  6. No início da década de 1980, a inflação oficial superou os 20% anuais nos Estados Unidos. A desestabilização social levou o movimento operário a experimentar uma forte ascensão em escala mundial.
  7. A contenção do movimento operário aconteceu após a derrota da greve dos mineiros do carvão na Inglaterra (1984), que durou um ano, e da greve dos controladores aéreos nos Estados Unidos (1985), que resultou na demissão de 13 mil trabalhadores, e com a entrada dos trabalhadores chineses no mercado mundial ganhando salários miseráveis. Assim começava a aplicação das chamadas políticas “neoliberais”, em escala mundial, como uma espécie de “keynesianismo às avessas”, liquidação do chamado “estado de bem estar social, entrega das empresas públicas para os grandes capitalistas e contenção do movimento operário por meio da entrada no mercado mundial de centenas de milhões de operários, principalmente chineses, que ganhavam salários miseráveis.
  8. O movimento grevista foi duramente atacado, com demissões das lideranças, além de demissões em massa. Importantes setores industriais foram migrados dos países desenvolvidos para os países atrasados, principalmente para o México, a China e outros países da Ásia. Um novo enorme número de trabalhadores, com salários miseráveis, foi incorporado ao mercado mundial, no final da década de 1980 e no início da década de 1990, a partir do colapso da antiga União Soviética.
  9. O chamado “neoliberalismo” se transformou na política do conjunto da burguesia mundial para conter a crise. A esquerda burguesa e pequeno burguesa em geral, assim como a burocracia sindical, se transformaram em base de apoio e instrumentos dessa política no Brasil e no mundo.
  10. Nos anos de 1990, o movimento grevista entrou em refluxo. As políticas aplicadas durante o governo de Fernando Collor levaram ao fechamento de várias indústrias e às demissões em massa.
  11. O colapso capitalista de 2008 implodiu as políticas neoliberais. A incapacidade para a burguesia colocar em pé uma nova política, alternativa ao neoliberalismo, tem acelerado o enfraquecimento do sistema capitalista mundial. Sobre esta base, é inevitável que o movimento de massas entre em ascensão novamente no próximo período. E sobre esta base, as estruturas burocráticas de contenção da classe operária deverão ser ultrapassadas, o que deverá impulsionar o fortalecimento dos setores classistas, pilar da restruturação de uma nova esquerda revolucionária. A esquerda oportunista atual, burguesa e pequeno burguesa, hiper burocratizada no período neoliberal, está condenada a ser enterrada no lixo da história.

 

O refluxo do movimento operário e o crescente esgotamento da burocratização das organizações de massas e da esquerda (no Brasil)

 

  1. A última grande greve de uma categoria nacional de ponta, aconteceu em 1995, nos petroleiros, e foi quebrada pelo próprio Lula. O movimento metalúrgico acabou sendo paralisado pela burocracia com os planos Cruzado. As últimas greves metalúrgicas importantes aconteceram em 1991, na cidade de São Paulo, na Metal Leve (zona sul de São Paulo) e na Voight (zona oeste de São Paulo).
  2. O refluxo do movimento grevista consolidou o poder da burocracia que, por sua vez, consolidou o refluxo do movimento operário, passando a controlar as principais organizações de massas, a CUT, a UNE e o MST. Se consolidou a frente única entre o PT-PCdoB e as organizações da esquerda pequeno-burguesas. O PSTU, por exemplo, que hoje posa de “anti-governista”, participou da diretoria da CUT na mesma chapa do ultra pelego Vicentinho, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, durante mais de uma década. As direções traidoras do movimento de massas têm funcionado como freio para conter a unificação das reivindicações e das lutas.
  3. Os governos de FHC foram apoiados pela CUT que tinha sido controlada pela ala direita da Articulação, liderada por Vicentinho. A esquerda aderiu a essa política, apoiando-a, ou ficou acuada. O movimento operário ficou acuado por causa da burocratização das suas organizações e as ameaças de demissões em massa, as privatizações, as terceirizações, os ataques aos direitos trabalhistas, a desaceleração industrial, o fechamento de empresas. O endividamento público escalou, a partir de 1992, quando os futuros três figurões da área econômica do governo FHC (Armínio Fraga, futuro presidente do Banco Central, Pedro Malan, futuro ministro de Fazenda e Murilo Portugal, futuro presidente do Tesouro), num final de semana, em Luxemburgo, que é um paraíso fiscal, conseguiram a “mágica” de quase dobrar a dívida pública brasileira. Era a nova política imposta pelo imperialismo norte-americano, liderada pelo então secretário do Tesouro, Brady. Com os novos títulos ultra podres, que passaram de US$ 60 bilhões para US$ 110 bilhões, foram “compradas” as empresas públicas “privatizadas” por preços obscenos que, na maior parte dos casos, não ultrapassaram um décimo do valor.
  4. Os dois governos de FHC entregaram o Brasil aos monopólios, seguindo a receita do chamado Consenso de Washington (1989), o que acabou provocando um enorme desgaste da direita. Após a crise de 1997, na Argentina, que também tinha sido devastada, por meio de processos similares, pelos governos neoliberais de Menem (1989-1999), a crise se espalhou ao Brasil. No início da década passada, aumentou sensivelmente o descontentamento social.
  5. A partir de 2002, as políticas neoliberais implantadas por FHC tinham se esgotado. O movimento grevista começou a despertar, mas foi rapidamente contido com a eleição de Lula à presidência da República, que aconteceu de comum acordo com a direita e o imperialismo. A frente única entre a esquerda frentepopulista, formada pelo PT e pelo PCdoB, e a esquerda pequeno-burguesa, que formava a base de apoio das políticas neoliberais, acabou rachando. A esquerda de conjunto e o movimento operário continuaram paralisados.
  6. A crise do regime político se abriu novamente, com o “escândalo do Mensalão”, em 2004-2005. A direita tentava voltar ao governo desgastando o governo do PT. Essas manobras fracassaram não somente em 2006, mas também em 2010 (primeira eleição de Dilma Rousseff), 2012 (eleição de Fernando Haddad para a Prefeitura da cidade de São Paulo) e em 2014 (reeleição de Dilma).
  7. A partir de 2005, a “frente popular”, encabeçada pelo PT, começou a apresentar sinais de esgotamento devido aos ataques da direita por meio da campanha anti-corrupção (“Mensalão”). Em 2006, foi fundado o Psol, como um racha do PT. O PSTU, que tinha impulsionado o projeto, foi deixado de fora pelos parlamentares do novo Psol.
  8. A partir de 2012, ficaram claras as dificuldades para a direita voltar ao governo por meio das eleições. Por esse motivo, aumentaram as tendências golpistas, principalmente, a partir de junho de 2013, quando a burguesia colocou nas ruas a extrema direita para conter os movimentos do Passe Livre.
  9. As movimentações golpistas têm enfrentado dificuldades relacionadas com as movimentações nas ruas, contra o golpe, e a pressão da situação política internacional, em particular, as eleições presidenciais nos Estados Unidos, que acontecerão neste ano. A Administração Obama tem buscado reduzir as tensões na Ucrânia, no Oriente Médio, no Mar do Sul da China e na América Latina, com o objetivo de apresentar a candidata da “direita tradicional”, Hillary Clinton como a alternativa viável para manter os lucros dos monopólios e a estabilidade social.
  10. A política do imperialismo norte-americano para a América Latina hoje passa pela imposição de governos a la Macri, que avancem na aplicação de ajuste contra os trabalhadores, mas em cima de uma frente única, de maneira negociada em grande medida.
  11. A política da cúpula do PT, neste momento, busca uma “saída negociada” com a direita, o que também é do interesse da própria direita, que teria muitas dificuldades para avançar na aplicação do ajuste contra os trabalhadores sem contar com o apoio do PT ou, alternativamente, sem avançar na direção de um governo muito mais duro.
  12. A burocracia sindical, do movimento camponês, dos movimentos sociais, do movimento estudantil e das organizações de esquerda, amplamente integradas ao regime burguês, enfrentam forte crise como reflexo da crise do sistema capitalista. Essas organizações funcionam, na esmagadora maioria, como organizações cartoriais, com escassas ligações com as massas e, no fundamental, com clara atuação contra os trabalhadores. Esses setores burocráticos tendem a ser rapidamente ultrapassados na ascensão do movimento de massas que está colocado para o próximo período.

 

As tarefas colocadas para os revolucionários proletários

 

  1. A esquerda burguesa e pequeno burguesa, brasileira e mundial, integrada ao regime burguês, enfrenta gigantesca burocratização. Os partidos operários e revolucionários acabaram se desestruturando nas últimas décadas, principalmente por causa dos ataques promovidos contra a classe operária pelo “neoliberalismo”; hoje as ligações com a classe operária são muito escassas, quando há alguma.
  2. A maior parte da esquerda atual se encontra isolada ou integrada ao regime político burguês, tanto por meio das frentes populares, como é o caso do governo do PT no Brasil, ou outras políticas oportunistas, como a da frente de esquerda eleitoral que busca eleger deputados a qualquer custo.
  3. A luta contra o sistema capitalista passa, em primeiro lugar, pela clara identificação dos agentes, das classes, sociais, que disputam o poder político e, fundamentalmente, da classe social que tem como tarefa histórica promover a mudança do capitalismo, paraíso das poucas famílias que dominam o mundo, pela sociedade socialista.
  4. A classe social que tem como tarefa histórica a derrubada do capitalismo é a classe operária. Ela se encontra ainda paralisada. Mas ela deverá acordar no novo período em cima do aprofundamento da crise capitalista que colocará abaixo os colchões de controle social.
  5. No Brasil, está colocada a ascensão das massas que, no final da década de 1970, em cima da crise mundial de 1974, colocou abaixo a ditadura militar; que, em 1983, após a retomada de mais de 1.500 sindicatos pelas oposições classistas, dos pelegos da ditadura militar, fundou a CUT; que em 1985 promoveu mais de 15 mil greves, muitas delas muito radicalizadas. Essa mesma classe operária está começando a acordar do longo sono liberal, e em escala mundial.
  6. O que está colocado é levantar as bandeiras operárias e as bandeiras democráticas que a esquerda oportunista, da “frente popular” encabeçada pelo PT, jogou no lixo. É a luta pelas questões que podem tirar o Brasil, e os demais países, da crise, as medidas que passam pela luta contra o grande capital (o chamado 1% que governa o mundo) e a sobrevivência dos trabalhadores, que, cada vez mais, ficarão encurralados pelos capitalistas.
  7. Sem uma avaliação correta e profunda da realidade e, sobre esta base, o estabelecimento de uma política correta, a luta revolucionária fica inviabilizada ou, pelo menos, errática. Esta luta passa pelo rompimento com a frente popular e a política pequeno burguesa da frente de esquerda eleitoralista (da qual fazem parte o Psol, o PSTU, o PCB e satélites) que, de maneira recorrente e em questões fundamentais, tem se posicionado no mesmo campo da direita.
  8. No presente momento, o objetivo não deveria ser a formação de um partido com apenas um punhado de militantes. O que está colocado é a definição da melhor maneira para intervir na situação política no próximo período, quando o movimento operário deverá entrar em movimento novamente, a burocracia deverá ser ultrapassada e estará colocada a formação de partidos operários, revolucionários e de massas, inclusive em escala mundial.
  9. As organizações da esquerda ligadas ao regime burguês que existem hoje faz tempo que abandonaram os princípios leninistas de organização, a começar pelo jornal. Quem ainda mantém um jornal, o mantém com objetivos de arrecadação, ou como jornais informativos, jornais “amplos” da esquerda etc, que não têm absolutamente nada a ver com a necessidade de estruturar uma organização revolucionária para atuar nos setores de ponta da classe operária. As organizações menores se encontram desligadas da classe operária e, na maior parte das vezes, mergulhadas em tremenda confusão. Há, por exemplo, a confusão entre um jornal operário e um jornal amplo da esquerda; as dificuldades financeiras para sustentar a imprensa; a periodicidade; o conteúdo; a integração à luta revolucionária. Sobre o formato e a facilidade de leitura; sobre a política que deve transmitir etc.
  10. As questões políticas colocadas não negam, e, no sentido contrário, pressupõem, a necessidade de considerar os avanços tecnológicos e as peculiaridades da situação atual. É preciso avaliar em detalhes a melhor maneira de trabalhar com edições em papel e digital. Se as edições digitais podem substituir as edições em papel e em quais circunstâncias. O trabalho nas redes sociais, inclusive com as possibilidades relacionadas com audiovisuais. A periodicidade, o balanço entre as matérias de fundo, as notícias e as denúncias. A distribuição nos setores de ponta da classe operária.
  11. A tarefa colocada é a formação de um grupo de agitação e propaganda que aglutine os revolucionários em torno de um jornal político operário e revolucionário, para todo o Brasil, que seja usado como instrumento de organização real dos próprios revolucionários e da classe operária. O Jornal deverá ser o instrumento fundamental para desenvolver o programa revolucionário que, longe de ser algo estático, deve ser enriquecido com a análise do dia a dia à luz do desenvolvimento da luta de classes.
  12. O foco da atuação do novo agrupamento revolucionário deve ser nos setores de ponta da classe operária. Quando esses setores entram em movimento influenciam profundamente a situação política, como já o vimos acontecer no Brasil nos anos de 1970 e 1980 por exemplo. Esse agrupamento deve ser estruturado, em primeiro lugar, nos moldes estabelecidos por Vladimir I. Lenin no livro O Que Fazer? Lenin orientava a fundar um jornal político para toda a Rússia e que o partido se estruturasse em torno dele.

 

 

Não ao golpismo!

Pelas liberdades democráticas e os direitos dos trabalhadores!

Não ao ajuste!

Pela organização independente dos trabalhadores!

Que a crise seja paga pelos capitalistas!

VOLTA LULA?

0

 

0

A PRISÃO DE LULA, A DIREITA GOLPISTA, O GOVERNO DO PT E OS TRABALHADORES

Quais os interesses em jogo e qual é a saída para o aprofundamento da crise capitalista no Brasil?

 

  1. Na última sexta-feira, dia 4 de março de 2016, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva foi preso de forma truculenta pela Polícia Federal, que atuou obedecendo ordens do juiz Sérgio Moro, o homem da direita encarregado de conduzir a Operação Lava Jato. A “condução coercitiva”, seja pela razão do ex-presidente não se negar a depor na polícia ou, mais ainda, por todo o contexto político que envolve o caso, representa uma ação política dos órgãos que estão a serviço da direita golpista – o poder judiciário, os monopólios da imprensa burguesa e do aparato de repressão do Estado.
  2. A prisão do líder petista não se deu por acaso. Uma série de acontecimentos a precederam e indicavam que a Operação Lava Jato caminhava para isso. Dez dias antes da prisão, assistimos às delações premiadas de executivos do primeiro escalão de grandes empreiteiras Odebrecht e OAS) tentando envolver Lula e o Planalto no esquema de corrupção na Petrobrás. Foi seguida da prisão do marqueteiro petista João Santana e de sua mulher, e do vazamento (realizado pela Revista Isto É) do acordo de delação premiada do ex líder do PT no Senado, Delcídio Amaral, embora que não confirmado pelo próprio Delcídio. A campanha da imprensa capitalista acelerou-se após a demissão do ministro da Justiça José Eduardo Cardoso, homem de confiança da direita.
  3. No dia após a prisão de Lula, a sede do PT de Belo Horizonte sofreu um atentado, assim como o Instituto Lula em São Paulo, que amanheceu pichado com palavras de ordem da direita. Diante da prisão de Lula, milhares de militantes petistas e do movimento de massas se manifestaram em todo o Brasil. A ação mostrou a disposição em resistir ao golpismo e à truculência da direita. Entre as manifestações, vimos ações combativas de ativistas e trabalhadores contra grupos da direita.
  4. No entanto, Lula e a direção do PT propõem mais do mesmo cretinismo eleitoral para reagir à escalada desses ataques. Os atos de rua convocados para os dias 8, 13 e 31 de março deverão ter como eixo se contrapor à direita por meio do lançamento da campanha Lula 2018. Os atos em apoio ao governo Dilma, contra o impeachment, foram importante manifestação de força no ano passado. No entanto, mostraram a paralisia do PT e da burocracia sindical para mobilizar, que deverão contratar figurantes em grande número além da paralisia posterior aos atos.
  5. Enquanto chama os militantes à mobilização, a Frente Popular continua negociando acordos nos bastidores na esperança de que a situação se estabilize e que tudo caminhe para o desfecho da candidatura Lula em 2018. Mas essa candidatura pouco tem a oferecer ao povo brasileiro, principalmente no contexto da aceleração da crise capitalista no Brasil.
  6. A oposição à direita requer uma política revolucionária que passa, em primeiro lugar, pelo entendimento da evolução da atual conjuntura política no Brasil, na América Latina, nos Estados Unidos e no mundo.

 

O APROFUNDAMENTO DA CRISE CAPITALISTA

0

  1. O aprofundamento da crise capitalista tem aumentado os esforços do imperialismo para fazer com que os povos de todo o mundo, em particular a classe trabalhadora, paguem o preço e que os grandes monopólios mantenham os lucros.
  2. No Brasil, os mecanismos de contenção da crise capitalista, que estourou em 2008, começaram a apresentar sérias rachaduras em 2012 e, com maior intensidade, a partir do final de 2014. As mesmas tendências aconteceram em escala mundial, quando os obscenos repasses de recursos públicos para as grandes empresas e a inundação do mercado com crédito público provocaram bolhas gigantescas, o esgotamento do chamado “superciclo” das commodities, com a enorme queda dos preços das matérias primas, e a escalada da recessão. Agora, à queda gigantescas dos preços do minério de ferro e do petróleo, se soma a queda dos preços das matérias primas agrícolas e agropecuárias. O superávit da balança comercial brasileira, no ano passado, teve na base, em primeiro lugar, a queda das importações, das quais a economia ficou dependente de maneira umbilical devido à desaceleração industrial provocada pelo direcionamento do país para a produção e exportação especulativa de meia dúzia de matérias primas.
  3. Depois de setembro de 2008, o governo da Frente Popular, encabeçado pelo PT, direcionou um grande volume de recursos públicos, para as grandes empresas, por meio de créditos ao consumidor e o Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento), o aumento da especulação com a dívida pública e o aumento da camada parasitária de impostos e juros. Esses recursos públicos e a exportação de matérias primas foram os dois pilares de sustentação da economia nacional que criaram a ilusão de que o Brasil passaria incólume pela crise que atingia em cheio os centros. Como Lula disse, “a crise chegou ao Brasil como uma marolinha”, enquanto o país era devastado pela exploração hiper depredadora em prol das matérias primas. Uma espécie de volta à época colonial, que levou o Brasil a tornar-se o campeão mundial no uso de agrotóxicos, o vice campeão mundial no uso de transgênicos, que trouxe acidentes escandalosos como o recente caso da Samarco em Minas Gerais, que ameaça acabar com o Amazonas e o Pantanal devido à construção desenfreada e especulativa de hidroelétricas, que abriu o país à produção hiper depredadora do xisto etc etc.
  4. Em 2013, o governo Dilma, durante a gestão do então ministro da Fazenda Guido Mantega, abriu um novo período no repasse de recursos públicos, por meio da concessão de diversas isenções aos fabricantes da “linha branca”, e outros, com o objetivo de evitar a bancarrota generalizada devido ao aumento do contágio da crise capitalista mundial.
  5. Todas essas medidas têm entrado em colapso. E tal colapso tem levado o Brasil à linha de frente da crise capitalista. E trata-se apenas do aperitivo. O prato forte virá com o estouro de um novo colapso capitalista mundial, que está colocado para o próximo período nos grandes centros e que deverá ser muito pior que todos os anteriores devido ao brutal parasitismo e ao super endividamento dos estados burgueses. De acordo com os índices oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), o PIB caiu 1,7% no terceiro trimestre de 2015, em relação ao trimestre anterior, quando a queda tinha sido a maior das últimas décadas. No ano passado, a contração (oficial) da economia foi de aproximadamente -4% e, para este ano, a expectativa é de nova contração de -6%. As pressões inflacionárias crescem sem parar. De acordo com as estatísticas oficiais, a inflação fechou, no ano passado, acima dos 10%, e a expectativa para este ano é ainda pior. A principal meta imposta sobre o Brasil, pelo imperialismo, o chamado superávit primário (recursos destinado ao pagamento dos juros da dívida pública), está implodida por um déficit primário de R$ 104,4 bilhões, com a subida, em um ano, de 0,48% do PIB para 10,82%.
  6. Para sustentar os lucros dos capitalistas, principalmente o dos monopólios, a dívida pública (oficial) disparou para 67% e continua aumentando de maneira muito acelerada, enquanto os grandes bancos, principalmente internacionais, os chamados “primary dealers” (ou “negociadores primários) continuam obtendo suculentos lucros com taxas de juros muito superiores à oficial. As três principais agências qualificadoras de riscos, que são controladas pelos monopólios, colocaram o Brasil no status lixo, o que implica na disparada das dificuldades para o governo captar recursos e fechar as contas.
  7. No ano passado, o déficit nas contas correntes (a diferença entre tudo o que entra e tudo o que sai do Brasil) foi de US$ 92 bilhões, dos quais somente US$ 66 bilhões foi fechado com os chamados IEDs (Investimentos Estrangeiros Diretos), que já são muito especulativos. O restante foi fechado com capitais ainda mais especulativos, os chamados capitais andorinha.
  8. O Brasil segue nesse momento na linha de frente da crise capitalista internacional e essa situação irá se agravar com o aprofundamento da crise capitalista mundial. O pagamento dos serviços da ultra corrupta dívida pública brasileira, por exemplo, é insustentável manter-se a política ultra entreguista atual, e que já consome mais de 44% do Orçamento Público Federal de acordo com a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentária) enviada para aprovação ao Congresso. As altas taxas de juros brasileiras representam um caso único no mundo, ou o único lugar onde ainda há “perú com farofa”, como a direita brasileira gosta de dizer parafraseando o ex ministro da Fazenda da ditadura militar, Delfim Neto. Um fardo tão grande, que junto com os impostos, inviabilizam qualquer possibilidade de desenvolvimento do Brasil. Nos principais países, foram adotadas taxas de juros negativas, ou seja os monopólios são remunerados por obterem empréstimos, que são aplicados fundamentalmente na especulação financeira, tal o grau de parasitismo. O endividamento se generalizou alcançando níveis estratosféricos em escala mundial, enquanto a economia produtiva entrou em recessão. Hoje, somente os ultra nefastos derivativos financeiros movimentam, segundo a imprensa especializada, nada menos que US$ 700 trilhões, ou dez vezes o PIB mundial, mas, muito provavelmente, o volume seja muito maior.
  9. Em dois ou três anos, esses mecanismos especulativos deverão implodir no Brasil e, de manter-se as amarrações impostas pelo imperialismo, restarão duas opções, a moratória ou a hiperinflação. De acordo com o líder da Revolução Russa, Vladimir I. Lenin, não há nada mais revolucionário que a inflação.

 

O PT E A DIREITA: O “AJUSTE” NA BASE DO GOLPISMO

0

  1. O aprofundamento da crise capitalista está por trás da pressão do imperialismo para que seja aplicado um Plano de Ajuste que salve os lucros dos monopólios, nos moldes do que está sendo feito na Argentina ou na Grécia. A crise política, deflagrada há algum tempo, tem relação, justamente, com a incapacidade do PT em impor um ajuste contra os trabalhadores à altura do que é exigido. As políticas de Dilma Rousseff, embora tenham afetado muito os trabalhadores, ainda são consideradas insuficientes, erráticas, inconsistentes e incapazes de manter os lucros.
  2. Mesmo capitulando sistematicamente ao imperialismo e adotando diversas medidas anti-povo, o governo petista, devido à base social, não consegue avançar na profundidade requerida. Contando com o apoio de importantes organizações do movimento de massas, como a CUT, o MST e a UNE, mesmo que burocratizadas, o PT encontra extrema dificuldade em aplicar os pilares do ajuste impostos pelo imperialismo, principalmente a Reforma da Previdência, a Reforma Trabalhista e o amplo corte nas contas públicas, principalmente nos investimentos produtivos, nos programas sociais e na incorporação da burocracia sindical, política dos movimentos sociais. Se forem adotadas tais medidas pelo governo Dilma, a base petista se desagregaria, com a perda do apoio dos principais sindicatos, pois a própria burocracia sindical enfrentaria o risco de ser ultrapassada pelo descontentamento e o aumento da radicalização dos trabalhadores.
  3. O governo Dilma, na tentativa de “manter a governabilidade”, foi transformado num espantalho que dança na corda bamba, entre a pressão popular e do imperialismo. Vários ministérios e diretorias das empresas públicas são controlados por reconhecidos direitistas. A musa dos latifundiários, o setor mais reacionário da burguesia nacional, Kátia Abreu, foi colocada à frente do Ministério da Agricultura e aparece como amiga íntima da Dilma. A reforma agrária foi paralisada e os recursos públicos direcionados para o nefasto “agronegócio”. Um ex presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria) à frente do Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio. O próprio Kassab à frente do Ministério das cidades. Mais participação do PMDB. Mil conchavos com os partidos burgueses, os grandes empresários e o imperialismo, mas, mesmo assim, o governo do PT encontrou enormes dificuldades para aplicar o ajuste. Precisou recuar da tentativa de aplicar a Reforma da Previdência. O acordo com o vampiro José Serra, sobre a entrega do Pré-Sal para os monopólios, criou um gigantesco mal estar. A aprovação da lei Anti-terrorista, que representou uma imposição direta do imperialismo norte-americano, também gerou um gigantesco mal estar, apesar da tentativa, sem sucesso, de desvincular da criminalização dos movimentos sociais. A Reforma Trabalhista conta com o entrave da CUT.
  4. A nova onda dos ataques da direita contra o PT aconteceu a partir da substituição do banqueiro Joaquim Levy pelo “desenvolvimentista” Nelson Barbosa. No início do mês de março, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) manteve a Selic (taxa básica de juros) em 14,25%. Na semana anterior, no Programa Roda Viva, da TV Cultura, economistas que hoje assessoram o governo do PT, como o ex ministro da Fazenda Bresser Pereira e Luiz Gonzaga Beluzzo colocaram vários dos eixos dessa política “desenvolvimentista”, que os grandes bancos e os especuladores em geral repudiam. O próprio programa de “salvação da economia” do governo, apresentado recentemente, representou a tentativa de voltar a aplicar as políticas do governo Lula, de maneira requentada.
  5. Os monopólios não querem saber de “desenvolvimentismo”. Eles querem aumentar a espoliação do Brasil para conter a queda dos lucros, provocada pelo aprofundamento da crise mundial, por meio da especulação financeira. O detalhe é como fazer isto mantendo a máxima estabilidade social possível.
  6. Se trata de duas políticas. A do governo do PT, que se vale da criação de um colchão de controle por meio dos programas sociais e da cooptação do movimento sindical e social, e de partidos de esquerda, e da criação da frente popular. A política da direita tem como modelo o governo Macri na Argentina, Peña Nieto no México, Juan Manuel Santos na Colômbia ou até o falido Sebastián Piñeira no Chile. Trata-se de uma direita semi tradicional que busca entrar, aplicar pelo menos uma parte da cartilha neoliberal contra os trabalhadores, ainda não aplicada, sair, abrir espaço para os governos de frente popular acalmar os ânimos e voltar novamente. No Brasil, essa política é representada principalmente pelo Psdb. O problema é que essa política também não terá condições de manter os lucros dos monopólios no contexto do aprofundamento da crise e tenderá a abrir caminho para uma política mais dura e golpista.

 

LULA ESTÁ A SERVIÇO DO POVO BRASILEIRO?

0

  1. A prisão de Lula provocou uma enorme indignação entre a base e os simpatizantes do PT. Em Congonhas, na Sede Nacional do PT e na quadra do Sindicato dos Bancários, na cidade de São Paulo, o espírito era de ir para as ruas para enfrentar a direita. O mesmo espírito cresceu nas principais cidades do país. Na Sede Nacional, um jornalista da Globo chegou a ser identificado aos gritos da base petista que chamava para “enche-lo de porrada”. O discurso da FUP (Federação Única dos Petroleiros) foi, como não podia deixar de ser, o mais radical de todos.
  2. A direção do PT manobrou para concentrar os manifestantes nas sedes dos sindicatos e impedir que eles fossem para as ruas. O espírito era ocupar tudo o que fosse preciso. Lula voltou a aplicar a velha e conhecida política burocrática, que ele tinha aplicado com sucesso quando quebrou as greves dos metalúrgicos do ABC, há quase quatro décadas. Na quadra dos Bancários, ele pronunciou um longuíssimo discurso onde o direcionamento foi no sentido de que ele próprio, o Lula, tinha sido o melhor presidente do planeta no início deste século, que ele tinha um ótimo relacionamento com o direitista George W. Bush (sim o mesmo que invadiu o Iraque!), que os grandes empresários tinham ganhando muito dinheiro com ele, e que deviam continuar ganhando, e que os programas sociais e o crescimento do Brasil, nos governos dele, tinham sido os melhores da história do Brasil. Nesse sentido, a solução para os problemas seriam, supostamente, ele ir para as ruas para fazer a campanha para as eleições de 2018 e, por tabela, para as eleições municipais deste ano. Nem uma palavra sobre a direita e a escalada golpista, ou sobre a crise capitalista e, muito menos, sobre qualquer mudança estrutural. Nem uma palavra sobre a auditoria da ultra corrupta dívida pública, vetada por Dilma, ou sobre as mega fraudulentas privatizações. Nem uma única palavra sobre ir às ruas para enfrentar o golpe ou sobre a necessidade de enfrentar o cartel encabeçado pelo punhado de famílias que controlam as concessões da imprensa como se fossem capitanias hereditárias.
  3. Em 2002, Lula subiu ao Planalto por causa da política de conciliação e de submissão ao imperialismo. O principal cabo eleitoral foi o FHC, que tinha ficado com a “língua de fora” por causa da aplicação das políticas neoliberais que entregaram o Brasil numa escala sem precedentes. Os figurões do Psdb até chegaram a acompanhar uma delegação encabeçada pelo próprio Lula aos Estados Unidos para prometer ao próprio Bush que os acordos e o entreguismo seriam mantidos.
  4. O primeiro governo do PT, baseado na política de contenção das massas, começou a entrar em crise em 2005, quando estourou o escândalo do Mensalão. A direita, mesmo sem fôlego eleitoral, queria voltar ao governo “queimando” o PT. A crise voltou a estourar novamente em 2012, com a retomada do processo do Mensalão nas mesmas semanas do primeiro e segundo turno das eleições municipais. Voltou a escalar em 2014 com a campanha contra a Copa, promovida pela direita. E volta escalar agora. Não por acaso, a cotação do dólar caiu e o índice Ibovespa aumentou com a notícia da delação premiada de Delcídio Amaral e com a prisão de Lula.
  5. A sucessão de governos do PT representa uma “anomalia” no controle do estado burguês pelo grande capital e demonstra o colapso eleitoral da direita, atingida em cheio pelo colapso das políticas neoliberais a partir de 2008. A direita busca tirar o governo do PT para aplicar o plano de ajuste que o PT não consegue aplicar.
  6. O canto de sereia do Lula de que conseguirá “retomar o crescimento” não passa de pura demagogia e oculta os gravíssimos problemas que enfrenta o povo brasileiro. O objetivo é usar os trabalhadores brasileiros como massa de manobra eleitoral, ocultando a gravidade da situação.

 

O LULA E A POLÍTICA DO IMPERIALISMO

0

  1. Hoje, a política de colaboração de classes do PT tem se tornado um entrave aos planos do imperialismo por causa das dificuldades para aplicar o plano de ajuste contra os trabalhadores na intensidade necessária para salvar os lucros dos monopólios. O ideal para o imperialismo seria que a direita assumisse a frente do governo e que o PT se mantivesse na linha auxiliar, em segundo plano, no papel de segurar os trabalhadores. O problema é que as contradições internas do PT, acentuadas pelas políticas de capitulação da direção e impulsionadas pela crise, tendem a provocar o desenvolvimento de uma ala esquerda, o que acaba acentuando a necessidade da direção manobrar, tal como pode ser visto na ação do próprio Lula.
  2. Em razão da crise do regime político, impulsionada pela crise capitalista, a direita tem enfrentado enormes dificuldades para derrotar o PT em termos eleitorais, mesmo contando com o apoio de uma imprensa cartelizada. Mas, se bem os governos do PT garantiram obscenos lucros para as grandes empresas, em primeiro lugar para os grandes bancos, hoje não conseguem aplicar o ajuste que os monopólios demandam.
  3. Os enormes volumes de recursos repassados por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) e as obras do PAC (Plano Acelerado de Crescimento), que marcaram os governos do PT, devem ser redirecionados para os grandes bancos e a especulação financeira.
  4. O imperialismo necessita, no atual momento, não apenas paralisar e “adormecer” os sindicatos, mas impor derrotas profundas aos trabalhadores e quebrar a resistência até conseguir um rebaixamento considerável do preço da força de trabalho e das condições de vida da esmagadora maioria da população.
  5. Derrotar o PT e os sindicatos, embora não seja exatamente a mesma coisa, tem um importante ponto em comum, uma vez que é esse partido que controla a CUT, os principais sindicatos nacionais e os movimentos sociais. No momento atual, as direções sociais e sindicais estão burocratizadas devido à paralisia da classe operária. Mas, conforme já foi visto no Brasil no final da década de 1970 e na década de 1980, com a mobilização da classe operária, rapidamente, podem surgir oposições classistas com condições de derrubar rapidamente a burocracia sindical.

 

DEMOCRACIA, GOLPISMO E “LUTA CONTRA A CORRUPÇÃO”

0

  1. As crescentes dificuldades eleitorais da direita têm acelerado a adoção de métodos extra-parlamentares, ou, dito de outra forma, a se comportar de forma mais golpista.
  2. Hoje, no contexto regional, dominado pelo imperialismo, encabeçado pela Administração Obama, ficaria muito difícil impor um golpe de estado por meio de um golpe de estado pinochetista. As políticas de golpe de estado branco têm sido diminuídas por causa das eleições presidenciais que acontecerão nos Estados Unidos neste ano. O mesmo aconteceu no Oriente Médio, na Ucrânia e no Mar do Sul da China.
  3. O grosso das movimentações no Brasil têm como objetivo continuar acuando o PT, na tentativa de que sejam aceleradas as políticas de ajuste e de que seja possível garantir uma vitória da direita nas eleições municipais deste ano e nas eleições nacionais do próximo ano. A perspectiva do golpe de estado branco não foi descartada, continua em andamento, embora que com menos intensidade. Se for possível aplica-lo de uma maneira indolor, seria “maravilhoso” para a direita. Mas a prisão do Lula voltou a mostrar que as movimentações golpistas podem conduzir a uma gigantesca desestabilização com consequências imprevisíveis. O Brasil representa a principal potência regional latino-americana. Esse cenário poderá mudar dependendo do resultado das eleições nos Estados Unidos, do aprofundamento da crise capitalista e da evolução da situação política nacional, e principalmente internacional.
  4. A suposta “luta contra a corrupção” não passa de uma farsa e de uma campanha com objetivos específicos. O Trensalão (corrupção no Metrô de São Paulo) ou o chamado Mensalão Mineiro nunca foram investigados. A corrupção é generalizada em todas as empresas públicas, em todas as esferas públicas, inclusive porque se trata do principal mecanismo para as grandes empresas continuarem garantindo o assalto aos cofres públicos, sem os quais não há lucros. E, por outro lado, há a “corrupção legalizada”, como as escandalosas privatizações feitas nos governos FHC ou a ultra corrupta dívida pública.
  5. As ações extra-parlamentares não são direcionadas somente contra o PT. Elas se dirigem, em primeiro lugar, contra o PT, mas, o alvo principal se direciona contra o conjunto da classe trabalhadora, suas lutas e, principalmente, suas organizações. A ofensiva, embora atinja hoje os dirigentes do PT, sempre terá como alvo principal o direito de organização, e de fazer greves e manifestações, entre outros. Não por acaso, assistimos tanto a prisão de dirigentes petistas como ao recrudescimento da repressão contra greves, passeatas, manifestações populares. O crescente endurecimento do regime político reflete o aprofundamento da crise e a perspectiva do acirramento do confronto de classes que é o que está colocado para o próximo período.
  6. Aqui temos uma importante conclusão política. Embora o PT e a direita representem as duas alas principais do regime burguês, a forma de dominação de classe exercida por meio delas entrou em contradição e conflito devido ao aprofundamento da crise econômica e política. Enquanto o PT governa por meio da conciliação de classes, paralisando organizações como a CUT, a UNE (dirigida pelo PcdoB), o MST e os demais movimentos sociais, a direita busca estabelecer o domínio com base na liquidação dos elementos da democracia operária. Essa diferença é fundamental hoje e muito importante na perspectiva da evolução da luta da classe operária no próximo período. Nenhum grupo revolucionário sério pode atuar na situação política sem entender essa questão. Falar que todos são a mesma coisa, ou Fora Todos! (como o faz o PSTU) é muito fácil. Mas qual é o sentido e objetivo? No que contribui para separar os trabalhadores da frente popular? O mesmo resultado provoca a capitulação à frente popular.

 

O GOVERNO DILMA E A FRENTE POPULAR DEVEM SER DEFENDIDOS?

0

  1. Em benefício de quem está colocada a tal da “governabilidade”?
  2. A esquerda revolucionária deve se opor, de maneira enérgica, aos ataques antidemocráticos promovidos pela direita contra o PT, tais como a prisão dos dirigentes pela Operação Lava Jato, o pedido de impeachment no Congresso Nacional, a prisão truculenta de Lula, os ataques fascistas às sedes do PT e ao Instituto Lula etc. Os revolucionários NUNCA podem se colocar no mesmo campo da direita, como é feito, de maneira inescrupulosa e recorrente, pela esquerda pequeno-burguesa.
  3. Ao mesmo tempo, os revolucionários NÃO devem se colocar a reboque da frente popular liderada pelo PT. O governo do PT representa um instrumento para aplicar, de maneira parcial, o ajuste contra os trabalhadores e para impedir a organização independente da classe operária. A candidatura Lula não tem nada para oferecer aos trabalhadores, a não ser a tentativa de manter algumas migalhas repassadas pelos programas sociais, num cenário em que os recursos tendem a se tornar muito mais escassos, enquanto o grosso dos recursos continuam sendo direcionados para o grande capital. Enquanto o programa Bolsa Família, por exemplo, consome pouco mais de R$ 22 bilhões, somente no ano passado, foram repassados aos banqueiros, como juros da ultra corrupta dívida pública, nada menos que R$ 350 bilhões. Na tentativa, semi frustrada de conter a disparada do dólar, foram gastos quase US$ 100 bilhões. E o mais grave é que a política da frente popular, representa um importante entrave para a luta independente dos trabalhadores contra o capital.
  4. A esquerda burguesa e pequeno burguesa “esqueceu” os princípios fundamentais da luta da classe operária e da independência de classe. É preciso levantar as bandeiras do governo operário e camponês. A única maneira de enfrentar o golpismo é por meio do armamento da população. As direções das empresas públicas devem ser eleitas pelos trabalhadores. Os ministros capitalistas não podem participar de um governo dos trabalhadores. A dívida pública deve ser cancelada. O sistema financeiro deve ser estatizado sobre o controle dos trabalhadores. As (ultra corruptas) privatizações devem ser revertidas sobre o controle dos trabalhadores etc.
  5. A suposta política anti-golpe, a reboque da frente popular, repete a política hiper oportunista do VII Congresso da III Internacional Comunista (1935), da frente única antifascista de Dimitrov/ Stalin, que hoje até a maioria dos “estalinistas” repudiam. O governo do PT está apodrecendo e ele próprio se transformou numa das principais engrenagens que abre caminho ao golpe: mil capitulações, ministros da direita (em prol da governabilidade), o ajuste contra os trabalhadores (mesmo que parcial), a Lei Anti-terrorista, a entrega do Pré-Sal etc

FRENTE ÚNICA PARA LUTAR

0

  1. O conjunto dos principais grupos da esquerda se encontra dividido, fundamentalmente, em duas alas. Por um lado, a esquerda pequena-burguesa (PSTU, Psol, PCB e outros grupos), que a pretexto de negarem a Frente Popular se colocam no campo da direita, apoiando, direta ou disfarçadamente, as ações da direita como, por exemplo, a prisão de Lula ou as campanhas da direita do Não Vai Ter Copa, do Lavajato ou do Mensalão. Por outro lado, a Frente Popular, encabeçada pelo PT, se coloca contra o golpismo da direita, mas a favor da política de conciliação de classes e da manutenção dos acordos com o imperialismo promovidos pelas direções petistas.
  2. Na atual conjuntura, aparece, de maneira cada vez mais urgente, a necessidade da formação de uma FRENTE ÚNICA para impulsionar a luta dos trabalhadores. A luta contra o golpismo deve ser vinculada à luta contra a tentativa de descarregar o peso da crise sobre os trabalhadores, contra o ajuste. Sem a luta contra o ajuste (contra os trabalhadores) e as (vergonhosas) capitulações do governo do PT é impossível lutar contra o golpismo.
  3. A FRENTE ÚNICA da esquerda, dos sindicatos e das organizações de massa do proletariado deve ter como objetivo unificar a classe operária e suas diferentes frações por meio de ações comuns, o que deve ser feito com o auxílio de suas organizações de massa. O golpismo da direita deve ser combatido nas ruas, mas as políticas ajustadoras e a capitulação do governo Dilma devem ser denunciadas como engrenagens fundamentais que abrem passo ao golpismo. Uma defesa cega do governo do PT, um cheque em branco para a candidatura Lula, além de se encontrarem longe de resolver o problema da gravíssima crise no Brasil, representa uma enorme traição aos trabalhadores.
  4. A FRENTE ÚNICA deve aplicar a antiga divisa “caminhar separados, golpear juntos” e não abre mão, de jeito nenhum, da independência de classe do proletariado. É preciso explicar aos trabalhadores que se defende o PT contra a direita no interesse dos trabalhadores, mas jamais se defende o PT apoiando sua política, que representa um ataque aos trabalhadores. A FRENTE ÚNICA não exclui a luta contra o governo petista ajustador e capitulador. O governo do PT, apesar de ser vítima da ofensiva da direita, deve ser denunciado como instrumento que alimenta essa ofensiva.
  5. Para o próximo período, está colocado o inevitável aprofundamento da crise capitalista e, em cima desta base, a entrada em movimento, novamente, da classe operária, no Brasil e no mundo. Será a retomada, numa escala ainda superior, do movimento grevista da década de 1980, que, no Brasil, atingiu o pico com a formação da CUT em 1983 e as 15 mil greves de 1985, mas que foi sufocado pelas políticas neoliberais. O novo período de ascensão operária colocará, também de maneira inevitável, à ordem do dia a criação de um partido operário, revolucionário e de massas, independente de todos os setores da burguesia e de todos os partidos integrados ao regime burguês. Isso não tem nada a ver com a “eleição de deputados”, que é a principal pauta, na prática, de boa parte da esquerda pequeno burguesa, e muito menos com a eleição de Lula em 2018 ou a defesa das capitulações do PT. Esses agrupamentos deverão ser varridos do mapa pela nova ascensão das massas e uma nova esquerda revolucionária deverá ser formada. Rachas no PT, e até nos demais partidos, deverão ser colocados à ordem do dia, separando as alas direita dos elementos revolucionários que deverão se fortalecer conforme a ascensão dos trabalhadores acontecer. A história mundial está cheia de exemplos neste sentido. A análise profunda da história e das revoluções tornou-se uma tarefa fundamental para compreender a realidade atual.
  6. O que está colocado é levantar as bandeiras operárias e a luta pelas questões que podem tirar o Brasil, e os demais países, da crise, as medidas que passam pela luta contra o grande capital (o chamado 1% que governa o mundo) e a sobrevivência dos trabalhadores, que, cada vez mais, ficarão encurralados pelos capitalistas. Essas bandeiras foram abandonas pela esquerda oportunista. Sem uma avaliação profunda da realidade e, sobre esta base, o estabelecimento de uma política correta, esta luta fica inviabilizada ou, pelo menos, errática. Esta luta passa pelo rompimento com a frente popular e a política pequeno burguesa da frente de esquerda eleitoralista ou de posicionar-se no mesmo campo da direita.
  7. No presente momento, a tarefa colocada é a formação de um grupo de agitação e propaganda que aglutine os revolucionários em torno de um jornal político revolucionário, para todo o Brasil, que seja usado como instrumento de organização real dos próprios revolucionários e da classe operária que começa a dar sinais, cada vez mais claros, de que começou a acordar do longo sono neoliberal.

 

Que a crise seja paga pelos capitalistas!

Não ao golpismo!

Pelas liberdades democráticas e os direitos dos trabalhadores!

Não ao ajuste!

Pela organização independente dos trabalhadores!

 

Eleições 2015 na Venezuela – GOLPE OU ACORDO?

00

 

O que está por trás do colapso do chavismo e da ascensão da direita?

00

O entendimento da enorme derrota que o chavismo sofreu nas recentes eleições legislativas é fundamental para avaliar o desenvolvimento da situação política na América Latina, incluindo o Brasil.

A propaganda chavista tenta minimizar a derrota levantando considerações como que já tinham sofrido uma derrota similar em 2008 no referendo para mudar a Constituição de 1998 e de que a direita será enfrentada nas ruas se necessário. Na realidade, são contextos totalmente diferentes.

Hoje, o chavismo e o chamado “Socialismo do Século XXI” se esgotaram. Por que? Porque a base desse “socialismo” está sustentada nos programas sociais, em grande medida assistencialistas, a partir da renda obtida dos altos preços das matérias primas nos mercados internacionais. Em nenhum momento, o chavismo, Evo Morales ou Rafael Correia se propuseram expropriar o capital, romper com os “acordos” impostos pelo imperialismo ou demolir o estado burguês para colocar em pé o poder da população armada, de cima a baixo. Muito pelo contrário, esses países continuaram sendo ótimos pagadores da dívida pública e mantiveram os acordos com o imperialismo no fundamental. As expropriações que o chavismo ou o Evo Morales fizeram, foram nacionalizações e bem pagas, tanto no comercio, na indústria e em relação à propriedade da terra. As empresas expropriadas nunca conseguiram ser colocadas em pé por causa da paralisia e do burocratismo do PSUV (Partido Socialista Unificado da Venezuela) e dos aparatos do estado.

Quando o preço do petróleo despencou, as finanças públicas colapsaram. Em pouco mais de um ano, o preço caiu de US$ 110 o barril para menos de US$ 40.

As políticas do chavismo se tornaram ainda mais erráticas e o desabastecimento se tornou em mais uma forma de especulação com o dólar. Obviamente, isso foi potencializado pelo grande capital, mas o grosso das engrenagens do colapso já estava colocado.

 

NÃO FOI UM GOLPE. HOUVE ACORDO

 

Devido ao grau de radicalização das massas venezuelanas, o chavismo destina aos programas sociais mais de 40% do orçamento público. Essa situação é insustentável. Por esse motivo, desde o ano passado, o setor dominante do chavismo e a direita menos truculenta, encabeçada pelo governador do Estado de Miranda, Hugo Capriles, se aliaram para colocar um fim nos protestos de rua impulsionados pela extrema direita, encabeçada por Leopoldo López, do Partido Voluntad del Pueblo, que acabou sendo preso.

A situação do chavismo é muito similar à que aconteceu no colapso do bloco soviético, nos anos de 1980. Lá, o movimento grevista que tomou conta da Polônia em 1980, por conta da crise econômica, deixou claro que não dava mais para continuar daquela maneira. A burocracia que governava esses países acabou fazendo um acordo com a direita e o imperialismo e conduziu à restauração do “capitalismo de mercado”, onde ela própria manteve os privilégios contra as massas.

Na Venezuela, não estourou nenhum movimento de massas, pelo menos ainda. Mas o descontentamento social é muito perceptível. Nas eleições legislativas, o chavismo perdeu até no Bairro 23 de Janeiro, em Caracas, o centro eleitoral do Hugo Chávez, onde o chavismo nunca tinha perdido uma única eleição. O Bairro é também um dos centros anti golpistas mais importante, dos Coletivos e das milícias, com a população armada.

O chavismo aprovou, às vésperas das eleições, na Assembleia Nacional, o Orçamento de 2016, com 42% destinado aos programas sociais. Mas isso foi pura demagogia para conter o alto grau de radicalização das massas.

O chavismo precisa da direita para impor o ajuste contra as massas. A direita precisa do chavismo, ou pelo menos dos setores hegemônicos e burocráticos, para controlar as massas e impor o ajuste. Isso apesar das contradições que existem.

Na Venezuela, triunfou a política impulsionada pela Administração Obama para a América Latina, da mesma maneira que triunfou na Argentina, com Maurício Macri, e avança no Brasil encurralando o governo do PT e impondo o ajuste, mesmo que ainda não na medida desejada.

No próximo ano, acontecerão as eleições presidenciais nos Estados Unidos. Até lá, a menos que haja uma mudança do cenário político, essa política deverá prevalecer.

O chavismo foi derrotado. No próximo período, ele deverá implodir. Sobre essa base, deverão surgir setores revolucionários que deverão levar em frente a luta pela revolução proletária. Já é possível identificar esses setores nos movimentos sociais.

ELEIÇÕES ARGENTINA – 2O TURNO (2) – GOLPE DE ESTADO NA AMÉRICA LATINA?

1

1

 

Com a vitória de Maurício Macri, a estratégia da Administração Obama para a América Latina conseguiu ser imposta na Argentina, a segunda maior potência da América do Sul, atrás do Brasil. A política neoliberal de alta intensidade pela via “democrática” ganhou um novo fôlego. Essa política segue o modelo do México, onde a Administração Obama impôs uma direita reciclada, encabeçada por Peña Nieto, do PRI (Partido Revolucionário Institucional), com o objetivo de privatizar Petróleos Mexicanos, Pemex, (o que já foi feito), o setor elétrico (o que está sendo encaminhado), a educação pública (o que tem enfrentado enorme pressão contrária por parte da população) e a reforma trabalhista (que já foi feita).

A política encabeçada por Obama agora conta com o México, a Colômbia e a Argentina para servirem como ponta de lança contra os governos nacionalistas da América do Sul, a começar pelo Brasil.

A política do golpe aberto continua desescalada, embora não eliminada, e em velocidade cruzeiro. No Equador, foi enviado o Papa há três meses para conter a histeria direitista. Na Venezuela, a direita histérica está relativamente “tranquila”, na comparação do que tem acontecido nos últimos anos, a apenas duas semanas das eleições que acontecerão no dia 6 de dezembro. A Administração Obama pressiona pela incorporação da direita ao governo. O governo Maduro, apesar da retórica, tem buscado uma saída negociada com o líder da MUD, que agrupa a direita, Hugo Capriles. A pressão sobre o governo Maduro tem aumentado pela ameaça da direita de desconhecer as eleições caso “haja fraude”, o que equivale a dizer caso os resultados não lhe sejam favoráveis.

A direita tradicional norte-americana, encabeçada por Obama, disputa contra a direita truculenta do Tea Party, agrupada no Partido Republicano, o fortalecimento da dita “contrarrevolução democrática” no contexto das eleições presidenciais que acontecerão em 2016. A prioridade se tornou a estabilização do Oriente Médio, o principal ponto de conflito em escala mundial. Por esse motivo, o conflito na Ucrânia, da mesma maneira que aconteceu com as tensões no Mar do Sul da China e na América Latina, foi desescalado.

O desenvolvimento da situação política depende do aprofundamento da crise capitalista mundial, que tende a avançar de maneira acelerada sobre os países centrais no próximo período arrastando o mundo inteiro para um colapso de proporções gigantescas. A burguesia imperialista continua fortalecendo a carta da extrema direita para usa-la no momento em que as outras alternativas se esgotarem. Um ponto chave da evolução política mundial serão as eleições do próximo ano nos Estados Unidos.

 

OS GOVERNOS NACIONALISTAS BURGUESES, ENGRENAGENS DA DIREITA

 

O principal responsável pela vitória de Macri foi o governo Kirchner com a política de capitulação ao imperialismo. A base eleitoral do kirchnerismo foi rachada pela pressão dos monopólios. Uma ala direita, encabeçada por Daniel Scioli, Sergio Berni (um elemento ligado à ditadura militar e que tem ocupado vários cargos no primeiro escalão dos governos kirchneristas), Granados e vários governadores kirchneristas, acabou se aproximando das políticas da direita e ficando à cabeça do kirchnerismo. O governo acompanhou essa virada, ele mesmo criando as bases para os ataques contra os trabalhadores, o ajuste.

Com o objetivo de evitar explosões sociais, o governo de Cristina tem mantido subsídios sobre os serviços públicos que consomem 4% do PIB e que a burguesia considera como os vilões do esvaziamento das reservas internacionais. O déficit público esperado para este ano é de 8% do PIB. A direita, e inclusive a direita do kirchnerismo, busca reduzir sensivelmente esses subsídios e aumentar o direcionamento dos recursos públicos para o pagamento da ultra corrupta dívida pública e outros mecanismos especulativos.

O programa de Macri representa “mais do mesmo” neoliberalismo a la Menen. Uma maior desvalorização do peso, o aumento do direcionamento dos recursos públicos para a especulação financeira e o corte dos subsídios com aumentos brutais das tarifas dos serviços públicos. A recessão industrial deverá acelerar, assim como também aumentará a entrega dos recursos naturais para os monopólios, principalmente o petróleo, o gás e a agropecuária. A diferença entre Macri e Scioli é a intensidade, a velocidade, com que essa política seria aplicada.

O racha e a direitização do kirchnerismo estão na base do fortalecimento do macrismo, que venceu as eleições logo após de quase ter perdido o controle da Prefeitura da cidade de Buenos Aires. A capitulação dos governos nacionalistas burgueses ao imperialismo representam, na situação política atual, um dos principais componentes do avanço da direita que cria as condições para o fortalecimento do golpismo. Por esse motivo, é preciso denunciar essa capitulação e mobilizar os trabalhadores contra a escalada dos ataques.

SÉRIE SOBRE AS ELEIÇÕES NA ARGENTINA, 2o. TURNO

1- Macri: Democracia neoliberal a la Obama

https://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-1-macri-democracia-neoliberal-a-la-obama/

2- Golpe de estado na América Latina

https://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-2-golpe-de-estado-na-america-latina/

3- O fim do Mercosul?

https://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-3-o-fim-do-mercosul/

4- Crise política na Argentina e na América Latina

https://alejandroacosta.net/2015/11/23/eleicoes-argentina-2o-turno-4-crise-politica-na-argentina-e-na-america-latina/

 

O QUE A RÚSSIA GANHA NA SÍRIA?

0

1

O que está por trás dos bombardeios na Síria?

A imprensa burguesa tem dado destaque aos bombardeios das posições dos “rebeldes” do Estado Islâmico, da al-Qaeda e de vários outros grupos na Síria pela Rússia. A posição predominante destaca os excessos dos russos. A ala direita, com o apoio de boa parte da esquerda pequeno-burguesa, quer a retirada dos russos. Outra parte da esquerda se indaga sobre o porque a Rússia não entrou em cena antes. Em fim, ainda fica a questão do porque o “quase invencível” Estados Islâmico não foi atacado com firmeza antes.

Na realidade, a ação militar da Rússia na Síria passa por um acordo, uma frente única, impulsionada pela Administração Obama, a partir da visita de John Kerry, o secretario do Departamento de Estado a Sochi (sul da Rússia). O objetivo é estabilizar a crise no Oriente Médio, que ameaça botar fogo na região, uma das mais críticas do mundo. Em contrapartida, a escalada das tensões foi reduzida na Ucrânia e no Mar da China.

A ala ligada a Obama busca confrontar a política abertamente belicista da ala direita do imperialismo, principalmente do imperialismo norte-americano que já domina as duas câmaras do Congresso e que é aliada estreita da Arábia Saudita (um dos principais patrocinadores de vários grupos “rebeldes”) e dos sionistas israelenses. Obama conta com o apoio de François Hollande e Angela Merkel. Na frente única cabe um papel de primeiro plano à Rússia e ao Irã. Agora também estão entrando em cena os chineses, que anunciaram o envio de assessores militares.

Os chineses estão muito preocupados com os próprios “rebeldes”. Aconteceram atentados terroristas não somente na província de Xinjiang, localizada na fronteira com o Paquistão, mas também perto da fronteira com o Vietnam. Além disso, a política do Novo Caminho da Seda tem se tornado fundamental na tentativa de conter a crise capitalista, facilitando o comércio com a Europa, e ultrapassando a armadilha do Estreito de Malaca, controlado pela marinha norte-americana.

O acordo nuclear com o Irã deve ser analisado sobre os pontos colocados acima. E o Irã significa a atuação em campo do Hizbollah, a poderosa milícia libanesa, e das milícias xiitas iraquianas.

QUAIS SÃO OS GANHOS CONCRETOS DA RÚSSIA?

1- A criação de um enclave russo na Síria, lhe permite negociar desde uma posição melhor a “estabilização” na Síria, facilitando as barganhas e, principalmente, o levantamento das sanções. Exatamente igual à política de contenção do imperialismo aplicada nos demais enclaves, Transnítria, repúblicas de Donetsk e Lugansk, Ossétia do Sul, Abkhrasia, Nagorno-Karabakh.

2- A questão da Ucrânia e da Crimeia, junto com as sanções é uma das moedas de troca, tanto no sentido das sanções quanto a conter a entrada da Ucrânia na OTAN que é o grande ponto vermelho da política russa. A política preferencial do governo Putin busca que o Donbass continue fazendo parte da Ucrânia, mas que as duas repúblicas separatistas (Donetsk e Lugansk) tenham status autônomo e poder de veto na Rada (parlamento), principalmente em questões críticas como a entrada na União Europeia e na OTAN.

3- A contenção do avanço dos “rebeldes” para o Cáucaso, a Ásia Central e o sul da Rússia. Não deve ser esquecido que aconteceram duas guerras sangrentas na Tchechênia na década de 1990, numa das quais o Daguestão foi envolvido. Há milhares de “rebeldes” dessas regiões na Síria, no Iraque e em vários outros países, inclusive na Ucrânia, do lado dos golpistas.

4- A disputa pelo controle do Oriente Médio, o que inclui única base que a Rússia possui no Mar Mediterrâneo, localizada no porto de Tartus (Síria, norte do Líbano), com as demais potências regionais e imperialistas. A Arábia Saudita, o Catar e a Turquia apoiam uma miríade de grupos “rebeldes”. Israel apoia a al-Qaeda em Quneitra, no sul da Síria.

A Administração Obama ficou “pendurada na brocha” na tentativa de criar o próprio grupo de “rebeldes”, não confia no “Exército Sírio Livre” e passou a depender do Hizbollah, das milícias xiitas, dos iranianos, dos russos e dos curdos, para desespero da reação mundial. Tal o grau de crise do imperialismo no Oriente Médio.

5- O fortalecimento da política chinesa do Novo Caminho da Seda, da qual a Rússia é um pivô, e que passa pelo Oriente Médio.

6- O fortalecimento da unidade nacional, em torno ao governo Putin, no contexto do aprofundamento da crise capitalista. A Rússia se encontra em recessão há quatro anos. A redução do orçamento público ameaça com a retomada da desestabilização das províncias de cinco anos atrás.

7- A Síria serve de palco (“showzinho”) de apresentação da “eficiência” das armas russas. A Rússia é o segundo maior exportador de armas no mundo. O governo Putin lançou uma política, em 2012, para prioriza-lo sobre todos os demais setores da economia, inclusive o de petróleo.

O efeito colateral desses ganhos, é que a Rússia pode se empantanar da mesma maneira que aconteceu com a União Soviética no Afeganistão, principalmente se a ala direita do imperialismo se fortalecer no próximo período.

2 0

FRACASSO DE JOAQUIM LEVY?

0

3A política econômica implantada no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, com o ministro da Fazenda Joaquim Levy, tem levado ao aprofundamento da recessão no Brasil. A produção industrial se encontra paralisada e contraindo; somente em junho a queda foi de 3,2% (dados oficiais) em relação ao ano passado, que se eleva para 6,3% considerando o primeiro semestre do ano. A produção de meios de produção, os bens de capital (máquinas, equipamentos e instalações) caiu 20%, após ter caído no ano passado 11,2%. Os bens de consumo duráveis caíram 14,6% e 10,1% respectivamente.

As pressões inflacionárias aumentam a carestia da vida. A balança comercial despencou por causa da queda dos preços das matérias primas (commodities) nos mercados especulativos internacionais. O desemprego aumenta, mesmo nas estatísticas ultra manipuladas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). O Brasil saiu no pelotão da frente dos países que avançam a passos largos em direção a um novo colapso mundial.

RECESSÃO E SUPERÁVIT PRIMÁRIO

A política do governo do PT é recessiva e tem como objetivo, em linhas gerais, salvar os lucros dos bancos. Mas o PT tem vínculos com setores da burguesia nacional que ainda continuam recebendo fartos financiamentos hiper subsidiados. Recentemente, foram direcionados R$ 15 bilhões para salvar os lucros das montadoras. É aqui onde se encontra a principal contradição com a direita que representa abertamente os interesses do imperialismo.

O imperialismo busca impor um ataque em escala ainda muito maior contra as massas e reduzir ainda mais os recursos repassados para os setores da burguesia nacional. Algo assim como o que está sendo feito na Grécia.

A política recessiva, como já foi feito no Brasil no início da década de 1980, quando Delfim Netto foi ministro da Fazenda, tem como objetivo paralisar a produção, com o objetivo de controlar a inflação, mesmo provocando o efeito colateral do aumento do desemprego. A redução dos salários tem como objetivo recuperar a taxa geral de lucros. Quando Armínio Fraga foi anunciado como o novo eventual ministro da Fazenda de Aécio Neves, numa das primeiras declarações, anunciou que o “principal problema” do Brasil eram, supostamente, os salários, que seriam muito altos e, portanto, deveriam ser reduzidos, pelo menos, pela metade.

O governo do PT, como típico governo nacionalista burguês, tem aumentado os ataques contra os trabalhadores, mesmo que não na escala que a burguesia imperialista gostaria. A política econômica do governo é simplesmente desastrosa em relação aos interesses dos trabalhadores, apesar de ainda não terem sido atacados da maneira que a direita gostaria.

A meta do superávit fiscal, prometida por Levy para 1,2% do PIB para este ano, deverá cair para 0,4% segundo o relator do Orçamento no Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR). De acordo com o Ministério do Planejamento deverá cair para algo próximo de 0,8% do PIB. O superávit fiscal é a priorização dos recursos que são destinados ao pagamento dos juros da “nossa” ultra corrupta dívida pública. A palavra de ordem do imperialismo é tudo deve ser entregue aos bancos, a qualquer custo.

O REGIME POLÍTICO NA ENCRUXILHADA

O governo do PT foi colocado contra a parede no final do ano passado com a ameaça de rejeitar as contas públicas fortemente “contaminadas” com as ditas “pedaladas fiscais”.

Perante a ameaça de impeachment, a presidente Dilma trocou o ministro da Fazenda Guido Mantega por um homem ligado aos bancos, Joaquim Levy. Mas Levy não é Armínio Fraga, este um homem do mega especulador norte-americano George Soros. Levy é um membro da diretoria de um banco menor em escala mundial, o Bradesco.

Levy não conseguiu colocar em pé um “plano de austeridade” na escala que o imperialismo gostaria, inclusive por conta das amarrações do governo do PT com a base de massas, mesmo eleitoral, e setores da burguesia nacional. Os programas sociais, apesar de miseráveis, foram mantidos em linhas gerais. Os repasses de recursos públicos para os grandes capitalistas do setor produtivo não foram congelados. A Petrobras não foi entregue de maneira integral, como aconteceu recentemente com Pemex (Petróleo Mexicanos). E, principalmente, os salários não foram atacados na escala “necessária” para “manter a competitividade”.

Em outras palavras, o capitalismo tupiniquim brasileiro se defronta com uma espécie de Frankenstein. Um governo entreguista que, devido à sua base de massas, não consegue impor um plano que atenda os interesses da burguesia imperialista em crise. Ao mesmo tempo, a direita, apesar de toda a pressão dos setores dominantes do capital, não tem conseguido costurar as condições políticas para impor um governo mais duro. A direita tem enfrentado enormes dificuldades para apresentar uma fórmula que lhe permita voltar ao governo por meio dos mecanismos eleitorais, apesar de ultra corruptos e controlados pelo grande capital. As condições para impor um novo governo de força por meio de mecanismos extra parlamentares também enfrentam enormes dificuldades para serem colocados em pé, ao mesmo tempo que está em aberto a possibilidade de uma reação das massas. Os efeitos dessa reação abrem uma gigantesca crise no regime político de conjunto, conforme pode ser visto na Venezuela a partir do fracasso do golpe contra o governo de Hugo Chávez no início da década passada.

5 4 2 1 0cr

VENEZUELA – O “CHAVISMO” ESTÁ ESGOTADO?

0

0

Qual é o significado do rápido aprofundamento da crise capitalista? E qual é a política do governo de Nicolás Maduro para enfrenta-la?

No final deste ano, acontecerão as eleições legislativas nacionais, em meio ao aprofundamento da crise capitalista e aos ataques da direita. A PDVSA (Petróleo de Venezuela) está na mira.

O recente fechamento das fronteiras teve como objetivo conter a infiltração dos grupos de extrema direita e reduzir o contrabando de alimentos e energia para a Colômbia.

A inflação e o desabastecimento dispararam. A queda do preço do barril do petróleo tem colocado o orçamento estatal em xeque. Os governos chavistas não diversificaram a economia. Eles direcionaram 40% do orçamento estatal para os programas sociais, mas não atacaram o capital, mantiveram os acordos e contratos com o imperialismo e não promoveram a diversificação da produção industrial. Essa política é típica dos governos nacionalistas já que representa os interesses de setores da burguesia nacional, apoiada nas massas, que entram, com frequência, em choque com os interesses do imperialismo.

Mas o aprofundamento da crise capitalista na Venezuela não significa que o governo chavista esteja esgotado. A crise do chavismo aumenta por causa do aumento da carestia da vida, da inflação e do desemprego. Mas a crise da direita pró-imperialista é ainda pior. Se trata de uma direita ultra truculenta, que tem no “currículo” a entrega do país por meio das políticas neoliberais, que tem tentado derrubar os governos chavistas por meio de golpes de estado, mas que não tem nada a oferecer além do corte dos programas sociais e a entrega da PDVSA (Petróleo de Venezuela) para os monopólios.

A POLÍTICA DOS “CHAVISTAS” PARA ENFRENTAR A CRISE

1A extrema direita promoveu uma série de mobilizações estudantis com o objetivo de desestabilizar o governo nacionalista burguês de Nicolás Maduro, da mesma maneira que tinha feito durante os governos de Hugo Chávez. O propósito declarado tem sido o de criar as condições impor um governo de força contra a população, nos mesmos moldes dos recentes golpes de estado da Ucrânia, no Egito e na Tailândia, promovidos pelo imperialismo. Os grupos de extrema direita têm sido usados como tropa de choque em movimentações similares que têm se intensificado em vários países. Mas quando Leopoldo López, um dos principais representantes da extrema direita na Venezuela, foi confrontado pela base de massas do chavismo, a direitista MUD (Mesa de Unidade Democrática), liderada por Hugo Capriles, lhe retirou o apoio. Por que?

Uma parte importante da população, principalmente nos bairros pobres, está armada. A esta situação se chegou com o fracasso do golpe de estado contra Hugo Chávez que aconteceu no início da década passada.

O governo Maduro tem buscado a negociação com o imperialismo norte-americano e com a direita que está unificada na MUD.

O “chavismo” se encontra dividido. Há setores que buscam reduzir o percentual do orçamento público direcionado para os investimentos sociais.

O grande problema do nacionalismo é a ilusão na democracia burguesa, apesar das enormes limitações, o que tem conduzido à paralisia e à falta de políticas para enfrentar as políticas da direita, pois a única maneira para viabiliza-las seria a mobilização dos trabalhadores. A burguesia nacionalista é obrigada a criar um programa que contempla alguns aspectos da soberania nacional e alguns dos interesses dos trabalhadores.

A esquerda pequeno-burguesa, no geral, não consegue avaliar a situação e acaba oscilando entre os vários setores, e, muitas vezes, faz diretamente o jogo da direita. O enfrentamento entre o imperialismo e setores da burguesia e da pequeno-burguesia tem como base a luta econômica, e, portanto, a luta de classes, embora que aconteça entre setores da burguesia, não necessariamente representando a luta entre a classe operária e a burguesia. Isso não quer dizer que não haja delimitação de determinados campos com interesses contrapostos.

O APROFUNDAMENTO DA CRISE CAPITALISTA NA VENEZUELA E NO MUNDO

A crise capitalista avança com grande velocidade na Venezuela impulsionada pela drástica queda dos preços do petróleo nos mercados especulativos internacionais. A direita se aproveita da situação para aumentar a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro por meio do desabastecimento e outros mecanismos. Os alimentos básicos da cesta básica têm se transformado em artigos de luxo, sendo necessário enfrentar longas horas em filas para comprar um pouco de arroz, leite ou carne. A inflação é a maior do mundo, superando os 50% anuais. O fornecimento dos serviços públicos, com água e luz, tem piorado. O desemprego tem aumentado.

Os efeitos do aprofundamento da crise capitalista estão aparecendo com força, mas não somente na Venezuela.

O Brasil entrou numa espiral de acelerado aprofundamento da crise capitalista. Na Argentina, a crise industrial e financeira, a inflação e o desemprego pioram a cada dia. No Chile, na Bolívia e no Equador, a queda dos preços das matérias primas, nos mercados internacionais, está deixando cadáveres ou semi defuntos para atrás.

Os governos nacionalistas não conseguem colocar em marcha ataques em larga escala contra os trabalhadores devido ao risco de implodir a base social. Se trata de representantes de uma burguesia fraca, ligada a interesses locais, que se apoia nas massas para garantir os seus interesses, que, em grande medida, são contraditórios com os do imperialismo. Na Venezuela, por exemplo, em torno a 40% do orçamento estatal tem sido direcionados a programas sociais para manter o apoio social. Tal o grau de radicalização das massas.

A direita pró-imperialista tenta impor a conhecida receita “neoliberal” dos pacotes de austeridade contra a população com o objetivo de que esta pague pela manutenção das taxas de lucro dos grandes capitalistas.

Para o próximo período, está colocada uma crise em larga escala que deverá atingir em cheio os países desenvolvidos, mas também a periferia. O fôlego das políticas monetaristas está chegando ao fim.

Nos Estados Unidos, o governo continua apresentando números sobre um suposto crescimento acima dos 3%. Na realidade, a crise avança a passos largos. De acordo com dados da USDA (o Departamento da Agricultura), o faturamento do setor agrícola deverá cair mais de 35% neste ano por causa da queda do preço de commodities como o trigo, o milho e o arroz.

Os preços do petróleo, dos minerais e das ações também têm despencado.

A queda dos preços das matérias primas colocou no olho do furacão a periferia do capitalismo, que não tinha sido atingida em cheio durante o colapso de 2008, com o Brasil, Rússia, África do Sul, a América Latina em geral, o Oriente Médio, a Ásia, a Oceania e a África. O valor do barril do preço do petróleo caiu de US$ 110 no ano passado para quase US$ 40 no mês passado, o menor preço desde março de 2009.

A desaceleração da economia chinesa, que consome a metade das matérias primas em escala mundial, e a crise da Bolsa de Xangai somente tende a piorar a crise.

O capital especulativo tem procurado refúgio no estado burguês, nos títulos públicos. O endividamento se generalizou devido à escalada do parasitismo financeiro. Os nefastos derivativos financeiros transformaram o mundo numa espécie de casino financeiro, que conforma o coração da economia capitalista.

5

Venezuelan President Nicolas Maduro (L) greets opposition leader Henrique Capriles (R) before a meeting with Venezuelan opposition leaders and Latin American Foreign Affairs Ministers at the Miraflores presidential palace in Caracas on April 10, 2014. Maduro sat down for talks with rival Henrique Capriles in a first meeting with senior opposition figures to try to end two months of protests. The televised meeting, which involved about 20 representatives from both sides, was also witnessed by the foreign ministers of Brazil, Colombia and Ecuador, and a Vatican representative. AFP PHOTO / PRESIDENCIA    == RESTRICTED TO EDITORIAL  USE / MANDATORY CREDIT:  "AFP PHOTO /  Presidencia"/  NO SALES / NO MARKETING / NO ADVERTISING CAMPAIGNS / DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS ==

2

OS CURDOS, A TURQUIA E UMA NOVA GUERRA MUNDIAL

Quem controla a Síria?

Por que o governo de Erdogan bombardeia os curdos enquanto a aviação norte-americana os apoia?

O Oriente Médio representa um dos três principais pontos de conflito no planeta com o potencial de escalar para uma guerra de largas proporções.

A Turquia representa uma das principais potências regionais do Oriente Médio. Membro da OTAN e candidato à União Europeia, o governo de Erdogan possui acordos com o imperialismo europeu e norte-americano, Israel e Arábia Saudita, Rússia e a China, entre os quais fica numa “dança das cadeiras”, na tentativa de enfrentar o aprofundamento da crise capitalista. A conhecida política do “salve-se quem puder”.

A Turquia foi um importante exportador de produtos têxtis e agrícolas até o colapso capitalista de 2008. As exportações entraram em profunda decadência. A política economica alternativa, impulsionada pelo governo Erdogan, busca transformar a Turquia num nó de fornecimento de energia para a Europa. O grosso dos gasodutos, que veem do Curdistão Iraquiano, do Irã e do Cáucaso, passam pela Província de Anatólia Oriental, habitada, fundamentalmente, por curdos, que representa o centro de atuação e apoio do PKK, o Partido dos Trabalhadores Curdo, que conta com um braço guerrilheiro que atua na região há mais de 40 anos.

Com o objetivo de viabilizar a nova política econômica, o governo Erdogan abriu, há alguns meses, negociações de paz com os curdos. A principal concessão passa por uma certa autonomia, como o levantamento da proibição de usar a própria língua, e a libertação dos presos políticos e anistia em troca da deposição das armas. As negociações foram encabeçadas por Akolan, o líder do PKK, que tem sido mantido preso desde 1999. O PKK acabou se retirando para as montanhas e para a fronteira com a Síria, principalmente.

Após as recentes eleições nacionais, onde o AKP, de Erdogan, venceu com maioria relativamente apertada, que lhe impedirá até formar um governo forte, as negociações de paz estancaram.

OBAMA TENTA APAGAR O INCÊNDIO DO ORIENTE MÉDIO

A Administração Obama busca desesperadamente conter a crise no Oriente Médio, um dos três grandes focos de um conflito militar em larga escala, junto com a Ucrânia e a região Pacífico da Ásia. O Partido Republicano, impulsionado pela extrema direita agrupada no chamado Tea Party, já domina as duas câmaras do Congresso e ameaça ganhar as eleições nacionais que acontecerão no próximo ano. A política dessa ala, aliada de primeira ordem dos sionistas israelenses e da obscurantista monarquia saudita, já foi expressada claramente por Mitt Rommey, o candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais: guerra contra o Irã, inclusive com o uso de armas atômicas; guerra contra a China, apoio total a Israel, desembarque de tropas no Oriente Médio etc. A direita tradicional, parlamentar, que inclui figurões de ambos partidos, busca uma “saída negociada”, que setores da esquerda têm denominado como “contrarrevolução democrática”, apesar de, a cada dia, ter ser tornado mais contrarrevolucionária e menos democrática.

A prioridade atual se encontra na contenção do crescimento do Estado Islâmico. A Administração Obama busca fortalecer uma diferente única em aliança com a Rússia e os aiatolás iranianos, em primeiro lugar. John Kerry, o chefe do Departamento de Estado, esteve recentemente em Sochi, no sul da Rússia, para oferecer a desescalação das tensões na Ucrânia, em troca do apoio no Oriente Médio. No dia 3 de agosto, Kerry se encontrou com Serguei Lavrov, o ministro das Relações Exteriores russo, em Doha (Qatar), para tratar da crise na Síria.

As sanções contra o Irã, que foram aplicadas após a Revolução de 1979, estão sendo levantadas, em troca do atuação do Hizbollah libanês, próximo aos aiatolás, e das milícias xiitas iraquianas, as mesmas que levaram à expulsão dos norte-americanos do Iraque em 2007. O governo russo, de Vladimir Putin, foi além, e está negociando uma “saída” com os sauditas, a Turquia e o Catar, que são os principais financiadores regionais dos “próprios grupos guerrilheiros”. A crise avança a passos largos em direção ao coração da região, a Arábia Saudita, tanto a partir do norte como a partir do sul, no Iemên.

Os curdos sírios aplicaram várias derrotas ao Estado Islâmico, sendo a mais emblemática a expulsão da cidade fronteiriça de Kobane, onde a aviação norte-americana e algumas milícias do chamado ESL (Exército Sírio Livre), financiado pelo imperialismo, participaram ativamente.

A crise escalou a tal ponto que o imperialismo não tem conseguido colocar em pé os “próprios guerrilheiros” com capacidade de jogar um rol decisivo. Até a al-Nusra, a filial da al-Qaeda na Síria, foi transformado num aliado próximo, que nem aparece na lista das “organizações terroristas.

O GOVERNO TURCO CONTRA O ESTADO CURDO

O estouro dos protestos de massas na Síria foram impulsionados pelo contágio das revoluções árabes. O elo mais fraco do capitalismo se quebrou sobre a base do colapso econômico de 2008. As mobilizações de massas foram rapidamente infiltradas por grupos muçulmanos, que tinham vários graus de aproximação com o imperialismo, que buscavam derrubar o governo de al-Assad um aliado de primeira ordem da Rússia no Oriente Médio.

No mês de julho de 2012, al-Assad fechou um acordo com os curdos sírios e retirou as tropas do nordeste do país com o objetivo de concentra-las na defesa das principais cidades e na contenção dos ataques do então Estado Islâmico do Iraque que avançava a partir da província iraquiana de Anbar.

Os curdos se organizaram rapidamente e estabeleceram uma região autônoma, autoproclamada como “Rojava”, dirigida por uma frente política denominada PYD (Partido da União Democrática), que tinha sido fundada em 2004, quando estouraram revoltas na cidade síria de Qamishli, de maioria curda. O braço armado do PYD, o YPG (Unidades Populares de Defesa) não somente tem sido capaz de proteger o território curdo na Síria, mas, também, o expandiu.

O governo turco busca bloquear a expansão dos curdos na Síria com o objetivo de evitar o fortalecimento dos curdos na Turquia. Para isso, o exército turco precisa se envolver ativamente na guerra, o que obviamente ameaça arrastar o país à guerra.

O grosso desses territórios se encontra localizados na Alta Mesopotâmia, na chamada “Jazira”. Se trata de uma planície, muito fértil e favorável para a agricultura, onde também há petróleo. A área é muito difícil de ser defendida ao mesmo tempo que tende a ser palco de conflitos sangrentos, uma nova onda de “siriação”, dentro da já ultra caótica Síria.

O governo turco declarou que tem como objetivo estabelecer uma zona de “buffer” na fronteira com a Síria, que deveria ser controlada pelo exército, com a participação dos norte-americanos e os “próprios” guerrilheiros. Essa política pode levar a uma guerra total contra os curdos sírios e até a liquidar com o controle da região pelo YPD, conforme outros grupos guerrilheiros sunitas se envolvessem, de olho nas riquezas naturais. Uma parte dos guerrilheiros do YPG poderiam começar a atuar na própria Turquia, onde existe a proteção natural das montanhas e o PKK.

A política do governo turco é impulsionada pelo aprofundamento da crise, que ficou evidente nas recentes eleições. É uma política claramente de crise que ameaça levar a “siriação”, ou “libiação”, ou “somalização” em direção à Turquia, abrindo caminho para o Cáucaso e o sul da Rússia.

YPG YPG Kobani

Contra os curdos

Contra os curdos

contra o Estado Islâmico

contra o Estado Islâmico

O Estado Islâmico nos seus tanques Quem controla a Síria?

 

O canto do cisne do chavismo — Gazeta Operária

Recentemente, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, decretou o estado de exceção e emergência econômica com o objetivo, oficial, de enfrentar, o aumento das pressões golpistas e a “guerra econômica” no país. Desta maneira, a convocatória do “referendo revogatório” do presidente Maduro, ficará engavetada, pelo menos durante os próximos 60 dias, apesar da direita ter […]

via O canto do cisne do chavismo — Gazeta Operária

INFLAÇÃO: Como acabar com esse câncer? — Gazeta Operária

A inflação oficial no Brasil se encontra em torno aos 10% anuais e teria recuado com o golpe parlamentar liderado por Michel Temer. O impacto sobre os setores mais pobres da população é muito maior. Uma parte das pressões inflacionárias tem como origem o aprofundamento da crise capitalista mundial que tem levado às contas públicas […]

via INFLAÇÃO: Como acabar com esse câncer? — Gazeta Operária

Fora Temer: Greve Geral e boicote às eleições! — Gazeta Operária

O governo encabeçado por Michel Temer impôs o início do impeachment contra a presidenta Dilma a mando do imperialismo, principalmente o norte-americano. O racha da base eleitoral do governo do PT se intensificou desde 2014 devido ao aprofundamento da crise capitalista em escala mundial que atingiu em cheio o Brasil e a América Latina. O […]

via Fora Temer: Greve Geral e boicote às eleições! — Gazeta Operária

Como enfrentar a crise? — Gazeta Operária

O BRASIL NO MUNDO Para compreender a atual situação política do Brasil no que diz respeito ao golpismo, à crise política e econômica, primeiramente, é preciso entender o que está acontecendo no mundo. Na América Latina, e especificamente no Brasil, quem domina é o imperialismo, fundamentalmente o imperialismo norte-americano. Desconhecer a situação internacional ou análises erradas, […]

via Como enfrentar a crise? — Gazeta Operária

Desemprego: Tragédia e Luta real — Gazeta Operária

De acordo com os dados dos institutos do governo e da “iniciativa privada”, continua acelerando. Segundo o IAEmp (Indicador Antecedente de Emprego), do Instituto Brasileiro de Economia, da FGV (Fundação Getulio Vargas) avançou 3,7% em abril deste ano. Segundo o PME (Pesquisa Mensal do Emprego), do IBGE, que contempla todo o Brasil, a taxa de […]

via Desemprego: Tragédia e Luta real — Gazeta Operária

Contra o impeachment, Lula 2018? — Gazeta Operária

O processo de impeachment contra o governo do PT avança a todo vapor. A direita tenta viabilizar um governo para impor a escalada do ajuste contra os trabalhadores sobre o espólio da figura do hiper enfraquecido Michel Temer. A direita mais ligada ao imperialismo, como, por exemplo, o chamado PIG (Partido da Imprensa Golpista), […]

via Contra o impeachment, Lula 2018? — Gazeta Operária

O BRASIL CONTRA AS CORDAS — Gazeta Operária

A crise capitalista avança a passos largos no Brasil. O governo do PT tem sido colocado contra as cordas pelo imperialismo com o objetivo de que sejam mantidos, e até aumentados, os repasses para os monopólios. Para fechar as contas, mantendo os acordos com o imperialismo, o governo do PT tem aumentado, de […]

via O BRASIL CONTRA AS CORDAS — Gazeta Operária

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 31 outros seguidores