O IMINENTE COLAPSO DO BRASIL E DA AMÉRICA LATINA

 

ESTADOS UNIDOS – AS ALTAS DOS JUROS EXPLOSIVAS

 

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A Reserva Federal (banco central) norte-americana deverá aumentar os juros em dezembro ou, no máximo, em março, deixando para trás o longo período de taxas de juros a quase 0%.

Desde 2007, a Reserva Federal aumentou os títulos podres que possui de US$ 1 trilhão para mais de US$ 4,5 trilhões e apenas US$ 57 bilhões nos chamados ativos não podres (“equities”) que são títulos financeiros que poderão se tornar podres no próximo período. Para salvar os monopólios da bancarrota, o estado lhes repassou enormes volumes de recursos públicos. Por meio do chamado quantitative easing (ou alívio quantitativo) a Reserva Federal comprou trilhões em títulos altamente podres pelo valor cheio. De acordo com o relatório de uma comissão do Congresso dos Estados Unidos, somente entre 2007 e 2010 foram repassados US$ 16 trilhões. De lá para cá, os repasses têm sido gigantescos.

Um novo mercado de títulos podres cresceu a partir de 2008 movimentando volumes que chegaram a superar os US$ 7 trilhões, com taxas de lucros que bateram nos 15%. Conforme os mecanismos de contenção da crise de 2008 se enfraqueceram, a partir de 2012, as taxas de lucro caíram para os menos de 4% atuais, em grande medida impactadas pela política da Reserva Federal de comprar esses títulos em grandes volumes.

Para o próximo período, está colocado um colapso capitalista de proporções ainda maiores que o colapso de 2008. Enorme volumes de capitais fictícios deverão se tornar pó e entrar no mercado dos títulos podres. Esses são os fatores que estão por trás da pressão da alta dos juros, independentemente da cortina da fumaça criada pela imprensa burguesa. Não há recuperação da economia e muito menos a recuperação do emprego. O que há é o maior parasitismo da história mundial.

 

O IMPACTO DA ALTA DOS JUROS SOBRE O BRASIL

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Uma vez as taxas de juros aumentando nos Estados Unidos, o Brasil será impactado em cheio imediatamente, assim como acontecerá nos demais países latino-americanos. O capital procura o lucro, e a volatilidade se torna ainda maior quanto mais especulativo esses capitais sejam.

Com a alta dos juros, haverá um fluxo de capitais na direção dos Estados Unidos buscando o porto seguro da dívida pública. A perda do grau de investimento pelo Brasil, os problemas com os “fundos abutres” na Argentina, a crise do orçamento público na Venezuela fará com que os capitais pressionem por maiores taxas de lucro para emprestarem para esses governos pagarem as respectivas e ultra parasitarias dívida públicas.

As economias dos países latino-americanos se encontram sufocadas pelo parasitismo imposto pelos monopólios. Um dos principais mecanismos da espoliação é o pagamento da ultra parasitária e corrupta dívida pública, que hoje consome mais de 45% do orçamento público federal.

 

COLATERAIS, MERCADO DE RECOMPRAS E A ESPECULAÇÃO FINANCEIRA

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A política das taxas de juros se encontra submetida à especulação financeira, que hoje representa o grosso do capitalismo mundial por causa da escalada do parasitismo, principalmente a partir do esgotamento do chamado “neoliberalismo”.

A compra e venda de títulos financeiros, empacotados a partir de várias fontes especulativas, está na base dos nefastos derivativos financeiros que hoje movimentam em torno a 15 vezes o volume total da economia real mundial, que já é muito parasitária. Em cima desses derivativos financeiros se estabelecem apostas e contra apostas, sobre as quais são instrumentados seguros, fianças e outros mecanismos para garantir os lucros dos grandes capitalistas. Esses mecanismos transformaram o mundo numa espécie de casino, ou “Banco Imobiliário”, onde os especuladores sempre quebram, mas sempre ganham, pois vivem dos repasses de recursos públicos. Hoje nenhuma grande empresa dá lucro. Os lucros têm como origem as divisões financeiras em primeiro lugar.

Quando em 2008 quebrou a AIG, a maior asseguradora do mundo, era justamente esses tipos de operações de aposta e contra-apostas que ela assegurava. Todos os mecanismos que levaram ao colapso de 2008 se encontram hoje mais ativos do que nunca e os estados burgueses, por sua vez, se encontram muito mais endividados e enfraquecidos por causa dos trilhões que repassaram para resgatar os monopólios.

As fianças das operações especulativas, ou “colaterais”, contam com as recompras (“repos”) ou os colaterais de câmbio, como os títulos do Tesouro norte-americano, os títulos hipotecários (financiamento imobiliário), os títulos das dívidas das empresas e outros títulos financeiros de diversos tipos (“equities”).

Os grandes fornecedores de colaterais são os fundos hedge, as asseguradoras, os fundos de pensão, os bancos centrais e os fundos relacionados às reservas soberanas. A taxa de recompra desses títulos financeiros colaterais é um indicador da “saúde” do mercado e evolui em linha com a taxa dos fundos federais.

Em 2007, o mercado de títulos colaterais alcançou os US$ 10 trilhões. Hoje soma aproximadamente US$ 6 trilhões, mas somente a Reserva Federal acumula em torno a US$ 5 trilhões, além de que para o próximo período se espera o rebaixamento das qualificações dos títulos das grandes empresas e, portanto, a disparada desse mercado, os chamados “high yields”, ou títulos podres. Se a taxa de juros não for aumentada, a única maneira de salvar os lucros dos monopólios será manter os programas quantitative easing, o que aumentará os volumes de capital fictício detidos pelo banco central, elevando o chamado “alavancamento” e a necessidade de “imprimir” maiores volumes de dinheiro para repassa-lhes. Essa política somente pode conduzir à hiperinflação nas condições de paralisia industrial.

Os mecanismos que o governo tenta usar para evitar a disparada da inflação não passam de medidas monetaristas ultra limitadas. Uma dela passa pela expansão do programa de “recompras reversas”, que hoje já movimenta US$ 300 bilhões diários. Este programa tenta atrair dinheiro de fora dos grandes bancos, como os fundos, mas está longe de conseguir a redução do volume de capital fictício acumulado pela Reserva Federal. Outra política é o aumento das vendas de títulos públicos que são usados como colaterais. Quem compra esses títulos, além da Reserva Federal, são, principalmente a China, a Arábia Saudita, a Rússia e o Brasil. O problema é que a base da ditadura mundial do dólar está se enfraquecendo, o que aumenta a dificuldade para repassar a crise dos Estados Unidos para o mundo.

O sistema capitalista mundial se encontra num beco sem saída. A cada nova crise ganha uma nova ponte safena. E para o próximo período está colocado um colapso de ainda maiores proporções. Esta é a base que colocará em movimento a classe operária mundial, o agente social que tem como tarefa histórica derrubar o capitalismo, implantar a propriedade social sobre os meios de produção e acabar de vez com a exploração do homem pelo homem.

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DELCÍDIO E CUNHA: GOLPISMO OU DEMOCRACIA?

A PRISÃO DO SENADOR DELCÍDIO AMARAL, O “FORA CUNHA!” E O PAPEL DA CAPITULAÇÃO DO GOVERNO DO PT NO FORTALECIMENTO DA DIREITA

FORA CUNHA

 

Nos últimos dias, o Brasil assistiu estarrecido à prisão do líder do governo no Senado, o senador pelo Mato Grosso do Sul, Delcídio Amaral. A primeira questão que saltou à vista é que essa prisão aconteceu sobre um parlamentar que tem imunidade e que somente poderia ter sido preso em flagrante delito. Delcídio caiu numa armadilha montada pela Operação LavaJato, a partir da “República do Paraná”, com o objetivo imediato de livrar o ex diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, por meio da chamada “delação premiada”, mas também para dificultar as negociações do governo sobre o orçamento que estava sendo liderada por Delcídio. A “prova” apresentada pelo juiz Sérgio Moro, que é um agente da direita contra o governo do PT, foi uma conversa gravada pelo filho de Cerveró. O STF (Supremo Tribunal Federal), por meio do ministro relator da chamada Operação Lavajato, Teori Zavascki, aprovou a prisão de Delcídio pela Polícia Federal a pedido do Procurador Geral da Justiça. O Senado também a aprovou, por ampla maioria e até com o voto favorável de dois senadores do PT. A cúpula do PT também foi favorável, junto com o apoio de setores de esquerda do Partido, como a Articulação de Esquerda.

A prisão de Delcídio aconteceu no contexto do acuamento progressivo do governo do PT com o objetivo de coloca-lo ainda mais contra as cordas e obriga-lo a aplicar com mais intensidade o plano de ajuste contra os trabalhadores, transforma-lo numa rainha da Inglaterra, com a direita controlando e aumentando a intensidade do ajuste, ou com a própria direita assumindo as rédeas do governo a partir do impeachment da presidente Dilma.

 

POR QUE A DIREITA LEVA PARA A CADEIA A DIREITA DO PT?

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Delcídio Amaral é um elemento da direita do PT, um ex tucano que agora se somou aos chefões da esquerda do PT que foram incriminados, como José Dirceu, José Genoíno e João Vacari. Um dia antes tinha sido preso um grande empresário do “agronegócio” ligado a Lula. A corrente da “corrupção” vai longe e muito além da Petrobras. Isso sem contar a “corrupção legalizada”, como, por exemplo, as obscenas “privatizações” de FHC.

Junto com Delcídio foi preso André Esteves, sócio do Banco Pactual, que também mantém fortes ligações com os tucanos, e que inclusive é padrinho de casamento de Aécio Neves. Esteves é sócio de Pérsio Arida, o figurão tucano, no Banco Pactual, que, por sua vez, é sócio de Daniel Dantas no Banco Opportunity. Pérsio, além de ter sido diretor do Banco Central no governo FHC, é marido de Elena Landau, responsável pelas privatizações de FHC e pelo BNDES. Em 1997, e com dinheiro do BNDES, o Banco Opportunity “comprou” a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais). A Cemig foi uma das fontes do chamado, e nunca investigado, “mensalão tucano”, que teve como operador o “famoso” Marcos Valério. Um dos beneficiários foi Delcídio Amaral.

Delcídio foi diretor de Gás e Energia, na Petrobras, na década de 1990, durante o governo de FHC. O subdiretor era Nestor Cerveró.

O objetivo dos ataques contra esses elementos de direita tem como objetivo apertar ainda mais o cerco sobre o PT, implodindo as alianças com os setores de direita, dando continuidade aos ataques que já foram aplicados contra os donos das grandes empreiteiras. É a mesma política que foi aplicada na Argentina e que levou à vitória do direitista Maurício Macri nas recentes eleições presidenciais.

 

OBJETIVO DO LAVAJATO: MAIOR ENTREGA DO BRASIL E O “AJUSTE”

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Na América Latina e no Brasil, o imperialismo busca descarregar o peso da crise sobre a região conforme a crise capitalista mundial se aprofunda e as derrotas militares no resto do mundo têm levado a concentração da espoliação no próprio “quintal traseiro”. Não por acaso a Operação Lavajato foi deflagrada contra a Petrobras, que está no olho dos abutres capitalistas.

O “ajuste” passa pela redução dos salários, dos direitos trabalhistas e das condições de vida dos trabalhadores, com o aumento do repasse parasitário de recursos para os grandes bancos. O governo federal destina mais de 45% do orçamento para sustentar os serviços da ultra parasitária e corrupta dívida pública. Mas os monopólios querem mais. Para isso, a pressão aumenta para que todos os recursos sejam concentrados nessa política. Setores da burguesia nacional que dependem do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), da especulação imobiliária ou dos repasses de recursos públicos por meio de outros mecanismos são afetados. Mas o aprofundamento da crise ameaça levar o Brasil ao colapso, como um dos elos fracos do sistema capitalista mundial.

O imperialismo tenta impulsionar uma nova frente única em cima de um novo choque neoliberal. Na Argentina, essa política está sendo imposta por Maurício Macri em aliança com a direita do kirchnerismo e com os setores majoritários da burocracia sindical. A mesma política está tentando ser imposta na Venezuela, nas eleições legislativas que acontecerão no dia 6 de dezembro; está em jogo 40% do orçamento público que hoje é destinado aos programas sociais.

 

DUAS VELOCIDADES PARA O AJUSTE

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A Administração Obama tenta impor o ajuste por meio da direita reciclada a la Maurício Macri, a la Peña Nieto (o presidente imposto no México) ou a la Psdb. A ala mais à direita do imperialismo norte-americano tenta impor o ajuste por meio de uma política de força, conforme tem ficado claro nos últimos debates do Partido Republicano. Obama desescalou as tensões na Ucrânia, no Mar do Sul da China e na América Latina para estabilizar o Oriente Médio, em aliança com inimigos tradicionais, a Rússia, o Irã, a China, o Hizbollah e os curdos.

Neste momento, Obama tenta evitar o acirramento das contradições que possam conduzir a explosões sociais, o que inclui evitar golpes de estado como os do Egito, da Ucrânia ou da Tailândia. A política da chamada “contrarrevolução democrática” ficou evidente na América Latina por meio dos acordos com Cuba, o processo de paz com as FARC-EP, na Colômbia, o envio do Papa ao Equador, há quatro meses, em plena histeria direitista contra o presidente Rafael Correia, nas declarações de Obama em favor da presidente Dilma, e na contenção da tradicional histeria da direita venezuelana.

Essa é uma política frágil aplicada em cima de uma direita neoliberal que ficou muito fragilizada após o colapso capitalista de 2008. A frente única para a aplicação dessa política inclui setores da burguesia nacional que temem a ascensão dos trabalhadores por causa do novo colapso capitalista que aparece no horizonte. Mas ao mesmo tempo, esses setores também temem a resposta popular ao ajuste, a ascensão dos protestos sociais e do movimento grevista. No centro do problema, está a velocidade com que o ajuste pode ser aplicado. A vitória do Macri na Argentina foi apertada e somente aconteceu no segundo turno, o que revela as dificuldades para formar a frente única hegemônica com o objetivo de impor o novo choque neoliberal. No Brasil, o impeachment contra a presidente Dilma avança com muitas dificuldades e tem sido priorizada a política de “comer pelas bordas”, desgastar o governo do PT.

A velocidade do ajuste e a priorização de uma determinada política para impo-lo depende do aprofundamento da crise e do grau de resistência das massas.

 

A CAPITULAÇÃO DO GOVERNO DO PT: UMA ENGRENAGEM GOLPISTA

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Enquanto a CUT, o MST e a UNE têm chamado a várias manifestações em defesa do governo do PT, contra o Fora Dilma e a favor do Fora Cunha, o governo do PT tem realizado negociações com a direita que têm entregado ministérios chaves até para Kátia Abreu e buscado dar uma sobrevida para o ultra reacionário Eduardo Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados. Capitulando à direita, o PT considera que poderá salvar o governo. Mas enquanto as tramoias parlamentares avançam, também avança a política antipovo imposta pelo imperialismo e aplicada pelo governo do PT, que, cada vez mais, não passa de um espantalho para disfarçar o núcleo direitista que controla o governo.

A inflação continua aumentando enquanto os aumentos dos salários não conseguem acompanhar a carestia da vida. Novos ataques aconteceram contra as aposentadorias, o seguro desemprego, os servidores públicos federais. Novas privatizações são disfarçadas como concessões. A capitulação em relação a Lei Antiterrorista é total e é muito grave, pois se trata de uma lei, imposta pelo imperialismo, que renova, em certa medida, o famigerado AI5 da ditadura militar. A dívida pública que consome o grosso dos recursos públicos nem sequer é mencionada pelo PT; ela simplesmente é paga sem questiona-la.

Todos os esforços são direcionados para “manter a governabilidade”, o que recebe um reforço da política da defesa cega do governo devido à iminência de um golpe de estado. O governo do PT, na realidade, é cada vez mais o governo da direita do PMDB. Qual é o sentido dos partidos e agrupamentos de esquerda apoiarem de maneira cega o governo do PT? Há grupos que chegam a dizer que o “ajuste” faz parte dos ataques da direita.

A capitulação do governo do PT, e do próprio Partido, às pressões da direita tem se convertido numa das principais engrenagens para o fortalecimento da direita, para a aplicação do ajuste contra os trabalhadores.

O reacionário Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara dos Deputados, está sendo fritado pela direita devido à incapacidade de levar adiante o impeachment do governo Dilma. A direção do PT tem manobrado para dar sobrevida a Cunha, pois enfraquecido representaria um perigo menor e, ao mesmo tempo, possibilita a mudança dos holofotes dos ataques contra os trabalhadores que estão em curso. As políticas do governo têm se transformado num dos componentes principais que permitem o avanço da direita. Trata-se da mesma capitulação vergonhosa que levou à vitória de Macri sobre o kirchnerismo na Argentina e que, provavelmente, levará ao fortalecimento da truculenta direita venezuelana nas próximas eleições legislativas do dia 6 de dezembro. Enquanto a política da “contrarrevolução democrática” vai se impondo na América Latina, impulsionada pela Administração Obama, continua se fortalecendo a direita, e a extrema direita, abrindo passo a uma política ainda mais dura contra as massas. Essa política conta com a ajuda objetiva, e pela esquerda, da capitulação dos governos nacionalistas e pseudo nacionalistas,

 

GOLPE DE ESTADO IMINENTE?

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A direita encontra dificuldades para deslindar os parlamentares direitistas da corrupção generalizada da Petrobras e das demais empresas públicas apesar da obscena propaganda do PIG, da imprensa golpista. A fragilidade do impeachment contra o governo Dilma tem levado figuras do primeiro escalão golpista, como o ministro do STF, Ricardo Lewandowski, a declarar que seria necessário “aguentar três anos sem golpe institucional”. “Com toda a franqueza, devemos esperar mais um ano para as eleições municipais. Ganhe quem ganhe as eleições de 2016, nós teremos uma nova distribuição de poder. Temos de ter a paciência de aguentar mais três anos sem nenhum golpe institucional… Estes três anos [após o ‘golpe institucional’] poderiam cobrar o preço de uma volta ao passado tenebroso de trinta anos. Devemos ir devagar com o andor, no sentido que as instituições estão reagindo bem e não se deixando contaminar por esta cortina de fumaça que está sendo lançada nos olhos de muitos brasileiros”.

A direita teria bastante facilidade, em termos jurídicos, em aplicar o impeachment contra a presidente Dilma em cima das “pedaladas” contra a Lei da Responsabilidade Fiscal, a principal política de todo governo, imposta a partir do chamado Consenso de Washington. O chamado superávit primário (recursos públicos priorizados para o pagamento da dívida pública), que deveria ter fechado em R$ 168 bilhões no ano passado, por meio de uma série de manobras, fechou em menos de R$ 10 bilhões para desespero dos grandes banqueiros. O problema colocado reside em como espoliar ao máximo os trabalhadores sem provocar uma explosão social. E o PT cumpre um papel muito importante na contenção das massas. O problema é que a política assistencialista do PT, a necessidade de dar alguma resposta para os movimentos sociais e sindical representa um entrave para o aumento da velocidade dos ataques contra as massas.

A defesa cega do governo do PT, sem denunciar o ajuste contra os trabalhadores que está em marcha, faz parte da política de conciliação de classes, da capitulação à frente popular. A “defesa da governabilidade”, a “defesa da democracia”, que no Brasil não passa de um arremedo de democracia, sem lutar contra a política do ajuste imposta pelo imperialismo tem como objetivo encobrir o brutal ataque contra os trabalhadores que já está em marcha. O governo do PT pode não conseguir imprimir a velocidade que os monopólios precisam, mas desbrava o caminho para ataques em maior escala. O movimento operário e social não pode ser despertado sem denunciar os ataques, simplesmente fazendo conchavos com a burocracia sindical. É preciso defender a independência de classes, a necessidade dos trabalhadores se organizar, de maneira independente, contra os ataques da burguesia.

O fantasma do golpe militar, neste momento, é usado com o objetivo de encobrir a capitulação da frente popular à direita, o que representa uma traição aos interesses da classe operária.

Dizer que o ajuste é uma manobra da direita desarma a luta dos trabalhadores. A crise deve ser enfrentada por meio da luta nas ruas. A crise deve ser paga pelos capitalistas e não pelos trabalhadores. O governo Dilma é uma das engrenagens do ajuste e, conforme capitula à direita, se converte numa das principais engrenagens golpistas. Nada muito diferente do que tem acontecido em todos os golpes de estados, no Brasil e no mundo.

Sem uma política clara contra as capitulações da frente popular à direita não é possível nem sequer enfrentar o sucateamento da educação no Estado de São Paulo, onde mais de 200 escolas estariam ocupadas.

 

 

RUSSIA E TURQUIA – ALÉM DA DERRUBADA DO CAÇA,

RELAÇÕES E AMARRAÇÕES DE AMOR E ÓDIO

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A derrubada do caça russo pela força aérea turca, no dia 24 de novembro, revelou, mais uma vez, a fragilidade das alianças e contra alianças no atual estágio do desenvolvimento da crise em escala mundial, que adquire caraterística críticas no Oriente Médio.

A Administração Obama se aliou a inimigos dos Estados Unidos para estabilizar a Síria, os russos, o Irã, com as milícias xiitas e o Hizbollah, os curdos e os chineses. O desespero da direita do imperialismo e da reação do Oriente Médio foi às alturas.

Agora o governo Erdogan, fortalecido pelos resultados das eleições que aconteceram no início deste mês, tenta conter o “ímpeto” russo contra os próprios rebeldes. O AKP, partido de Erdogan, conseguiu a maioria que não tinha conseguido em junho mediante a política militar de ataques contra os curdos turcos e, em alguma medida, os curdos sírios.

A contenção dos curdos sírios representa um dos pontos fundamentais da política Erdogan que busca uma saída “energética” para a crise. Os curdos turcos mantêm forte presença na Província da Anatólia Oriental por onde passam, ou passariam, os dutos de fornecimento de gás e petróleo à Europa.

A Rússia depende da derrota dos vários grupos rebeldes para estabilizar as fronteiras do sul, impedir a repetição dos conflitos na Tchetchênia e no Daguestão, assim como em outras regiões. O aumento da influência no Oriente Médio é crítico na disputa do comercio de armas, no mercado de energia e na participação do Novo Caminho da Seda chinês.

As contradições entre as duas potências regionais são grandes, mas também o são a dependência e relações mútuas.

 

A RÚSSIA PODE APLICAR SANÇÕES CONTRA A TURQUIA?

 

O governo da Federação Russa precisa dar uma satisfação à população russa, o que faz parte da política nacionalista de fortalecer a unidade nacional em torno do governo Putin conforme a crise se aprofunda. As medidas iniciais foram cortar os contatos militares e impor o bloqueio do espaço aéreo sírio por meio dos mísseis S-400. Já avançar com sanções econômicas profundas é muito mais complexo.

A Rússia é responsável por 10% das importações turcas. As exportações turcas representam 4% das importações russas. A Rússia fornece 55% do gás que os turcos consomem, que representa 13% das exportações de gás russo. Os gasodutos estão próximo ao limite de uso (Blue Stream e Gas-West) e por eles também trafega o gás que tem como destino a Ucrânia, a România e a Bulgária. Os 45% restantes são fornecidos pelo Irã e o Azerbaijão e por gás natural liquidefeito.

O corte do gás russo colocaria a economia turca em xeque. Mas também seria afetada a economia russa que se encontra em recessão há quatro anos, além de escalar os problemas na Europa Oriental. E ainda há a questão do gasoduto TurkStream que foi desviado no Mar Negro, da Bulgária para a Turquia com o objetivo de driblar as regulamentações da União Europeia contra a Gazprom, o gigante do gás russo.

O corte no fornecimento de minerais e metais (ferro, aço e alumínio) também não teria muito impacto devido à contração do mercado mundial. A Rússia fornece 70% do trigo, mas, com relativa facilidade, poderia ser trocado por outros fornecedores. E, em 2010, a Turquia conseguiu absorver sanções neste setor. Por outra parte, 40% das frutas e vegetais turcos têm como destino a Rússia, além de outros alimentos, como lácteos e carnes. O governo russo tem deixado estes segmentos de lado e passou a focar arremedos de sanções no turismo, que representa 12% do PIB da Turquia e dos quais os russos somam 14%. Outro dos pontos de pressão, que a Rússia já usou no passado, seria dificultar a passagem de caminhões em direção à repúblicas da Ásia Central e Oriental, por onde circulam aproximadamente US$ 2 bilhões anuais em produtos químicos e eletrônicos.

Vários acordos comerciais iriam ser assinados e desenvolvidos na visita que Erdogan faria à Rússia em dezembro. Isto revela o grau de crise em que o governo turco foi colocado com os bombardeios russos contra os “rebeldes” amiguinhos.

 

AS CONTRADITÓRIAS RELAÇÕES DA TURQUIA E A RÚSSIA

 

A Turquia é um país membro da OTAN e com relações próximas com a Arábia Saudita. Mas o governo Erdogan tem aplicado várias políticas de cunho nacionalista o que tem gerado contradições com o imperialismo, que tem tentado derruba-lo impulsionado a extrema direita. A Rússia tem tentado explorar essas contradições. Vários acordos comerciais tem sido assinados após das sanções aplicadas em relação à crise da Ucrânia. Mas também as contradições são seculares.

A Turquia foi contrária à invasão da Geórgia, em 2008, pela Rússia, mas não tomou nenhuma ação. As relações também são tensas em relação a todos os países onde há minorias ou maiorias turcomenas, que a Turquia considera sob sua zona de influência.

A recente aproximação da Rússia com o Azerbaijão, por meio da desescalação do conflito em Nagorno-Karabakh, com o a Armênia, é um dos pontos de conflito. A Rússia tenta desestimular o gasoduto BTC (Baku, Tbilisi, Ceylan) que beneficiaria a Turquia, já que a partir do porto turco de Ceylan o gás seguiria para a Europa pagando pelos direitos de transporte.

A Turquia tenta conter a Rússia na Síria, onde atua por meio de grupos “rebeldes”, inclusive o Estado Islâmico. Com esse objetivo busca utilizar a ameaça da OTAN. Mas até que ponto o governo turco estaria disposto a se submeter à política da OTAN de maneira mais aberta? Isso depende de quem pagar melhor. A União Europeia desviou para o governo de Erdogan, há dois meses, três bilhões de euros que supostamente teriam como destino evitar que os refugiados do Oriente Médio chegassem à Europa. Obviamente, esse dinheiro teve um papel importante nas eleições de novembro. O quanto os Estados Unidos estão dispostos a injetar na Turquia? E a Rússia, quanto representa? E quais os riscos?

É a política do “salve-se quem puder” em ação, cada vez mais intensa, conforme a crise capitalista se aprofunda.

 

 

RÚSSIA/ TURQUIA, POR TRÁS DA RETÓRICA,

A POLÍTICA DO “SALVE-SE QUEM PUDER”

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Os ataques da aviação russa na Síria têm como objetivo fortalecer as posições do governo de al-Assad para pressionar no sentido de uma saída negociada. A Rússia não tem condições de controlar a Síria com as próprias forças, pois entraria em rota de coalisão com as demais potências regionais e com o imperialismo. Mas, a partir do enclave criado nas províncias de Latákia e Tartus, as regiões habitadas pela minoria alawita que está no poder, os ataques avançaram sobre as regiões vizinhas.

A aviação russa tem possibilitado o avanço do Exército sírio, apoiado pelas milícias xiitas, controladas pela Guarda Revolucionária Islâmica iraniana, e o Hizbollah, a poderosa milícia libanesa, nas estratégicas províncias de Idlib e Aleppo, e sobre o coração do Califato do Estado Islâmico, Raqqa e Deir el-Zour. Localidade onde os “rebeldes” avançavam foram retomadas. Após dois anos, o Exército conseguiu controlar Sweida e a sitiada base aérea de Kweiris, na região oriental de Aleppo. Na região central da Síria, unidades de artilharia russas teriam ajudado na retomada de Mahin, que se encontrava sob controle do Estado Islâmico e estariam atuando na retomada de outros povoados, como Jabal Zuwayk, em Latákia. A ofensiva sofreu alguns revezes no norte de Hama, mas continua avançando em quase todas as frentes.

Em paralelo, os Estados Unidos têm atuado estreitamente com o YPG curdo, que passou a fazer parte da frente Forças Democráticas Sírias, que inclui também a Coalisão Árabe Síria, assírios e turcomenos. O governo turco tenta desesperadamente controlar uma faixa fronteiriça do território sírio e colocar os curdos na defensiva.

O envolvimento dos russos e do Irã na Síria, e mais recentemente dos chineses, tem limitações. A resistência dos “rebeldes” apoiados pelas potências regionais e pelo imperialismo tem obrigado a aumentar o envolvimento militar, colocando o risco do fantasma da derrota russa no Afeganistão. Por esse motivo, a política de Putin e dos aiatolás iranianos é conseguir uma saída negociada o mais rápido possível.

 

A QUESTÃO CURDA

 

O grupo “rebelde” preferencial do governo turco agora é o chamado Exército Sírio Livre, onde atuam milicianos de origem turco financiados pelo governo. O principal objetivo está relacionado com a contenção das milícias curdas do YPG e, principalmente, com uma eventual evolução no sentido da formação de um estado curdo. Os curdos turcos do PKK (Partido dos Trabalhadores) controlam a Província da Anatólia Oriental que é um dos componentes centrais do fornecimento de gás para a Europa.

A política da criação de uma zona de controle do espaço aéreo sírio na região foi implodida pela intervenção da aviação russa.

A derrubada do caça russo teve como objetivo criar um fato consumado para a Turquia avançar no controle do norte da Síria contra os curdos que têm se convertido num dos componentes em solo da “guerra contra o Estado Islâmico”. Com esse objetivo, criaram um fato consumado na tentativa de arrastar os Estados Unidos e a OTAN, contra a política da aliança com a Rússia que a Administração Obama colocou em pé.

Se trata de uma política arriscada, pois entra em conflito com a política da Rússia e, em certa medida, com a dos próprios Estados Unidos. Mas, conforme a crise tem se aprofundado, a política do “salve-se quem puder” passa a ocupar a linha de frente do cenário político. Erdogan acabou de sair triunfante da escalada da política militarista contra o PKK (Partido dos Trabalhadores curdos na Turquia), cancelando a trégua, com o objetivo de criar um clima de terror e facilitar a vitória, por maioria, do partido no governo, o AKP, nas novas eleições nacionais, que aconteceram no início de novembro, com este objetivo.

Os curdos iraquianos, os pershmergas, tem atuado com o apoio norte-americano numa grande ofensiva contra o Estado Islâmico a partir de Mosul em direção à fronteira síria. O Curdistão iraquiano mantém relações estreitas com o imperialismo norte-americano, os sionistas israelenses e com a Turquia.

 

O GÁS DO MAR CÁSPIO

 

Perante o acirramento das contradições pelo negócio do fornecimento de gás para a Europa, o gasoduto Trans-Cáspio voltou a ser colocado à ordem do dia para desespero dos russos. Se trata de 300 quilômetros que deverão unir o porto Turkmenbashi (Turcomenistão) e Baku (Azerbaijão). Com capacidade para o transporte de 30 bilhões de metros cúbicos (bmc), o próximo destino seria a Turquia, passando pela Geórgia, de onde chegaria à Europa.

Os interesses russos foram colocados em xeque, pois aos atuais 4,7 bmc que o Azerbaijão já transporta, ainda deverão ser adicionados 10 bmc em 2018, a partir do campo Shah Deniz II.

O fornecimento dos Balcãs e da Europa Oriental com gás do Azerbaijão e do Turcomenistão, por fora do controle da Gazprom, o gigante russo do setor, enfraqueceria o poder russo na região abrindo passo para uma maior escalada da agressividade militar da OTAN por meio desses países.

Por meio do aumento da pressão, mediante vários mecanismos econômicos e militares, o governo russo conseguiu afastar o Turcomenistão dessa política e envolver o países no direcionamento do gás para a Rússia e a China. Além disso, o governo do Irã está alinhado com essa política. Não por acaso, os 26 mísseis de longo alcance que a Marinha russa disparou contra o Estado Islâmico tiveram como origem a Frota do Mar Cáspio e sobrevoaram o Irã, com a permissão do regime dos aiatolás.

O governo turco de Recep Tayyip Erdogan tem tentado se contrapor à política russa no Mar Cáspio. No início de novembro, Erdogan esteve em Ashgabat, a capital do Turcomenistão, com o objetivo de assinar acordo de fornecimento de gás natural, apesar de não ter especificado como o gás seria transportado. Duas semanas depois, o presidente da empresa estatal de petróleo do Azerbaijão declarou, em visita ao Turcomenistão, que o governo estaria preparado para investir no gasoduto Trans-Cáspio.

A Turquia, que mantém proximidade nacional sobre esses países, busca se favorecer do aumento das contradições da Rússia com várias das antigas repúblicas soviéticas, enquanto a Rússia tem direcionado o grosso dos negócios para a China.

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POR QUE A TURQUIA DERRUBOU O CAÇA RUSSO?

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No dia 24 de novembro, um caça russo SU-24 foi derrubado perto da fronteira Síria-Turquia por dois caças turcos F-16 que teriam usado mísseis ar-ar. Os dois pilotos russos saltaram e acabaram sendo, provavelmente, mortos por grupos “rebeldes” em território sírio.

De acordo com a versão oficial turca, o caça teria sido avisado dez vezes antes de ser abatido. O governo russo declarou possuir evidências de que se encontra em território sírio a seis mil metros de altura.

Desde o começo das operações da Rússia na Síria, tinham sido feito acordos com a Turquia, os Estados Unidos, Israel, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos com o objetivo de evitar o confronto militar.

O governo turco, ao invés de buscar um entendimento imediato com os russos, chamou uma reunião em caráter de urgência com a OTAN. Até o momento, as retaliações foram preventivas. O governo do presidente Vladimir Putin suspendeu a colaboração militar com a Turquia, foi anunciado que o sistema anti-mísseis S-300 será atualizado para o padrão S-400 na base aérea de Khmeimim e todos os ataques aéreos passarão a contar com cobertura aérea por aviões de combate. Os canais diplomáticos continuam aberto no primeiro escalão dos ministérios das Relações Exteriores.

 

A FRENTE ÚNICA DE OBAMA COM PUTIN

 

A Síria tem um enorme potencial de contágio desestabilizador no Oriente Médio. A presença militar da Federação Russa na Síria data de várias décadas atrás, da época da antiga União Soviética. A Rússia possui no porto de Tartus, localizado ao norte do Líbano, a única base naval no Mar Mediterrâneo. Assim que os “rebeldes”, financiados pelo imperialismo e a reação, conseguiram infiltrar e controlar os protestos de massas que estouraram há quatro anos, os russos e o Irã passaram a atuar na defesa do governo al-Assad. Mas o ponto de virada aconteceu em junho deste ano.

O secretario do Departamento de Estado norte-americano esteve no balneário de Sochi, localizado no sul da Rússia, onde manteve encontros de primeiro nível. O objetivo foi colocar em pé uma frente única com o objetivo de estabilizar a Síria e evitar que se convertesse numa nova Líbia ou Somália. Em contrapartida a Administração Obama desescalou as tensões na Ucrânia, no Mar do Sul da China e na América Latina. Essa política acabou aumentando as tensões com os aliados tradicionais do imperialismo, a começar com Israel e a Arábia Saudita e reflete o grau de crise. Para estabilizar a situação, os Estados Unidos precisaram se aliar com inimigos tradicionais.

Obama encabeça a direita tradicional nos Estados Unidos que disputa com a direita truculenta a política a ser implementada no próximo período, com o objetivo de enfrentar o inevitável aprofundamento da crise capitalista. Os cinco debates dos pré-candidatos do Partido Republicano às eleições presidenciais que acontecerão no próximo ano oferecem uma amostra da política da ala direita do imperialismo. Guerra, inclusive atômica, contra o Irã. Guerra contra a Rússia. Guerra contra a China.

 

AS RELAÇÕES RÚSSIA – TURQUIA

 

As relações entre os governos Putin e Erdogan tem evoluído positivamente no último período. A Turquia, apesar de ser um membro da OTAN, tem mantido uma relação ambivalente com os Estados Unidos e a Europa. A Rússia tem buscado influenciar essas relações desenvolvendo as relações comerciais energéticas, que representam o principal componente da política econômica turca após a crise da indústria têxtil que estourou a partir de 2008. O gasoduto SouthStream foi desviado, no Mar Negro, da Bulgária para a Turquia para driblar as regulamentações da União Europeia relacionadas com o monopólio da Gazprom, o gigante do gás russo, no fornecimento de gás.

A saída da Frota russa do Mar Negro depende do Estreito de Bósforo, que é controlado pela Turquia.

As relações entre a Rússia e a Turquia começaram a entrar em rota de colisão com a escalada da intervenção russa na Síria. A Turquia depende do controle da região para viabilizar a própria política. O lucrativo e disputado fornecimento de gás à Europa, com a perspectiva da Turquia se converter num nó (hub) depende dessa política. Está em jogo não somente o transporte do gás russo, mas também do gás do Catar, Irã, Azerbaijão, Turcomenistão e até do Líbano e Israel.

A Rússia também tem pretensões de potência regional e depende do sucesso da intervenção na Síria para aumentar o mercado de armas no Oriente Médio e no mundo, reduzir as sanções relacionadas à Ucrânia, disputar o mercado de fornecimento de gás e de energia nuclear na região. Além disso, há a questão dos grupos guerrilheiros financiados pelas monarquias do Oriente Médio que podem começar a atuar no Cáucaso, nas repúblicas da Ásia Central e no sul da Rússia (Tchetchênia e Daguestão) no caso do governo sírio colapsar.

O governo turco, encabeçado pelo primeiro ministro Erdogan, tem impulsionado os próprios “rebeldes” com o objetivo de conter o avanço dos curdos e de aumentar a própria influência na região. O Estado Islâmico tem sido um dos principais favorecidos por meio da facilitação de rotas logísticas e para a comercialização do petróleo que eles controlam. A mesma política tem sido aplicada pela Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, e, em alguma medida, pelo Catar e o imperialismo.

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Conselho de Ética da Câmara vota contra Cunha 

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Por Marcos Antº. Padilha Ferreira

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados se reuniu hoje, 24, para ouvir o voto do relator deputado Fausto Pinato (PRB-SP) sobre a representação contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A representação que foi feita pelos partidos PSOL e Rede Sustentabilidade, teve a apreciação de seu parecer preliminar examinado e anunciado pelo próprio relator no último dia 16, quando Pinato deu uma entrevista coletiva para comentar sobre seu parecer. Agora, em seu voto, ele aceita a representação que está baseada nas teses do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Para o relator, a representação possui os “requisitos mínimos” para que possa ser aceita como “apta” assim como a causa, que ele considerou como “justa”.

Ainda sobre seu voto, o relator concluiu que o conteúdo da representação contra Cunha, demonstra ser “extremamente temerário” e que não aceitá-la seria o mesmo que passar para a sociedade brasileira, a visão de que o “Parlamento não atua com cuidado, cautela e espírito público de transparência”.

Defesa

O advogado de defesa de Eduardo Cunha, Marcelo Nobre, pediu para que o presidente do Conselho, o deputado José Carlos Araújo (PSD-BA) trocasse o relator, uma vez que ele teria feito antecipadamente a leitura do parecer preliminar. O pedido foi negado pelo presidente.

PGR

A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa o presidente Eduardo Cunha de cometer basicamente três crimes. Essa acusação da PGR é a mesma que deu fundamento a representação feita contra Cunha no Conselho de Ética. Ela se baseia nos seguintes crimes: a) corrupção passiva e lavagem de dinheiro; b) em proveito próprio ou de outrem de vantagem indevida (informação obtida na delação premiada do lobista Júlio Camargo na operação Lava Jato); c) contradição de conteúdo da delação prestada no registro da candidatura e no depoimento da CPI da Petrobras.

O relator Pinato também se embasou nessas teses para votar pelo prosseguimento da representação.

Adiamento

Após a leitura do voto do relator que pediu a admissibilidade das denúncias apresentadas pela representação, um pedido de vista coletiva, feita pelo deputado Sérgio Brito (PSD-BA), adiou a discussão e a votação do relatório. Também o advogado de Eduardo Cunha pediu para que a defesa fosse feita na próxima terça-feira (1), o que foi acatado pela presidência do Conselho.

 

Dilma liga para Macri e o parabeniza pela vitória

 

 

Por Marcos Antº Padilha Ferreira

Um dia após a vitória do candidato a presidência da Argentina, Maurício Macri – representante da direita desse País – a presidente do Brasil, Dilma Rousseff ligou para cumprimentá-lo pelos seus 51,4% de votos. A confirmação do telefonema foi divulgada pela própria Secretaria de Comunicação Social (Secom) do Governo Federal.

De acordo com a Secom, o telefonema também serviu para preparar a viagem que Macri deve fazer nos próximos dias ao Brasil. Como é tradição desde os governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC), sempre o presidente eleito na Argentina, antes de tomar posse – neste ano será no dia 10 de dezembro – viaja ao Brasil.

A mídia brasileira já dá como certa a viagem de Dilma a Buenos Aires para a posse de Macri. Ainda em dezembro, outro encontro deve ocorrer entre Dilma e Macri, porém, dessa vez, será no dia 21, quando os dois participarão da Cúpula do Mercosul, no Paraguai. Macri é a favor de retirar a Venezuela do bloco econômico, já que para ele a Venezuela persegue opositores do governo do presidente Nicolás Maduro.

Em suas palavras, de acordo com informações divulgadas pela Agência Brasil, Macri teria dito que espera dar “nova vitalidade ao Mercosul”. Segundo o presidente eleito, a relação com o Brasil será “dinâmica”. Macri crítica o ‘Kirchnerismo’ de ter enfraquecido o Mercosul com medidas que ele considera protecionistas.

Na Câmara dos Deputados hoje os discursos sobre a eleição na Argentina foram poucos. O represente do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Ivan Valente, em seu discurso na Tribuna, não fez nenhuma referência à vitória de Macri, apenas se reservou a falar sobre o desastre ambiental ocorrido em Mariana (MG).