INFLAÇÃO: Como acabar com esse câncer? — Gazeta Operária

A inflação oficial no Brasil se encontra em torno aos 10% anuais e teria recuado com o golpe parlamentar liderado por Michel Temer. O impacto sobre os setores mais pobres da população é muito maior. Uma parte das pressões inflacionárias tem como origem o aprofundamento da crise capitalista mundial que tem levado às contas públicas […]

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O QUE FAZER? (perante o aprofundamento da crise)

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TESE: A política revolucionária, neste momento, passa pelo agrupamento dos revolucionários proletários em cima das bandeiras históricas da classe operária (tais como a luta por um governo operário, pelo controle operário das fábricas e outras). O dever dos revolucionários proletários, neste momento, passa pela formação de um jornal revolucionário, para todo o Brasil, que se transforme no coração de um grupo revolucionário de agitação e propaganda que terá como tarefa ligar os revolucionários ao movimento operário que, de maneira inevitável, deverá entrar em ascensão no próximo período.

 

ANÁLISE:

 

Neoliberalismo, refluxo, burocratização da esquerda e nova esquerda revolucionária

 

  1. Na década de 1960, os chamados “Anos Dourados” do capitalismo mundial chegavam ao fim nos países desenvolvidos. A crise capitalista de 1967 acelerou a inflação e o desemprego. Esta foi a base material dos movimentos estudantis de 1968, que se aceleraram a partir do repúdio à agressão imperialista contra o Vietnam.
  2. Em 1971, a Administração de Richard Nixon, nos Estados Unidos, aplicou o calote da desvinculação do dólar do padrão ouro devido à impossibilidade de enfrentar os crescentes gastos da Guerra do Vietnam. Era o fim da “ordem” estabelecida pelos acordos de Bretton Woods, de 1944, pela qual os Estados Unidos tinham se comprometido a manter a conversibilidade do dólar ao ouro enquanto os demais países passaram a usar o dólar como o principal lastro para as moedas locais.
  3. O “keynesianismo” foi a política aplicada pelos governos das potências centrais com o objetivo de conter a crise capitalista aberta em 1929, em cima do aumento dos gastos públicos direcionados, principalmente, para obras de infraestrutura e gastos militares. Mas, na realidade, a contenção da crise de 1929 somente foi possível em cima da brutal destruição das forças produtivas que aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial. O esforço de reconstrução da Europa em escombros, por meio do Plano Marshall, a partir de 1948, gerou um período de relativa prosperidade nos países desenvolvidos que durou por, aproximadamente, 20 anos e que teve como lápide a crise mundial do petróleo de 1974, em grande medida, impulsionada pelos gigantescos gastos absorvidos pela Guerra do Vietnam.
  4. Em 1974, explodiu a chamada crise mundial do petróleo que esteve na base do colapso das políticas “keynesianas” (altos investimentos públicos em obras de infraestrutura e armamento). A inflação e o desemprego escalaram. As ditaduras militares, que foram impostas pelo imperialismo norte-americano nos países atrasados após o final da Segunda Guerra Mundial, colapsaram. Os mecanismos de contenção do desenvolvimento das tendências revolucionárias apresentaram fraturas por causa da crise capitalista.
  5. Um novo ciclo de revoluções se abriu em cima do aprofundamento da crise capitalista. A Revolução de Portugal, de 1974, foi o tiro de largada. A Revolução no Irã, em 1979, foi o ponto culminante. O Irã tinha sido desde o sangrento golpe de 1954, promovido pela CIA contra o governo nacionalista de Mossadegh, o país mais forte do Oriente Médio e o principal instrumento do imperialismo norte-americano para controlar a região. A crise revolucionária que se abriu na Polônia, em 1980, com grandes mobilizações operárias, colocou abaixo os regimes estalinistas na Europa Oriental e na própria União Soviética.
  6. No início da década de 1980, a inflação oficial superou os 20% anuais nos Estados Unidos. A desestabilização social levou o movimento operário a experimentar uma forte ascensão em escala mundial.
  7. A contenção do movimento operário aconteceu após a derrota da greve dos mineiros do carvão na Inglaterra (1984), que durou um ano, e da greve dos controladores aéreos nos Estados Unidos (1985), que resultou na demissão de 13 mil trabalhadores, e com a entrada dos trabalhadores chineses no mercado mundial ganhando salários miseráveis. Assim começava a aplicação das chamadas políticas “neoliberais”, em escala mundial, como uma espécie de “keynesianismo às avessas”, liquidação do chamado “estado de bem estar social, entrega das empresas públicas para os grandes capitalistas e contenção do movimento operário por meio da entrada no mercado mundial de centenas de milhões de operários, principalmente chineses, que ganhavam salários miseráveis.
  8. O movimento grevista foi duramente atacado, com demissões das lideranças, além de demissões em massa. Importantes setores industriais foram migrados dos países desenvolvidos para os países atrasados, principalmente para o México, a China e outros países da Ásia. Um novo enorme número de trabalhadores, com salários miseráveis, foi incorporado ao mercado mundial, no final da década de 1980 e no início da década de 1990, a partir do colapso da antiga União Soviética.
  9. O chamado “neoliberalismo” se transformou na política do conjunto da burguesia mundial para conter a crise. A esquerda burguesa e pequeno burguesa em geral, assim como a burocracia sindical, se transformaram em base de apoio e instrumentos dessa política no Brasil e no mundo.
  10. Nos anos de 1990, o movimento grevista entrou em refluxo. As políticas aplicadas durante o governo de Fernando Collor levaram ao fechamento de várias indústrias e às demissões em massa.
  11. O colapso capitalista de 2008 implodiu as políticas neoliberais. A incapacidade para a burguesia colocar em pé uma nova política, alternativa ao neoliberalismo, tem acelerado o enfraquecimento do sistema capitalista mundial. Sobre esta base, é inevitável que o movimento de massas entre em ascensão novamente no próximo período. E sobre esta base, as estruturas burocráticas de contenção da classe operária deverão ser ultrapassadas, o que deverá impulsionar o fortalecimento dos setores classistas, pilar da restruturação de uma nova esquerda revolucionária. A esquerda oportunista atual, burguesa e pequeno burguesa, hiper burocratizada no período neoliberal, está condenada a ser enterrada no lixo da história.

 

O refluxo do movimento operário e o crescente esgotamento da burocratização das organizações de massas e da esquerda (no Brasil)

 

  1. A última grande greve de uma categoria nacional de ponta, aconteceu em 1995, nos petroleiros, e foi quebrada pelo próprio Lula. O movimento metalúrgico acabou sendo paralisado pela burocracia com os planos Cruzado. As últimas greves metalúrgicas importantes aconteceram em 1991, na cidade de São Paulo, na Metal Leve (zona sul de São Paulo) e na Voight (zona oeste de São Paulo).
  2. O refluxo do movimento grevista consolidou o poder da burocracia que, por sua vez, consolidou o refluxo do movimento operário, passando a controlar as principais organizações de massas, a CUT, a UNE e o MST. Se consolidou a frente única entre o PT-PCdoB e as organizações da esquerda pequeno-burguesas. O PSTU, por exemplo, que hoje posa de “anti-governista”, participou da diretoria da CUT na mesma chapa do ultra pelego Vicentinho, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, durante mais de uma década. As direções traidoras do movimento de massas têm funcionado como freio para conter a unificação das reivindicações e das lutas.
  3. Os governos de FHC foram apoiados pela CUT que tinha sido controlada pela ala direita da Articulação, liderada por Vicentinho. A esquerda aderiu a essa política, apoiando-a, ou ficou acuada. O movimento operário ficou acuado por causa da burocratização das suas organizações e as ameaças de demissões em massa, as privatizações, as terceirizações, os ataques aos direitos trabalhistas, a desaceleração industrial, o fechamento de empresas. O endividamento público escalou, a partir de 1992, quando os futuros três figurões da área econômica do governo FHC (Armínio Fraga, futuro presidente do Banco Central, Pedro Malan, futuro ministro de Fazenda e Murilo Portugal, futuro presidente do Tesouro), num final de semana, em Luxemburgo, que é um paraíso fiscal, conseguiram a “mágica” de quase dobrar a dívida pública brasileira. Era a nova política imposta pelo imperialismo norte-americano, liderada pelo então secretário do Tesouro, Brady. Com os novos títulos ultra podres, que passaram de US$ 60 bilhões para US$ 110 bilhões, foram “compradas” as empresas públicas “privatizadas” por preços obscenos que, na maior parte dos casos, não ultrapassaram um décimo do valor.
  4. Os dois governos de FHC entregaram o Brasil aos monopólios, seguindo a receita do chamado Consenso de Washington (1989), o que acabou provocando um enorme desgaste da direita. Após a crise de 1997, na Argentina, que também tinha sido devastada, por meio de processos similares, pelos governos neoliberais de Menem (1989-1999), a crise se espalhou ao Brasil. No início da década passada, aumentou sensivelmente o descontentamento social.
  5. A partir de 2002, as políticas neoliberais implantadas por FHC tinham se esgotado. O movimento grevista começou a despertar, mas foi rapidamente contido com a eleição de Lula à presidência da República, que aconteceu de comum acordo com a direita e o imperialismo. A frente única entre a esquerda frentepopulista, formada pelo PT e pelo PCdoB, e a esquerda pequeno-burguesa, que formava a base de apoio das políticas neoliberais, acabou rachando. A esquerda de conjunto e o movimento operário continuaram paralisados.
  6. A crise do regime político se abriu novamente, com o “escândalo do Mensalão”, em 2004-2005. A direita tentava voltar ao governo desgastando o governo do PT. Essas manobras fracassaram não somente em 2006, mas também em 2010 (primeira eleição de Dilma Rousseff), 2012 (eleição de Fernando Haddad para a Prefeitura da cidade de São Paulo) e em 2014 (reeleição de Dilma).
  7. A partir de 2005, a “frente popular”, encabeçada pelo PT, começou a apresentar sinais de esgotamento devido aos ataques da direita por meio da campanha anti-corrupção (“Mensalão”). Em 2006, foi fundado o Psol, como um racha do PT. O PSTU, que tinha impulsionado o projeto, foi deixado de fora pelos parlamentares do novo Psol.
  8. A partir de 2012, ficaram claras as dificuldades para a direita voltar ao governo por meio das eleições. Por esse motivo, aumentaram as tendências golpistas, principalmente, a partir de junho de 2013, quando a burguesia colocou nas ruas a extrema direita para conter os movimentos do Passe Livre.
  9. As movimentações golpistas têm enfrentado dificuldades relacionadas com as movimentações nas ruas, contra o golpe, e a pressão da situação política internacional, em particular, as eleições presidenciais nos Estados Unidos, que acontecerão neste ano. A Administração Obama tem buscado reduzir as tensões na Ucrânia, no Oriente Médio, no Mar do Sul da China e na América Latina, com o objetivo de apresentar a candidata da “direita tradicional”, Hillary Clinton como a alternativa viável para manter os lucros dos monopólios e a estabilidade social.
  10. A política do imperialismo norte-americano para a América Latina hoje passa pela imposição de governos a la Macri, que avancem na aplicação de ajuste contra os trabalhadores, mas em cima de uma frente única, de maneira negociada em grande medida.
  11. A política da cúpula do PT, neste momento, busca uma “saída negociada” com a direita, o que também é do interesse da própria direita, que teria muitas dificuldades para avançar na aplicação do ajuste contra os trabalhadores sem contar com o apoio do PT ou, alternativamente, sem avançar na direção de um governo muito mais duro.
  12. A burocracia sindical, do movimento camponês, dos movimentos sociais, do movimento estudantil e das organizações de esquerda, amplamente integradas ao regime burguês, enfrentam forte crise como reflexo da crise do sistema capitalista. Essas organizações funcionam, na esmagadora maioria, como organizações cartoriais, com escassas ligações com as massas e, no fundamental, com clara atuação contra os trabalhadores. Esses setores burocráticos tendem a ser rapidamente ultrapassados na ascensão do movimento de massas que está colocado para o próximo período.

 

As tarefas colocadas para os revolucionários proletários

 

  1. A esquerda burguesa e pequeno burguesa, brasileira e mundial, integrada ao regime burguês, enfrenta gigantesca burocratização. Os partidos operários e revolucionários acabaram se desestruturando nas últimas décadas, principalmente por causa dos ataques promovidos contra a classe operária pelo “neoliberalismo”; hoje as ligações com a classe operária são muito escassas, quando há alguma.
  2. A maior parte da esquerda atual se encontra isolada ou integrada ao regime político burguês, tanto por meio das frentes populares, como é o caso do governo do PT no Brasil, ou outras políticas oportunistas, como a da frente de esquerda eleitoral que busca eleger deputados a qualquer custo.
  3. A luta contra o sistema capitalista passa, em primeiro lugar, pela clara identificação dos agentes, das classes, sociais, que disputam o poder político e, fundamentalmente, da classe social que tem como tarefa histórica promover a mudança do capitalismo, paraíso das poucas famílias que dominam o mundo, pela sociedade socialista.
  4. A classe social que tem como tarefa histórica a derrubada do capitalismo é a classe operária. Ela se encontra ainda paralisada. Mas ela deverá acordar no novo período em cima do aprofundamento da crise capitalista que colocará abaixo os colchões de controle social.
  5. No Brasil, está colocada a ascensão das massas que, no final da década de 1970, em cima da crise mundial de 1974, colocou abaixo a ditadura militar; que, em 1983, após a retomada de mais de 1.500 sindicatos pelas oposições classistas, dos pelegos da ditadura militar, fundou a CUT; que em 1985 promoveu mais de 15 mil greves, muitas delas muito radicalizadas. Essa mesma classe operária está começando a acordar do longo sono liberal, e em escala mundial.
  6. O que está colocado é levantar as bandeiras operárias e as bandeiras democráticas que a esquerda oportunista, da “frente popular” encabeçada pelo PT, jogou no lixo. É a luta pelas questões que podem tirar o Brasil, e os demais países, da crise, as medidas que passam pela luta contra o grande capital (o chamado 1% que governa o mundo) e a sobrevivência dos trabalhadores, que, cada vez mais, ficarão encurralados pelos capitalistas.
  7. Sem uma avaliação correta e profunda da realidade e, sobre esta base, o estabelecimento de uma política correta, a luta revolucionária fica inviabilizada ou, pelo menos, errática. Esta luta passa pelo rompimento com a frente popular e a política pequeno burguesa da frente de esquerda eleitoralista (da qual fazem parte o Psol, o PSTU, o PCB e satélites) que, de maneira recorrente e em questões fundamentais, tem se posicionado no mesmo campo da direita.
  8. No presente momento, o objetivo não deveria ser a formação de um partido com apenas um punhado de militantes. O que está colocado é a definição da melhor maneira para intervir na situação política no próximo período, quando o movimento operário deverá entrar em movimento novamente, a burocracia deverá ser ultrapassada e estará colocada a formação de partidos operários, revolucionários e de massas, inclusive em escala mundial.
  9. As organizações da esquerda ligadas ao regime burguês que existem hoje faz tempo que abandonaram os princípios leninistas de organização, a começar pelo jornal. Quem ainda mantém um jornal, o mantém com objetivos de arrecadação, ou como jornais informativos, jornais “amplos” da esquerda etc, que não têm absolutamente nada a ver com a necessidade de estruturar uma organização revolucionária para atuar nos setores de ponta da classe operária. As organizações menores se encontram desligadas da classe operária e, na maior parte das vezes, mergulhadas em tremenda confusão. Há, por exemplo, a confusão entre um jornal operário e um jornal amplo da esquerda; as dificuldades financeiras para sustentar a imprensa; a periodicidade; o conteúdo; a integração à luta revolucionária. Sobre o formato e a facilidade de leitura; sobre a política que deve transmitir etc.
  10. As questões políticas colocadas não negam, e, no sentido contrário, pressupõem, a necessidade de considerar os avanços tecnológicos e as peculiaridades da situação atual. É preciso avaliar em detalhes a melhor maneira de trabalhar com edições em papel e digital. Se as edições digitais podem substituir as edições em papel e em quais circunstâncias. O trabalho nas redes sociais, inclusive com as possibilidades relacionadas com audiovisuais. A periodicidade, o balanço entre as matérias de fundo, as notícias e as denúncias. A distribuição nos setores de ponta da classe operária.
  11. A tarefa colocada é a formação de um grupo de agitação e propaganda que aglutine os revolucionários em torno de um jornal político operário e revolucionário, para todo o Brasil, que seja usado como instrumento de organização real dos próprios revolucionários e da classe operária. O Jornal deverá ser o instrumento fundamental para desenvolver o programa revolucionário que, longe de ser algo estático, deve ser enriquecido com a análise do dia a dia à luz do desenvolvimento da luta de classes.
  12. O foco da atuação do novo agrupamento revolucionário deve ser nos setores de ponta da classe operária. Quando esses setores entram em movimento influenciam profundamente a situação política, como já o vimos acontecer no Brasil nos anos de 1970 e 1980 por exemplo. Esse agrupamento deve ser estruturado, em primeiro lugar, nos moldes estabelecidos por Vladimir I. Lenin no livro O Que Fazer? Lenin orientava a fundar um jornal político para toda a Rússia e que o partido se estruturasse em torno dele.

 

 

Não ao golpismo!

Pelas liberdades democráticas e os direitos dos trabalhadores!

Não ao ajuste!

Pela organização independente dos trabalhadores!

Que a crise seja paga pelos capitalistas!

Um novo colapso capitalista mundial?

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TESE: Está colocado, para o próximo período, um novo colapso capitalista mundial que inevitavelmente colocará em movimento novamente à classe operária.

 

ANÁLISE:

  1. Os mecanismos de contenção do colapso capitalista mundial de 2008 começaram a apresentar rachaduras, em 2012, e sérias rachaduras no ano passado. A economia entrou em recessão nos principais países. A economia real está paralisa por causa da queda do consumo. Se trata de uma típica crise de superprodução capitalista.
  2. Após terem gastado trilhões com objetivo de garantir os lucros dos monopólios, os estados burgueses se encontram em situação semi falimentar e com enormes dificuldades para garantir a contenção de um novo colapso.
  3. De acordo com uma comissão do Congresso dos Estados Unidos, somente entre 2007 e 2010, o governo gastou mais de US$ 16 trilhões para salvar os monopólios da crise. Considerando todos os repasses, o valor é várias vezes maior. Não por acaso, a dívida pública norte-americana supera os US$ 19 trilhões, três vezes mais do que era em 2007. E situações similares se repete na Europa, no Japão e nos principais países.
  4. Até a especulação financeira, que representa o grosso da economia capitalista, enfrenta crescentes dificuldades para garantir os lucros. As bolhas financeiras continuam crescendo, ameaçando com implosões que farão o colapso de 2008 como um jogo de crianças. A situação se tornou tão dramática que vários países de primeira ordem, como o Japão e a Alemanha, estão aplicando taxas negativas, ou seja, os monopólios são pagos para obterem empréstimos, que, no grosso, são aplicados na especulação financeira. Os simples mortais são cobrados por deixar a poupança nos bancos com o objetivo de obriga-los a ir às compras.
  5. A queda dos preços das matérias primas colocou em xeque a economia dos países atrasados. A América Latina se encontra na linha de frente da crise capitalista, em primeiro lugar, em países importantes da região, como a Venezuela, a Argentina e o Brasil. O México, a Colômbia e o Chile tem visto as suas respectivas economias piorarem de maneira acelerada. Os demais países também foram atingidos pelos mesmos problemas, o que pode ser visto muito claramente na Bolívia, no Equador, no Peru e no Uruguai.
  6. No Brasil, o superávit da balança comercial brasileira, no ano passado, de quase US$ 20 bilhões, teve na base, em primeiro lugar, a queda das importações, das quais a economia ficou dependente de maneira umbilical devido à desaceleração industrial provocada pelo direcionamento do país para a produção e exportação especulativa de meia dúzia de matérias primas. Uma verdadeira “vitória de Pirro”: superávit porque a economia ficou paralisada e ainda com um destino claro, o pagamento dos serviços da ultra parasitária dívida pública.
  7. Após o mês de setembro de 2008, o governo da Frente Popular, encabeçado pelo PT, direcionou um grande volume de recursos públicos, para as grandes empresas, por meio de fartos créditos ao consumo e os repasse do Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento), o aumento da especulação com a dívida pública e o aumento da camada parasitária de impostos e juros. Esses recursos públicos e a exportação de matérias primas foram os dois pilares de sustentação da economia nacional que criaram a ilusão de que o Brasil passaria incólume pela crise que atingia em cheio os centros. Como Lula disse, “a crise chegou ao Brasil como uma marolinha”, enquanto o país era devastado pela exploração hiper depredadora em prol das matérias primas. Uma espécie de volta à época colonial, que levou o Brasil a tornar-se o campeão mundial no uso de agrotóxicos, o vice campeão mundial no uso de transgênicos, que trouxe acidentes escandalosos como o recente caso da Samarco em Minas Gerais, que ameaça acabar com o Amazonas e o Pantanal devido à construção desenfreada e especulativa de hidroelétricas, que abriu o país à produção hiper depredadora do xisto etc.
  8. Em 2013, o governo Dilma, durante a gestão do então ministro da Fazenda Guido Mantega, abriu um novo período no repasse de recursos públicos, por meio da concessão de diversas isenções aos fabricantes da “linha branca”, e outros, com o objetivo de evitar a bancarrota generalizada devido ao aumento do contágio da crise capitalista mundial.
  9. Todas as medidas de contenção da crise têm entrado em colapso. O colapso capitalista tem levado o Brasil à linha de frente da crise. E trata-se apenas do “aperitivo”. O “prato forte” está para vir com o estouro de uma nova crise capitalista mundial, que está colocada para o próximo período nos grandes centros e que deverá ser muito pior que todos os anteriores devido ao brutal parasitismo e ao super endividamento dos estados burgueses. De acordo com os índices oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), o PIB caiu 1,7% no terceiro trimestre de 2015, em relação ao trimestre anterior, quando a queda tinha sido a maior das últimas décadas. No ano passado, a contração (oficial) da economia foi de aproximadamente -4% e, para este ano, a expectativa é de nova contração de -6%. As pressões inflacionárias crescem sem parar. De acordo com as estatísticas oficiais, a inflação fechou, no ano passado, acima dos 10%, e a expectativa para este ano é ainda pior. A principal meta imposta sobre o Brasil, pelo imperialismo, o chamado superávit primário (recursos destinado ao pagamento dos juros da dívida pública), está implodida por um déficit primário de R$ 104,4 bilhões, com a subida, em um ano, de 0,48% do PIB para 10,82%.
  10. Devido às políticas aplicadas pelo governo com o objetivo de sustentar os lucros dos capitalistas, principalmente o dos monopólios, a dívida pública (oficial) disparou para 67% do PIB e continua aumentando de maneira muito acelerada, enquanto os grandes bancos, principalmente os internacionais, os chamados “primary dealers” (ou “negociadores primários”) continuam extraindo suculentos lucros com taxas de juros muito superiores à oficial. Não por acaso, os juros brasileiros são os mais altos do mundo. As três principais agências qualificadoras de riscos, que são controladas pelos monopólios, colocaram o Brasil no status lixo, o que implica na disparada das dificuldades para o governo captar recursos e fechar as contas.
  11. A dívida pública interna supera os R$ 4 trilhões, apesar das maquiagens oficiais. A dívida externa acumulou mais de US$ 335 bilhões somente entre 2010 e 2015, justamente, por causa dos gigantescos déficits das chamadas contas correntes, provocados pelo aumento da espoliação imposta pelos monopólios e pelo crescente processo de desindustrialização ocasionado no direcionamento do Brasil à produção e exportação especulativa de meia dúzia de matérias primas. O volume total da dívida externa soma US$ 545,4 bilhões (dezembro de 2015).
  12. Os chamados IEDS (investimentos estrangeiros diretos), que já bastante especulativos (especulam, principalmente, nas bolsa, e na compra de títulos das empresas) somam mais de US$ 1 trilhão. Os investimentos estrangeiros mais “voláteis” (os chamados “capitais andorinhas”) somam mais de US$ 700 bilhões. O passivo externo bruto é de mais de US$ 2,2 trilhões, representando o dobro da dívida pública interna, que é controlada pelos grandes especuladores internacionais. As chamadas reservas soberanas, que somam mais de US$ 356 bilhões, além dos investimentos brasileiros no exterior, que somam US$ 400 bilhões, tendem a desagregar-se conforme a pressão dos monopólios aumenta sobre o Brasil e essa moeda podre, chamada dólar, tende a implodir.
  13. A máquina de “imprimir” dólares está funcionando a todo vapor, sustentando o crescente déficit público norte-americano e os repasses de dinheiro público aos monopólios. Mas a crise do esquema não está longe. Os petrodólares (venda de petróleo em dólares) estão combalidos, principalmente, a partir da crise dos preços do petróleo e do aumento das contradições entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita. O aprofundamento da crise econômica tem levado os grandes capitalistas a fortalecerem a extrema direita em escala mundial. Mas esta carta ainda não tem sido usada de maneira intensa e prioritária. Ainda há um certo espaço para as frentes populares, ao estilo do governo do PT. As frentes únicas, ao estilo do governo de Maurício Macri, na Argentina, representam a política atual colocada para a América Latina imposta pela Administração Obama, e “seus amigos, mas tratam-se de governos de crise, muito mais fracos que os governos que impuseram as políticas neoliberais nas décadas de 1980 e 1990.
  14. No ano passado, o déficit nas contas correntes (a diferença entre tudo o que entra e tudo o que sai do Brasil) foi de US$ 92 bilhões, dos quais apenas US$ 66 bilhões foi fechado com os chamados IEDs (Investimentos Estrangeiros Diretos), que já são muito especulativos. O restante foi fechado com capitais ainda mais especulativos, os chamados “capitais andorinha”.
  15. O Brasil continua, neste momento, na linha de frente da crise capitalista internacional e essa situação irá se agravar com o aprofundamento da crise capitalista mundial. O pagamento dos serviços da ultra corrupta dívida pública brasileira, por exemplo, mostra que é insustentável manter a política ultra entreguista atual, que já consome mais de 44% do Orçamento Público Federal, de acordo com a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentária) enviada para aprovação ao Congresso.
  16. As altas taxas de juros brasileiras representam um caso único no mundo, ou o único lugar onde ainda há “perú com farofa”, como a direita brasileira gosta de dizer parafraseando o ex ministro da Fazenda da ditadura militar, Delfim Neto. Um fardo tão grande, que junto com os impostos, inviabilizam qualquer possibilidade de desenvolvimento do Brasil. Nos principais países, foram adotadas taxas de juros negativas, ou seja os monopólios são remunerados por obterem empréstimos, que são aplicados fundamentalmente na especulação financeira, tal o alto grau de parasitismo. O endividamento se generalizou alcançando níveis estratosféricos em escala mundial, enquanto a economia produtiva entrou em recessão. Hoje, somente os ultra nefastos derivativos financeiros movimentam, segundo a imprensa especializada, nada menos que US$ 700 trilhões, ou dez vezes o PIB mundial, mas, muito provavelmente, o volume seja ainda muito maior.
  17. Conforme têm aumentado os sinais de esgotamento do governo Dilma, os especuladores financeiros têm manobrado e provocado a valorização do real e das bolsas. O problema é que os monopólios pressionam para que o ajuste contra os trabalhadores seja aplicado da maneira mais integral possível, com a reforma trabalhista (reduzindo sensivelmente as condições de vida dos trabalhadores), a reforma da Previdência (com ataques mais profundos contra os aposentados), os cortes nos gastos públicos (com o objetivo de garantir os repasses para os banqueiros), maiores entrega dos recursos naturais etc. A direita tem muito maior poder de fogo para aplicar essas medidas, que o governo do PT, mas essa direita precisa do apoio, direto ou indireto, da cúpula do PT para poder aplicar o ajuste. Não por acaso, está sendo avaliado o parlamentarismo no Senado, além de outras negociações com a direita, que têm como premissa a contenção das bases do PT e da extrema direita.
  18. O programa econômico apresentado por Lula há duas semanas, sobre uma suposta retomada do desenvolvimento, não passa de pura demagogia. O que está colocado em cima dos acordos que estão em andamento não é mais investimentos produtivos, mas um maior aperto contra a população para manter o parasitismo financeiro. É preciso não esquecer que a última tentativa relativamente “séria”, e recente, de aplicar uma certa “política desenvolvimentista” foi feita por François Hollande, na França. Essa política fracassou estrepitosamente e o próprio Hollande se transformou num dos paladinos dos ajuste, dos chamados “planos de austeridade”, contra os trabalhadores.
  19. Em dois ou três anos, esses mecanismos especulativos deverão implodir no Brasil e, de manter-se as amarrações impostas pelo imperialismo, restarão duas opções, a moratória ou a hiperinflação. De acordo com o líder da Revolução Russa, Vladimir I. Lenin, não há nada mais revolucionário que a inflação. Por esse motivo, o imperialismo tenta aplicar um brutal ajuste contra a população, para controlar a crise, sobre o sangue dos trabalhadores. O inevitável efeito colateral são os também inevitáveis protestos sociais.
  20. Para o próximo período, está colocado o inevitável aprofundamento da crise capitalista e, em cima desta base, a entrada em movimento, novamente, da classe operária, no Brasil e no mundo. Será a retomada, numa escala ainda superior, do movimento grevista da década de 1980, que, no Brasil, atingiu o pico com a formação da CUT, em 1983, e as 15 mil greves de 1985, mas que foi sufocado com as políticas neoliberais. O novo período de ascensão operária colocará, também de maneira inevitável, à ordem do dia, a criação de um partido operário, revolucionário e de massas, independente de todos os setores da burguesia e de todos os partidos integrados ao regime burguês. Isso não tem nada a ver com a “eleição de deputados”, que é a principal pauta, na prática, de boa parte da esquerda pequeno burguesa, e muito menos com a eleição de Lula em 2018 ou a defesa das capitulações do PT. Esses agrupamentos deverão ser varridos do mapa pela nova ascensão das massas e uma nova esquerda revolucionária deverá ser formada. Rachas no PT, e até nos demais partidos, deverão ser colocados à ordem do dia, separando as alas direita dos elementos revolucionários que deverão se fortalecer conforme a ascensão dos trabalhadores acontecer. A história mundial está cheia de exemplos neste sentido. A análise profunda da história e das revoluções tornou-se uma tarefa fundamental para compreender a realidade atual.

 

VOLTA LULA?

 

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A PRISÃO DE LULA, A DIREITA GOLPISTA, O GOVERNO DO PT E OS TRABALHADORES

Quais os interesses em jogo e qual é a saída para o aprofundamento da crise capitalista no Brasil?

 

  1. Na última sexta-feira, dia 4 de março de 2016, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva foi preso de forma truculenta pela Polícia Federal, que atuou obedecendo ordens do juiz Sérgio Moro, o homem da direita encarregado de conduzir a Operação Lava Jato. A “condução coercitiva”, seja pela razão do ex-presidente não se negar a depor na polícia ou, mais ainda, por todo o contexto político que envolve o caso, representa uma ação política dos órgãos que estão a serviço da direita golpista – o poder judiciário, os monopólios da imprensa burguesa e do aparato de repressão do Estado.
  2. A prisão do líder petista não se deu por acaso. Uma série de acontecimentos a precederam e indicavam que a Operação Lava Jato caminhava para isso. Dez dias antes da prisão, assistimos às delações premiadas de executivos do primeiro escalão de grandes empreiteiras Odebrecht e OAS) tentando envolver Lula e o Planalto no esquema de corrupção na Petrobrás. Foi seguida da prisão do marqueteiro petista João Santana e de sua mulher, e do vazamento (realizado pela Revista Isto É) do acordo de delação premiada do ex líder do PT no Senado, Delcídio Amaral, embora que não confirmado pelo próprio Delcídio. A campanha da imprensa capitalista acelerou-se após a demissão do ministro da Justiça José Eduardo Cardoso, homem de confiança da direita.
  3. No dia após a prisão de Lula, a sede do PT de Belo Horizonte sofreu um atentado, assim como o Instituto Lula em São Paulo, que amanheceu pichado com palavras de ordem da direita. Diante da prisão de Lula, milhares de militantes petistas e do movimento de massas se manifestaram em todo o Brasil. A ação mostrou a disposição em resistir ao golpismo e à truculência da direita. Entre as manifestações, vimos ações combativas de ativistas e trabalhadores contra grupos da direita.
  4. No entanto, Lula e a direção do PT propõem mais do mesmo cretinismo eleitoral para reagir à escalada desses ataques. Os atos de rua convocados para os dias 8, 13 e 31 de março deverão ter como eixo se contrapor à direita por meio do lançamento da campanha Lula 2018. Os atos em apoio ao governo Dilma, contra o impeachment, foram importante manifestação de força no ano passado. No entanto, mostraram a paralisia do PT e da burocracia sindical para mobilizar, que deverão contratar figurantes em grande número além da paralisia posterior aos atos.
  5. Enquanto chama os militantes à mobilização, a Frente Popular continua negociando acordos nos bastidores na esperança de que a situação se estabilize e que tudo caminhe para o desfecho da candidatura Lula em 2018. Mas essa candidatura pouco tem a oferecer ao povo brasileiro, principalmente no contexto da aceleração da crise capitalista no Brasil.
  6. A oposição à direita requer uma política revolucionária que passa, em primeiro lugar, pelo entendimento da evolução da atual conjuntura política no Brasil, na América Latina, nos Estados Unidos e no mundo.

 

O APROFUNDAMENTO DA CRISE CAPITALISTA

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  1. O aprofundamento da crise capitalista tem aumentado os esforços do imperialismo para fazer com que os povos de todo o mundo, em particular a classe trabalhadora, paguem o preço e que os grandes monopólios mantenham os lucros.
  2. No Brasil, os mecanismos de contenção da crise capitalista, que estourou em 2008, começaram a apresentar sérias rachaduras em 2012 e, com maior intensidade, a partir do final de 2014. As mesmas tendências aconteceram em escala mundial, quando os obscenos repasses de recursos públicos para as grandes empresas e a inundação do mercado com crédito público provocaram bolhas gigantescas, o esgotamento do chamado “superciclo” das commodities, com a enorme queda dos preços das matérias primas, e a escalada da recessão. Agora, à queda gigantescas dos preços do minério de ferro e do petróleo, se soma a queda dos preços das matérias primas agrícolas e agropecuárias. O superávit da balança comercial brasileira, no ano passado, teve na base, em primeiro lugar, a queda das importações, das quais a economia ficou dependente de maneira umbilical devido à desaceleração industrial provocada pelo direcionamento do país para a produção e exportação especulativa de meia dúzia de matérias primas.
  3. Depois de setembro de 2008, o governo da Frente Popular, encabeçado pelo PT, direcionou um grande volume de recursos públicos, para as grandes empresas, por meio de créditos ao consumidor e o Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento), o aumento da especulação com a dívida pública e o aumento da camada parasitária de impostos e juros. Esses recursos públicos e a exportação de matérias primas foram os dois pilares de sustentação da economia nacional que criaram a ilusão de que o Brasil passaria incólume pela crise que atingia em cheio os centros. Como Lula disse, “a crise chegou ao Brasil como uma marolinha”, enquanto o país era devastado pela exploração hiper depredadora em prol das matérias primas. Uma espécie de volta à época colonial, que levou o Brasil a tornar-se o campeão mundial no uso de agrotóxicos, o vice campeão mundial no uso de transgênicos, que trouxe acidentes escandalosos como o recente caso da Samarco em Minas Gerais, que ameaça acabar com o Amazonas e o Pantanal devido à construção desenfreada e especulativa de hidroelétricas, que abriu o país à produção hiper depredadora do xisto etc etc.
  4. Em 2013, o governo Dilma, durante a gestão do então ministro da Fazenda Guido Mantega, abriu um novo período no repasse de recursos públicos, por meio da concessão de diversas isenções aos fabricantes da “linha branca”, e outros, com o objetivo de evitar a bancarrota generalizada devido ao aumento do contágio da crise capitalista mundial.
  5. Todas essas medidas têm entrado em colapso. E tal colapso tem levado o Brasil à linha de frente da crise capitalista. E trata-se apenas do aperitivo. O prato forte virá com o estouro de um novo colapso capitalista mundial, que está colocado para o próximo período nos grandes centros e que deverá ser muito pior que todos os anteriores devido ao brutal parasitismo e ao super endividamento dos estados burgueses. De acordo com os índices oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), o PIB caiu 1,7% no terceiro trimestre de 2015, em relação ao trimestre anterior, quando a queda tinha sido a maior das últimas décadas. No ano passado, a contração (oficial) da economia foi de aproximadamente -4% e, para este ano, a expectativa é de nova contração de -6%. As pressões inflacionárias crescem sem parar. De acordo com as estatísticas oficiais, a inflação fechou, no ano passado, acima dos 10%, e a expectativa para este ano é ainda pior. A principal meta imposta sobre o Brasil, pelo imperialismo, o chamado superávit primário (recursos destinado ao pagamento dos juros da dívida pública), está implodida por um déficit primário de R$ 104,4 bilhões, com a subida, em um ano, de 0,48% do PIB para 10,82%.
  6. Para sustentar os lucros dos capitalistas, principalmente o dos monopólios, a dívida pública (oficial) disparou para 67% e continua aumentando de maneira muito acelerada, enquanto os grandes bancos, principalmente internacionais, os chamados “primary dealers” (ou “negociadores primários) continuam obtendo suculentos lucros com taxas de juros muito superiores à oficial. As três principais agências qualificadoras de riscos, que são controladas pelos monopólios, colocaram o Brasil no status lixo, o que implica na disparada das dificuldades para o governo captar recursos e fechar as contas.
  7. No ano passado, o déficit nas contas correntes (a diferença entre tudo o que entra e tudo o que sai do Brasil) foi de US$ 92 bilhões, dos quais somente US$ 66 bilhões foi fechado com os chamados IEDs (Investimentos Estrangeiros Diretos), que já são muito especulativos. O restante foi fechado com capitais ainda mais especulativos, os chamados capitais andorinha.
  8. O Brasil segue nesse momento na linha de frente da crise capitalista internacional e essa situação irá se agravar com o aprofundamento da crise capitalista mundial. O pagamento dos serviços da ultra corrupta dívida pública brasileira, por exemplo, é insustentável manter-se a política ultra entreguista atual, e que já consome mais de 44% do Orçamento Público Federal de acordo com a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentária) enviada para aprovação ao Congresso. As altas taxas de juros brasileiras representam um caso único no mundo, ou o único lugar onde ainda há “perú com farofa”, como a direita brasileira gosta de dizer parafraseando o ex ministro da Fazenda da ditadura militar, Delfim Neto. Um fardo tão grande, que junto com os impostos, inviabilizam qualquer possibilidade de desenvolvimento do Brasil. Nos principais países, foram adotadas taxas de juros negativas, ou seja os monopólios são remunerados por obterem empréstimos, que são aplicados fundamentalmente na especulação financeira, tal o grau de parasitismo. O endividamento se generalizou alcançando níveis estratosféricos em escala mundial, enquanto a economia produtiva entrou em recessão. Hoje, somente os ultra nefastos derivativos financeiros movimentam, segundo a imprensa especializada, nada menos que US$ 700 trilhões, ou dez vezes o PIB mundial, mas, muito provavelmente, o volume seja muito maior.
  9. Em dois ou três anos, esses mecanismos especulativos deverão implodir no Brasil e, de manter-se as amarrações impostas pelo imperialismo, restarão duas opções, a moratória ou a hiperinflação. De acordo com o líder da Revolução Russa, Vladimir I. Lenin, não há nada mais revolucionário que a inflação.

 

O PT E A DIREITA: O “AJUSTE” NA BASE DO GOLPISMO

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  1. O aprofundamento da crise capitalista está por trás da pressão do imperialismo para que seja aplicado um Plano de Ajuste que salve os lucros dos monopólios, nos moldes do que está sendo feito na Argentina ou na Grécia. A crise política, deflagrada há algum tempo, tem relação, justamente, com a incapacidade do PT em impor um ajuste contra os trabalhadores à altura do que é exigido. As políticas de Dilma Rousseff, embora tenham afetado muito os trabalhadores, ainda são consideradas insuficientes, erráticas, inconsistentes e incapazes de manter os lucros.
  2. Mesmo capitulando sistematicamente ao imperialismo e adotando diversas medidas anti-povo, o governo petista, devido à base social, não consegue avançar na profundidade requerida. Contando com o apoio de importantes organizações do movimento de massas, como a CUT, o MST e a UNE, mesmo que burocratizadas, o PT encontra extrema dificuldade em aplicar os pilares do ajuste impostos pelo imperialismo, principalmente a Reforma da Previdência, a Reforma Trabalhista e o amplo corte nas contas públicas, principalmente nos investimentos produtivos, nos programas sociais e na incorporação da burocracia sindical, política dos movimentos sociais. Se forem adotadas tais medidas pelo governo Dilma, a base petista se desagregaria, com a perda do apoio dos principais sindicatos, pois a própria burocracia sindical enfrentaria o risco de ser ultrapassada pelo descontentamento e o aumento da radicalização dos trabalhadores.
  3. O governo Dilma, na tentativa de “manter a governabilidade”, foi transformado num espantalho que dança na corda bamba, entre a pressão popular e do imperialismo. Vários ministérios e diretorias das empresas públicas são controlados por reconhecidos direitistas. A musa dos latifundiários, o setor mais reacionário da burguesia nacional, Kátia Abreu, foi colocada à frente do Ministério da Agricultura e aparece como amiga íntima da Dilma. A reforma agrária foi paralisada e os recursos públicos direcionados para o nefasto “agronegócio”. Um ex presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria) à frente do Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio. O próprio Kassab à frente do Ministério das cidades. Mais participação do PMDB. Mil conchavos com os partidos burgueses, os grandes empresários e o imperialismo, mas, mesmo assim, o governo do PT encontrou enormes dificuldades para aplicar o ajuste. Precisou recuar da tentativa de aplicar a Reforma da Previdência. O acordo com o vampiro José Serra, sobre a entrega do Pré-Sal para os monopólios, criou um gigantesco mal estar. A aprovação da lei Anti-terrorista, que representou uma imposição direta do imperialismo norte-americano, também gerou um gigantesco mal estar, apesar da tentativa, sem sucesso, de desvincular da criminalização dos movimentos sociais. A Reforma Trabalhista conta com o entrave da CUT.
  4. A nova onda dos ataques da direita contra o PT aconteceu a partir da substituição do banqueiro Joaquim Levy pelo “desenvolvimentista” Nelson Barbosa. No início do mês de março, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) manteve a Selic (taxa básica de juros) em 14,25%. Na semana anterior, no Programa Roda Viva, da TV Cultura, economistas que hoje assessoram o governo do PT, como o ex ministro da Fazenda Bresser Pereira e Luiz Gonzaga Beluzzo colocaram vários dos eixos dessa política “desenvolvimentista”, que os grandes bancos e os especuladores em geral repudiam. O próprio programa de “salvação da economia” do governo, apresentado recentemente, representou a tentativa de voltar a aplicar as políticas do governo Lula, de maneira requentada.
  5. Os monopólios não querem saber de “desenvolvimentismo”. Eles querem aumentar a espoliação do Brasil para conter a queda dos lucros, provocada pelo aprofundamento da crise mundial, por meio da especulação financeira. O detalhe é como fazer isto mantendo a máxima estabilidade social possível.
  6. Se trata de duas políticas. A do governo do PT, que se vale da criação de um colchão de controle por meio dos programas sociais e da cooptação do movimento sindical e social, e de partidos de esquerda, e da criação da frente popular. A política da direita tem como modelo o governo Macri na Argentina, Peña Nieto no México, Juan Manuel Santos na Colômbia ou até o falido Sebastián Piñeira no Chile. Trata-se de uma direita semi tradicional que busca entrar, aplicar pelo menos uma parte da cartilha neoliberal contra os trabalhadores, ainda não aplicada, sair, abrir espaço para os governos de frente popular acalmar os ânimos e voltar novamente. No Brasil, essa política é representada principalmente pelo Psdb. O problema é que essa política também não terá condições de manter os lucros dos monopólios no contexto do aprofundamento da crise e tenderá a abrir caminho para uma política mais dura e golpista.

 

LULA ESTÁ A SERVIÇO DO POVO BRASILEIRO?

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  1. A prisão de Lula provocou uma enorme indignação entre a base e os simpatizantes do PT. Em Congonhas, na Sede Nacional do PT e na quadra do Sindicato dos Bancários, na cidade de São Paulo, o espírito era de ir para as ruas para enfrentar a direita. O mesmo espírito cresceu nas principais cidades do país. Na Sede Nacional, um jornalista da Globo chegou a ser identificado aos gritos da base petista que chamava para “enche-lo de porrada”. O discurso da FUP (Federação Única dos Petroleiros) foi, como não podia deixar de ser, o mais radical de todos.
  2. A direção do PT manobrou para concentrar os manifestantes nas sedes dos sindicatos e impedir que eles fossem para as ruas. O espírito era ocupar tudo o que fosse preciso. Lula voltou a aplicar a velha e conhecida política burocrática, que ele tinha aplicado com sucesso quando quebrou as greves dos metalúrgicos do ABC, há quase quatro décadas. Na quadra dos Bancários, ele pronunciou um longuíssimo discurso onde o direcionamento foi no sentido de que ele próprio, o Lula, tinha sido o melhor presidente do planeta no início deste século, que ele tinha um ótimo relacionamento com o direitista George W. Bush (sim o mesmo que invadiu o Iraque!), que os grandes empresários tinham ganhando muito dinheiro com ele, e que deviam continuar ganhando, e que os programas sociais e o crescimento do Brasil, nos governos dele, tinham sido os melhores da história do Brasil. Nesse sentido, a solução para os problemas seriam, supostamente, ele ir para as ruas para fazer a campanha para as eleições de 2018 e, por tabela, para as eleições municipais deste ano. Nem uma palavra sobre a direita e a escalada golpista, ou sobre a crise capitalista e, muito menos, sobre qualquer mudança estrutural. Nem uma palavra sobre a auditoria da ultra corrupta dívida pública, vetada por Dilma, ou sobre as mega fraudulentas privatizações. Nem uma única palavra sobre ir às ruas para enfrentar o golpe ou sobre a necessidade de enfrentar o cartel encabeçado pelo punhado de famílias que controlam as concessões da imprensa como se fossem capitanias hereditárias.
  3. Em 2002, Lula subiu ao Planalto por causa da política de conciliação e de submissão ao imperialismo. O principal cabo eleitoral foi o FHC, que tinha ficado com a “língua de fora” por causa da aplicação das políticas neoliberais que entregaram o Brasil numa escala sem precedentes. Os figurões do Psdb até chegaram a acompanhar uma delegação encabeçada pelo próprio Lula aos Estados Unidos para prometer ao próprio Bush que os acordos e o entreguismo seriam mantidos.
  4. O primeiro governo do PT, baseado na política de contenção das massas, começou a entrar em crise em 2005, quando estourou o escândalo do Mensalão. A direita, mesmo sem fôlego eleitoral, queria voltar ao governo “queimando” o PT. A crise voltou a estourar novamente em 2012, com a retomada do processo do Mensalão nas mesmas semanas do primeiro e segundo turno das eleições municipais. Voltou a escalar em 2014 com a campanha contra a Copa, promovida pela direita. E volta escalar agora. Não por acaso, a cotação do dólar caiu e o índice Ibovespa aumentou com a notícia da delação premiada de Delcídio Amaral e com a prisão de Lula.
  5. A sucessão de governos do PT representa uma “anomalia” no controle do estado burguês pelo grande capital e demonstra o colapso eleitoral da direita, atingida em cheio pelo colapso das políticas neoliberais a partir de 2008. A direita busca tirar o governo do PT para aplicar o plano de ajuste que o PT não consegue aplicar.
  6. O canto de sereia do Lula de que conseguirá “retomar o crescimento” não passa de pura demagogia e oculta os gravíssimos problemas que enfrenta o povo brasileiro. O objetivo é usar os trabalhadores brasileiros como massa de manobra eleitoral, ocultando a gravidade da situação.

 

O LULA E A POLÍTICA DO IMPERIALISMO

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  1. Hoje, a política de colaboração de classes do PT tem se tornado um entrave aos planos do imperialismo por causa das dificuldades para aplicar o plano de ajuste contra os trabalhadores na intensidade necessária para salvar os lucros dos monopólios. O ideal para o imperialismo seria que a direita assumisse a frente do governo e que o PT se mantivesse na linha auxiliar, em segundo plano, no papel de segurar os trabalhadores. O problema é que as contradições internas do PT, acentuadas pelas políticas de capitulação da direção e impulsionadas pela crise, tendem a provocar o desenvolvimento de uma ala esquerda, o que acaba acentuando a necessidade da direção manobrar, tal como pode ser visto na ação do próprio Lula.
  2. Em razão da crise do regime político, impulsionada pela crise capitalista, a direita tem enfrentado enormes dificuldades para derrotar o PT em termos eleitorais, mesmo contando com o apoio de uma imprensa cartelizada. Mas, se bem os governos do PT garantiram obscenos lucros para as grandes empresas, em primeiro lugar para os grandes bancos, hoje não conseguem aplicar o ajuste que os monopólios demandam.
  3. Os enormes volumes de recursos repassados por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) e as obras do PAC (Plano Acelerado de Crescimento), que marcaram os governos do PT, devem ser redirecionados para os grandes bancos e a especulação financeira.
  4. O imperialismo necessita, no atual momento, não apenas paralisar e “adormecer” os sindicatos, mas impor derrotas profundas aos trabalhadores e quebrar a resistência até conseguir um rebaixamento considerável do preço da força de trabalho e das condições de vida da esmagadora maioria da população.
  5. Derrotar o PT e os sindicatos, embora não seja exatamente a mesma coisa, tem um importante ponto em comum, uma vez que é esse partido que controla a CUT, os principais sindicatos nacionais e os movimentos sociais. No momento atual, as direções sociais e sindicais estão burocratizadas devido à paralisia da classe operária. Mas, conforme já foi visto no Brasil no final da década de 1970 e na década de 1980, com a mobilização da classe operária, rapidamente, podem surgir oposições classistas com condições de derrubar rapidamente a burocracia sindical.

 

DEMOCRACIA, GOLPISMO E “LUTA CONTRA A CORRUPÇÃO”

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  1. As crescentes dificuldades eleitorais da direita têm acelerado a adoção de métodos extra-parlamentares, ou, dito de outra forma, a se comportar de forma mais golpista.
  2. Hoje, no contexto regional, dominado pelo imperialismo, encabeçado pela Administração Obama, ficaria muito difícil impor um golpe de estado por meio de um golpe de estado pinochetista. As políticas de golpe de estado branco têm sido diminuídas por causa das eleições presidenciais que acontecerão nos Estados Unidos neste ano. O mesmo aconteceu no Oriente Médio, na Ucrânia e no Mar do Sul da China.
  3. O grosso das movimentações no Brasil têm como objetivo continuar acuando o PT, na tentativa de que sejam aceleradas as políticas de ajuste e de que seja possível garantir uma vitória da direita nas eleições municipais deste ano e nas eleições nacionais do próximo ano. A perspectiva do golpe de estado branco não foi descartada, continua em andamento, embora que com menos intensidade. Se for possível aplica-lo de uma maneira indolor, seria “maravilhoso” para a direita. Mas a prisão do Lula voltou a mostrar que as movimentações golpistas podem conduzir a uma gigantesca desestabilização com consequências imprevisíveis. O Brasil representa a principal potência regional latino-americana. Esse cenário poderá mudar dependendo do resultado das eleições nos Estados Unidos, do aprofundamento da crise capitalista e da evolução da situação política nacional, e principalmente internacional.
  4. A suposta “luta contra a corrupção” não passa de uma farsa e de uma campanha com objetivos específicos. O Trensalão (corrupção no Metrô de São Paulo) ou o chamado Mensalão Mineiro nunca foram investigados. A corrupção é generalizada em todas as empresas públicas, em todas as esferas públicas, inclusive porque se trata do principal mecanismo para as grandes empresas continuarem garantindo o assalto aos cofres públicos, sem os quais não há lucros. E, por outro lado, há a “corrupção legalizada”, como as escandalosas privatizações feitas nos governos FHC ou a ultra corrupta dívida pública.
  5. As ações extra-parlamentares não são direcionadas somente contra o PT. Elas se dirigem, em primeiro lugar, contra o PT, mas, o alvo principal se direciona contra o conjunto da classe trabalhadora, suas lutas e, principalmente, suas organizações. A ofensiva, embora atinja hoje os dirigentes do PT, sempre terá como alvo principal o direito de organização, e de fazer greves e manifestações, entre outros. Não por acaso, assistimos tanto a prisão de dirigentes petistas como ao recrudescimento da repressão contra greves, passeatas, manifestações populares. O crescente endurecimento do regime político reflete o aprofundamento da crise e a perspectiva do acirramento do confronto de classes que é o que está colocado para o próximo período.
  6. Aqui temos uma importante conclusão política. Embora o PT e a direita representem as duas alas principais do regime burguês, a forma de dominação de classe exercida por meio delas entrou em contradição e conflito devido ao aprofundamento da crise econômica e política. Enquanto o PT governa por meio da conciliação de classes, paralisando organizações como a CUT, a UNE (dirigida pelo PcdoB), o MST e os demais movimentos sociais, a direita busca estabelecer o domínio com base na liquidação dos elementos da democracia operária. Essa diferença é fundamental hoje e muito importante na perspectiva da evolução da luta da classe operária no próximo período. Nenhum grupo revolucionário sério pode atuar na situação política sem entender essa questão. Falar que todos são a mesma coisa, ou Fora Todos! (como o faz o PSTU) é muito fácil. Mas qual é o sentido e objetivo? No que contribui para separar os trabalhadores da frente popular? O mesmo resultado provoca a capitulação à frente popular.

 

O GOVERNO DILMA E A FRENTE POPULAR DEVEM SER DEFENDIDOS?

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  1. Em benefício de quem está colocada a tal da “governabilidade”?
  2. A esquerda revolucionária deve se opor, de maneira enérgica, aos ataques antidemocráticos promovidos pela direita contra o PT, tais como a prisão dos dirigentes pela Operação Lava Jato, o pedido de impeachment no Congresso Nacional, a prisão truculenta de Lula, os ataques fascistas às sedes do PT e ao Instituto Lula etc. Os revolucionários NUNCA podem se colocar no mesmo campo da direita, como é feito, de maneira inescrupulosa e recorrente, pela esquerda pequeno-burguesa.
  3. Ao mesmo tempo, os revolucionários NÃO devem se colocar a reboque da frente popular liderada pelo PT. O governo do PT representa um instrumento para aplicar, de maneira parcial, o ajuste contra os trabalhadores e para impedir a organização independente da classe operária. A candidatura Lula não tem nada para oferecer aos trabalhadores, a não ser a tentativa de manter algumas migalhas repassadas pelos programas sociais, num cenário em que os recursos tendem a se tornar muito mais escassos, enquanto o grosso dos recursos continuam sendo direcionados para o grande capital. Enquanto o programa Bolsa Família, por exemplo, consome pouco mais de R$ 22 bilhões, somente no ano passado, foram repassados aos banqueiros, como juros da ultra corrupta dívida pública, nada menos que R$ 350 bilhões. Na tentativa, semi frustrada de conter a disparada do dólar, foram gastos quase US$ 100 bilhões. E o mais grave é que a política da frente popular, representa um importante entrave para a luta independente dos trabalhadores contra o capital.
  4. A esquerda burguesa e pequeno burguesa “esqueceu” os princípios fundamentais da luta da classe operária e da independência de classe. É preciso levantar as bandeiras do governo operário e camponês. A única maneira de enfrentar o golpismo é por meio do armamento da população. As direções das empresas públicas devem ser eleitas pelos trabalhadores. Os ministros capitalistas não podem participar de um governo dos trabalhadores. A dívida pública deve ser cancelada. O sistema financeiro deve ser estatizado sobre o controle dos trabalhadores. As (ultra corruptas) privatizações devem ser revertidas sobre o controle dos trabalhadores etc.
  5. A suposta política anti-golpe, a reboque da frente popular, repete a política hiper oportunista do VII Congresso da III Internacional Comunista (1935), da frente única antifascista de Dimitrov/ Stalin, que hoje até a maioria dos “estalinistas” repudiam. O governo do PT está apodrecendo e ele próprio se transformou numa das principais engrenagens que abre caminho ao golpe: mil capitulações, ministros da direita (em prol da governabilidade), o ajuste contra os trabalhadores (mesmo que parcial), a Lei Anti-terrorista, a entrega do Pré-Sal etc

FRENTE ÚNICA PARA LUTAR

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  1. O conjunto dos principais grupos da esquerda se encontra dividido, fundamentalmente, em duas alas. Por um lado, a esquerda pequena-burguesa (PSTU, Psol, PCB e outros grupos), que a pretexto de negarem a Frente Popular se colocam no campo da direita, apoiando, direta ou disfarçadamente, as ações da direita como, por exemplo, a prisão de Lula ou as campanhas da direita do Não Vai Ter Copa, do Lavajato ou do Mensalão. Por outro lado, a Frente Popular, encabeçada pelo PT, se coloca contra o golpismo da direita, mas a favor da política de conciliação de classes e da manutenção dos acordos com o imperialismo promovidos pelas direções petistas.
  2. Na atual conjuntura, aparece, de maneira cada vez mais urgente, a necessidade da formação de uma FRENTE ÚNICA para impulsionar a luta dos trabalhadores. A luta contra o golpismo deve ser vinculada à luta contra a tentativa de descarregar o peso da crise sobre os trabalhadores, contra o ajuste. Sem a luta contra o ajuste (contra os trabalhadores) e as (vergonhosas) capitulações do governo do PT é impossível lutar contra o golpismo.
  3. A FRENTE ÚNICA da esquerda, dos sindicatos e das organizações de massa do proletariado deve ter como objetivo unificar a classe operária e suas diferentes frações por meio de ações comuns, o que deve ser feito com o auxílio de suas organizações de massa. O golpismo da direita deve ser combatido nas ruas, mas as políticas ajustadoras e a capitulação do governo Dilma devem ser denunciadas como engrenagens fundamentais que abrem passo ao golpismo. Uma defesa cega do governo do PT, um cheque em branco para a candidatura Lula, além de se encontrarem longe de resolver o problema da gravíssima crise no Brasil, representa uma enorme traição aos trabalhadores.
  4. A FRENTE ÚNICA deve aplicar a antiga divisa “caminhar separados, golpear juntos” e não abre mão, de jeito nenhum, da independência de classe do proletariado. É preciso explicar aos trabalhadores que se defende o PT contra a direita no interesse dos trabalhadores, mas jamais se defende o PT apoiando sua política, que representa um ataque aos trabalhadores. A FRENTE ÚNICA não exclui a luta contra o governo petista ajustador e capitulador. O governo do PT, apesar de ser vítima da ofensiva da direita, deve ser denunciado como instrumento que alimenta essa ofensiva.
  5. Para o próximo período, está colocado o inevitável aprofundamento da crise capitalista e, em cima desta base, a entrada em movimento, novamente, da classe operária, no Brasil e no mundo. Será a retomada, numa escala ainda superior, do movimento grevista da década de 1980, que, no Brasil, atingiu o pico com a formação da CUT em 1983 e as 15 mil greves de 1985, mas que foi sufocado pelas políticas neoliberais. O novo período de ascensão operária colocará, também de maneira inevitável, à ordem do dia a criação de um partido operário, revolucionário e de massas, independente de todos os setores da burguesia e de todos os partidos integrados ao regime burguês. Isso não tem nada a ver com a “eleição de deputados”, que é a principal pauta, na prática, de boa parte da esquerda pequeno burguesa, e muito menos com a eleição de Lula em 2018 ou a defesa das capitulações do PT. Esses agrupamentos deverão ser varridos do mapa pela nova ascensão das massas e uma nova esquerda revolucionária deverá ser formada. Rachas no PT, e até nos demais partidos, deverão ser colocados à ordem do dia, separando as alas direita dos elementos revolucionários que deverão se fortalecer conforme a ascensão dos trabalhadores acontecer. A história mundial está cheia de exemplos neste sentido. A análise profunda da história e das revoluções tornou-se uma tarefa fundamental para compreender a realidade atual.
  6. O que está colocado é levantar as bandeiras operárias e a luta pelas questões que podem tirar o Brasil, e os demais países, da crise, as medidas que passam pela luta contra o grande capital (o chamado 1% que governa o mundo) e a sobrevivência dos trabalhadores, que, cada vez mais, ficarão encurralados pelos capitalistas. Essas bandeiras foram abandonas pela esquerda oportunista. Sem uma avaliação profunda da realidade e, sobre esta base, o estabelecimento de uma política correta, esta luta fica inviabilizada ou, pelo menos, errática. Esta luta passa pelo rompimento com a frente popular e a política pequeno burguesa da frente de esquerda eleitoralista ou de posicionar-se no mesmo campo da direita.
  7. No presente momento, a tarefa colocada é a formação de um grupo de agitação e propaganda que aglutine os revolucionários em torno de um jornal político revolucionário, para todo o Brasil, que seja usado como instrumento de organização real dos próprios revolucionários e da classe operária que começa a dar sinais, cada vez mais claros, de que começou a acordar do longo sono neoliberal.

 

Que a crise seja paga pelos capitalistas!

Não ao golpismo!

Pelas liberdades democráticas e os direitos dos trabalhadores!

Não ao ajuste!

Pela organização independente dos trabalhadores!

 

CRISIS EN BRAZIL, MITO O REALIDAD – PARTE 2

¿QUIÉN ES EL VILLANO, LA SEGURIDAD SOCIAL O LA DEUDA PÚBLICA?

La derecha hace propaganda de que los gastos de la seguridad social serían los grandes villanos de los gastos públicos por cuenta del envejecimento de la población.

De acuerdo con el Instituto Brasileño de Geografía y Estadísticas (IBGE), la población de 15 a 59 años de edad deberá disminuir a una tasa anual de 0,1% al año entre 2015 y 2050. La población de 60 años o más crecerá a un promedio de 3% al año. El porcentaje del PIB envuelto salto de 2,5% en 1998 para 7,7%. El cálculo es hecho llevando en cuenta solamente las contribuciones al INSS (Instituto Nacional de Seguridad Social) que incide en la nómina, disminuyendo de esa receta el valor de los beneficios pagos a los trabajadores.        Las demás fuentes de receta de la Seguridad, garantizadas por el Artículo 195 de la Constituición de 1988, son ignoradas, tales como la  Cofins (Contribución Provisional sobre Movimentación financiera), la CSLL (Contribución Social sobre las ganancias líquidas),la CPMF (Contribución Provisoria sobre Movimiento financiero) y la receta de concursos de pronósticos. Además, lo que la propaganda burguesa ni siquiera menciona son las transferencias obscenas de recursos públicos para los grandes bancos.

La deuda pública brasileña representa la nave capitán de la espoliación de Brazil por los monopolios. A pesar de las obscenas manipulaciones estadísticas, la acumulación oficial de 2015 ha alcanzado R$ 2,79 billones, el doble de 2003 y 21,7% a más que en 2014. La Auditoría Ciudadano pone la deuda pública brasileña en la casa de los R$ 4 Billones, además de la deuda externa que supera US$ 540 millones.

Los impuestos sobre esa deuda corrupta, que nunca fue auditada, solamente pierden para los impuestos pagos por Italia y por Grecia. Debido a la parálisis económica y el aumento de la presión del imperialismo, los impuestos deberán aumentar inevitablemente y la deuda pública deberá disparar. La monetización de esta deuda es la única “salida” de las grandes empresas para manternerse con lucros. Cualquier gobierno, sea el gobierno PT o de la derecha, solamente conseguirá mantener los servicios del pago de la deuda “monetizándola” mediante el aumento de la inflación, descargando el peso de la crisis sobre las masas.

Las agencias cualificadoras de risco continuan en la ofensiva contra Brazil. La Standard and Poor’s disminuye nuevamente  la cualificación de la deuda brasileña, ya adentro de la categoría basura la nota, manteniéndose la perspectiva negativa.

El agujero de las cuentas públicas de 2015, de R$ 111 millones,fue el mayor de la historia. La prevision de un suerávit primario de 1,2% del PIB, para 2015, acabo cerrando en un déficit de 2% del PIB. El imperialismo presiono, la derecha fue obstinada  y el gobierno se  “esquivo” de las presiones por medio de “pedaleos tributarios” con el cambio de la Ley de Responsabilidad Fiscal, que es una de las principales imposiciones del monopolio. Casi todo podría dejar de ser pagado por el gobierno, con excepción de los servicios de la deuda pública. Para 2016, la meta es de 0,5% del PIB, pero con la posibilidad de terminar en 0%, de acuerdo con la aprovación de la Comisión Mixto de presupuesto.

Brazil sufre la presión de impuestos bajos impuestos por los países centrales. El gobierno pagó nada menos que R$ 367 millones en impuestos en el año pasado, sobre el total oficial de la deuda pública brasileña de R$ 2,79 billones,o sea 15% en la média.

La relación investimento/PIB cayó de 19,5% en 2010 para 17,7%, en 2014, y fue la causa del aumento de los gaastos del gobierno.E 2014, el gasto primario (sin contar los repases para estados y municipios) llego 20,1%del PIB.  Brazil es un de los pocos países del mundo en que el gasto primario del gobierno es mayor que el investimiento.

Los juros usurarios en aumento, una deuda pública en disparada, una economía en recesión y el apretó del imperalismo para mantener y ampliar las ganancias del monopolio solamente pueden conducir el Brazil al precipicio.

Y aún no ocurrió el nuevo colapso capitalista mudial, que será inevitable en el próximo período. Entonces si Brazil va enfretar la verdadera peor crisís de la historia del país.

IMPUESTOS USURARIOS

Las transferencias de los recursos públicos para los especuladores financieros son sostenidos por medio de las emisiones de titulos públicos y las mayores tasas de interés del mundo, junto con una de las mayores cargas tributarias.

El peso de los impuestos sobre la economía dispararón el 25% del PIB, en 1991, para cerca del 35%.

El aumento de los impuestos en el contexto recesivo no tiene como mantener los mecanismos especulativos de pie porque deberá sumergir aún más la economía en la recesión.

En el intento de contener la alta del dólar el gobierno derrochó, sin suceso, R$ 90 millones, mas de tres veces los recursos gastos en el Programa Bolsa Familia. Ahora, en vista la imposibilidad de contener la desvalorización del Real, el gobierno deberá tolerar que el dolár llegará a los R$ 5 en el final de este año.

La recaudación de impuestos demuestra el carácter altamente usurario del régimen burgues que direcciona el grueso de los recursos para la garantía de las ganancias de los lucros de los capitalistas. Solamente los servicios del pago de la deuda pública consume más del 45% del presupuesto público federal.

El grueso de los impuestos pesan sobre los trabajadores, afecta el consumo y el trabajo asalariado. Las grandes empresas, además de pagar impuestos reducidos y disfrutar de los incentivos, se beneficián de excepciones.

El “sueño” del estado barato es imposible de ser conquistado bajo el régimen burgues que se vale del gigantesco aparato burocrático para controlar las masas trabajadoras. Ese “sueño”, de hecho, no es un sueño, pero se trata de una realidad no solamente posible, pero que representa la principal reivindicación del gobierno operário y campesino que deberá ser formado sobre los consejos populares y de la populación armada, bajo los escombros del estado burocrático burgués.

CRISIS EN BRAZIL, MITO O REALIDAD? – Parte 1

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El gobierno del PT y los grupos políticos que le apoyan intentan explicar la crisis como si estuviera bajo control. Hay grupos que llegam a decir que el ajuste económico no es hecho por el gobierno federal, pero si por los  gobiernos estaduales. La derecha intenta presentar la crisis económica en el Brazil como si fuera la peor desde el princípio del siglo xx,  dejando de lado, grotescamente, la crisis de 1929 y la de los años 1980. ¿Lo qué está ocurriendo de verdad?

En realidad, la crisis capitalista en Brazil se desarolla muy rápidamente y el país camina a la implosión de las cuentas públicas, de las cuales las grandes empresas son dependientes, lo que posiblemente ocurrirá en dos o tres años, en una previsión conservadora. La subida del endeudamiento público, de la inflación y del desempleo, y la recesión es probable que se intensifiquen en el próximo periodo y que Brasil se derrumbe. Brazil saldrá adelante, cuando los países centrales enfrenten un nuevo colapso en el próximo período, que deberá ser mucho más profundo que todos los anteriores. Eso es inevitable y el desarrollo de la situación económica y política internacional lo demuestra. Sólo no lo ve quien no quiere. Basta ver lo que ocurre en el Oriente Médio,  Europa, Estados Unidos, Japón, China, Rusia, América Latina y Brazil.

La derecha y el imperialismo intentan imponer el “ajuste económico” contra las masas al estilo Macri, o a la Peña Nieto (el presidente impuesto en México). En Brazil, esa política tiene un nombre: “reformas” en las leyes del trabajo, fiscal y de la seguridad social. El gobierno del PT enfrenta enormes dificultades para avanzar en ese sentido, capitula a la derecha, hace concesiones, pero enfrenta crecientes dificultades para mantener su base de apoyo.

LA ECONOMÍA DE BRAZIL EN RECESIÓN

De acuerdo con los datos del IBGE (Instituto Brasileño de Geografía y Estatísticas), el IBC-BR, el índice de Actividad Económica del Banco Central, la economía brasileña sufrió contracción de -4,08%,en 2015, y de 0,52% en enero. La previsión de OCDE (Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económico) para 2016 es de más una contracción de -4%.

La producción industrial sufrió una contracción de 17% respecto a 2010, aunque el gobierno le pasó al sector R$ 130 mil millones de dólares, desde el mes de noviembre de 2013, en recortes de impuestos.

Las ventas del comercio al por menor cayeron un 2,7% en diciembre y un 7,1% en el año. La inflación medida por el IPC-S, el índice de la FGV (Fudación Getulio Vargas), se elevó a 1,42% sólo en el mes de enero. El aumento de la inflación, acompañado por una parálisis de la producción y del comercio, es la base de la llamada “estagflación”, o parálisis económica con inflación.

El endeudamiento de la población está en constante aumento, presionado por el aumento de las tasas de interés y el alto costo de la vida. La acción se llama crédito rotativo, que mide la falta de pago de la totalidad de las cuentas de las tarjetas de crédito, que creció un 21% en 2015, el doble que en 2014. El interés usurario que aplican los operadores de tarjetas de crédito ascendió al 7,67% por mes y 142,74% por año, en enero. El desempleo tiende a aumentar.

Varias compañías que eran beneficiarias de las políticas del gobierno entraron en situación de quiebra. En la línea blanca, Mabe, Continental y Dako, que se beneficiarón de enormes exenciones de impuestos desde noviembre de 2013, quebraron. Hubo ocupación de las fábricas.

Usiminas negocia la deuda bancaria de  US$ 4,3 miles de millones, con vencimiento en 2018 y necesita recaudar US$ 900 millones este año.

Las exportaciones brasileñas alcanzaron un superávit de casi US$ 20 mil millones el año pasado, debido a la reducción de las importaciones en el primer lugar. El llamado “modelo de desarrollo Lula”, que, de hecho, fue una imposición del imperialismo y que dirigió la economía del país a la producción especulativa y a la exportación de media docena de materias primas, se derrumbó. La profundización de la crisis en China provocó una fuerte caída en el consumo de materias primas y puso contra las cuerdas a todos los países de América Latina.

La caída de los precios de las materias primas presiona la balanza comercial. La enorme caída de mineral de hierro y los precios del petróleo en los mercados internacionales son los dos principales villanos en el caso de Brasil, que terminó quedándose muy dependiente de la agricultura y ganadería. Una especie de retorno a la época colonial. Sin embargo, estos sectores no viven una bonanza. En enero, las ventas de carne cayeron en un 13,5%, aunque las ventas aumentaron en un 1%.

CRISE NO BRASIL, MITO OU REALIDADE? – Parte 5

AS “SOLUÇÕES” DO GOVERNO DO PT

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O governo do PT se encontra contra as cordas pressionado pela direita e pelo imperialismo. O “plano emergencial” que será apresentado no dia 26 de fevereiro tem como principais eixos a redução da taxa de juros (a taxa Selic está em 14,25%) e a desvalorização cambial, o estouro das metas fiscais e o aumento da inflação. Apesar do governo dizer que a inflação será mantida abaixo dos 6%, ela é o principal mecanismo para continuar mantendo em pé os pagamentos dos serviços da dívida.

Com o objetivo de aumentar, ou manter, a arrecadação, o governo busca aprovar a CPMF. E o governo não tem de onde cortar, todos os gastos estão comprometidos. Na realidade, a Constituição de 1988 impõe que todos os gastos estejam comprometidos, menos 8%.

O governo criou um novo ministério que passou a ser controlado pela direita. A presidente Dilma negociou diretamente com José Serra o PLS 131/2015, que desobriga a Petrobras de participar do pré-sal.

O corte no Orçamento de R$ 25 bilhões pouco alivia dado o tamanho do rombo, muito pressionado pela espoliação financeira.

 

EM DIREÇÃO À HIPERINFLAÇÃO

 

As políticas de contenção da crise possíveis, dentro dos marcos do capitalismo atrasado e dependente brasileiro, são muito restritas. A possibilidade de acelerar o crescimento para gerar fortes superávits primários está descartada. A economia mundial em recessão, a crise na China, na Europa e nos Estados Unidos o impedem.

A única “saída” possível para a crise passa pelo aumento do repasse da crise sobre os trabalhadores. E é justamente neste ponto que as várias alas da burguesia e seus representantes políticos se divide. A maneira tradicional da burguesia encaminhar o problema é rebaixando as condições de vida dos trabalhadores, atacando em primeiro lugar os salários, por meio da aceleração da inflação. Mesmo assim, quando a situação fica muito crítica o governo é obrigado a renegociar com os credores ou declarar a moratória. O Brasil adotou a renegociação na década de 1980, sem chegar à moratória. A Argentina adotou a segunda política no início da década passada.

Entre 1986 a 1991, aconteceram cinco planos econômicos para tentar estabilizar a economia, o Plano Cruzado, o Plano Bresser, o Plano Verão, o Plano Collor I e o Plano Collor II. Todos eles fracassaram. Entre 1990 e 1994, o crescimento médio do PIB foi de 1,3% ao ano, enquanto a inflação anual foi de 1.210%. A economia brasileira somente foi estabilizada pelo Plano Real que teve na base os pilares das políticas neoliberais, os baixos preços dos produtos importados e a entrega das empresas públicas para os grandes capitalistas.

Em 2008, as políticas neoliberais entraram em colapso. Mas a burguesia não conseguiu colocar em pé uma política alternativa. As políticas do governo do PT são muito frágeis e basicamente passam pelo aumento dos impostos e a manutenção do grosso dos programas sociais se atacar profundamente os direitos dos trabalhadores. Essa política está fadada ao colapso devido ao aumento da pressão da crise mundial.

A única “saída” para manter os serviços da dívida pública é monetizando-a por meio do aumento da inflação. Desta maneira, os repasses para os banqueiros podem ser mantidos e os trabalhadores “pagam o pato”. Mas trata-se de uma política arriscada, de crise. O líder da Revolução Russa de 1917, Vladimir I. Lenin, disse que não há nada mais revolucionário que a inflação.

 

GOVERNABILIDADE E GOLPE DE ESTADO

 

O governo do PT tem como eixo da sua política realizar todos os conchavos possível para se manter no poder.

Os capitalistas exigem a implantação de medidas para controlar a crise capitalista, repassando o peso da crise para as massas. Os três eixos do plano são as reformas da previdência, fiscal e trabalhista. O governo do PT não tem condições de avançar com essas reformas devido aos interesses clientelistas na base de apoio, do PMBD e dos demais partidos, assim como os interesses da burocracia sindical e das direções dos movimentos sociais.

Neste momento, a direita, que atua alinhada, em primeiro lugar, com a Administração Obama, busca impor uma saída a la Macri no Brasil e na América Latina. Conforme vários figurões do regime têm declarado, como o próprio Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), é preciso “manter a calma” e aguardar o desenvolvimento da situação política. Em 2016, acontecerão as eleições municipais que poderão acuar ainda mais o governo do PT. De fato, o governo do PT se converteu numa espécie de rainha da Inglaterra num gabinete ministerial dominado pela direita, com elementos como o banqueiro Joaquim Levy e a representante dos latifundiários Katia Abreu, entre outros. É essa a situação ideal para o imperialismo? Evidentemente não. Mas é a situação possível tanto em relação à conjuntura brasileira como à conjuntura regional e internacional.

O papel de contenção do movimento sindical e social continua a ser cumprido pelo governo do PT, o que implica na necessidade óbvia de direcionar algumas migalhas para a burocracia desses movimentos e para os programas assistenciais. Essa é a situação neste momento.

Para o próximo período, está colocado um novo colapso capitalista de proporções ainda maiores que o de 2008. Apesar da propaganda demagógica da imprensa burguesa, a economia só tem piorado nos países centrais. Esta é a base do fortalecimento da extrema direita em escala mundial, com fartos recursos dos monopólios, para ser usada em caso de necessidade.

A aplicação do ajuste é a política principal imposta pelos monopólios. O governo do PT, assim como o fazem os demais governos nacionalistas, aplicam o ajuste em algum grau, pois não têm uma política alternativa ao neoliberalismo. O chavismo o faz numa escala menor na Venezuela; acabou de aprovar o orçamento de 2016, com 42% do total direcionado aos programas sociais apesar da crise econômica, mas longe dessa política significar o rompimento com o imperialismo, revela o grau de radicalização das massas. O aprofundamento da crise capitalista passa pelo aperto das amarrações imperialistas e pela contenção da organização independente dos trabalhadores.

A única política possível para conter a crise capitalista é a luta contra o capitalismo. Para isso, é preciso enfrentar a capitulação dos governos nacionalistas ao imperialismo. E, no caso Brasil, é preciso denunciar que a aplicação do ajuste e a recorrente capitulação à direita tem se convertido numa das principais engrenagens que possibilita a ascensão da direita, como o demonstra, inclusive ,a recente vitória de Maurício Macri na Argentina.

A luta contra a direita neoliberal, golpista ou não, passa pela luta contra o ajuste, sem a qual os trabalhadores não podem lutar contra o desenvolvimento golpista. Colocar que o golpe de estado é iminente, como cortina de fumaça para camuflar o ajuste, tem como principal objetivo impulsionar a política de conciliação de classes, de colocar-se a reboque do governo da frente popular.

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CRISE NO BRASIL, MITO OU REALIDADE? – PARTE 1

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INFLAÇÃO E DESEMPREGO, OS COMBUSTÍVEIS DA REVOLUÇÃO – Parte 2

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QUEM É O VILÃO, A PREVIDÊNCIA SOCIAL OU A DÍVIDA PÚBLICA? – Parte 3

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A PETROBRAS – Parte 4

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