ESTABILIDADE “EGÍPCIA”

Egito

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Os atentados a bomba têm proliferado no Egito. No Sinaí, recentemente um único atentado deixou mais de 100 mortos. O Procurador Geral de Justiça foi morto no Cairo. A instabilidade avança a todo vapor.

As políticas “pacifistas” da Irmandade Muçulmana ficaram muito desacreditadas após o golpe militar “pinochetista”, que a depôs em 2013. A “nova estabilidade” foi impulsionada pela Arábia Saudita, em primeiro lugar, que foi o grande patrocinador do golpe liderado pelo general al-Sisi. Mas o resultado foi exatamente o oposto do previsto, da mesma maneira que tem acontecido nos demais países da região.

O Egito tem se convertido num dos paraísos do Estado Islâmico que passou a ocupar o espaço deixado pela ultra capituladora Irmandade Muçulmana, que foi colocada no centro dos ataques promovidos pelos golpistas. Enquanto a repressão “pinochetista” escala, os atentados têm aumentado na Península do Sinaí e proliferado nas demais regiões do país. Somente no dia 14 de agosto de 2013, os golpistas mataram quase mil pessoas em apenas algumas horas, além de terem sido presas quase 40 mil pessoas, desde o golpe de estado que aconteceu em maio. Desde abril deste ano, pelo menos 163 egípcios teriam desaparecido, segundo organizações ligadas aos direitos humanos. A repressão não persegue somente os militantes islâmicos e a Irmandade Muçulmana, mas até os ativistas “seculares” e liberais.

Agora a crise escalou. O regime de al-Sisi se converteu num “presente de grego” para os sauditas e num “presentão” para o Estado Islâmico.

No dia 1 de julho, 64 soldados foram mortos em ataques coordenados, após o Procurador Geral de Justiça, Hisham Barakat, ter sido assassinado.

O governo de al-Sisi teve a ajuda militar norte-americana retomada, a Alemanha continua lhe vendendo armas e até aconteceu uma aproximação com o governo russo de Vladimir Putin.

A desestabilização avança a passos largos, sobre o contágio que envolve toda a região e as regiões vizinhas.

Não por acaso, a Administração Obama está tentando fazer todo tipo de acordos e alianças com o objetivo de obter um certo fôlego no Oriente Médio.

A IRMANDADE MUÇULMANA E O ESTADO ISLÂMICO

General golpista egípcio, al-Sisi

General golpista egípcio, al-Sisi

A crença semi religiosa no mito da “democracia” levou a política da Irmandade Muçulmana ao colapso, que representa um grupo islâmico moderado com braços em quase todo o Oriente Médio. Pela política, seria uma espécie de PMDB brasileiro. No Iraque, chegou a participar de vários governos patrocinados pelos Estados Unidos.

A al-Qaeda tem ridicularizado a falência da Irmandade Muçulmana. Já o Estado Islâmico, além da brutalidade, tem aplicado uma série de políticas para governar o califato, inclusive contemplando as minorias. Os cristãos são governados de acordo com um pacto que data do século VII. Num vídeo que tem circulado na Internet, um “recrutador” egípcio disse que os grupos islâmicos que participam das eleições “não contam com o poder militar ou os meios para defender os ganhos que obtiveram nas eleições. Depois que eles ganham, eles são colocados na cadeia, eles são assassinados nas praças, como se eles nunca tiverem ganhado”.

O número de atentados tem escalado após o golpe de 2013, potencializado pelo contágio da desestabilização na vizinha Líbia e pelo fortalecimento do Estado Islâmico. Enquanto imediatamente após o golpe somavam pouco mais de 20 por mês, neste ano, têm somado uma média de mais de 100, e 138 em maio.

O grosso do apoio social ao Estado Islâmico vem do norte do Sinaí, onde, além da falta de investimentos públicos, aconteceu a criação da chamada “zona de alívio” (“buffer zone”), perto da fronteira, que destruiu vilas inteiras.

O Oriente Médio hoje, representa o grande foco de um conflito em larga escala e um impulsionador de primeira ordem de um novo colapso capitalista de larguíssimas proporções. A crise se aprofunda e avança além do Oriente Médio, no Norte da África e no Sahel (região localizada imediatamente ao sul do Deserto de Saara). A direção é o coração da região, a Arábia Saudita, que já bateu às portas, e até dentro do próprio território, no Iêmen.

Egito

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O General al-Sisi com o marca saudita

O General al-Sisi com o marca saudita

Os ministros das Relações Exteriores saudita e russo

Os ministros das Relações Exteriores saudita e russo