COP21 (Paris) – ECOLOGIA A SERVIÇO DOS LUCROS

 

A principal medida será o “repasse” de US$ 100 bilhões para os países atrasados que, obviamente, os aplicarão nos créditos carbono.

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Com muito alarde foi fechada a COP21, que aconteceu em Paris entre os dias 30 de novembro e 12 de dezembro deste ano, com a participação dos representantes de 195 países. Os sucessores do falido Acordo de Kyoto se apresentaram como os salvadores do mundo com propostas que supostamente contribuiriam para a preservação do meio ambiente.

As medidas começarão a ser aplicadas em 2020 e serão revisadas a cada cinco anos. O objetivo seria limitar o aumento da temperatura global em 2o C e tentar fazer um esforço para limita-lo em 1,5o C. O principal instrumento para conseguir essa redução será o aporte de US$ 100 bilhões anuais para os países em desenvolvimento. É justamente nesse “instrumento” que radica o cinismo do “ecologismo burguês”.

O dinheiro que teria como destino os países atrasados para combater o aquecimento global de fato deverá ser aplicado na especulação financeira com os crédito carbono. Os países mais desenvolvidos pouco farão, além de muita propaganda, pois, devido à queda acelerada das taxas de lucro, tudo o que implicar aumento dos custos deverá ser descartado, seja por mecanismos legais ou ilegais. O recente escândalo da Volkswagen, relacionado com a manipulação dos índices das emissões dos automóveis, com certeza, não é uma exceção à regra, mas a própria regra. As denuncias partiram dos Estados Unidos, e foram elaboradas com a espionagem industrial promovida pela NSA (agência nacional de segurança) com o objetivo de criar dificuldades na aproximação da Europa do Novo Caminho da Seda chinês, do qual a Rússia é o pivô em relação à Europa.

Os desastres ambientais como o que a BP (British Petroleum) provocou no Golfo do México, a exploração do gás e do petróleo a partir do xisto, a inundação do mundo com transgênicos e agrotóxicos, e o uso de petróleo e carvão como fontes energia representam apenas algumas das amostras da farsa do ecologismo burguês. O capitalismo tem como objetivo os lucros a qualquer custo. O próprio ex vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, que pousava de grande ecologista, obteve enormes lucros com a especulação com os créditos carbono, da qual foi um dos principais impulsionadores.

 

AS MEDIDAS APROVADAS NA COP21

 

O acordo da COP21 não foi aprovado com caráter vinculante por conta das pressões dos Estados Unidos. Se tratam apenas de recomendações que não implicarão em nenhuma punição caso as metas não sejam atingidas.

Para limitar o aumento da temperatura em 2 ou 1,5 graus centigrados, o acordo considerou a aprovação de um “pico das emissões de gases de efeito estufa o antes possível” e a “neutralidade das emissões desses gases durante a segunda metade do século XXI. Esses acordos serão revisados em 2020, mas a primeira revisão obrigatória acontecerá em 2025.

Os países desenvolvidos e os mais industrializados deverão “se esforçar” para reduzir as emissões de gases de efeito estufa no curto prazo. Os países mais atrasados terão mais tempo para reduzi-los.

Os países desenvolvidos tinham prometido, em 2009, a entrega de US$ 100 bilhões para os países atrasados com o objetivo de fortalecer as energias renováveis e outras medidas de adaptação ao aquecimento, tais como diques, alertas meteorológicas e sementes resistentes à seca. Essa contribuição é “voluntária” e “complementária”.

O desastre ambiental é um dos componentes das próprias leis do capitalismo. Devido ao aprofundamento da crise capitalista, as grandes empresas estão “matando cachorro a grito” para garantir os lucros. E conforme a crise continuar se aprofundando, que é justamente o que está colocado para o próximo período, mais as “loucuras capitalistas” estarão colocadas à ordem do dia.

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França – O GRANDE PERDEDOR FOI O REGIME POLÍTICO

ELEIÇÕES REGIONAIS NA FRANÇA

 

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No domingo 13 de dezembro, aconteceu o Segundo turno das eleições regionais na França.

A Frente Nacional, que tinha chegado à frente em seis das 13 regiões em disputa, acabou derrotada nas 13 regiões. Em princípio, essas derrotas poderiam ser interpretadas como um recuo da extrema direita. Mas está longe de ter sido isso. O número de votos obtido pela Frente Nacional passou de seis milhões, no primeiro turno, para 6,6 milhões no segundo turno, um aumento de seiscentos mil votos.

O bipartidarismo está com os dias contados, o que reflete o enfraquecimento do regime político e o aumento das dificuldades da burguesia para controlar o estado.

O grande vencedor foi o Partido Republicano, liderado pelo ex presidente Nicolás Sarkozy, com a vitória em sete regiões, inclusive nas duas onde tinham triunfado por longa distância, no primeiro turno, Marine Le Penn, a líder da Frente Nacional, e a sobrinha de Marine. Mas ao mesmo tempo, o Partido Republicano foi o grande derrotado, pois preciso da ajuda direta do PSF (Partido Socialista Francês). A política impulsionada por Sarkozy tinha como objetivo acelerar a adoção de políticas mais direitistas com o objetivo de crescer eleitoralmente às custas da Frente Nacional. Desta maneira, o triunfo de Sarkozy foi uma espécie de vitória de Pirro.

O Partido Socialista Francês venceu em cinco das regiões, o que representou uma grande queda em relação às 12 regiões que governava no período anterior. Em Córsega, a esquerda foi derrotada por um partido regional separatista.

As próximas eleições que acontecerão na França serão as eleições presidenciais, no ano próximo. A Frente Nacional tende a continuar concentrando a extrema direita por meio de políticas abertamente fascistoide e com o crescente apoio financeiro dos monopólios. A fortalecimento da extrema direita representa a política desesperada da burguesia imperialista por causa do acelerado aprofundamento da crise capitalista.

O movimento operário francês ainda não acordou do longo sono neoliberal. Mas as tradições de luta são de longa data e as organizações da classe operária são poderosas e de caráter nacional.

A esquerda francesa, assim como acontece com a esquerda mundial, ou bem se encontra integrada ao regime burguês ou está desligada do movimento de massas e envolvida em enorme confusão. As massas trabalhadoras deverão entrar em movimento no próximo período impulsionadas pela crise capitalista. Na Europa, a crise avança a passos largos sobre o coração do capitalismo europeu, a Alemanha, que também conta com uma classe operária poderosíssima. Esta será a base para o surgimento de uma nova esquerda revolucionária na Europa e no mundo.

 

 

 

FRANÇA – O GRANDE VENCEDOR, A EXTREMA DIREITA

FRANÇA – ELEIÇÕES REGIONAIS

FRANÇA

 

No domingo 6 de dezembro, o centro das atenções da política mundial esteve dividido entre a Venezuela e a França. Enquanto, o chavismo era colocado contra as cordas pela direita truculenta nas eleições legislativas, na França, a extrema direita, agrupada na Frente Nacional, foi a grande vencedora no primeiro turno das eleições regionais. As eleições aconteceram sob o estado de exceção que foi impostos após os recentes atentados terroristas de Paris.

De acordo com os resultados ainda parciais do Ministério do Interior, a FN (Frente Nacional) obteve quase 30% dos votos nas 13 regiões eleitorais em disputa, chegando na frente em seis delas. O crescimento foi gigantesco, na comparação com o primeiro turno das eleições regionais de 2010, quando tinha obtido 11,42%. A FN passou ao segundo turno em oito regiões e ficou em primeiro lugar em seis delas.

O Partido Republicano, liderado pelo ex presidente Nicolás Sarkozy, aliado ao MoDem e a UDI, obteve em torno de 2% de votos que a FN, um leve crescimento em relação à votação obtida em 2010. Chegou na frente em quatro regiões e passou ao segundo turno em 10 das 13 regiões. Das 22 regiões existentes hoje, somente governa uma, Alsácia. Mas com os resultados eleitorais obtidos poderá aumentar consideravelmente o número de regiões governadas, principalmente se contar com o apoio do PSF, que já se manifestou a favor de uma frente única contra a extrema direita nas regiões onde ela tiver chances de ganhar. Sarkozy se manifestou contra uma aliança com o PSF para o segundo turno, mas gerou posicionamentos em sentido contrário dos demais componentes da aliança.

O PSF (Partido Socialista Francês), do presidente François Hollande, que controlava 12 das 13 regiões em disputa, e 21 das 22 regiões totais, obteve, em aliança com o PRG e outros grupos menores, quase 23% dos votos, e chegou na frente em duas províncias. O PSF foi o grande derrotado.

A esquerda anti-capitalista e os ecologistas chegaram na frente em Córcega.

Dos 44 milhões de eleitores habilitados, o abstencionismo somou 60%.

O segundo turno acontecerá no próximo domingo, 13 de dezembro. Serão as últimas eleições antes das eleições presidenciais de 2017.

 

QUAL É O SIGNIFICADO DAS ELEIÇÕES REGIONAIS FRANCESAS?

 

As eleições aconteceram a apenas 18 meses das eleições presidenciais e após três semanas dos atentados terroristas de Paris que deixaram um saldo de 130 pessoas mortas e pelo menos 350 feridos.

O resultado representa um forte giro à direita do regime político francês. Apesar da direita tradicional, encabeçada pelo ex presidente Nicolás Sarkozy, ter passado ao segundo turno na maioria das regiões, o principal fato é o forte crescimento da extrema direita, que não somente chegou à frente na maioria das regiões em disputa, mas também ditou à pauta eleitoral. A direita liderada por Sarkozy adotou algumas das bandeiras da extrema direita, da mesma maneira que o tinha feito em 2012.

A bancarrota da socialdemocracia se expressa pela forte perda eleitoral, inclusive em centros operários, apesar da virada direitista que se intensificou após a nomeação do primeiro ministro Manuel Valls. O aumento dos ataques contra os trabalhadores e os ataques contra as liberdades democráticas acabou gerando o repúdio da população, principalmente da base eleitoral de apoio entre os trabalhadores. A região de Nord Pas de Calais Picardie, onde Marine Le Penn ganhou de lavada, é uma região operária tradicionalmente ligada ao PSF e ao PCF.

Há uma clara movimentação da burguesia imperialista no sentido de endurecer o regime político. Os governos regionais, na França, controlam os portos, aeroportos, o transporte público local e as escolas municipais. Mas a importância vai muito além dessas questões.

O aprofundamento da crise capitalista na Europa e no mundo tem colocado em xeque os lucros dos grandes capitalistas. A França se encontra a anos luz da potência e da estabilidade social estabelecida nas três décadas seguintes à Segunda Guerra Mundial. O mesmo acontece nas demais potências europeias, na Inglaterra, na Itália e na Espanha. Os estados nórdicos também enfrentam problemas estruturais sérios, que aparecem principalmente na Suécia e na Finlândia. E o problema ainda mais crítico é que a crise escalou na coluna vertebral da Europa, na Alemanha.

A Alemanha entrou em recessão industrial. O principal banco alemão, o Deutsche Bank também entrou em situação falimentar.

A principal empresa alemã, a Volkswagen foi atingida em cheio pelas denuncias, que tiveram como origem os Estados Unidos, sobre a fraude dos índices da contaminação ambiental. Este fato revelou o aparecimento de rachaduras mais sérias na frente única imperialista colocada em pé, sob a hegemonia do imperialismo norte-americano, após a Segunda Guerra Mundial. Por trás, estava a tentativa dos Estados Unidos de conter a aproximação da Alemanha com a Rússia e, fundamentalmente, com o novo eixo impulsionado pelo Novo Caminho da Seda chinês.

A crise econômica está na base do regime político que avança em todo o mundo. A burguesia tenta impulsionar a extrema direita como carta a ser usado quando todos os outros instrumentos de controle do poder tenham fracassado.

 

A EVOLUÇÃO À DIREITA DOS RESULTADOS ELEITORAIS REGIONAIS

 

Marine Le Pen, a presidente da Frente Nacional, conquistou, na região nórdica de Nord Pas de Calais Picardie, 43% dos votos . Uma “coincidência” é que a região de Calais se encontra localizada na porosa fronteira com a Bélgica, que ali chegou uma grande quantidade de refugiados e que dali procediam uma parte dos terroristas. Le Pen disputará o segundo turno com Christian Estrosi, do Partido Republicano, aliado ao MoDem e a UDI, que obteve pouco mais de 26% dos votos; o PSF obteve apenas 16,11%.

Marion Marechal Le Pen, a sobrinha de Marine, conquistou, na região do sul de Provence Alpes Côte d’Azur, 41,7% dos votos. Disputará o segundo turno com Xavier Bertrand, do Partido Republicano. O PSF obteve 17,67%.

Em Alace Lorraine Champagne Ardenne, a FN obteve mais de 36% dos votos, do Partido Republicano, aliado ao MoDem e a UDI, obteve quase 26% dos votos e o PSF mais de 16%. Aqui a FN concorreu com o vice presidente do Partido, Florian Philippot.

Em Bourgogne Franche Comté, a FN obteve 31,48% dos votos, o Partido Republicano, aliado ao MoDem e a UDI, 24% e o PSF 23%.

Em Centre Val de Loire, a FN obteve 30,49% dos votos, o Partido Republicano, aliado ao MoDem e a UDI, 26,25% e o PSF 24,31%.

Em Languedoc Roussillon Midi Pyrénées, a FN obteve 32,65% dos votos, o PSF 24% e o Partido Republicano, aliado ao MoDem e a UDI, 18,63%.

O Partido Republicano, em aliança com o MoDem e a UDI, chegou em primeiro lugar em Ilê de France, a mais populosa do país, com 12 milhões de habitantes, onde disputará o segundo turno com o PSF e aliados.

A Frente Nacional também passou ao segundo turno em Auvergne Rhône Alpes, onde obteve por volta de 26% dos votos. O Partido Republicano, aliado ao MoDem e a UDI, venceu com 29,5% enquanto o PSF obteve 24,2%.

Na Normandie, a FN foi ao segundo turno com quase 28% dos votos. O Partido Republicano, aliado ao MoDem e a UDI, venceu por uma diferença de décimos percentuais enquanto o PSF obteve menos de 24%.

O PSF (Partido Socialista Francês)

 

O COLAPSO DO REGIME POLÍTICO FRANCÊS

 

O fortalecimento da extrema direita tem acontecido de maneira semi camuflada, mas, no fundamental, continua sendo a mesma direita fascista de sempre. Apesar da tentativa desses partidos de camuflar a sua política, se tirarmos a palavra imigrantes ou muçulmanos e colocarmos no lugar “judeu”, a diferença com o fascismo ou o nazismo passará a ser mínima.

A Frente Nacional francesa é o partido de extrema direita mais forte da Europa e agora está sendo alavancado para a frente do cenário político francês oficial.

O presidente François Hollande foi eleito em cima de um programa de crescimento, contra as políticas de austeridade. Seis meses depois da eleição presidencial, o PSF (Partido Socialista Francês) passou a controlar o parlamento com a maioria absoluta. Hollande até tentou. Ele fez algumas negociações com a chanceler alemã, Angela Merkel, mas desistiu o “crescimento” rapidamente e se converteu, ele próprio, num dos paladinos da austeridade. No ano passado, conforme a crise continuou se aprofundando, colocou com primeiro ministro um elemento da ala direita do PSF que se confunde com a direita ligada a ex presidente Nicolás Sarkozy, Manuel Valls.

A queda eleitoral do PSF reflete o colapso da alternativa socialdemocrata na atual situação política. Sarkozy tenta reciclar a direita tradicional, agrupada na UMP (Unidade por um Movimento Popular), mudando o nome para Partido Republicano, apertando os controle sobre a ala de extrema direita, liderada por Copé, e adotando parte das bandeiras da extrema direita. Essa movimentação, que já tinha sido ensaiada nas eleições gerais anteriores, pelo próprio Sarkozy, foi acelerada após a crise dos refugiados na Europa que colocou em xeque não somente o governo Hollande, mas também a direitista CDU/CSU alemã, liderada por Angela Merkel.

De acordo com as pesquisas eleitorais, a Frente Nacional deverá passar ao segundo turno nas próximas eleições presidenciais.

 

FRENTE ÚNICA DA DIREITA IMPERIALISTA TRADICIONAL?

 

Com o fortalecimento da extrema direita francesa, cresce na França a pressão da ala direita do PSF, com o próprio Manuel Valls à cabeça, e dos Republicanos de Sarkozy para a formação de uma “Grande Coalizão” entre ambos partidos, uma versão a la alemã, com o objetivo de enfrentar a Frente Nacional.

O problema dessa política é que ela chega em momento em que a burguesia aparece dividida por causa da crise econômica. O próprio Sarkozy é contrário à “Grande Coalizão” e tenta se fortalecer em cima do espólio da socialdemocracia.

O que está colocado é como salvar os lucros, como aplicar o ajuste contra a classe operária. A burguesia sabe que a socialdemocracia tem limitações na aplicação dessa política, apesar de que consegue com maior facilidade do que os outros manter o controle das massas. Sarkozy já poderia avançar mais forte contra os trabalhadores, e poderia usar o PSF como muleta de contenção das massas. Mas quem poderia aplicar o ajuste ao “belo prazer” é a extrema direita. O problema é que essa política conduz, inevitavelmente, ao acirramento das contradições sociais. Por esse motivo, a burguesia imperialista continua alimentando os seus pitch bulls, mas, como sabe que pode facilmente perder o controle e incendiar o país, a Europa e o mundo, somente os colocará em cena quanto não houver outra opção.

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UMA NOVA ONDA DA “GUERRA CONTRA O TERROR”?

O QUE MOSTROU A REUNIÃO DOS G20

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Na recente reunião, dos G20, que aconteceu na Turquia, os 20 países mais desenvolvidos do planeta, o fundamental das discussões esteve orientadas a como combater os terroristas, ou, dito em outras palavras, a como aplicar uma nova onda da chamada “Guerra ao Terror”. Em cima desta política, está sendo estabelecida uma frente única entre todas as alas da burguesia em escala mundial, apesar do grau de comprometimento dos vários setores. A última vez que se viu algo semelhante foi quando foram colocados em pé as políticas neoliberais nas décadas de 1980 e 1990.

Sobre a política contra o terror, o eixo Obama, Merkel, Hollande tenta fortalecer a aliança com Putin, chineses e iranianos no Oriente Médio, ampliando a participação direta. Desta maneira, um dos objetivos fundamentais passa por se apropriar de parte das bandeiras da extrema direita, colocando-as efetivamente em prática. O problema é que a aplicação dessas políticas é como uma bola de neve, como o demonstraram as fracassadas invasões do Iraque e do Afeganistão. Mas quais seriam as alternativas?

Os monopólios, na tentativa de salvar os lucros a qualquer custo, tentam colocar em pé uma política de força. O problema é qual ala do regime poderá coloca-la em prática. O candidato natural seria a extrema direita, mas coloca-la à frente do regime pode gerar uma desestabilização gigantesca e abrir caminho para o desenvolvimento das tendências revolucionárias. Por enquanto, a burguesia manobras com a “direita tradicional”, com Obama, Merkel, Hollande e Cameron. Há um “leve” deslocamento à direita com Rubio e seus amigos do Partido Republicano, nos Estados Unidos. Mas esse “leve” deslocamento é apenas uma aparência, pois, por trás do Senador Rubio está a extrema direita que se agrupa no Tea Party. Na Alemanha, aparecem em cena os nazistas reciclados do AfD. Na França, onde a crise é muito maior, a burguesia foi mais longe. A Frente Nacional, de Le Penn, já se tornou um dos principais partidos políticos do país e ameaça ir ao segundo turno nas eleições nacionais que acontecerão no próximo ano.

A política golpista foi desescalada na América Latina. As tensões foram reduzidas na Ucrânia e no Mar do Sul da China, na tentativa de estabilizar o Oriente Médio. Mas aparece no horizonte uma nova escalada agressiva que inevitavelmente deverá conduzir o mundo capitalista à enorme desestabilização.

 

MARXISMO OU PACIFISMO BURGUÊS?

 

O grosso da esquerda mundial publicou sendos comunicados contra o terrorismo e a brutalidade do Estado Islâmico, a reboque da campanha do imperialismo. Em cima dessa posição política oportunista e abertamente pró-imperialista, nós deveríamos disputar com a direita o repúdio para posições democráticas. Na realidade, falar que é por causa dos terroristas que a repressão acontece ou aumentará é mais cínica apologia da direita imperialista. Implica em justificar a Guerra do Iraque e do Afeganistão, os golpes de estado, os ataques contra os palestinos e os povos árabes em geral.

O governo francês já armou todo o circo para aplicar com força total a Lei Anti-terrorista que se encontrava entravada por causa da enorme resistência popular. Da mesma maneira, a burguesia imperialista conseguiu abrir passagem para aventuras militares em larga escala, principalmente no Oriente Médio, e para ataques contra os restos do chamado “estado de bem-estar social”.

Os revolucionários marxistas, proletários, devem denunciar as manobras da burguesia que tenta colocar em pé uma política de extrema direita, contra as massas, com o objetivo de salvar os lucros dos monopólios. A “Guerra contra o terror” não passa de uma política do imperialismo.

 

A ESSÊNCIA DA “GUERRA CONTRA O TERROR”

 

A chamada Lei Patriótica (US Patriotic Act) foi promulgada no dia 26 de outubro de 2001, nos Estados Unidos, pelo então presidente George W. Bush JR. Os direitos civis e as liberdades individuais foram colocados no foco dos ataques usando como desculpa o combate ao terrorismo. Uma grande campanha foi orquestrada por meio da imprensa capitalista, incentivando o medo de novos atentados, para justificar a suspensão de direitos e garantias constitucionais e a autorização dos crimes e de todo tipo de abusos por parte do Estado.

Foi institucionalizada a política oficial de caça às bruxas com a perseguição em massa aos muçulmanos e a qualquer opositor do regime, além da legalização da tortura, das execuções sumárias etc. Foi a volta intensificada do macarthismo, que, após a Segunda Guerra Mundial, condenou um grande número de intelectuais sob a acusação de atividades denominadas antiamericanas. Tornaram-se práticas comuns, e livres de ordens judiciais, o rastreamento dos serviços de Internet e das comunicações telefônicas. As bibliotecas e livrarias foram obrigadas a informar sobre os livros procurados por determinados cidadãos. Foi permitida a detenção de “suspeitos” por períodos prolongados. A histeria atingiu um grau tão alto que o governo Bush aprovou em 2004 o projeto de lei conhecido como Tips (Sistema de Prevenção e Informação sobre Terrorismo), que foi rejeitado pelo Congresso, que institucionalizava mecanismos para que um grande número de profissionais, tais como eletricistas e carteiros, entre outros, colaborassem como informantes da polícia.

No orçamento federal, todas as despesas foram congeladas por cinco anos, “com exceção as relacionadas com segurança”. As agências de espionagem ganharam sensíveis acréscimos nos orçamentos. O programa Homeland Security (Segurança Doméstica), que foca o controle de fronteiras, contraterrorismo e cyber-segurança, passou a controlar um orçamento de US$ 47 bilhões. A CIA (Agência Central de Inteligência) e algumas outras agências de espionagem um orçamento de mais de US$ 53,5 bilhões. O Departamento de Justiça destinou mais de US$ 23 bilhões para o FBI (polícia federal dos EUA), à DEA (departamento anti-narcóticos), o Sistema Prisional (que é terceirizado, e hoje conta com mais quase três milhões de presos), o BATR (Controle de Álcool, Tabaco, Explosivos e Armas de Fogo), a Divisão de Segurança Nacional e outras organizações policiais. Somente o programa de contraterrorismo do FBI recebeu US$ 3 bilhões, um terço do total do orçamento desse organismo. Estes números não consideram as verbas secretas cujo montante é desconhecido, tais como as relacionadas com a inteligência militar do programa NIP (Programa de Inteligência Nacional), que contempla as operações no Afeganistão e o Paquistão, cyber-segurança, contraterrorismo, espionagem de governos estrangeiros e grupos qualificados como terroristas. A CIA é a grande provedora desses recursos secretos, provenientes, principalmente, do tráfego de drogas e outras operações ilícitas, tais como lavagem de dinheiro e prostituição, conforme tem sido publicado na imprensa burguesa nos últimos anos.

Este é o modelo das leis antiterroristas que foram impostas pelo imperialismo norte-americano em escala mundial. Essas leis foram aprovadas, recentemente, de maneira um tanto tardia, na França e no Brasil.

QUALQUER SEMELHANÇA NÃO É MERA COINCIDÊNCIA!

OS ATENTADOS TERRORISTAS DE 11 DE SETEMBRO E PARIS

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Os atentados contra as Torres Gêmeas de Nova Iorque, que aconteceram no dia 11 de setembro de 2001, foram a desculpa para que a extrema direita, que controlava o fundamental do governo de George Bush Jr., passasse a aplicar a nefasta política denominada “Guerra ao Terror”.

Os Estados Unidos do início da década passada enfrentavam o esgotamento das políticas neoliberais. Os monopólios procuravam novos mecanismos para manter as taxas de lucro. A França e a Alemanha, que juntos compõem o coração do capitalismo europeu, está passando por uma crise de gigantescas proporções agravada pela crise da ala hegemônica por causa das ondas de refugiados de guerra.

Por trás do circo armado em, praticamente, todos os grandes atentados se encontram as garras dos serviços de inteligência e das agências de repressão a serviço da direita que, por sua vez, é o representante natural dos interesses dos monopólios. Apesar da campanha histérica e idiotizante da imprensa burguesa, há interesses reais e materiais, resultados concretos que foram e serão aplicados após os atentados terroristas.

Os Estados Unidos invadiram o Iraque achando que seria um passeio. O objetivo era, logo em seguida, invadir o Irã e passar a controlar de maneira direta o grosso do petróleo do Oriente Médio. Foi aprovado o Ato Patriótico, foi imposto ao mundo a aprovação das leis anti-terroristas. O Pentágono aprovou, em 2001, a política denominada “Full Spectrum Dominance”, ou dominação total do mundo por céu, ar, terra e ciberespaço. A metade do orçamento do Pentágono foi direcionada para a região Pacífico da Ásia. O orçamento da CIA e das demais agências “anti-terroristas” foi às alturas. Em fim, grande prosperidade para o complexo industrial militar. O “conto de fadas” deu claras amostras de esgotamento com a derrota militar dos Estados Unidos no Iraque, em 2007, o colapso capitalista de 2008, impulsionada pelos gigantescos gastos militares, e a derrota do Partido Republicano nas eleições nacionais.

A França, com a Alemanha por trás, tem exatamente o mesmo propósito dos Estados Unidos com, obviamente, as próprias peculiaridades. O objetivo é participar diretamente do controle do “bolo” no Oriente Médio e que é incompatível com a ação militar exclusiva dos russos e iranianos, e, pior ainda, com aliados como o Hizbollah, a poderosa milícia libanesa, os curdos e as milícias xiitas.

 

A FARSA DO 11 DE SETEMBRO

 

Segundo o registro do governo norte-americano, versão repetida exaustivamente pela imprensa capitalista brasileira, porta-voz da Casa Branca no Brasil, 19 militantes da Al Qaeda, sob as ordens de Osama bin Laden  apoderaram-se de quatro aviões Boeing e, enquanto escapavam do Sistema de Defesa Aéreo, conseguiram atingir 75% dos alvos que planejavam atacar. As torres 1,2 e 7 do World Trade Center teriam desabado devido a uma falha estrutural causada pelo fogo em um efeito em cadeia com um andar derrubando o outro.

Enquanto isso, os aviões que atingiram o Pentágono e o avião abatido em Shankisville, cidade da Pensilvania, foram vaporizados devido ao impacto.

Apesar de todos os gastos e aparatos militares e de inteligência não houve avisos sobre estes ataques e múltiplas falhas, algo reconhecido pelo governo dos Estados Unidos, ou seja, impediram uma defesa capaz de evitar o êxito do grupo nacionalista árabe.

Alguns dos fatos ultra suspeitos. Ainda poderíamos enumerar mais uma centena, a maioria dos quais são públicos e podem ser vistos na Internet.

1.O primeiro fato que chama a atenção é a forma como caíram as torres do Word Trade Center. Uma forma muito semelhante a uma explosão programada de um edifício. Além disso, as duas torres caíram exatamente da mesma forma, aumentando as possibilidades de que foram dinamitadas.

  1. O cimento dos edifícios foi pulverizado. As cenas do ataque após as torres virem  abaixo. O que se vê, e novamente pode ser constatado pelas imagens de televisão, são grandes montanhas de pó de 5 ou 6 metros de altura.
  2. Canais de televisões norte-americanos registraram depoimentos de repórteres que ouviram uma segunda explosão antes do colapso total dos edifícios.
  3. Membros do governo Bush, como Condolezza Rice, secretária de Estado, e o próprio George W.Bush afirmaram que não ocorreram avisos sobre os atentados e que o governo e o sistema de Defesa não previam ataques desta natureza. Uma afirmação falsa, pois dois anos antes dos ataques de 11 de setembro, as Forças Armadas dos EUA realizaram exercícios de treinamentos que usavam aviões desviados como armas com um dos supostos alvos sendo o WTC. Fora a experiência norte-americana com o ataque a Pearl Harbor.
  4. Foi constatado que o principal homem do serviço secreto paquistanês, o General Mohmood Ahmeed, pediu para que um dos líderes da causa árabe, o Omar Sheikh, emprestasse 100 mil dólares a Mohammed Atta, principal militante da Al Qaeda na lista dos 19 executores do atentado.
  5. Em janeiro de 2001, a administração Bush ordenou ao FBI e às agencias de inteligência para se afastarem das investigações que envolviam a família Bin Laden, incluindo dois familiares que viviam na cidade de Falls Church, no estado da Virgínia, próximo ao quartel da CIA. Neste momento, Osama Bin Laden já era considerado um dos principais “terroristas” procurados pela agência.

 

A FARSA DOS ATAQUES CONTRA CHARLIE HEBDO

 

Segundo as informações oficiais, divulgadas pela imprensa burguesa, os responsáveis, pelos atentados em Paris e contra a revista Charlie Hebdo, que aconteceram em janeiro deste ano, teriam ligações com os militantes islâmicos radicais que atuam no Oriente Médio. Mas, da mesma maneira que aconteceu com vários outros atentados terroristas, como os do 11 de setembro de 2001, as evidências que apareceram nos vídeos parecem desmentir as versões oficiais. No caso Hebdo, os terroristas gritaram “Allah Akbar!”, ou “vingadores de Mahommed”, e falaram, em bom francês, que eram membros da Al-Qaeda. Mas eles ao invés de destruírem os materiais da Revista, que eram muito ofensivos, se dedicaram a matar pessoas e até a disparar contra um policial que estava ferido no chão. Sem terem completado o objetivo e sem mostrar interesse em se tornar mártires, os terroristas fugiram rapidamente da polícia. Esses “militantes” demonstraram conhecimento militar e não estavam vestidos como jihadistas, mas como comandos militares.

Os atentados contra a Revista Charlie Hebdo foram usados pela Frente Nacional para impulsionar uma campanha contra os imigrantes, principalmente, contra os que têm como origem as ex colônias francesas do norte da África e os do Oriente Médio. A nova extrema direita europeia tenta se distanciar do fascismo “clássico”, mas basta trocar imigrante islâmico para judeu que as diferenças ficam muito pequenas.

Faltam agora os detalhes para conhecermos os detalhes da farsa dos ataques terroristas de Paris. Mais um capítulos do ataque terrorista de Pearl Harbor, para justificar a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, do auto-afundamento de um navio na Bahia de Tonquim, para justificar a entrada na Guerra do Vietnam, em 1967, o afundamento de um navio em Havana, para justificar a guerra contra a Espanha no final do século XIX. E a lista de exemplos é gigantesca.

ATENTADOS EM PARIS – O FIM DA UNIÃO EUROPEIA?

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Após os recentes atentados que aconteceram em Paris, o governo da Polônia declarou que não aceitará mais imigrantes. As quotas estabelecidas pela União Europeia estão implodidas. A imposição da ala hegemônica, liderada pela chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, tende a se tornar pó. O próprio governo alemão, colocado contra as cordas pela extrema direita, alemã e europeia, empreendeu uma campanha, no Afeganistão e em outros países, na tentativa de convencer a população a não migrar para a Europa.

A medida do governo polonês deverá ser replicada por vários outros países. O Tratado de Schengen também faz parte da ofensiva direitista. O controle das fronteiras foi retomado pela França, a Áustria e a própria Alemanha.

As políticas aplicadas por Angela Merkel e François Hollande entraram num processo abertamente defensivo
 enquanto a extrema direita entrou num processo abertamente ofensivo
. Na França, a Frente Nacional já se tornou um dos principais partidos políticos do país. Na Alemanha, o AfD continua crescendo.

Por trás da crise política, se encontram os monopólios que tentam salvar os lucros a qualquer custo no contexto do aprofundamento da crise capitalista mundial e da expectativa de um novo colapso capitalista, de ainda maiores proporções que o de 2008, para o próximo período. Por esse motivo, a burguesia tenta colocar em pé uma política muito específica: maiores ataques contra os trabalhadores e uma maior agressividade militar no exterior.
 E quem pode melhor aplicar essa política? A socialdemocracia, a direta tradicional ou a extrema direita?

OS ATENTADOS DE PARIS E A UNIÃO EUROPEIA

Os atentados de Paris são extremamente suspeitos, tão suspeitos como os atentados, que aconteceram no início deste ano, contra a revista de extrema direita Charlie Hebdo ou os atentados do 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

A direita conseguiu criar um clima de terror que, evidentemente, favorecerá a aplicação da Lei Antiterrorista, os ataques contra o “estado de bem-estar social” e a agressividade militar no exterior. Essas três políticas estavam enfrentando grande resistência por parte da população francesa e europeia. A situação de histeria criada lembra, e muito, à histeria criada após os ataques contra as Torres Gêmeas e o Pentágono, de 2001.

Mas o “efeito colateral” o endurecimento do regime político será o inevitável colapso da União Europeia, o que deverá gerar um caos ainda maior.

A União Europeia representa um instrumento que tem como objetivo facilitar os lucros dos monopólios, principalmente do imperialismo alemão e francês, que dependem dos baixos salários da Europa Oriental e do mercado europeu
.

Os atentados de Paris, que, ao que tudo indica, têm a mão dos serviços de inteligência por trás, refletem a política desesperada da burguesia imperialista para salvar os lucros das grandes empresas. Trata-se da política do “salve-se quem puder”, exacerbada pela crise.

Com a União Europeia, a crise continua se acelerando e o Banco Central Europeu continua cada vez mais paralisado e estupefato.

Sem a União Europeia, os lucros também tendem a cair e ainda em maior escala no médio prazo. Em resumo, não há saída para a crise capitalista. A “saída” imediata passa pelo aumento dos ataques contra a população e as guerras em larga escala. A verdadeira saída passa pela derrubada do regime burguês pelos trabalhadores.

O sistema financeiro, que é, cada vez mais, ultra parasitário, deve ser estatizado e colocado sobre o controle da população imediatamente. O grosso do lucro de todas as grandes empresas tem como origem as divisões financeiras que atuam, fundamentalmente, na especulação financeira. Todos os monopólios também devem ser estatizados e colocados sobre o controle da população. Mas, obviamente, não se trata de manter o estado burguês, que constitui uma máquina para defender os interesses dos grandes capitalistas. Essa máquina precisa ser colocada abaixo. A tarefa histórica somente pode ser realizada pelos trabalhadores mobilizados, o que é impulsionado, de maneira automática, pela crise capitalista.

Para o próximo período, está colocada a retomada do movimento operário, que ficou paralisada, há 30 anos, principalmente nos países centrais, por causa da aplicação das políticas neoliberais que, em 2008, entraram em colapso. A mobilização da classe operária deverá colocar à ordem do dia a formação de partidos operários, revolucionários e de massas.

A SÍRIA E OS ATAQUES TERRORISTAS EM PARIS

Perante a ofensiva ala direita do imperialismo, que busca uma saída de força para a crise, a Administração Obama tem buscado acelerar a “saída democratizante” em aliança com os russos, o Irã, a China, e, indiretamente, com o Hizbollah, a poderosa milícia libanesa, e os curdos. Essa “saída” tem deixado de lado os aliados tradicionais dos Estados Unidos, em primeiro lugar, os sionistas israelenses, a Arábia Saudita, o Catar, e os Emirados Árabes Unidos. A “saída” reflete a crise gigantesca em que se encontra a dominação da principal potência em escala mundial, os Estados Unidos
.

A “saída” da ala direita do imperialismo pode ser vista nos vários debates do Partido Republicano e passa pelo envio de tropas à Síria, a guerra nuclear contra o Irã, a guerra contra a China e a Rússia. O “pequeno detalhe” será a aplicação prática dessa política
. Os Estados Unidos foram derrotados, em termos militares, no Iraque em 2007. Abandonaram o país após um acordo com o regime dos aiatolás iranianos. E nem sequer conseguiram derrotar o Talibã e estabilizar o Afeganistão, um país muito atrasado, semi tribal.

O tamanho da crise política, que é impulsionada pela crise econômica, pode ser medido pelo desespero da burguesia monopolista que busca impor uma política mais dura em escala mundial. Esse é o verdadeiro contexto dos atentados de Paris.

ATENTADOS EM PARIS – QUEM SE BENEFICIA?

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A super policiada cidade de Paris foi atingida, nesta sexta-feira à noite, por quatro atentados terroristas que deixaram um saldo de mais de 150 pessoas mortas e mais de cem feridos. Além do Estádio da França, onde acontecia o jogo amistoso entre as seleções da Alemanha e da França, foram atingidos outros locais que, normalmente, não seriam alvos, como um restaurante na Rua Alibert.

A casa de espetáculos Bataclan, onde mais de 100 pessoas eram mantidas reféns por pretensos terroristas, foi invadida pela polícia deixando um saldo de, pelo menos, 70 mortos.

O presidente francês, François Hollande, do PSF (Partido Socialista), declarou o estado de emergência nacional e fechou as fronteiras.

Estes atentados aconteceram no mesmo ano, e nos mesmos moldes, dos atentados terroristas contra a revista ligada à extrema direita, Charlie Hebdo, do início deste ano. Segundo as informações oficiais, divulgadas pela imprensa burguesa, os responsáveis, por ambos atentados, teriam ligações com os militantes islâmicos radicais que atuam no Oriente Médio. Mas, da mesma maneira que aconteceu com vários outros atentados terroristas, como os do 11 de setembro de 2001, as evidências que apareceram nos vídeos parecem desmentir as versões oficiais. No caso Hebdo, os terroristas gritaram “Allah Akbar!”, ou “vingadores de Mahommed”, e falaram, em bom francês, que eram membros da Al-Qaeda. Mas eles ao invés de destruírem os materiais da Revista, que eram muito ofensivos, se dedicaram a matar pessoas e até a disparar contra um policial que estava ferido no chão. Sem terem completado o objetivo e sem mostrar interesse em se tornar mártires, os terroristas fugiram rapidamente da polícia. Esses “militantes” demonstraram conhecimento militar e não estavam vestidos como jihadistas, mas como comandos militares.

CONSEQUÊNCIA 1: FORTALECIMENTO DA EXTREMA DIREITA

A Frente Nacional continua se fortalecendo eleitoralmente, com a possibilidade de ganhar num distrito e ainda de passar ao segundo turno nas próximas eleições que acontecerão em 2016.

A crise do regime político aumenta na França, na Europa e em escala mundial conforme a crise capitalista avança. Na Alemanha, o grupo nazista reciclado AfD tem capitalizado a crise do governo de Grande Coalisão de Angela Merkel sobre a questão dos refugiados.

O Partido Socialista Francês se encontra em franca crise e sobre a pressão dos monopólios que, perante a queda dos lucros, exigem a adoção de medidas mais duras tanto em relação à política doméstica como em relação à política exterior.

Os atentados contra a Revista Charlie Hebdo foram usados pela Frente Nacional para impulsionar uma campanha contra os imigrantes, principalmente, contra os que têm como origem as ex colônias francesas do norte da África e os do Oriente Médio. A nova extrema direita europeia tenta se distanciar do fascismo “clássico”, mas basta trocar imigrante islâmico para judeu que as diferenças ficam muito pequenas.

O ex presidente francês, Nicolas Sarkozy, tenta impulsionar a reciclagem do direitista UMP (União por um Movimento Popular), que foi rebatizado como “Os Republicanos”. Sarkozy derrotou a ala de extrema direita que atuava dentro da UMP, liderada por Jean-François Copé. Mas, da mesma maneira que tentou fazer em 2012, quando foi derrotado por François Hollande do PSF, agora ele mesmo tenta se apoderar de algumas das bandeiras da extrema direita.

Em 2012, a burguesia imperialista apostou na saída socialdemocrata. Após Hollande ter vencido as eleições presidenciais, o PSF ganhou a maioria no Parlamento. Hollande tentou colocar em prática uma política de “crescimento”, mas acabou desistindo rapidamente, devido ao grau da crise, e ele mesmo se tornou um dos líderes da chamada “austeridade”. Perante a pressão dos monopólios, no mês de abril do ano passado, Hollande empossou o elemento da ala direita do PSF e então ministro do Interior, Manuel Valls, como primeiro ministro. Desde lá, os ataques contra os trabalhadores têm escalado, embora que ainda não na medida que a burguesia gostaria.

CONSEQUÊNCIA 2: MAIS REPRESSÃO INTERNA

No mês de agosto de 2015, o Parlamento francês aprovou uma lei antiterrorista que permite ao governo investigar os cidadãos franceses da mesma maneira que o faz a NSA (Agência Nacional de Segurança) norte-americana. A resistência contra a aplicação da Lei tem sido muito grande, da mesma maneira que o tem sido contra os ataques que tentam liquidar com o chamado “estado de bem-estar social”. É evidente que esses ataques terroristas servem para criar o clima favorável para aplicar essa Lei, exatamente que foi feito durante a Administração de George Bush Jr. em 2001, com o chamado Ato Patriótico, a partir do qual o imperialismo norte-americano passou a impor a aprovação de leis antiterroristas similares em escala mundial.

A democracia tem um caráter de classe e está a serviço da classe que está no poder. A democracia burguesa atual está a anos luz da democracia do século XIX. É uma democracia cada vez mais fascistoide, que ataca em cheio os direitos e liberdades mais elementares.
Na Europa, até os governos mais direitistas europeus são muito mais tolerantes em relação às liberdades democráticas que as caricaturas de democracia que temos na maioria dos países da América Latina, e nos demais países atrasados, a começar pelo Brasil. E o objetivo é justamente aumentar o aperto geral contra as massas.

O Conselho de Defesa, presidido por Hollande, rapidamente aprovou o reforço dos controles para conter a ação dos terroristas franceses que estão retornando do Oriente Médio. De um suposto total de 1.800, 300 já teriam retornado.

Por meio da criação de uma comoção social, o objetivo é provocar uma divisão sectária entre os muçulmanos franceses e não-muçulmanos. No caso do Charlie Hebdo, que tinha se tornado um especialista em provocações anti-muçulmanas, a manobra foi impor a condenação do ataque sem mais, pois isso levaria aos muçulmanos da França a ficarem a reboque da política xenofóbica (ódio aos estrangeiros) da Revista ou a e colocarem como cúmplices dos assassinos. Agora, o objetivo é facilitar a imposição da Lei Antiterrorista, os ataques contra o “estado de bem-estar social” e o aumento das ações militares do imperialismo francês no exterior.

Ações similares têm sido bastante comuns, além dos atentados contra as Torres Gêmeas de 2001. Essa política se acentuou na década de 1990 com a guerra imperialista contra a antiga Iugoslávia. Na própria França, os serviços de inteligência fizeram testes de certas drogas sobre a população civil e apoiaram a organização terrorista OAS para tentar assassinar o então presidente Charles de Gaulle.

Em 6 de Fevereiro de 2014, os ministros do Interior da Alemanha, dos Estados Unidos, da França, da Itália, da Polónia e do Reino Unido estabeleceram que o retorno dos “jihadistas” europeus era uma questão de segurança nacional.

A chamada “guerra ao terror” representa uma cobertura para favorecer os lucros da guerra do monopólios, a começar pelo chamado complexo industrial-militar, do qual participam, em alguma medida, todas as grandes empresas. A propaganda demagógica diz que o objetivo seria “libertar” a humanidade da ameaça do “terrorismo”.

No Brasil, que não vive numa ilha da fantasia, mas que se encontra num continente controlado a ferro e fogo pelo imperialismo norte-americano, acabou de ser aprovada uma lei-antiterrorista. E quem é o alvo? O praticamente inexistente terrorismo ou os movimentos sociais? Os terroristas ou os trabalhadores que deverão entrar em movimento no próximo período contra a crise capitalista?

CONSEQUÊNCIA 3: ORIENTE MÉDIO

Um dos componentes fundamentais dos atentados terroristas é favorecer uma ação mais ampla para “combater o terrorismo” na “fonte”, no Oriente Médio e no Sahel, a região localizada ao sul do Deserto do Saara.

O imperialismo busca atuar de maneira mais contundente no Oriente Médio devido à necessidade de controlar o petróleo e o gás, e evitar o avanço “exagerado” da Rússia, da China e do Irã. Também está em jogo a construção e operação de vários gasodutos que levam e levarão gás à Europa; o lucrativo negócio da venda de armas e equipamentos de segurança; o controle do tráfego de drogas, tanto na produção (Afeganistão) como no transporte a partir do Sudeste Asiático.

O chamado Novo Caminho da Seda Chinês deverá facilitar o comercio entre a China e a Europa por meio de rotas mais rápidas e diversas. Vários países da Ásia e do Oriente Médio, fornecedores de matérias primas, serão incluídos. O imperialismo francês, por médio de uma atuação mais forte na região poderá abocanhar uma fatia maior do bolo.

A aliança com a China e a China, alinhada com a política de Obama para o Oriente Médio, não implica na inexistência de contradições. Por causa do aprofundamento da crise capitalista mundial, as alianças têm se tornado cada vez mais fluídas, uma espécie de política de “salve-se quem puder” num ninho de cobras, um vale tudo para salvar os lucros dos monopólios. E vale lembrar que por trás do imperialismo francês se encontram os alemães, com quem atuam em estreita frente única desde o final da Segunda Guerra Mundial. Ambos enfrentam o acelerado aprofundamento da crise capitalista.

Até o momento, o acirramento das contradições têm acontecido entre as potências imperialistas e as potências regionais. Para o próximo período, está colocado o acirramento das contradições entre as potências imperialistas, principalmente, se a crise levar alas da extrema direita ao poder. O Oriente Médio é um dos palcos onde o imperialismo norte-americano alocou um imenso poderio militar, mas também onde as contradições sempre, na história, têm escalado.

O Estado Islâmico, e até a al-Qaeda, aparece como um grupo relativamente inofensivo comparado à ação das potências imperialistas e da reação do Oriente Médio, uma cobertura para as ações dessas potências na região.

Hoje, a chamada operação Chammal, da França no Oriente Médio, conta com 12 caçabombardeiros, baseados nos Emirados Árabes Unidos e na Jordânia. Há também uma fragata e mais de mil soldados e marinheiros. No início deste mês, Hollande ordenou a entrada em ação do porta-aviões Charles de Gaulle e de vários outros navios de guerra. Agora, como a maioria dos atacantes teriam sido guerrilheiros islâmicos na Síria, o governo francês deverá ampliar a atuação “preventiva” na Síria e no Iraque.

Os interesses do imperialismo francês não se restringem ao Oriente Médio. No chamado Sahel, as operações dos franceses tem como eixo o Mali, onde atuam com três mil soldados, 200 blindados, seis caçabombardeiros, dez aviões de transporte e três drônes. E se estende aos países vizinhos. A França depende dessas antigas colônias para o fornecimento de matérias primas vitais como urânio, em primeiro lugar, do qual depende a indústria nuclear francesa. O urânio existe fundamentalmente em Níger, um país vizinho do Mali e altamente desestabilizado pela crise no Mali.

Pelo interesses envolvidos e pela ação dos principais partidos ligados ao regime político francês é perceptível que os atentados tiveram por trás os interesses dos monopólios que buscam desesperadamente salvar os lucros da crise passando a conta para os próprios trabalhadores e para os povos oprimidos.

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