COLÔMBIA – A CRISE DO “ISRAEL” LATINO-AMERICANO?

1A queda dos preços das matérias primas tem atingido em cheio as economias dos países atrasados e parte da especulação financeira. Os mais afetados são os países cujas economias dependem do petróleo.

A Colômbia produz um milhão de barris de petróleo diários que representam a quinta parte do orçamento público. No primeiro semestre deste ano, a queda das exportações, na comparação com o mesmo período do ano passado, foi de US$ 28 bilhões para US$ 20 bilhões. A expectativa de arrecadação com o petróleo para este ano caiu dos quase US$ 7 bilhões do ano passado para pouco mais de US$ 1 bilhão. Os preços das demais commodities (matérias primas) que fazem parte das exportações colombianas também caíram, como aconteceu com o café, o níquel e o carvão. A Colômbia tem sete milhões de pessoas vinculadas à economia cafeeira

A dívida externa (oficial) disparou de 25% do PIB para 33%. O peso colombiano perdeu 40% do valor na comparação com o dólar, o que tem aumentado a dívida pública e a inflação por causa dos produtos importados. A inflação (oficial) tem se acelerado e superado o teto da meta dos 4%. A economia tem reduzido a marcha de maneira contínua.

A América Latina tem sido atingida em cheio pela crise capitalista. A grandes economias da região entraram no olho do furacão do colapso capitalista do qual tinham conseguido escapar em 2008, quando enormes volumes de capitais especulativos foram direcionados da especulação imobiliária para a especulação com matérias primas.

A CRISE DO REGIME POLÍTICO

O governo de Juan Manuel Santos representa os interesses dos monopólios que buscam ampliar a exploração de matérias primas em territórios que hoje são controlados pela guerrilha. Os setores liderados pelo ex presidente Álvaro Uribe são ligados aos grandes latifundiários e ao narcotráfico.

As negociações de paz com as FARC-EP e, agora, com o ELN tendem a ser colocados em xeque por causa da queda dos recursos para financiar as políticas acordadas, principalmente, para o campo.

Os novos programas deveriam consumir algo em torno ao 5% do orçamento público. A queda dos investimentos públicos estiveram na base da crise entre os governos centrais de vários países da região e os movimentos camponês, operário e social. Isto pode ser visto entre 2009 e 2013 na Bolívia, onde até a COB (Central Operária Boliviana) e dois das cinco centrais camponesas romperam com o governo de Evo Morales. Recentemente, aconteceu no Equador e no Peru.

O governo Santos tenta apertar as políticas fiscais para aumentar as receitas. A redução dos investimentos públicos também está contemplada, principalmente nos setores imobiliário, agricultura, minero e energético. Essas medidas e o aumento dos impostos têm dado novo fôlego à extrema direita liderada por Álvaro Uribe.

Aos vários protestos e greves rurais dos últimos dois anos, agora se somam o surgimento de protestos dos latifundiários.

O ISRAEL LATINO-AMERICANO PODE AVANÇAR?

O governo da Colômbia tem assumido um novo papel na América Latina nesta década devido à política do imperialismo norte-americano de repassar o peso da crise sobre a América Latina, de maneira mais forte, devido às perdas sofridas por causa das derrotas nas demais regiões do mundo e do aprofundamento da crise capitalista.

A Colômbia foi um mais importantes signatários dos tratados de livre comercio com o objetivo de fortalecer a Aliança Pacífico, imposta pelo imperialismo busca reeditar a fracassada ALCA (Aliança para o Livre Comercio nas Américas), na década passada, que tem como objetivo se opôr aos blocos nacionalistas, como a Alba (Aliança Bolivariana), a Unasul (União dos Países do Sul), a Celac (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos) e o Mercosul.

Os tratados de livre comercio começaram a prejudicar os camponeses. Os preços da batata, banana, milho, algodão e sorgo também entraram em queda.

Neste momento, a Colômbia é o melhor aliado dos Estados Unidos, que pretendem converte-la no Israel da América Latina. Ali eles tem bases militares que ameaçam os vizinhos, entre eles o Brasil. Desde essas bases militares os Estados Unidos pode controlar a América do Sul, o Caribe e influenciar rapidamente qualquer situação na África. Portanto, Colômbia é um ponto estratégico da política imperialista para a América Latina. Colômbia é um pais rico, existe um investimento dos Estados Unidos muito grande. Os monopólios precisam do petróleo, ouro, prata, platino e de outros produtos que temos. Além disso, há a questão do etanol, dos recursos pesqueiros e da órbita geoespacial.

O aprofundamento da crise capitalista tem enfraquecido a base material para colocar em pé o “Israel latino-americano”, mas a presença imperialista no país é determinante. Nos últimos anos, tem predominado a política “democratizante” influenciada pela Administração Obama. Mas o golpismo avança na América Latina, especialmente na vizinha Venezuela. Apesar do fracasso do chamado Plano Patriota, a Colômbia continua sendo uma arma fundamental do imperialismo para o controle da região. O papel da Colômbia poderá tornar-se ainda mais determinante no próximo período com a provável vitória de setores mais direitistas nas eleições norte-americanas que acontecerão no próximo ano.

DO PLANO PATRIOTA À OTAN

O Plano Patriota representou a desculpa intervencionista dos Estados Unidos na Colômbia. Com o pretexto de combater o narcotráfico, passou a realizar uma guerra contrarrevolucionária.

As FUDRA (Forças de Deslocamento Rápido), estruturadas no contexto do Plano Colômbia, têm como objetivo lançar operações militares rápidas inclusive em outros países. Nas operações helitransportadas podem participar 50 ou mais helicópteros. Tudo encoberto sob a demagogia do suposto combate ao narcotráfico, mas que, na realidade, tem como objetivo realizar operações de contra-insurgência ou contra movimentos guerrilheiros, como ficou claro no caso da operação contra Sucumbios, Equador, onde foi assassinado o comandante das FARC, Reyes, o principal articulador do processo de paz na época e mais duas dúzias de guerrilheiros que o acompanhavam. Sob o comando indireto do imperialismo norte-americano essas forças têm capacidade de intervir militarmente não somente no Equador, mas também na Venezuela.

O suposto combate ao narcotráfico resultou num profundo fracasso. Os Estados Unidos investiram mais de oito bilhões de dólares na última década na tentativa de liquidar as guerrilhas e abrir caminho para uma entrega ampla do país aos monopólios. As guerrilhas receberam golpes de caráter militar que afetaram parcialmente as estruturas, mas conseguiram se adaptar à guerra moderna e dos drones, da alta tecnologia, dos microchips para ter mais precisão nos bombardeamentos. A guerra de guerrilha com base de massas é difícil de ser derrotada militarmente, como todas as experiências revolucionárias o tem demonstrado. Uma das primeiras medidas do governo Santos foi buscar as negociações de paz com as FARCs.

Em 2013, assinou um acordo de livre comercio com os sionistas israelenses, com o objetivo de facilitar as importações de produtos alta tecnologia, principalmente tecnologia militar e de segurança, além de serviços de inteligência militar, como a conhecida participação do Mossad (disfarçada por trás de empresas controladas por Israelenses ou nas bases norte-americanas) no treinamento dos esquadrões da morte e na luta contra os guerrilheiros. Israel é o segundo maior fornecedor de armas da Colômbia, após os Estados Unidos, de equipamento militar, de inteligência, detecção de voos, movimento de tropas e análise de informação.

O presidente Santos chegou a declarar que o governo tinha a intenção de ingressar na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

As relações do governo de Colômbia com a OTAN datam de longa data. O imperialismo norte-americano contratou militares colombianos que atuam na guerra do Afeganistão, na Turquia e que também atuaram no Iraque, devido à experiência em operações de contra-insurgência.

Perante a dificuldades para colocar em pé novos mecanismos agressivos para controlar a América Latina, o imperialismo tenta revitalizar os mecanismos existentes. Há poucos anos reativou a VI Frota. Agora, considera incluir a Colômbia na OTAN.

Conforme a crise capitalista se aprofunda, a base material do imperialismo se enfraquece, mas a agressividade tende a aumentar. A única maneira de enfrentar o imperialismo é a mobilização das massas. O aprofundamento da crise capitalista mundial e regional tende, justamente, a colocar as massas latino-americanas em movimento.

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TO GO WITH AFP STORY Colombian President Alvaro Uribe gestures during a speech on June 26, 2008 in Bogota. AFP PHOTO/Juan Felipe BARRIGA-PRESIDENCIA COLOMBIA-URIBE COLOMBIA-URIBE COLOMBIA-URIBE

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Colombian President Alvaro Uribe gestures during a speech on June 26, 2008 in Bogota. AFP PHOTO/Juan Felipe BARRIGA-PRESIDENCIA COLOMBIA-URIBE COLOMBIA-URIBE COLOMBIA-URIBE

VENEZUELA – O “CHAVISMO” ESTÁ ESGOTADO?

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Qual é o significado do rápido aprofundamento da crise capitalista? E qual é a política do governo de Nicolás Maduro para enfrenta-la?

No final deste ano, acontecerão as eleições legislativas nacionais, em meio ao aprofundamento da crise capitalista e aos ataques da direita. A PDVSA (Petróleo de Venezuela) está na mira.

O recente fechamento das fronteiras teve como objetivo conter a infiltração dos grupos de extrema direita e reduzir o contrabando de alimentos e energia para a Colômbia.

A inflação e o desabastecimento dispararam. A queda do preço do barril do petróleo tem colocado o orçamento estatal em xeque. Os governos chavistas não diversificaram a economia. Eles direcionaram 40% do orçamento estatal para os programas sociais, mas não atacaram o capital, mantiveram os acordos e contratos com o imperialismo e não promoveram a diversificação da produção industrial. Essa política é típica dos governos nacionalistas já que representa os interesses de setores da burguesia nacional, apoiada nas massas, que entram, com frequência, em choque com os interesses do imperialismo.

Mas o aprofundamento da crise capitalista na Venezuela não significa que o governo chavista esteja esgotado. A crise do chavismo aumenta por causa do aumento da carestia da vida, da inflação e do desemprego. Mas a crise da direita pró-imperialista é ainda pior. Se trata de uma direita ultra truculenta, que tem no “currículo” a entrega do país por meio das políticas neoliberais, que tem tentado derrubar os governos chavistas por meio de golpes de estado, mas que não tem nada a oferecer além do corte dos programas sociais e a entrega da PDVSA (Petróleo de Venezuela) para os monopólios.

A POLÍTICA DOS “CHAVISTAS” PARA ENFRENTAR A CRISE

1A extrema direita promoveu uma série de mobilizações estudantis com o objetivo de desestabilizar o governo nacionalista burguês de Nicolás Maduro, da mesma maneira que tinha feito durante os governos de Hugo Chávez. O propósito declarado tem sido o de criar as condições impor um governo de força contra a população, nos mesmos moldes dos recentes golpes de estado da Ucrânia, no Egito e na Tailândia, promovidos pelo imperialismo. Os grupos de extrema direita têm sido usados como tropa de choque em movimentações similares que têm se intensificado em vários países. Mas quando Leopoldo López, um dos principais representantes da extrema direita na Venezuela, foi confrontado pela base de massas do chavismo, a direitista MUD (Mesa de Unidade Democrática), liderada por Hugo Capriles, lhe retirou o apoio. Por que?

Uma parte importante da população, principalmente nos bairros pobres, está armada. A esta situação se chegou com o fracasso do golpe de estado contra Hugo Chávez que aconteceu no início da década passada.

O governo Maduro tem buscado a negociação com o imperialismo norte-americano e com a direita que está unificada na MUD.

O “chavismo” se encontra dividido. Há setores que buscam reduzir o percentual do orçamento público direcionado para os investimentos sociais.

O grande problema do nacionalismo é a ilusão na democracia burguesa, apesar das enormes limitações, o que tem conduzido à paralisia e à falta de políticas para enfrentar as políticas da direita, pois a única maneira para viabiliza-las seria a mobilização dos trabalhadores. A burguesia nacionalista é obrigada a criar um programa que contempla alguns aspectos da soberania nacional e alguns dos interesses dos trabalhadores.

A esquerda pequeno-burguesa, no geral, não consegue avaliar a situação e acaba oscilando entre os vários setores, e, muitas vezes, faz diretamente o jogo da direita. O enfrentamento entre o imperialismo e setores da burguesia e da pequeno-burguesia tem como base a luta econômica, e, portanto, a luta de classes, embora que aconteça entre setores da burguesia, não necessariamente representando a luta entre a classe operária e a burguesia. Isso não quer dizer que não haja delimitação de determinados campos com interesses contrapostos.

O APROFUNDAMENTO DA CRISE CAPITALISTA NA VENEZUELA E NO MUNDO

A crise capitalista avança com grande velocidade na Venezuela impulsionada pela drástica queda dos preços do petróleo nos mercados especulativos internacionais. A direita se aproveita da situação para aumentar a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro por meio do desabastecimento e outros mecanismos. Os alimentos básicos da cesta básica têm se transformado em artigos de luxo, sendo necessário enfrentar longas horas em filas para comprar um pouco de arroz, leite ou carne. A inflação é a maior do mundo, superando os 50% anuais. O fornecimento dos serviços públicos, com água e luz, tem piorado. O desemprego tem aumentado.

Os efeitos do aprofundamento da crise capitalista estão aparecendo com força, mas não somente na Venezuela.

O Brasil entrou numa espiral de acelerado aprofundamento da crise capitalista. Na Argentina, a crise industrial e financeira, a inflação e o desemprego pioram a cada dia. No Chile, na Bolívia e no Equador, a queda dos preços das matérias primas, nos mercados internacionais, está deixando cadáveres ou semi defuntos para atrás.

Os governos nacionalistas não conseguem colocar em marcha ataques em larga escala contra os trabalhadores devido ao risco de implodir a base social. Se trata de representantes de uma burguesia fraca, ligada a interesses locais, que se apoia nas massas para garantir os seus interesses, que, em grande medida, são contraditórios com os do imperialismo. Na Venezuela, por exemplo, em torno a 40% do orçamento estatal tem sido direcionados a programas sociais para manter o apoio social. Tal o grau de radicalização das massas.

A direita pró-imperialista tenta impor a conhecida receita “neoliberal” dos pacotes de austeridade contra a população com o objetivo de que esta pague pela manutenção das taxas de lucro dos grandes capitalistas.

Para o próximo período, está colocada uma crise em larga escala que deverá atingir em cheio os países desenvolvidos, mas também a periferia. O fôlego das políticas monetaristas está chegando ao fim.

Nos Estados Unidos, o governo continua apresentando números sobre um suposto crescimento acima dos 3%. Na realidade, a crise avança a passos largos. De acordo com dados da USDA (o Departamento da Agricultura), o faturamento do setor agrícola deverá cair mais de 35% neste ano por causa da queda do preço de commodities como o trigo, o milho e o arroz.

Os preços do petróleo, dos minerais e das ações também têm despencado.

A queda dos preços das matérias primas colocou no olho do furacão a periferia do capitalismo, que não tinha sido atingida em cheio durante o colapso de 2008, com o Brasil, Rússia, África do Sul, a América Latina em geral, o Oriente Médio, a Ásia, a Oceania e a África. O valor do barril do preço do petróleo caiu de US$ 110 no ano passado para quase US$ 40 no mês passado, o menor preço desde março de 2009.

A desaceleração da economia chinesa, que consome a metade das matérias primas em escala mundial, e a crise da Bolsa de Xangai somente tende a piorar a crise.

O capital especulativo tem procurado refúgio no estado burguês, nos títulos públicos. O endividamento se generalizou devido à escalada do parasitismo financeiro. Os nefastos derivativos financeiros transformaram o mundo numa espécie de casino financeiro, que conforma o coração da economia capitalista.

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Venezuelan President Nicolas Maduro (L) greets opposition leader Henrique Capriles (R) before a meeting with Venezuelan opposition leaders and Latin American Foreign Affairs Ministers at the Miraflores presidential palace in Caracas on April 10, 2014. Maduro sat down for talks with rival Henrique Capriles in a first meeting with senior opposition figures to try to end two months of protests. The televised meeting, which involved about 20 representatives from both sides, was also witnessed by the foreign ministers of Brazil, Colombia and Ecuador, and a Vatican representative. AFP PHOTO / PRESIDENCIA    == RESTRICTED TO EDITORIAL  USE / MANDATORY CREDIT:  "AFP PHOTO /  Presidencia"/  NO SALES / NO MARKETING / NO ADVERTISING CAMPAIGNS / DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS ==

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Crise na SIRIA – Parte 12 O LÍBANO: ENCURRALADO PELA SÍRIA

 

 

S12 6No último período, o governo alawita de al-Assad tem conseguido, com a ajuda direta da milícia libanesa Hizbollah, das milícias xiitas, do Irã e da Rússia manter o controle de Damasco, a capital da Síria, e das regiões localizadas na costa do Mar Mediterrâneo, ao norte do Líbano.

O Hizbollah tem se focado em “limpar” a fronteira e em manter os corredores que suportam o controle do território ocidental da Síria pelos alawitas. A al-Nusra, a al-Qaeda na Síria, foi contida na cidade de Tripoli, localizada ao norte do Líbano. Mas ainda se mantem ativa na cidade de maioria sunita de Arsal, localizada no nordeste do país, após as Montanhas de Qalamoun.

A guerra civil, entre os druzos e os maronitas, que no século XIX vazou do Líbano para a Síria, agora tomou o caminho oposto. Conforme o governo alawita tem conseguido se manter no poder, mas se enfraquecido, a tendência é que a miríade de “rebeldes” apoiados pela Arábia Saudita tentem estender a atuação para o Líbano, da mesma maneira que o Estado Islâmico e a al-Nusra já o estão fazendo.

As conversações entre a Rússia e a Arábia Saudita, realizadas recentemente em Moscou, sobre uma saída negociada na Síria, fracassaram. Os sauditas querem a saída imediata de al-Assad. Os russos buscam uma saída, onde os alawitas mantenham um parte do poder e eles, os russos, mantenham uma proximidade. A cenourinha saudita envolve a promessa de compra de armas russas no contexto da próxima visita do rei saudita a Moscou.

Os russos têm tentado acelerar a saída negociada, com o afastamento de al-Assad. Eles têm promovido conversações com os curdos do YPD (União Democrática Curda da Síria) e com a CNS (Coalisão Nacional Síria). Mas os Sauditas, o Catar, a Turquia e os sionistas israelenses procuram se fortalecer, por meio dos “próprios rebeldes”. Israel tem atacado constantemente os guerrilheiros do Hizbollah que atuam nas Colinas do Golã. Recentemente, num bombardeio aéreo assassinou cinco guerrilheiros e um general da Guarda Revolucionária iraniana. Ao mesmo tempo, tem feito visto grossa aos “rebeldes” que atuam na região sul da Síria, perto da fronteira com o Líbano. Segundo alguns jornais do Oriente Médio, Israel tem tratado de guerrilheiros da al-Nusra (a al-Qaeda na Síria) feridos em combate.

 

O EXÉRCITO LIBANÊS E AS MILÍCIAS

 

O exército libanês se encontra dividido e com baixa “motivação” para combater os guerrilheiros fundamentalistas. Em Trípoli, cidade do norte do país conseguiram conter a al-Nusra, mas tem se paralisado para atuar em Arsal, apesar da pressão do Hizbollah.

Ao longo do país e, principalmente, nas grandes cidades e nas regiões do sul, existem uma grande quantidade de postos de controle, a maioria nas mãos do Exército, mas também controlados pelas milícias. No sul do Líbano, ainda existe a presença das Nações Unidas.

O Líbano é um país onde os cidadãos tem no próprio RG a filiação religiosa (cristã, sunita, xiita, druzo). Há leis específicas para cada uma dessas minorias, assim como quotas no parlamento. O voto é específico para a eleição de candidatos da minoria específica.

Em 2006, o Hizbollah derrotou o Exército israelense. Em 2008, perante o aumento da pressão para ser desarmado, chegou a ocupar Beirut. Os acordos e as disputas com os vários grupos políticos foram primeiramente negociados em Doha, a capital do Catar, no mesmo ano, com o estabelecimento de quotas parlamentares. Em 2009, os Acordos de Taiff, estabeleceram quotas para a formação do governo nacional.

O Líbano é um campo fértil para a atuação dos serviços de inteligência de todas as principais potências. Além do Exército, existem várias milícias, que representam os interesses das minorias que compõem a base do país. Além do Hizbollah, que parece ser mais poderoso que o próprio Exército, existe outra milícia xiita, semi-vinculada ao estado e ligada estreitamente aos sírios, o Amal. Nos campos de refugiados palestinos vários grupos armados disputam o controle. Nos campos de refugiados sírios, já há mais de dois milhões de pessoas, o que é um número muito grande considerando que a população total do Líbano é de quatro milhões de habitantes. Ao mesmo tempo, representam um elo para a penetração da al-Qaeda e do Estado Islâmico.

O Líbano não é a Síria, da mesma maneira que a Síria não é o Líbano. Mas conforme a desestabilização avança, a tendência é que todos os países da região acabem sendo atraídos para o olho do furacão.

 

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Crise na Síria – Parte 11 CAMPANHA CONTRA A CORRUPÇÃO NO IRAQUE

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Crise na SIRIA – Parte 12 O LÍBANO: ENCURRALADO PELA SÍRIA

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Crise na Síria – Parte 11 CAMPANHA CONTRA A CORRUPÇÃO NO IRAQUE

 

 

Iraqi members of the new parliament attend their firs session on July 1, 2014 in the capital Baghdad. Iraq's new parliament failed to elect a speaker as its first session ended in disarray, with MPs due to meet again in a week. AFP PHOTO/AHMAD AL-RUBAYE (Photo credit should read AHMAD AL-RUBAYE/AFP/Getty Images)

O primeiro ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, e outros membros do primeiro escalão, é alvo de uma campanha anti-corrupção, promovida a partir do Parlamento, por causa da queda da cidade de Mosul para o Estado Islâmico em junho de 2014. Na recente viagem ao Irã, foi avaliada a possibilidade dele não retornar ao Iraque. A dependência de al-Malaqui do Irã e dos curdos iraquianos se tornou vital.

A campanha tem sido promovida, em primeiro lugar, pelo influente Grande Aiatolá xiita Ali Sistani por causa da ameaça do governo colapsar. O governo de al-Malaqui tem se caraterizado por ter alienado do poder os sunitas, pelo descalabro dos serviços públicos e pelos ataques contra as condições de vidas dos trabalhadores. Uma parte da rápida ofensiva do Estado Islâmico no Iraque teve na base o apoio de grande parte das tribos sunitas. Os sauditas, que controlam a quase totalidade da grande imprensa na região, têm escalado a campanha contra a corrupção do governo de al-Malaqui que é um aliado próximo do Irã. As monarquias do Golfo Pérsico, em primeiro lugar a Arábia Saudita, e Israel têm aumentado a campanha contra o papel Irã da região, no Iraque, na Síria, no Líbano, no Iêmen, na Palestina, em Bahrein e no Quwaite.

Os protestos têm uma base de massas e têm se estendido às áreas predominantemente xiitas, como Basra e Bagdá. Com o objetivo de conte-los, o primeiro ministro, Haider al-Abadi, tem encaminhado algumas reformas.

Quatro ministérios foram eliminados e outros quatro fundidos. O Conselho de Ministros teve o número de integrantes reduzido de 34 para 13. O ministro das finanças, o curdo Hoshyar Zebari, foi mantido devido à pressão do presidente do Curdistão Massoud Barzani, cujo mandato do terminou no dia 20 de agosto. Os Estados Unidos, os britânicos e as Nações Unidas têm pressionado pelo adiamento das eleições para o Governo Regional do Curdistão.

O homem forte iraniano no Iraque é o Major General Qassem Soleimani, o chefe da Força al-Qud, as forças especiais da Guarda Revolucionária, que é o articulador da reorganização das milícias xiitas que têm conseguido conter o avanço do Estado Islâmico. Soleimani se manifestou publicamente contra o julgamento de al-Maliki, inclusive chegando a ameaçar com o uso das milícias contra o governo.

 

XIITAS, SUNITAS E CURDOS

 

As rivalidades internas dos xiitas, principalmente entre os grupos ligados a al-Maliki e al-Sadr, e o aumento das contradições com os curdos enfraqueceram o governo central. A política aplicada em relação aos curdos acabou repetindo, em certa medida, a política aplicada por Saddam Hussein em relação aos xiitas. Em 2007, as tribos sunitas optaram por não liquidar o então Estado Islâmico do Iraque e do Levante para usa-lo como fator de pressão contra o governo central, o que efetivamente tem acontecido nos últimos dois anos.

As contradições entre os xiitas acabaram reduzidas por causa da guerra civil na Síria e da ameaça do Estado Islâmico, apesar dos protestos estarem colocando novo combustível. Apesar dos protestos, a tendência geral, com al-Malaqui ou sem al-Malaqui, é a se fortalecer a unidade dos xiitas na região e a escalar uma guerra civil “sectária”, principalmente entre os sunitas e os xiitas, promovida, em primeiro lugar, pelas potências regionais que atuam como intermediárias dos interesses do imperialismo na região.

A política da Administração Obama de estabilizar a Síria com a ajuda do Irã e da Rússia tem como objetivo enfrentar o aumento da desestabilização no Oriente Médio. A tendência à desestabilização do Iraque tem um potencial para o período posterior à eventual derrota do Estado Islâmico. O avanço das milícias xiitas além de ter contido o avanço do Estado Islâmico obrigou a desviar forças da Síria e também apresenta o potencial de aumentar as contradições com os sunitas.

Os curdos iraquianos são aliados próximos dos Estados Unidos e da Turquia, mas tem conquistado novos territórios nas províncias do norte do país, Nineveh, Kirkuk e Diyala. Junto com as vitórias dos curdos sírios e com o enfrentamento do PPK turco com o governo Erdogan, aumentam as tendências nacionalista no sentido da formação do estado nacional curdo. Os curdos iranianos, aliados no fundamental ao PKK (Partido dos Trabalhadores) turco, foram derrotados no fundamental no final da década de 1980, mas novos protestos tem aparecido em maio no curdistão iraniano.

A política atual predominante no Iraque é uma política de crise, impulsionada por causa da falta de alternativas. A campanha contra a corrupção tenta fortalecer o governo central, mas, ao mesmo tempo, é usada pelos sunitas para implodir o governo de maioria xiita. Defender Bagdá e o sul do país, majoritariamente xiitas, com as milícias xiitas parece uma operação natural. Mas colocar em campo as milícias xiitas em peso no norte do Iraque, habitado majoritariamente pelos curdos e pelos sunitas, e, ainda mais, na Síria, somente pode conduzir ao fortalecimento do Estado Islâmico e dos demais grupos guerrilheiros sunitas. Por esse motivo, o Irã é obrigado a aderir à frente única impulsionada pelo imperialismo, o que inclui tradicionais inimigos regionais, como a Turquia e a Arábia Saudita. Avança a política do “salve-se quem puder” e de “dormindo com o inimigo”.

 

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Crise na Síria – Parte 11 CAMPANHA CONTRA A CORRUPÇÃO NO IRAQUE

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Crise na SIRIA – Parte 12 O LÍBANO: ENCURRALADO PELA SÍRIA

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People shout slogans during a demonstration against corruption and poor services in regard to power cuts and water shortages, at Tahrir Square in central Baghdad, Iraq, August 7, 2015. REUTERS/Thaier Al-Sudani

People shout slogans during a demonstration against corruption and poor services in regard to power cuts and water shortages, in Basra province, Iraq, August 14, 2015. REUTERS/Essam Al-Sudani NO ARCHIVES.

Lebanese Shiite Muslim movements Hezbollah and Amal supporters protest in the southern town of Bint Jbeil on September 22, 2012, against a US-made film mocking Islam and cartoons of the Prophet Mohammed which were published in a French magazine. Lebanese Muslims, Sunnis and Shiites, took to the streets across the country this past week to vent their anger. AFP PHOTO/MAHMOUD ZAYYAT (Photo credit should read MAHMOUD ZAYYAT/AFP/GettyImages)

Crise na Síria – Parte 10 QUAL É A POLÍTICA DO IRÃ NA SÍRIA E O IRAQUE?

 

 

S10 1O governo do Iraque, de maioria xiita e com fortes vínculos com o regime dos aiatolás iranianos, quase desabou perante a última grande ofensiva do Estado Islâmico. O Irã voltou a colocar em pé as milícias xiitas e reforçou a atuação da Força al Quds, o grupo de elite da Guarda Revolucionária. O próprio general Qasem Soleimani, o chefe do Quds, esteve à frente da contraofensiva que retomou a cidade de Tikrit e que obrigou o Estado Islâmico a retroceder após ter chegado a apenas 60 quilômetros de Bagdá, a capital do Iraque, e ter ameaçado tomar as cidades sagradas xiitas de Karbala e Najaf.

Os sunitas governaram o Iraque desde após a Primeira Guerra Mundial até a queda de Saddam Hussein. As revoluções árabes impulsionaram uma nova onda revolucionária onde os sunitas também se colocaram em movimento, após a onda xiita impulsionada a partir da Revolução Iraniana de 1979.

A reação do Oriente Médio, encabeçada pela Arábia Saudita, os sionistas israelenses e o imperialismo, tem buscado derrubar o governo alawita na Síria e o governo de maioria xiita no Iraque. O governo dos aiatolás reagiu contra a ameaça do enfraquecimento da fronteira ocidental do Irã.

A ofensiva do Estado Islâmico no Iraque, até certo ponto, foi uma surpresa, já que os sunitas tinham sido contidos desde a queda de Saddam Hussein e o próprio Estado Islâmico tinha sido isolado, em 2007, em bolsões da província de Anbar, e se encontrava empantanado na guerra civil síria lutando contra o governo de al-Assad e contra todos os demais grupos. Em 2007, o grosso das tribos sunitas se incorporaram ao regime no acordo que levou à retirada das tropas norte-americanas do país.

A retirada do Exército iraquiano de Mosul, perante a ameaça de aproximadamente dois mil milicianos do Estado Islâmico, colocou a necessidade do Irã reativar as milícias xiitas. A maior delas, a Mehdi, assim como aconteceu com outras menores, tinha sido dissolvida, em 2008, sobre a pressão iraniana, e direcionada a apoiar o braço político da família al-Sadr a partir de programas sociais. Alguns milicianos foram incorporados aos aparatos de segurança e ao exército.

Outras milícias xiitas iraquianas, como Asaib al-Haq e as Brigadas do Dia Prometido, tinham sido mantidas em estado de espera, fora da esfera pública, na tentativa de evitar a desestabilização do governo de al-Maliki. Mas agora a mobilização em larga escala se tornou fundamental para conter o avanço da desestabilização no Iraque.

Para o Irã, a estabilização da fronteira ocidental constitui um dos componentes mais importantes da política. Historicamente, essa tem sido a origem de todas as agressões. Ao mesmo tempo, na disputa regional, o Iraque desempenha um papel de contenção da Arábia Saudita devido à existência de uma maioria xiita, cujas principais lideranças têm ligações com o Irã. Os alawitas, na Síria, além de controlarem as regiões estratégicas que dão acesso ao Mar Mediterrâneo e a capital do país, Damasco, permitem o suprimento do Hizbollah, a poderosa milícia libanesa. O Hizbollah derrotou os sionistas israelenses em 2006 e representa um dos principais mecanismos de contenção contra a agressividade da reação na região. As suas táticas tem se tornado referencia em vários países da região, como a Faixa de Gaza e o Iêmen.

 

 

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Crise na SIRIA – Parte 1 – QUEM É O INIMIGO?
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Crise na SIRIA – Parte 3 UMA SAÍDA NEGOCIADA?

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Crise na SIRIA – Parte 4 OS CURDOS SÍRIOS E O GOVERNO DE AL-ASSAD

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Crise na SIRIA – Parte 5 O COLAPSO DOS “GUERRILHEIROS NORTE-AMERICANOS”

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Crise na SIRIA – Parte 6 DE PROTESTOS POPULARES A “REBELDES GOVERNISTAS”

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Crise na SIRIA – Parte 7 A VERDADEIRA ORIGEM DA CRISE NA SÍRIA

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Crise na SÍRIA – Parte 8 QUAL É A POLÍTICA DA RÚSSIA NA SÍRIA?

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Crise na SÍRIA – Parte 9 QUAL É A POLÍTICA DOS ESTADOS UNIDOS NA SÍRIA?

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Crise na Síria – Parte 10 QUAL É A POLÍTICA DO IRÃ NA SÍRIA E O IRAQUE?

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S10 3 S10 2

Crise na SÍRIA – Parte 9 QUAL É A POLÍTICA DOS ESTADOS UNIDOS NA SÍRIA?

 

S9 4

A posição da Administração Obama entrou numa espécie de limbo na Síria. Os aliados tradicionais dos Estados Unidos, a Arábia Saudita, com Israel por baixo do pano, o Catar, a Turquia e a Jordânia, tentam impulsionar os próprios “rebeldes”. Se trata de um jogo de esconde-esconde à avessas, onde não se sabe ao certo que é o amigo e quem o inimigo.

A desestabilização generalizada do Oriente Médio foi impulsionada pela falida invasão ao Iraque de 2003. O que deveria ter sido um passeio e um grande saque do petróleo, se tornou um pesadelo para o imperialismo. Os gastos militares nas guerras do Iraque e do Afeganistão estiveram na base do colapso capitalista de 2008 que, por sua vez, esteve na base das revoluções árabes que estouraram em 2011.

A política preferencial de Obama foi a chamada “contrarrevolução democrática”. Mas os golpes de estado pinochetistas no Egito, na Ucrânia e na Tailândia jogaram uma pá de cal sobre essa política. A tentativa de conter o aprofundamento da crise no Oriente Médio por meio do fortalecimento da aliança com a Rússia e o Irã representa uma política de crise. Ela aparece como uma das cartas que o Partido Democrata apresentará nas eleições presidenciais que acontecerão no próximo ano. Contra essa política, ganha força a saída de força impulsionada pela ala mais direitista do Partido Republicano e que conta com o apoio da Arábia Saudita e dos sionistas israelenses. O problema será coloca-la em prática sem incendiar o Oriente Médio e o mundo inteiro.

 

DERROTAR O ESTADO ISLÂMICO COM OS “PRÓPRIOS” REBELDES?

 

Os ataques aéreos podem ter ajudado a conter parcialmente o Estado Islâmico e a al-Nusra (a al-Qaeda na Síria), mas todos os exemplos recentes mostram que é impossível ganhar a guerra e controlar os territórios sem atuar em campo.

Enquanto a ala direita do imperialismo pressiona pela solução militar da crise, a Administração Obama busca colocar em campo os próprios “rebeldes”.

A primeira tentativa, que mobilizou apenas 54 “rebeldes”, foi implodida pela al-Nusra que não permitiu que a Nova Força Síria atuasse nas regiões que ela controla. Agora tenta colocar em campo uma segunda leva.

O grande problema que o imperialismo enfrenta é como conter a brutal crise nas fronteiras da Síria. O primeiro passo seria derrotar o Estado Islâmico. Mas isso é impossível por meio de “truques”. O Estado Islâmico é fruto do processo de desagregação política no Oriente Médio, onde uma crescente parte dos integrantes têm migrado de outras organizações que têm sido superadas pelo desenvolvimento da situação política, como a Irmandade Muçulmana, os partidos Baath, a semi paralisia da al-Qaeda após 2001 e até o apoio de algumas tribos sunitas marginalizadas do poder na Síria, no Iraque e em outros países.

Mesmo uma eventual derrota do Estado Islâmico levaria à imediata desestabilização por meio da luta entre a miríade de milícias armadas, muitas delas anti imperialistas, além da necessidade de enfrentar os gastos da reconstrução do país. O exemplo da Líbia, que é um país muito rico em petróleo, está aí. Se o Estado Islâmico conseguir ser eliminado por meio da derrota militar, outros estados islâmicos surgirão.

 

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Crise na Síria – Parte 10 QUAL É A POLÍTICA DO IRÃ NA SÍRIA E O IRAQUE?

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Smoke covers the presidential palace compound in Baghdad 21 March 2003 during a massive US-led air raid on the Iraqi capital. Smoke billowed from a number of targeted sites, including one of President Saddam Hussein's palaces, an AFP correspondent said. AFP PHOTO/Ramzi HAIDAR

Smoke covers the presidential palace compound in Baghdad 21 March 2003 during a massive US-led air raid on the Iraqi capital. Smoke billowed from a number of targeted sites, including one of President Saddam Hussein’s palaces, an AFP correspondent said. AFP PHOTO/Ramzi HAIDAR

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Crise na SÍRIA – Parte 8 QUAL É A POLÍTICA DA RÚSSIA NA SÍRIA?

 

 

S8 1A Rússia representa, junto com o Irã, o principal aliado do governo de al-Assad. Além da existência da única base naval russa no Mar Mediterrâneo, localizada no porto de Tartus, ao norte do Líbano, a principal preocupação do governo Putin se relaciona com o contágio da crise no norte do Cáucaso e o sul da Rússia, principalmente na Tchetchênia e no Daguestão. Nessas regiões, o governo central esteve envolvido em guerras sangrentas na década de 1990 e na primeira metade da década passada. A situação foi controlada por meio de fortes investimentos que tiveram na base a bonança dos altos preços do petróleo. As principais lideranças ou bem foram cooptadas ou mortas. Mas agora a situação é diferente. A enorme queda dos preços do petróleo, junto com as sanções imperialistas, tem pressionado o governo Putin e a economia russa.

A recente retirada de uma centena de assessores militares russos de Damasco, que foi divulgada pela imprensa saudita, não significa que os russos estejam abandonando seus interesses na Síria. A Rússia impulsiona uma saída diplomática perante a crise do governo de al-Assad. Não por acaso, figurões da oposição a al-Assad tem circulado em Moscou no recente período.

A Administração Obama atua principalmente com a Turquia, o Catar, a Arábia Saudita e a Jordânia, que têm importantes contradições em relação ao apoio e combate da miríade de grupos em campo. Ao mesmo tempo, busca equilibrar esses acordos com os interesses do Irã e da Rússia para contrapor uma frente única contra o Estado Islâmico. Por esse motivo, o governo de al-Assad não pode ser simplesmente deposto. Se faz necessário um arranjo político que contemple os alawitas, que são apoiados pela Rússia e pelo Irã.

A tentativa de chamar a uma nova reunião em Genebra tem fracassado devido à evolução dos acontecimentos no campo de batalha, o que tem levado à escalada das contradições entre todos os grupos militares e políticos. Enquanto a Rússia, os Estados Unidos e o Irã tentam conter a desestabilização na Síria, a Turquia, o Catar e a Arábia Saudita tentam fortalecer o controle de posições no país, por meio dos próprios “rebeldes”, o que passa, fundamentalmente, pelo enfraquecimento do governo de al-Assad e a perda de posições pelo Exército.

 

MUITO MAIS QUE “REBELDES”

 

O Estado Islâmico se encontra fora do controle direto do imperialismo e das potências regionais. A influência sobre Jabhat al-Nusra, a al-Qaeda na Síria, é pequena, apesar dos acordos e de não ter sido colocada na lista das organizações terroristas promovida pelo imperialismo. O controle sobre os demais grupos principais é fraco.

Os “rebeldes” ligados à Turquia e ao Catar atacam pelo norte, onde tentam consolidar suas posições, enquanto os “rebeldes” ligados à Arábia Saudita e à Jordânia o fazem pelo sul. O governo al-Assad busca segurar as regiões de maioria alawita, nas regiões ocidentais do país e em parte da cidade de Aleppo.

A Rússia tenta levar à mesa de negociações a coalisão Ahrar al-Sham, um dos principais aliados da al-Nusra, mas para isso depende do envolvimento da Turquia, do Catar e da Arábia Saudita. No jogo das pressões e contra pressões os acordos comerciais cumprem um papel de primeira ordem, principalmente, por causa da escalada da crise capitalista. A Rússia impulsionou o Gasoduto Turco. Os sauditas enviaram figuras do primeiro escalão a Moscou e a São Petersburgo para tentar chegar um acordo com os russos sobre a Síria, que passa pelo abandono de al-Assad. Além das promessas de compras bilionárias em armas, foram bilhões em contratos comerciais assinados na última “feira” de São Petersburgo que acontece como contra ponto a Davos.

Por trás da crise na Síria e no Oriente Médio se encontra o colapso capitalista de 2008 que provocou o estouro do regime político no elo mais fraco, os países árabes. Para o próximo período, está colocado um novo colapso capitalista de proporções ainda maiores. A crise no Oriente Médio longe de ser resolvida deverá continuar se desenvolvendo e se juntar a um novo e inevitável estouro. Resta saber onde acontecerá, no Cáucaso? No sul da Rússia? Na região Pacífico da Ásia? Na América Latina? Não dá para fazer essa previsão neste momento. Mas a Ucrânia também era um país muito pacato …

 

 

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