INFLAÇÃO: Como acabar com esse câncer? — Gazeta Operária

A inflação oficial no Brasil se encontra em torno aos 10% anuais e teria recuado com o golpe parlamentar liderado por Michel Temer. O impacto sobre os setores mais pobres da população é muito maior. Uma parte das pressões inflacionárias tem como origem o aprofundamento da crise capitalista mundial que tem levado às contas públicas […]

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Como enfrentar a crise? — Gazeta Operária

O BRASIL NO MUNDO Para compreender a atual situação política do Brasil no que diz respeito ao golpismo, à crise política e econômica, primeiramente, é preciso entender o que está acontecendo no mundo. Na América Latina, e especificamente no Brasil, quem domina é o imperialismo, fundamentalmente o imperialismo norte-americano. Desconhecer a situação internacional ou análises erradas, […]

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A esquerda sobreviverá?

Crise do regime burguês e crise da esquerda pequeno-burguesa

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A crise capitalista, aberta em 2008, tem escalado com muita velocidade. A baixa nas taxas de lucros dos monopólios tem levado o imperialismo, principalmente o norte-americano, à aprofundar os ataques à classe operária em escala mundial, especialmente nos países atrasados, como os da América Latina.

Uma das políticas colocadas em pé com o objetivo de conter a crise foi a inundação do mercado mundial com crédito oriundo de recursos públicos. Mas a crise do regime político avança. Em 2011, estouraram as revoluções árabes que representavam o elo mais fraco do sistema capitalista mundial. A política adotada pela Administração Obama, a chamada “contrarrevolução democrática”, começava a entrar em colapso na periferia do capitalismo.

Na tentativa de conter a crise, o imperialismo norte-americano tentou colocar em pé regimes de força, como aconteceu com os golpes pinochetistas no Egito e na Tailândia e o promovido em cima de grupos fascistas, na Ucrânia em 2012. Mas as contradições, longe de terem sido superadas ou diminuídas, se acirraram ainda mais.

Essa política de força tende a se intensificar no próximo período devido ao recrudescimento do regime político, que deverão acontecer após as eleições presidenciais nos Estados Unidos, deste ano. No páreo, estão de um lado Hilary Clinton, do Partido Democrata, uma representante da direita tradicional super testada. Ela participou dos governos de seu marido, Bill Clinton, que deram continuidade ao governo de Bush pai e também foi secretária do Departamento de Estado da Administração Obama, onde aplicou em grande medida a política dos “neoconservadores”. Do outro lado, está Donald Trump, um elemento da extrema-direita, que corre por fora do aparato dos partidos tradicionais, nesse caso o Tea Party, que se agrupa no Partido Republicano, o que representa uma tremenda desestabilização do regime.

A direita tradicional se agrupa por detrás de Clinton, na tentativa de se contrapor à extrema-direita que se organiza por detrás de Trump. Independentemente do resultado das eleições, o regime político irá sofrer um recrudescimento e uma política mais agressiva será colocada em prática.

Isso refletirá no recrudescimento do regime político na América Latina e no aumento da pressão imperialista contra os governos dos países da região. Essa pressão tem refletido nos ziguezagues da política da esquerda pequeno-burguesa brasileira, e também latino-americana, que é intrinsecamente centrista e que se encontra integrada ao regime político. Entendemos por esquerda pequeno-burguesa os agrupamentos políticos que representam os interesses das camadas médias da população.

A tendência dos grupos centristas é serem cada vez mais empurrados no sentido da integração ao regime burguês defendendo abertamente o golpe em andamento e o impeachment da presidente Dilma Rousseff, como é o caso do PSTU e de setores do PSOL, ou se mudando de “mala e cuia” para a “frente popular”, encabeçada pelo governo do PT, e adotando a política da conciliação de classes, como aconteceu, como exemplo mais recente, com o PCO.

A implosão do “terceiro campo”

O PSTU, que apoia fielmente o golpismo, já tinha dado amostras de sua política direitista e pró-imperialista muito antes dos primeiros elementos do golpe de Estado no Brasil estarem claros como a luz do dia. O PSTU apoiou, deliberadamente, os Estados Unidos e a administração Obama, durante o golpe militar no Egito e o golpe de características fascistóides na Ucrânia, e pouco antes o golpe branco no Paraguai. Promoveu o imperialismo norte-americano a defensor número um da “democracia” contra a “ditadura” dos governos árabes. Sua oposição ao chavismo na Venezuela e sua defesa ao RCTV, a rede de televisão que apoiou abertamente o golpe contra Hugo Chávez em 2002, são outras evidências de que o PSTU se atirou nos braços da direita.

Hoje no Brasil, a palavra de ordem do PSTU, sobre o “Fora Todos!” e “Eleições Gerais Já!” representam uma política muito oportunista disfarçada de “ultraesquerdismo” que coincide com os interesses da direita. Para tentar camuflar o apoio à direita, a esquerda pequeno-burguesa busca criar um suposto “terceiro campo” a partir da constituição do movimento “Espaço de Unidade de Ação” (o EUA, qualquer semelhança com Estados Unidos da América – EUA não é mera coincidência). Os interesses da classe operária são substituídos pela injúria: “governistas!”.

Quando não expressa uma adesão completa aos ideais da direita, o “terceiro campo” mostra uma passividade mascarada de intransigência verbal diante das capitulações da direção do PT. O “terceiro campo” representa, na prática, uma “saída pela tangente” de quem achou um lugar confortável de onde não necessitará enfrentar a política conciliadora que a “frente popular” impõe ao movimento de massas. Dotar o movimento de uma política capaz de derrotar a ofensiva da direita e do imperialismo significa romper o cerco imposto a esse movimento pelo PT e seus aliados. Ao invés de uma política nesse campo, prefere-se atos separados onde fica cada direção política com seu quintal.

O fato é que o “terceiro campo” se coloca, na prática, no campo da direita. A consequência dessa política é chegar a participar dos atos convocados pela direita. Isso seria repetir o que fizeram em 2014 quando marcharam ao lado da direita e da extrema-direita nas manifestações do “Não Vai Ter Copa”, quando a direita levantava a bandeira da corrupção, tentando impulsionar uma manifestação anti-Dilma. Essa política criava uma cortina de fumaça e não expressava de forma tão acabada, como agora, as bandeiras de extrema-direita. Nessa manifestação as palavras de ordem “Fora Dilma” e “Intervenção Militar Já!” apareceram de forma mais tímida e quando o movimento tinha perdido fôlego. O ponto chave era a presença do MTST no “Não Vai Ter Copa”, o que imprimia à manifestação uma “maquiagem” popular, embora seu conteúdo continuasse sendo direitista.

Nas atuais manifestações da direita, não há nenhum Guilherme Boulos discursando em cima dos carros do MBL (Movimento Brasil Livre) ou do “Revoltados Online!”, ambos movimentos de extrema-direita. Não existe mais essa “maquiagem” popular e a extrema-direita vem atuando de forma muito mais aberta e truculenta. As manifestações se converteram na apologia da volta à ditadura militar, do apoio a Bolsonaro e aos elementos mais direitistas. Figurões da direita tradicional, tais como Alckmin, Dória Jr e até o próprio Aécio Neves, entre outros, chegaram a ser expulsos por esses manifestantes de extrema-direita. Nesse cenário, ficou quase impossível para o PSTU e os demais setores do “Espaço de Unidade de Ação” aderirem às manifestações da direita. Mesmo que o MNN (Movimento Negação da Negação), que participa do “EUA”, o tenha feito.

A política do “terceiro campo” gira em torno do chamado “anti-governismo”. A política oficial do PSTU é levada até as últimas consequências pelo MNN. Ela consiste em depositar a confiança na direita e acreditar que poderá levar a cabo a derrubada do governo do PT que irá se implodir. Com a implosão do PT, a esquerda pequeno-burguesa cooptaria seu espólio, tal como aconteceu na Grécia com o Syriza, abrindo a possibilidade do fim da polarização do regime político entre PT e PSDB. O caminho ficaria livre para que essa esquerda chegasse ao governo. O denominador comum da política do “terceiro campo” é na verdade o oportunismo eleitoreiro.

Os atos realizados pela CSP-Conlutas/ PSTU em São José dos Campos, nas portas das fábricas da GM e da Cherry, representam um exemplo da crise dessa esquerda. Os ônibus que conduziam os trabalhadores da GM foram detidos pelo Sindicato dos Metalúrgicos de SJC a três quilômetros da porta da fábrica. Os trabalhadores foram obrigados a marchar até a portaria atrás de uma enorme faixa onde estava escrito “Fora Todos! Eleições Gerais Já”. A “coincidência” foi que a Rede Globo local estava lá para filmar e noticiar. Na Cherry, houve até boneco de Dilma e de Lula no melhor estilo direitista.

As alternativas com que o PSTU, e os setores do “Espaço de Unidade de Ação”, contam hoje seriam a de se implodir nesse “terceiro campo”, ou a de irem direto para as manifestações da direita, o que, na prática, também representam uma implosão. Isso explica porque alguns agrupamentos do “EUA”, como o MRT, estão desertando e passaram a chamar a participação nos atos do 1° de maio unificado da Frente Brasil Popular.

Qual deve ser a política dos revolucionários?

A esquerda burguesa e pequeno-burguesa, integrada ao regime burguês, tanto por meio da “frente popular”, ou por meio de outras políticas oportunistas, enfrenta gigantesca burocratização.

A “frente Popular”, encabeçada pelo governo do PT, se apoia nos acordos com a direita no Congresso, para manter a “governabilidade” do regime. Colocar as massas a reboque da “frente popular” representa uma traição aos interesses dos trabalhadores. A única maneira de combater o golpe, de maneira efetiva, passa pela organização independente de todos os setores da burguesia.

Os revolucionários devem repudiar a esquerda pequeno-burguesa que se agrupa em torno do chamado “terceiro campo”.

Os revolucionários devem atuar em uma frente única contra o golpe, mas devem sempre manter sua independência em relação às direções oportunistas e a cada capitulação denunciar essas ações que são contra o desenvolvimento da luta. A própria “frente popular”, por sua política de capitulação, ao mesmo tempo, tem se transformado em uma das engrenagens golpistas na medida que impede uma ação efetiva dos trabalhadores contra a direita, como pode ser visto no ato do dia 17 de abril que foi transformado em uma “torcida organizada” na contagem de votos enquanto a cúpula do PT tentava fazer os maiores conchavos com elementos de setores da direita. Como resultado “colheu” uma vergonhosa derrota, enquanto nos manifestantes sobrava o sentimento generalizado de desmoralização. A diferença desse ato, com o do dia 31 de março foi que este começou a ultrapassar os controles burocráticos impostos pela direção da “frente popular”. Muitos grupos (como o MST, o MTST e vários outros) levantaram as bandeiras históricas dos trabalhadores e as democráticas.

Os revolucionários devem atuar junto com a Frente Brasil Popular com objetivo de impulsionar os setores mais dinâmicos, principalmente nos Comitês anti-golpe e nas manifestações contra a direita. O objetivo não deve ser blindar a “frente popular”, mas IMPLODI-LA por meio das denúncias às recorrentes capitulações que devem ser expostas às massas e se mostrar como alternativa revolucionária de direção. “Golpear juntos, mas marchar separados”.

É preciso participar do 1° de maio unificado, impulsionado pelos setores da Frente Brasil Popular, principalmente a CUT, com objetivo de denunciar o golpe parlamentar e também as capitulações da “frente popular” à direita que fazem parte das engrenagens golpistas.

 

NÃO AO GOLPISMO!

Todos ao 1° de maio unificado da Frente Brasil Popular!

Abaixo da política de preservar a “governabilidade”!

Não ao acordão do PT com a direita!

Fora os ministros golpistas do Governo!

Não ao Ajuste, pelos Direitos dos Trabalhadores!

Que a crise seja paga pelos capitalistas!

 

 

 

LIÇÕES dos ATOS de 31.3.2016

CONTRA O GOLPISMO E PELA DEFESA DOS TRABALHADORES!

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  1. No dia 31 de março, ocorreram atos nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal convocados pela Frente Brasil Popular (FBP) contra o golpe em marcha, promovido pela direita nacional e o imperialismo. De uma forma geral, as manifestações foram um pouco menores do que as realizadas no dia 18 de março, porém, a mobilização das bases foi muito mais radicalizada. A diminuição do número de participantes esteve mais relacionada a questões organizativas. Essas manifestações originalmente não iriam ocorrer, pois seriam centralizadas em um ato única em Brasília. A mudança aconteceu na última hora devido à pressão das bases, principalmente a partir dos comitês anti-golpe que começaram a sair do controle da burocracia.
  2. As manifestações continuaram sendo massivas. Em São Paulo, por exemplo, os participantes tomaram a Praça da Sé e, segundo os organizadores, havia 60 mil pessoas. Além da questão numérica, as manifestações marcaram uma importante virada na luta contra o golpe, com um forte impulso do envolvimento do setores importantes dos movimentos sociais, do movimento estudantil e da classe operária, embora que, neste caso, de maneira ainda embrionária devido à contenção da burocracia sindical. Nas últimas semanas, tem se desenvolvido por meio de manifestações em universidades (PUC-SP, Mackenzie), o aumento de comitês contra o golpe, uma guinada à esquerda da FBP que já na convocação chamou a lutar contra o golpe e pela defesa dos direitos dos trabalhadores e da soberania nacional etc.

 

  1. Desde a manifestações do dia 18 de março, as ações anti-golpistas somente aumentaram. Esses fatos mostram que a evolução do movimento de massas no Brasil passa pelo fortalecimento da política de “frente única” dos setores da esquerda, do movimento operário e dos movimentos sociais e estudantil contra o golpe, expressa hoje principalmente na FBP. O acirramento do conflito político entre as massas e a direita tem na base o aprofundamento da crise capitalista que tem levado o grande capital a promover o golpismo com o objetivo de salvar os lucros atacando os trabalhadores. Eles buscam impor um plano de ajuste ainda mais austero que o praticado atualmente, pois o governo do PT, devido à necessidade de manter o colchão social de controle, não tem conseguido aplicar o “ajuste” na intensidade imposta pelo imperialismo, principalmente em relação à Reforma Trabalhista, à Reforma da Previdência, ao Corte de Gastos Públicos e à espoliação dos recursos naturais. Na medida em que a oposição aos interesses golpistas abarca o conjunto da classe operária, tem crescido o sentimento sobre a necessidade de uma unificação do conjunto dos trabalhadores para a adoção de uma luta defensiva contra os crescentes ataques do inimigo comum.

 

  1. Dividida em diferentes frações e partidos, que refletem uma evolução política desigual da classe operária, a “frente única” tem permitido a unidade dos vários setores para a ação coletiva. Levando em consideração a atual conjuntura, não seria possível unir toda uma expressiva camada de trabalhadores e ativistas sem uma unidade de ação com as entidades do movimento de massa dirigidas pelo PT e seus aliados (CUT, MST, UNE, MTST etc). Essa política também tem possibilitado que toda uma nova camada de trabalhadores desperte para a luta. Em uma comparação histórica, a defesa da “frente única” se assemelha à tática aprovada nos III e IV Congressos da Internacional Comunista e à política proposta por Leon Trótski no início dos anos 1930 contra a ascensão de Hitler ao poder.

 

  1. A relação da “frente única” com os objetivos gerais dos revolucionários foi exposto no texto “A Situação é Desesperada?”, artigo que faz parte do livro Revolução e Contrarrevolução na Alemanha, de León Trotski: “Sem renunciar um único instante, a seu objetivo principal, à tomada do poder, o Partido Comunista adota as ações imediatas, uma posição de defensiva. “Classe contra classe” – é preciso restituir a esta fórmula a sua significação efetiva.* “A resistência dos operários contra a ofensiva do capital e do Estado provocará inevitavelmente uma ofensiva mais enérgica do fascismo. Por modestos que sejam os primeiros passos defensivos, a reação, por parte do adversário, cerrará imediatamente as fileiras da frente única, alargará as tarefas, forçará o emprego de métodos mais decisivos, repelirá da frente única as camadas reacionárias da burocracia, alargará a influência do comunismo, provocando a queda dos compartimentos que dividem os operários e preparando a passagem da defensiva à ofensiva [grifo meu]. A “frente única” acelera o desenvolvimento revolucionário da classe. E essa é a grande lição das manifestações do dia 31, embora esse desenvolvimento ainda esteja em estado inicial. No ato em São Paulo, por exemplo, o tom foi muito mais contra o golpe do que o clima de apoio incondicional a Lula-Dilma que tinham predominado nos atos anteriores e que foi mantido pela liderança da “frente popular”, encabeçada pelo PT (particularmente pela ala majoritária, a Articulação). Em Brasília, o MST teve grande presença e levantou reivindicações em defesa da reforma agrária, em defesa dos direitos dos trabalhadores e pela luta pelo socialismo como componentes da luta antigolpista. Um líder da CONTAG, em discurso no Palácio do Planalto um dia após o ato afirmou que uma maneira dos camponeses lutarem contra o golpe era realizar ocupações de terras. Da mesma forma, o panfleto de convocação da FBP para a manifestação trazia uma série de colocações contra o plano de austeridade e a retirada de direitos trabalhistas.

 

  1. Os revolucionários devem lutar pela unificação da classe operária sem serem “ultimatistas”. Ou seja, eles devem rejeitar a política de que para lutar contra o golpe a classe operária deve aceitar, de antemão, a adoção de uma política revolucionária. Essa política, no Brasil, se expressa por meio daqueles que se negam a participar dos atos e das ações contra o golpismo por discordar da direção das entidades de massa, como a CUT. Essa política foi adotada em diversos momentos, de forma vacilante, por organizações de massas, como o MTST, organização dirigida por Guilherme Boulos. Isso é desprezar o atual estágio de desenvolvimento dos trabalhadores e as tarefas políticas para a superação das direções conciliadoras.

 

Lutar contra a direita ou “saída negociada” contra os trabalhadores?    

 

  1. A proposta de uma “saída negociada”, entre os principais partidos ligados ao regime burguês, se expressa nos acordos do governo do PT com setores da direita em nome da “governabilidade”, e da aplicação de um duro ajuste contra os trabalhadores. Nada menos que sete ministros são abertamente de direita e golpistas. A frente do Ministério da Agricultura, que deveria estar implantando a Reforma Agrária, se encontra nada menos que a conhecida figura de extrema direita, ligada ao latifúndio, Kátia Abreu. O parlamentarismo, tramita quase quem em silêncio, no Senado após os acordos, neste sentido, promovidos pelo líder do Senado, Renan Calheiros (PMDB), entre as cúpulas do PT e do Psdb. Ela representa uma traição à luta do movimento de massas que se mobiliza contra a direita. Essa política não é apenas uma traição, como caminha no sentido contrário do combate ao golpismo e está em oposição aos atos dos dias 18 e 31 de março. Só a mobilização dos trabalhadores pode derrotar o golpe. Portanto, deve ser criticada. Nos últimos dias, por exemplo, a direção do PT e setores da imprensa pró-governo divulgaram com entusiasmo o avanço de negociações com partidos pequenos da direita após a debandada de parte significativa do PMDB do governo. Mas a própria experiência do PT com o PMDB mostra a fragilidade desses acordos institucionais, palacianos, para derrotar o impeachment e, mais ainda, o quanto representam um entrave para a organização independente da classe operária.

 

  1. As diferentes forças políticas da burguesia se articulam tendo na base a situação política internacional, devido à dependência do imperialismo. Neste momento, a administração Obama, que encabeça a direita tradicional norte-americana contra a ala de extrema direita agrupada fundamentalmente no Tea Party, reduziu a escalada da política golpista e militarista em diversas partes do mundo, como aconteceu na Síria, na Ucrânia, no Mar do Sul da China e na América Latina. Essa política conjuntural do imperialismo aumentou as dificuldades para agrupar as várias alas da burguesia numa coligação golpista no Brasil. Setores importantes do PMDB, por exemplo, não desembarcaram do governo.

 

  1. Os revolucionários devem condenar o governo encabeçado pelo PT pelas recorrentes capitulações à direita, pela manutenção dos acordos com o imperialismo, pela paralisação da Reforma Agrária, pela aprovação da Lei Anti-terrorista, pela existência de sete ministros golpistas/ direitistas, pelo veto da Presidente Dilma à auditoria da dívida pública e pelas tentativas de aumentar os ataques contra os trabalhadores. Ao mesmo tempo, é preciso fortalecer a política de frente única com o objetivo de ganhar as bases do PT para a luta contra a direita e o golpismo que são os principais inimigos. As bandeiras operárias e democráticas não devem ser nunca baixadas, pois isso equivale à capitulação à “frente popular” encabeçada pelo PT.
  2. A disputa e acordos entre as diferentes frações da burguesia sobre o golpe dá ao proletariado um “crédito de tempo”, que ele deve usar para avançar na luta anti-golpista e por suas reivindicações e, assim, ganhar mais posições para quando o confronto com a política da direita e do imperialismo chegar a uma etapa mais decisiva. Não há luta contra o golpismo se ela for desvinculada da luta contra o imperialismo, que é o capital predominante. Antes de 1933, na Alemanha, a burguesia não pretendia usar Hitler como “senhor da situação”, mas sim como um “cão de guarda” contra a poderosíssima classe operária alemã. Naquela situação, os bolcheviques-leninistas dirigidos por Leon Trótski jamais deixaram de apontar que a tendência política poderia acarretar a vitória do nazismo e sempre chamou o proletariado a cerrar fileiras e a se unificar na luta contra a ascensão dos nacional-socialistas.
  3. Junto com a “saída negociada”, o “ajuste fiscal” aplicado pelo governo Dilma Rousseff contra os trabalhadores representa um dos principais entraves à luta anti-golpista. Primeiro porque representa um avanço das posições e da influência do imperialismo sobre o governo, apesar dessas medidas estarem aquém das exigidas. Segundo, porque os ataques contra os trabalhadores impostos pelo governo do PT abrem caminho para o avanço da direita que tem como pauta política aplicar da deposição de Dilma Rousseff para aplicar ataques ainda maiores. Assim como em diversas situações, nesse aspecto, o governo de conciliação de classes “cava a própria cova”. As seguidas capitulações do PT, seja por meio do freio imposto à luta anti-golpista ou por meio de medidas governamentais anti-povo, constituem uma das principais engrenagens golpistas porque atacam e desorganizam a classe operária e o povo explorado, único setor que pode efetivamente derrotar o golpe. A saída para tal situação, no entanto, não consiste no abandono da luta anti-golpista, mas no enfrentamento com as direções traidoras que limitam a mobilização. A contraposição às direções oportunistas deve ser feita como meio de orientar o movimento em um sentido revolucionário. A principal ferramenta passa por denunciar as capitulações e os ataques contra os trabalhadores para as bases. O objetivo dos revolucionários não deve ser “blindar” a frente popular, mas implodi-la.
  4. Para o próximo período, está colocado o desenvolvimento e acirramento das contradições entre as classes sociais. Nesse sentido, os revolucionários precisam atuar de forma enérgica na luta contra o golpe, mas guardando a independência das direções oportunistas e nunca perdendo de vista que a “frente única” não é um fim em si mesma, mas apenas uma tática que faz parte de uma estratégia mais ampla da luta pelo poder. A atual conjuntura está diretamente relacionada com a crise capitalista, que explodiu em 2008, e a decomposição do regime político da Nova República, estabelecido pelos acordos que deram origem à Constituição de 1988. Por esse motivo, e acelerado pelo aprofundamento da crise capitalista mundial, o desenvolvimento da presente luta, inevitavelmente, tende a implodir os marcos do regime capitalista. Para o próximo período, está colocado o enfrentamento aberto entre a burguesia e o proletariado.

QUEM É O PRINCIPAL INIMIGO?

(governo do PT, direita, luta contra o golpe e frente única)

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TESE: Diante dos enfrentamentos entre os setores da direita e a frente popular, os revolucionários devem se posicionar contra a direita, porém com independência de classe, com o objetivo de superar a política da frente popular

 

ANÁLISE

  1. A crise entre o PT e a direita representa, atualmente, o principal fator da evolução da situação política nacional. Qualquer análise política séria não pode ignorar as contradições e disputas entre esses dois campos, que representam interesses em disputa de alas diferentes da burguesia.
  2. Para combater o PT, a direita vem há anos colocando em marcha suas “engrenagens golpistas”, que consiste basicamente, neste momento, em uma aliança entre os partidos de direita (representantes direto do Capital e do imperialismo), a imprensa capitalista, o Poder Judiciário e setores empresariais ligados ao Instituto Millenium, que, por sua vez, está ligado ao Instituto Heritage, controlado pela extrema direita norte-americana.
    1. O PT ganhou as eleições de 2002 tendo como principal cabo eleitoral o próprio FHC. Lula foi ao Estados Unidos, junto com a cúpula tucana, para jurar ao fascistoide George Bush Jr. que os interesses do imperialismo continuariam sendo respeitados.
    2. O estouro do escândalo do “Mensalão” em 2005 abriu um novo período na situação política. A burguesia, assim como acontece em escala mundial, usa os governos de frente popular para controlar a situação social, mas, assim que essa tarefa foi comprida, ela busca retornar ao governo. A vitória de Lula no segundo governo manteve a crise aberta.
    3. No segundo semestre de 2012, aconteceu a prisão de dirigentes petistas pelo processo do “Mensalão”. Nas eleições municipais, na mesma semana do primeiro e do segundo turno, aconteceu o julgamento do “Mensalão”. Mesmo assim, o PT venceu as eleições na maior cidade da América do Sul, a cidade de São Paulo. Era um claro sinal da bancarrota eleitoral da direita vinculada ao neoliberalismo que enfrentava crescente crise após o colapso capitalista mundial de 2008.
    4. Em junho de 2013, ocorreu a primeira grande ação de rua da direita, que apoiada por grupos fascistas, cumpriu o papel de controlar as manifestações contra o aumento da passagem do transporte público, excluindo os grupos de esquerda do protesto com o uso da força. Em março de 2014, os golpistas saíram, pela primeira vez, às ruas com identidade própria, em uma marcha convocada por grupos de extrema-direita e intitulada “Marcha da Família com Deus e Pela Liberdade- o retorno”. Em meados do mesmo ano, a direita impulsionou a campanha do “Não Vai Ter Copa”. No início de 2015, tiveram início os atos pelo “Fora Dilma”.
  3. A movimentação da direta brasileira, que, historicamente, sempre esteve vinculada ao capital internacional, despertou uma reação dos setores mais conscientes da classe operária e do movimento de massas. No entanto, mesmo com os campos se delimitando cada vez mais nesta luta entre a esquerda e a direita, ainda existem confusões importantes sobre essa disputa política devido, em primeiro lugar, à política de capitulação de classes impulsionada pela “frente popular” liderada pelo governo do PT. Essa política arrastra os sindicatos ligados à CUT, o MST, a UNE, movimentos sociais e partidos de esquerda. Esta política é nefasta para a organização independente dos trabalhadores, pois, devido ao aprofundamento da crise capitalista, tem abandonado todas as bandeiras operárias e até as bandeiras democráticas em prol da suposta luta contra o golpismo, enquanto faz todo tipo de tramoias nos bastidores na tentativa de conseguir uma “saída negociada” para a crise.
  4. A saída ideal seria um governo de coalisão, a la Macri, que, mesmo sendo uma coalisão frágil, conseguiu imprimir uma certa governabilidade capaz de permitir à direita aplicar o ajuste enquanto a frente popular segura os trabalhadores.
  5. A esquerda pequeno-burguesa, por outro lado, busca negar a existência do conflito entre as duas alas da burguesia e adota ações e palavras de ordem que beneficiam e se alinham com a política da direita, tais como “Fora Todos”, “Eleições Gerais Já” e, em casos mais aberrantes, até mesmo o “Fora Dilma!”. Trata-se da repetição do política estalinista do chamado “Terceiro Período”, do “socialfascismo”, quando a socialdemocracia era identificada com os fascistas.
  6. Os revolucionários não podem se confundir com a direita na crise atual, da mesma maneira que também não podem aderir à política de colaboração de classes da “frente popular”. A suposta “revolta popular”, expressa nas ruas do Brasil no dia 13 de março deste ano, foi o resultado de uma campanha reacionária dos monopólios de comunicação que, com a articulação de outros elementos ligados à extrema direita, busca dirigir a revolta da classe média, arruinada pela crise capitalista, contra a esquerda e, em particular, contra o movimento de massas dos trabalhadores. Não se trata de “revolta popular”, portanto, mas de um movimento reacionário. A luta deles contra o governo do PT é apenas a porta de entrada para uma oposição aos sindicatos, movimentos sociais e posições progressistas em geral. O uso do desespero da classe média pelo capital financeiro para atirá-la contra o movimento operário é uma característica tipicamente de movimentos fascistas, o que explica a presença de grupos de extrema-direita e de um forte sentimento anticomunista nesses atos.
  7. A oposição enérgica às movimentações direitistas é uma obrigação de todo militante revolucionário. Tal oposição não deve admitir tergiversações, nem qualquer forma de conciliação com a direita, pois a política operária não pode em qualquer momento ser confundida com o golpismo.
  8. Essa ofensiva exige a luta em frente única da classe operária para, de forma defensiva, lutar contra essas investidas do imperialismo aliado da direita nacional. Esse tipo de frente tem paralelo na história com as resoluções adotadas pelo III e IV Congresso da Internacional Comunista e da Política de Frente Única elaborada por Leon Trótski para combater a ascensão de Hitler na Alemanha.
  9. Parte-se da necessidade de unificação da classe operária para a luta contra um inimigo comum. A classe operária, no entanto, encontra-se dividida em diversas organizações com diferentes políticas, fato que corresponde ao seu desenvolvimento político desigual. A atual etapa não permitiu ainda a constituição da classe operária em um partido próprio, separado da burguesia. No entanto, as tarefas colocadas no presente período empurram nesse sentido. Por exemplo, a participação da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) no movimento golpista revela a necessidade da união em torno de um inimigo que por meio de um golpe político prepara retrocessos históricos nos direitos dos trabalhadores. A conjuntura política também apresenta ataques desse setor contra as organizações sindicais como um todo, o que exige uma unidade em torno da defesa desse tipo de organização. A contradição entre a necessidade de união e a atual separação da classe operária em diversas organizações só pode ser resolvida pela frente única. Superando as diferenças, diferentes frações dos trabalhadores podem assim se colocar em movimento. Ainda mais, a unificação pode despertar toda uma nova camada operária para a luta.
  10. A frente única está em completa oposição à idéia propagada por setores da esquerda da constituição de um “terceiro campo”. No Brasil, o “terceiro campo” está representado pela política do PSTU na constituição de um movimento denominado “Unidade de Ação” e, de forma envergonhada, pela política de setores do Psol e do MTST que formam a “Frente Brasil Sem Medo”. As necessidades da classe operária são substituídas pela injúria: “governistas!”. Quando não expressam uma adesão completa aos ideais da direita, o “terceiro campo” mostra uma passividade mascarada de intransigência verbal diante das capitulações da direção do PT. O “terceiro campo” representa, na prática, uma “saída pela tangente” de quem não nega a necessidade de lutar contra a direita, mas achou um lugar confortável de onde não necessitará enfrentar a política conciliadora que a Frente Popular impõe ao movimento de massas. Dotar o movimento de uma política capaz de derrotar a ofensiva da direita e do imperialismo significa romper o cerco imposto a esse movimento pelo PT e seus aliados. Ao invés de uma luta nesse campo, prefere-se atos separados onde fica cada direção política com seu quintal. Essa política covarde se expressa hoje principalmente no MTST, dirigido por Guilherme Boulos.
  11. A unidade de ação com a parcela significativa e majoritária da classe operária sob a direção do PT e de seus aliados (CUT, UNE, MST etc.) leva em consideração o estado real do proletariado brasileiro. Mas essa unidade nunca significa se dissolver na Frente Popular. Na unidade com as direções oportunistas, os revolucionários adotam a política de “marchar separados, golpear juntos”. Na última manifestação do dia 18 de março convocada pela Frente Brasil Popular, ficou clara a disposição de amplos setores dos trabalhadores em lutar contra o golpismo. Mas, da mesma forma, ficou nítido que Lula e a direção petista buscam não um enfrentamento com a direita, mas uma conciliação.
  12. Lula e o PT atuam para manobrar e transformar o movimento anti-golpista em meio de pressão contra a direita para a adoção de uma saída negociada. Trata-se de uma subversão dos anseios daqueles que compareceram às manifestações de rua em todo o País. Para efetivamente lutar contra a direita golpista a classe operária devemos romper as barreiras impostas pelo “lulismo”.
  13. Nesse sentido, os revolucionários integram a frente única, mas não se furtam a denunciar as capitulações de suas direções e a apontar o caminho da luta como o único possível para a vitória.
  14. Atualmente, o próprio movimento de massas começa a dar indícios de que caminha nessa direção. Os estudantes da PUC-SP, por exemplo, contrariando aquilo que dirigentes dos sindicatos dirigidos pelo PT, a UNE etc. sempre pregaram, foram para cima de uma manifestação pró-impeachment. O enfrentamento teve enormes repercussões, sobretudo pela ação da PM que protegeu os ativistas a favor do golpe. E houve várias outras tentativas nesse sentido, contidas pela frente popular. Aos revolucionários cabe seguir e expandir esses exemplos. Sem frente única não pode haver luta efetiva contra o golpe. E sem denúncia e ruptura da política conciliadora do PT não pode haver vitória contra a direita.
  15. Lutar contra o golpe não nega, mas implica em defender as bandeiras democráticas e as bandeiras operárias que a esquerda e a frente popular jogou na lata do lixo.

 

Não ao golpismo!

Pelas liberdades democráticas e os direitos dos trabalhadores!

Não ao ajuste!

Pela organização independente dos trabalhadores!

  • Que a crise seja paga pelos capitalistas!

AONDE ESTÁ O GOLPE?

QUAL É O PAPEL DA FRENTE POPULAR?

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TESE: A frente popular, encabeçada pelo governo do PT, devido à sua política de conciliação de classes e reiteradas capitulações, longe de combater o golpismo, se converteu numa das principais engrenagens do golpe e da contenção da organização independente da classe operária

DEFINIÇÃO: 

  1. Chamamos “frente popular” (não confundir com a Frente Brasil Popular organizada contra o golpe) os governos encabeçados pelos partidos que mantêm ligações em aliança com a burguesia. Normalmente esses governos aparecem em períodos de grave crise política e atuam como bombeiros da revolução, contra os interesses dos trabalhadores. É o que aconteceu no Brasil a partir de 2003, apesar da “frente popular” ter começado a se estruturar muito antes, principalmente a partir do governo Itamar Franco.
  2. Os bolcheviques, encabeçados por Lenin, formularam a política revolucionária contra a “frente popular” do governo do “socialista” Kerensky, que era definido como um “governo dos capitalistas”, chamando a “explicar pacientemente, todos os dias, o caráter burguês e contrarrevolucionário deste governo”.
  3. A forma mais apurada da “frente popular” aconteceu na “Frente Popular” francesa de meados da década de 1930 e que serviu como base para o ultra oportunista VII Congresso da III Internacional Comunista, encabeçado por Georguis Dimitrov, e que implicou na saída do socialfascismo (ou “terceiro período”, em que a política oficial da III IC dizia que a social democracia e o fascismo eram a mesma coisa) para o abandono total das bandeiras operárias em aras da priorização da luta contra o fascismo.

 

ANÁLISE:

 

No centro do golpismo, o imperialismo

 

  1. aprofundamento da crise capitalista mundial tem aumentado a escalada da ofensiva do imperialismo para fazer com que os povos de todo o mundo, principalmente a classe operária, em particular dos países atrasados, paguem pelo ônus da crise para que os monopólios mantenham os lucros.
  2. No Brasil, o imperialismo, principalmente o imperialismo norte-americano, vem financiando e incentivando a ascensão da direita que em manifestações de rua vem pedir o impeachment e a derrubada do governo de “frente popular”, encabeçado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), da presidenta Dilma Rousseff.
  3. Mas a política impulsionada pela Administração Obama tem buscado manter uma certa estabilidade na América Latina, assim como em escala mundial, em vista às eleições presidenciais que acontecerão nos Estados Unidos neste ano. O fortalecimento de Donald Trump, que corre por fora do aparato do Partido Republicano, e da única alternativa republicana que sobrou, o ultra conservador do Tea Party, Ted Cruz, está agrupando a “direita tradicional” em torno à candidatura “moderada” de Hillary Clinton. Clinton aparece mais à direita que Obama. Mas com o objetivo de viabiliza-la, a Administração Obama tem promovido a redução dos conflitos no Oriente Médio, na Ucrânia, no Mar do Sul da China e na própria América Latina.
  4. O modelo que a ala hegemônica do imperialismo norte-americano atual busca impor na América Latina é o governo de Maurício Macri, na Argentina, que tem conseguido agrupar, por trás dele, setores do peronismo e do kirchnerismo que lhe tem proporcionado uma certa “governabilidade”. Essa política deverá persistir pelo menos até as eleições nos Estados Unidos, a menos que aconteça algum “imprevisto desestabilizador”.
  5. A “frente popular”, encabeçada pelo governo do PT, organiza atrás de si o grosso da burocracia sindical, a maior parte dos movimentos sociais e estudantis, e a vários partidos políticos da esquerda burguesa e pequeno burguesa.
  6. A “frente popular” vem assumindo uma política de conciliações com a direita cada vez mais profundas afim de garantir a estabilidade do governo e a chamada “governabilidade”. A “direita tradicional” também tem interesse na “saída negociada com a “frente popular” encabeçada pelo PT, na atual situação política, pois se trata de uma direita que representa os interesses do imperialismo. As manifestações impulsionadas pela direita, e que têm mobilizado amplos setores da extrema direita, convertem-se em instrumentos de pressão para que o governo petista “guine à direita” e aplique o ajuste contra os trabalhadores.
  7. O eixo fundamental dessa “saída negociada” se encontra na tentativa de aprofundar a aplicação dos “planos de ajuste fiscal”. Trata-se das principais exigências do imperialismo para conter a crise, estabilizar o regime político e garantir os lucros dos monopólios. A aplicação integral dos planos de ajuste só se concretizará com a vitória do golpe e a aplicação de medidas de força contra os direitos sociais e dos trabalhadores. O ajuste, neste momento, tem quatro pontos fundamentais: a Reforma da Previdência (com brutais ataques contra os aposentados), a Reforma Trabalhista (com o objetivo principal de acabar com a CLT), a maior entrega dos recursos naturais (como a Petrobras) e o “corte dos gastos públicos”, ou seja, o amplo corte dos programas sociais e investimentos em infraestrutura para priorizar, ainda mais, o repasse ultra parasitário de recursos públicos para os grandes bancos e especuladores. Com isso os enormes volumes de recursos repassados por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento para as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que marcaram os governos do PT, devem ser redirecionados para os grandes bancos e a especulação financeira, bem como para o pagamento dos serviços, os juros e as amortizações da dívida pública. Estes se converteram num câncer que, de acordo com a última LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) consome mais de 44% do Orçamento Público Federal.
  8. O governo do PT, assim como fazem os demais governos de cunho nacionalista e de frente popular, aplica os ajustes em determinado grau e de maneira errática. Esses governos não conseguem colocar em pé uma política alternativa ao neoliberalismo e mantêm profundos acordos com a direita e o imperialismo. A reforma da Previdência ficou muito além do que o imperialismo exigia. A reforma Trabalhista não consegue sair do chão por causa da falta de apoio dos sindicatos, que são um dos componentes fundamentais da base do PT. A reforma agrária ficou paralisada, mas o descontentamento no MST é crescente. A entrega do Pré-Sal acabou acontecendo em cima de um acordo entre Dilma e o vampiro José Serra, mas às duras penas e só no Senado. Para evitar a implosão da base de apoio, o governo do PT ensaia uma “saída desenvolvimentista” à crise, com investimentos produtivos e cortes das taxas de juros; essa política vai contra a política do imperialismo.
  9. Embora as políticas de Dilma tenham afetado muito os trabalhadores e sejam uma prova viva das medidas antioperárias e “anti-povo” desse governo ainda são consideradas insuficientes e incapazes de manter os lucros dos monopólios em crise. O próprio PT encontra dificuldades em aplicar integralmente as medidas desejadas pelo imperialismo devido a base eleitoral desse partido, em sua grande maioria trabalhadores, e que conta com o apoio das organizações do movimento de massas, como a CUT, o MST e a UNE todas elas controladas por uma direção extremamente burocrática e que freia a ascensão das massas.

 

A “frente popular” à procura desesperada da “saída negociada”

 

  1. Para tentar acalmar o imperialismo e lhe dar amostras de que o governo petista pode cumprir com suas exigências, Dilma entregou de bandeja vários ministérios e diretorias das empresas públicas para reconhecidos direitistas. Por outro lado, Dilma busca também manter suas alianças com a burguesia nacional, inclusive com seus setores mais reacionários, e por isso entrega o Ministério da Agricultura à maior representante do latifúndio brasileiro, Kátia Abreu, que foi quem garantiu que a reforma agrária fosse paralisada por completo e os recursos públicos fossem destinados ao famigerado agronegócio. O governo petista transformou o governo em uma colcha de retalhos onde existem cada vez mais pedaços direitistas; um verniz pseudo democrático, cada vez mais tênue, para uma ditadura feroz contra a maioria da população.
  2. O imperialismo busca esgotar a “frente popular” fazendo-os aplicar o máximo possível das medidas contra a população. No entanto, se tais medidas forem adotadas pelo governo Dilma a base do PT iria se desintegrar por completo possibilitando que a direita derrotasse com maior facilidade o PT e os sindicatos, uma vez que é esse partido que controla a CUT, os principais sindicatos nacionais e os movimentos sociais. Por isso as capitulações da Frente Popular ante a demanda dos monopólios e do imperialismo devem ser entendidas como uma das engrenagens fundamentais para a vitória do golpe de Estado e a tomada do poder pela direita e devem ser radicalmente denunciadas.
  3. Conforme o PT tem vacilado na aplicação dos planos de “ajustes”, o imperialismo tem passado a pressionar cada vez mais. O Judiciário e a Polícia Federal se encontram na linha de frente das movimentações impulsionadas pela direita e, particularmente, pela extrema direita. Após terem sido mandados para a cadeia vários dirigentes da cúpula do PT no fraudulento e truculento caso do Mensalão, recentemente, houve a tentativa de levar o ex-presidente Lula, a maior figura política do país e dirigente do PT, por meio da, também fraudulenta, “condução coercitiva” para depor à Polícia Federal. Essa movimentação da direita contra o governo de Frente Popular gerou uma grande comoção nas bases do PT que de maneira praticamente espontânea saíram às ruas em defesa de Lula.
  4. Nas principais cidades do país, as bases do PT chegaram a organizar focos de resistência. No Aeroporto de Congonhas, onde se encontrava Lula, o clima era de muita tensão, com boa parte da militância mostrando alta disposição para confrontar a direita. No entanto, a direção petista logo se encarregou de manobrar a combatividade da militância e para impedir a organização dos manifestantes nas ruas concentrou-os nas sedes dos sindicatos. O primeiro balde de água fria foi dado pelo próprio Lula na reunião, realizada logo a seguir na Sede Nacional do PT, em São Paulo. Depois de esfriados os ânimos, a direção petista concentrou toda a militância na Quadra dos Sindicatos dos Bancários, em São Paulo, e Lula voltou a aplicar a velha e conhecida política burocrática, da qual virou um verdadeiro mestre na década de 1980, quando conseguiu quebrar as greves dos metalúrgicos do ABC, com longuíssimos e pastosos discursos que falavam apenas os feitos de Lula quando presidente da República, os seus ótimos relacionamentos com os setores mais reacionários da burguesia mundial, como o fascistoide George W. Bush Jr., e como durante seu governo os bancos e monopólios ganharam fortunas com ele. A mensagem era que a ofensiva do imperialismo e a derrubada do governo Dilma eram injustificadas. Daí em diante, a política assumida por Lula, Dilma e toda a direção petista era a de minar a luta aberta contra o golpe e o avanço da direita e abrir caminho a campanha eleitoral para as eleições municipais do final de 2016 e preparar a campanha presidencial de Lula para 2018. O típico cretinismo parlamentar, o amor incondicional pela democracia burguesa, típico das frentes populares.
  5. O governo do PT tem ficado, cada vez mais, encurralado pelo aprofundamento da crise e pressionado pela direita. A presidente Dilma convocou o ex-presidente Lula para compor seu governo e assumir a cadeira como Ministro-chefe da Casa Civil. Como já havia sido delineado pelo próprio Lula, a ideia não era integrá-lo ao governo para que ele desse outro rumo aos seus planos econômicos e sociais para promover uma mudança estrutural, mas para que uma vez dentro do Planalto pudesse trabalhar para tecer ainda mais acordos com a Oposição de direita na esperança de frear o processo de impeachment. Dentre os resultados da várias manobras, Renan Calheiros, do PMBD, após reuniões com as cúpulas do PT e do Psdb, encaminhou a avaliação do Parlamentarismo, em substituição ao regime presidencialista atual, para o Senado. Essa seria uma saída “excelente” para a direita e o imperialismo, e para o próprio PT. A direita batendo forte nos trabalhadores, enquanto a cúpula do PT segura os mesmos trabalhadores e garante os privilégios.
  6. A ideia do governo do PT de que com Lula á frente o Brasil poderá “retomar o crescimento” não passa de pura demagogia e oculta a gravíssima crise econômica que vem tomando o Brasil conforme o capitalismo agoniza em escala mundial. A saída negociada de Lula e dos burocratas do PT só tem como objetivo usar os trabalhadores e a população explorada como massa de manobra eleitoral e atuar como instrumento de contenção para a luta contra o golpe de Estado, que sim está em andamento, mas que não pode ser combatido por meio das próprias engrenagens golpistas.

 

O esgotamento da base material da “frente popular”

 

  1. O pilar de sustentação da Frente Popular é justamente o controle da burocracia sindical petista sobre a CUT e os movimentos sociais, em primeiro lugar, o MST. A CUT representa a maior organização operária do Brasil e da América Latina, que reúne os setores mais avançados da classe operária brasileira e os mais poderosos, capazes de derrubar governos por inteiro. Sem o acordo da CUT nenhum governo burguês mantém a “governabilidade” no Brasil.
  2. Com a forte queda dos preços das matérias primas nos últimos dois anos, o chamado “modelo de crescimento Lula” se encontra prestes a afundar. As políticas de controle social implantadas durantes os governos Lula tiveram como base o direcionamento do país para a produção e exportação especulativa de meia dúzia de matérias primas. Essa política, que, na prática, foi uma imposição do imperialismo, acelerou a virada do Brasil em direção ao passado, à época da Colônia.
  3. Com a queda na arrecadação e o aperto dos monopólios por uma espoliação maior dos recursos brasileiros, os recursos destinados a manter a “governabilidade petista” mermaram. As empreiteiras, as indústrias e os tubarões do setor da educação viram as verbas públicas mermarem. Os milhares de burocratas sindicais, universitários, dos movimentos sociais e dos partidos políticos da esquerda, que hoje mamam na teta do estado, se encontram ameaçados de perderem sua bonança. A política do “corte nos gastos públicos”, impulsionada pela direita, às ordens do imperialismo, tem como objetivo direcionar ainda mais recursos para os especuladores financeiros.
  4. A “frente popular” brasileira, assim como está acontecendo nos demais países latino-americanos, está se enfraquecendo. O temor à organização independente dos trabalhadores a tem empurrado no sentido de acelerar os acordos com a direita.

 

O apoio à “frente popular” representa a capitulação ao regime burguês e a traição à classe operaria

 

  1. Além de a “frente popular” organizar atrás de si a maior parte das organizações de massas dos trabalhadores, da juventude, dos negros, das mulheres e da população explorada do país, há ainda os grupos e partidos de esquerda que não contam com nenhuma base de massas, mas se mantêm a reboque da política da Frente Popular, em primeiro lugar o PCdoB.
  2. Esses partidos dão um cheque em branco ao governo de Dilma Rousseff. Alguns desses partidos “teorizam” que as capitulações do PT e o próprio plano de ajuste não seria, supostamente, uma engrenagem golpista, mas que, pelo contrário, a luta contra os ataques que a frente popular leva a cabo contra os trabalhadores deve ser deixada de lado e submetida a uma luta maior, que seria a tomada de poder; em abstrato e sem qualquer caraterização de classes. Qualquer semelhança com a política estalinista ultra oportunista do VII Congresso da III Internacional Comunista, estalinista, de 1935, não é mera coincidência. Nesse Congresso, foi imposto a todos os Partidos Comunistas, a partir do relatório elaborado por Gueorgui Dimitrov (intitulado: “A Ofensiva do fascismo e as tarefas da Internacional Comunista na luta pela unidade da classe operária contra o fascismo”), como tarefa fundamental alargar ao máximo a luta contra o fascismo e a guerra ante a ascensão de Hitler ao poder, em janeiro de 1933. Todas as bandeiras da luta histórica da classe operária deviam ser deixadas de lado para lutar contra o fascismo. Desta maneira, a política do chamado Terceiro Período, que considerada que a socialdemocracia também era fascista, foi abandonada. O modelo era a Frente Popular francesa. Essa política permeou todo o período seguinte e está na base dos vários acordos contrarrevolucionários que os burocratas da antiga União Soviética realizaram com o imperialismo (antes, durante e após a Segunda Guerra Mundial) e que teve como corolário a política da Coexistência Pacífica de Nikita Kruschev, do XX e do XXII Congresso do PCUS (Partido Comunista da União Soviética).
  3. Toda organização política, seja ela de esquerda ou de direita, ligada aos trabalhadores ou ao imperialismo, revolucionária ou contrarrevolucionária, coloca no eixo da sua política, em alguma medida, a luta pelo poder. A submissão à política de conciliação de classes da Frente Popular representa abdicar da luta pelo poder pela classe operária. A aplicação do plano de “ajustes fiscais” pelo governo Dilma, e, pior ainda, numa “saída negociada” com a direita, representa uma engrenagem golpista e o abandono até das bandeiras democráticas mais básicas que o Brasil, um país dominado pelo imperialismo, precisa manter em alto para garantir a soberania nacional. E hoje mais do que nunca. Na prática, hoje colocar-se a reboque da frente popular implica não em combater o golpismo impulsionado pelo imperialismo, mas em favorecer o golpismo. Nada muito diferente da política das frentes populares em, praticamente, todos os golpes de estado.

 

A “frente popular” como o instrumento de contenção das massas e das lutas populares após a ditadura militar

 

  1. No Brasil, o movimento de massas que passou por forte ascensão no início da década de 1960, tinha sido contido por meio da ditadura militar. Durante esse período, as massas foram mantidas pacificadas por meio do chamado “Milagre Econômico Brasileiro” (governo do General Médici), quando houve abundância de emprego, apesar dos baixos salários, apesar dos direitos trabalhistas terem sido atacados pela ditadura militar.
  2. Com a crise mundial do petróleo de 1974, que esteve na base da nova escalada da inflação e do desemprego e do colapso das ditaduras militares, a situação política evoluiu rapidamente. Nesse mesmo ano, o partido da ditadura, o Arena (Aliança Renovadora Nacional), sofreu expressivas derrotas eleitorais para o partido consentido pela ditadura, o MDB. Em 1977, apesar das leis repressivas, o movimento estudantil voltou a entrar em cena e foi o pioneiro na luta direta contra a ditadura. Um ano mais tarde, em 1978, o setor de ponta da classe operária, os metalúrgicos, entrou em movimento com a greve deflagrada pelos operários da ferramentaria da Scania, em São Bernardo do Campo. Em 1979, aconteceram grandes greves em todo o chamado ABC paulista que, em 1980, se estenderam para a cidade de São Paulo.
  3. A crise e, nesse primeiro momento, o movimento de massas foram contidos por meio das políticas recessivas implementadas pelo então Ministro da Fazenda Delfim Neto, entre 1980 e 1983. Mas a contenção foi apenas temporária.
  4. A política recessiva da ditadura foi jogada à lona com a vitória eleitoral do PMDB na região sudeste do país, em 1982, e as fortes mobilizações do movimento popular e de desempregados que culminaram com a ocupação do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, durante o governo de Franco Montoro, em 1983.
  5. Nesse mesmo ano, aconteceu uma nova ascensão do movimento grevista, bem como fortes mobilizações no campo. No dia 21 de julho de 1983, a Comissão Pró-CUT convocou uma greve geral que contou com a adesão de mais de três milhões de trabalhadores. No final do mês de agosto do mesmo ano, foi fundada a CUT (Central Única dos Trabalhadores), após setores classistas da CUT Pela Base terem tomado o controle de mais de 1.500 sindicatos ligados aos pelegos da ditadura militar. Naquele momento, a CUT apareceu como alternativa de massas ao PT que tinha sido rapidamente controlado pela burocracia sindical lulista e intelectuais pequeno-burgueses.
  6. Em 1984, aconteceu a campanha das Diretas Já! que foi contida pela primeira formulação da “frente popular”, que representava um bloco entre as organizações de trabalhadores e representantes da burguesia, formada pelo PT, PDT e PCdoB e dirigida pelo PMDB.
  7. No ano de 1985, acontece o pico da luta operária e camponesa no Brasil. Foram mais de 15 mil greves, sendo a esmagadora maioria radicalizadas. No campo, a luta pela terra entrou em forte ascensão e nesse ano foi fundado o MST (Movimento Sem Terra), com centenas de milhares de trabalhadores rurais.
  8. A burguesia tentou conter o movimento operário e camponês por meio dos chamados planos Cruzado. Esta foi a base do fortalecimento da burocracia sindical liderada por Lula, agrupada na Articulação, a corrente majoritária e que desde então dirige o PT, facilitada pela burocratização da própria CUT Pela Base. Os enfrentamentos entre a Articulação e a CUT PELA BASE se  encerraram com a formação da Frente Popular. A DS, majoritária, e os outros setores centristas  revisionistas logo capitularam para a Articulação e foram à direita rapidamente. Desde então compuseram todos os governos de Frente Popular. Pepe Vargas foi ministro até muito recentemente e Miguel Rosseto continua sendo ministro da Dilma.A partir de 1988, a burocracia sindical, com o apoio da esquerda pequeno-burguesa, na época agrupada, principalmente no PCdoB e no PCB, conseguiu paralisar a CUT e sufocar as greves operárias. A Convergência Socialista (principal grupo que formou o PSTU), fundamentalmente, a partir da adoção das “Teses de 90” passa, com “mala e cuia”, a apoiar a burocracia do PT.
  9. Em 1989, a candidatura presidencial de Lula passou a agregar alguns setores minoritários da burguesia, principalmente o setor mais reacionário da burguesia nacional, o latifúndio. O escolhido para compor a chapa junto a Lula foi o latifundiário José Paulo Bisol que era conhecido na época por estar alinhado com Mário Covas, um dos fundadores do PSDB. A pedido de Lula, Bisol não se filiou nesse partido e sim ao PSB (Partido Socialista Brasileiro), visando a candidatura a vice-presidente.
  10. Lula e a cúpula petista, juntamente com os aliados burgueses, buscaram canalizar todas as expectativas das organizações operárias para o terreno eleitoral, o que continua sendo uma constante até hoje. A política lulista, assumida nessas eleições, era a de que as greves atrapalhavam a candidatura de Lula, o que serviu de base para terminar de estrangular o movimento grevista de conjunto.
  11. A derrota de Lula nas eleições de 1989 aconteceu por meio da fraude, encabeçada pela direita pró-imperialista que contou com a ajuda da esquerda burguesa. Uma eventual vitória do PT poderia ter aberto uma crise revolucionária naquele momento, devido às bandeiras levantadas pelos operários.
  12. Após a vitória, o então presidente Fernando Collor de Melo começou a impor as primeiras políticas “neoliberais” no Brasil, que viriam a ser consolidadas, um tanto quanto de forma tardia, em relação aos demais países latino-americanos, pelos governos de FHC. A aplicação dessas políticas contou com uma frente única da burguesia, apoiada de maneira semivelada pela frente popular e pela esquerda pequeno burguesa.

 

A bancarrota das políticas “neoliberais” e a ascensão do PT ao poder

 

  1. O “neoliberalismo” trouxe à América Latina privatizações em larga escala e a subsequente demissão em massa de milhões de trabalhadores. O atrelamento das economias latino-americanas ao dólar, o fechamento em massa de empresas industriais, a destruição de conquistas históricas dos operários e os reflexos das crises financeiras dos países imperialistas foram responsáveis pela sensível deterioração das condições de vida das massas.
  2. Com isso, o movimento operário entrou em refluxo. As últimas greves metalúrgicas importantes aconteceram em 1991, na cidade de São Paulo. A última grande greve de uma categoria nacional de ponta, os petroleiros, aconteceu em 1995, e foi quebrada pela burocracia lulista.
  3. O período de refluxo consolidou o poder da burocracia petista nos sindicatos e nas principais organizações de massas, a CUT, a UNE e o MST.
  4. Durante esse período, o papel do PT até o final do governo FHC, em 2002, foi fundamental para a tentativa da burguesia de estabilizar o regime político abalado pela crise da ditadura militar, pela ascensão operária do final dos anos de 1970 e início dos anos de 1980, e pela crise econômica. Com o movimento operário acuado, as burocracias sindicais se consolidaram e a CUT passou a ser controlada pela ala direita da Articulação, liderada por Vicentinho, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.
  5. Os dois mandatos de FHC entregaram o Brasil aos monopólios estrangeiros, seguindo a receita do chamado Consenso de Washington (1989), o que levou a um enorme desgaste da direita no Brasil. Após a crise de 1997 na Argentina, que também tinha sido devastada pelos governos neoliberais de Menem (1989-1999), a crise se aprofundou no Brasil.
  6. A partir de 2002, as políticas neoliberais implantadas por FHC tinham se esgotado. O movimento operário ensaiou um despertar, mas foi rapidamente contido pela eleição de Lula à presidência da República, que aconteceu em comum acordo com a direita e o imperialismo.
  7. A Frente única formada entre a esquerda burguesa, PT e PCdoB, e a esquerda pequeno-burguesa (PSTU e PCB), que formava a base de apoio das políticas neoliberais, acabou rachando.
  8. O governo Lula, de cunho nacionalista moderado, no entanto, não chegou ao poder sobre a base da mobilização dos setores operários fundamentais, mas das camadas mais desorganizadas da classe operária. Isso explica o caráter profundamente conciliador com o imperialismo, na mesma medida em que a bancarrota da política neoliberal “forçou” o imperialismo a permitir que a burguesia nacional pudesse, em certa medida, governar, uma vez que não possuía melhores condições de por em prática seus planos à revelia do nacionalismo-burguês. A ascensão das massas levou a governos nacionalistas muito mais radicais na Venezuela, na Bolívia e no Equador, apesar que, em termos ideológicos e até políticos, a diferença com o lulismo é só de grau.
  9. A partir de 2003 o governo frentepopulista de Lula passou a investir em um punhado de programas sociais criados para a população de baixa ou baixíssima renda. Esse foi o colchão social colocada em pé, e sustentado pela “bonança das matérias primas”, para garantir sua popularidade e os altos índices de aprovação. Além dos programas de caráter assistencialista, aumentou o crédito para a população com o objetivo de promover o consumo de bens e serviços, e manter a economia em movimento, seja em produtos tradicionais (alimentos, material de construção etc), ou seja em novos (celulares, DVDs, passagens aéreas etc). O objetivo fundamental era manter os acordos com o imperialismo e os lucros dos grandes banqueiros que, como o próprio Lula o tem dito, nunca ganharam tanto como nos governos dele.
  10. Um dos principais programas assistencialistas de Lula foi o Bolsa-Familia, criado no governo de FHC. Ele foi convertido em uma espécie de renda mínima para todas as famílias brasileiras que comprovassem extrema necessidade. Nessa mesma linha, durante os governos Lula houve um aumento real de 24,25% nos salários mínimos, isso durante seu primeiro mandato, o que possibilitou a dinamização das economias locais menos desenvolvidas no país.
  11. Além disso, para atender aos interesses do capital financeiro o governo Lula passou a expandir o financiamento popular através do crédito consignado, que inclui o aumento do empréstimo à agricultura familiar, como meio de escamotear a reforma agrária, do microcrédito e do processo de “bancarização” de pessoas de baixa renda, o que permitiu aos bancos descontar empréstimos em parcelas mensais retiradas diretamente da folha de pagamento do assalariado ou do aposentado.
  12. Esse tripé, formado pelo Bolsa-familia, pelo aumento do salário mínimo e pela expansão do crédito popular e os referidos programas sociais, serviu especificamente como um amortecedor para a classe operária, onde o governo repassava rios de dinheiro público, em forma de isenções fiscais para que as empresas pudessem produzir, continuava pagando a dívida pública enquanto dava migalhas para a população mais pobre.
  13. Por último, os governos do PT têm sido responsáveis pela cooptação da principais lideranças dos movimentos sindical, social, camponês estudantil e dos principais partidos políticos da esquerda.
  14. O aprofundamento da crise capitalista e o aumento da pressão do imperialismo estão implodindo os pilares de contenção social da “frente popular” brasileira. Ela poderá ganhar fôlego numa eventual aliança, uma saída negociada, com a direita. Mas a crise não deverá reduzir-se, mas deverá aumentar. O mundo caminha para um novo colapso de proporções colossais. A “frente popular” tende a implodir. Os partidos e organizações que compõem a frente popular tendem a rachar, da mesma maneira como acontece com o restante da esquerda pequeno burguesa que se agrupa em cima da chamada “frente de esquerda”. Está colocado, para o próximo período, o surgimento de uma nova esquerda revolucionária em cima da inevitável entrada em movimento da classe operária.

 

O QUE FAZER? (perante o aprofundamento da crise)

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TESE: A política revolucionária, neste momento, passa pelo agrupamento dos revolucionários proletários em cima das bandeiras históricas da classe operária (tais como a luta por um governo operário, pelo controle operário das fábricas e outras). O dever dos revolucionários proletários, neste momento, passa pela formação de um jornal revolucionário, para todo o Brasil, que se transforme no coração de um grupo revolucionário de agitação e propaganda que terá como tarefa ligar os revolucionários ao movimento operário que, de maneira inevitável, deverá entrar em ascensão no próximo período.

 

ANÁLISE:

 

Neoliberalismo, refluxo, burocratização da esquerda e nova esquerda revolucionária

 

  1. Na década de 1960, os chamados “Anos Dourados” do capitalismo mundial chegavam ao fim nos países desenvolvidos. A crise capitalista de 1967 acelerou a inflação e o desemprego. Esta foi a base material dos movimentos estudantis de 1968, que se aceleraram a partir do repúdio à agressão imperialista contra o Vietnam.
  2. Em 1971, a Administração de Richard Nixon, nos Estados Unidos, aplicou o calote da desvinculação do dólar do padrão ouro devido à impossibilidade de enfrentar os crescentes gastos da Guerra do Vietnam. Era o fim da “ordem” estabelecida pelos acordos de Bretton Woods, de 1944, pela qual os Estados Unidos tinham se comprometido a manter a conversibilidade do dólar ao ouro enquanto os demais países passaram a usar o dólar como o principal lastro para as moedas locais.
  3. O “keynesianismo” foi a política aplicada pelos governos das potências centrais com o objetivo de conter a crise capitalista aberta em 1929, em cima do aumento dos gastos públicos direcionados, principalmente, para obras de infraestrutura e gastos militares. Mas, na realidade, a contenção da crise de 1929 somente foi possível em cima da brutal destruição das forças produtivas que aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial. O esforço de reconstrução da Europa em escombros, por meio do Plano Marshall, a partir de 1948, gerou um período de relativa prosperidade nos países desenvolvidos que durou por, aproximadamente, 20 anos e que teve como lápide a crise mundial do petróleo de 1974, em grande medida, impulsionada pelos gigantescos gastos absorvidos pela Guerra do Vietnam.
  4. Em 1974, explodiu a chamada crise mundial do petróleo que esteve na base do colapso das políticas “keynesianas” (altos investimentos públicos em obras de infraestrutura e armamento). A inflação e o desemprego escalaram. As ditaduras militares, que foram impostas pelo imperialismo norte-americano nos países atrasados após o final da Segunda Guerra Mundial, colapsaram. Os mecanismos de contenção do desenvolvimento das tendências revolucionárias apresentaram fraturas por causa da crise capitalista.
  5. Um novo ciclo de revoluções se abriu em cima do aprofundamento da crise capitalista. A Revolução de Portugal, de 1974, foi o tiro de largada. A Revolução no Irã, em 1979, foi o ponto culminante. O Irã tinha sido desde o sangrento golpe de 1954, promovido pela CIA contra o governo nacionalista de Mossadegh, o país mais forte do Oriente Médio e o principal instrumento do imperialismo norte-americano para controlar a região. A crise revolucionária que se abriu na Polônia, em 1980, com grandes mobilizações operárias, colocou abaixo os regimes estalinistas na Europa Oriental e na própria União Soviética.
  6. No início da década de 1980, a inflação oficial superou os 20% anuais nos Estados Unidos. A desestabilização social levou o movimento operário a experimentar uma forte ascensão em escala mundial.
  7. A contenção do movimento operário aconteceu após a derrota da greve dos mineiros do carvão na Inglaterra (1984), que durou um ano, e da greve dos controladores aéreos nos Estados Unidos (1985), que resultou na demissão de 13 mil trabalhadores, e com a entrada dos trabalhadores chineses no mercado mundial ganhando salários miseráveis. Assim começava a aplicação das chamadas políticas “neoliberais”, em escala mundial, como uma espécie de “keynesianismo às avessas”, liquidação do chamado “estado de bem estar social, entrega das empresas públicas para os grandes capitalistas e contenção do movimento operário por meio da entrada no mercado mundial de centenas de milhões de operários, principalmente chineses, que ganhavam salários miseráveis.
  8. O movimento grevista foi duramente atacado, com demissões das lideranças, além de demissões em massa. Importantes setores industriais foram migrados dos países desenvolvidos para os países atrasados, principalmente para o México, a China e outros países da Ásia. Um novo enorme número de trabalhadores, com salários miseráveis, foi incorporado ao mercado mundial, no final da década de 1980 e no início da década de 1990, a partir do colapso da antiga União Soviética.
  9. O chamado “neoliberalismo” se transformou na política do conjunto da burguesia mundial para conter a crise. A esquerda burguesa e pequeno burguesa em geral, assim como a burocracia sindical, se transformaram em base de apoio e instrumentos dessa política no Brasil e no mundo.
  10. Nos anos de 1990, o movimento grevista entrou em refluxo. As políticas aplicadas durante o governo de Fernando Collor levaram ao fechamento de várias indústrias e às demissões em massa.
  11. O colapso capitalista de 2008 implodiu as políticas neoliberais. A incapacidade para a burguesia colocar em pé uma nova política, alternativa ao neoliberalismo, tem acelerado o enfraquecimento do sistema capitalista mundial. Sobre esta base, é inevitável que o movimento de massas entre em ascensão novamente no próximo período. E sobre esta base, as estruturas burocráticas de contenção da classe operária deverão ser ultrapassadas, o que deverá impulsionar o fortalecimento dos setores classistas, pilar da restruturação de uma nova esquerda revolucionária. A esquerda oportunista atual, burguesa e pequeno burguesa, hiper burocratizada no período neoliberal, está condenada a ser enterrada no lixo da história.

 

O refluxo do movimento operário e o crescente esgotamento da burocratização das organizações de massas e da esquerda (no Brasil)

 

  1. A última grande greve de uma categoria nacional de ponta, aconteceu em 1995, nos petroleiros, e foi quebrada pelo próprio Lula. O movimento metalúrgico acabou sendo paralisado pela burocracia com os planos Cruzado. As últimas greves metalúrgicas importantes aconteceram em 1991, na cidade de São Paulo, na Metal Leve (zona sul de São Paulo) e na Voight (zona oeste de São Paulo).
  2. O refluxo do movimento grevista consolidou o poder da burocracia que, por sua vez, consolidou o refluxo do movimento operário, passando a controlar as principais organizações de massas, a CUT, a UNE e o MST. Se consolidou a frente única entre o PT-PCdoB e as organizações da esquerda pequeno-burguesas. O PSTU, por exemplo, que hoje posa de “anti-governista”, participou da diretoria da CUT na mesma chapa do ultra pelego Vicentinho, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, durante mais de uma década. As direções traidoras do movimento de massas têm funcionado como freio para conter a unificação das reivindicações e das lutas.
  3. Os governos de FHC foram apoiados pela CUT que tinha sido controlada pela ala direita da Articulação, liderada por Vicentinho. A esquerda aderiu a essa política, apoiando-a, ou ficou acuada. O movimento operário ficou acuado por causa da burocratização das suas organizações e as ameaças de demissões em massa, as privatizações, as terceirizações, os ataques aos direitos trabalhistas, a desaceleração industrial, o fechamento de empresas. O endividamento público escalou, a partir de 1992, quando os futuros três figurões da área econômica do governo FHC (Armínio Fraga, futuro presidente do Banco Central, Pedro Malan, futuro ministro de Fazenda e Murilo Portugal, futuro presidente do Tesouro), num final de semana, em Luxemburgo, que é um paraíso fiscal, conseguiram a “mágica” de quase dobrar a dívida pública brasileira. Era a nova política imposta pelo imperialismo norte-americano, liderada pelo então secretário do Tesouro, Brady. Com os novos títulos ultra podres, que passaram de US$ 60 bilhões para US$ 110 bilhões, foram “compradas” as empresas públicas “privatizadas” por preços obscenos que, na maior parte dos casos, não ultrapassaram um décimo do valor.
  4. Os dois governos de FHC entregaram o Brasil aos monopólios, seguindo a receita do chamado Consenso de Washington (1989), o que acabou provocando um enorme desgaste da direita. Após a crise de 1997, na Argentina, que também tinha sido devastada, por meio de processos similares, pelos governos neoliberais de Menem (1989-1999), a crise se espalhou ao Brasil. No início da década passada, aumentou sensivelmente o descontentamento social.
  5. A partir de 2002, as políticas neoliberais implantadas por FHC tinham se esgotado. O movimento grevista começou a despertar, mas foi rapidamente contido com a eleição de Lula à presidência da República, que aconteceu de comum acordo com a direita e o imperialismo. A frente única entre a esquerda frentepopulista, formada pelo PT e pelo PCdoB, e a esquerda pequeno-burguesa, que formava a base de apoio das políticas neoliberais, acabou rachando. A esquerda de conjunto e o movimento operário continuaram paralisados.
  6. A crise do regime político se abriu novamente, com o “escândalo do Mensalão”, em 2004-2005. A direita tentava voltar ao governo desgastando o governo do PT. Essas manobras fracassaram não somente em 2006, mas também em 2010 (primeira eleição de Dilma Rousseff), 2012 (eleição de Fernando Haddad para a Prefeitura da cidade de São Paulo) e em 2014 (reeleição de Dilma).
  7. A partir de 2005, a “frente popular”, encabeçada pelo PT, começou a apresentar sinais de esgotamento devido aos ataques da direita por meio da campanha anti-corrupção (“Mensalão”). Em 2006, foi fundado o Psol, como um racha do PT. O PSTU, que tinha impulsionado o projeto, foi deixado de fora pelos parlamentares do novo Psol.
  8. A partir de 2012, ficaram claras as dificuldades para a direita voltar ao governo por meio das eleições. Por esse motivo, aumentaram as tendências golpistas, principalmente, a partir de junho de 2013, quando a burguesia colocou nas ruas a extrema direita para conter os movimentos do Passe Livre.
  9. As movimentações golpistas têm enfrentado dificuldades relacionadas com as movimentações nas ruas, contra o golpe, e a pressão da situação política internacional, em particular, as eleições presidenciais nos Estados Unidos, que acontecerão neste ano. A Administração Obama tem buscado reduzir as tensões na Ucrânia, no Oriente Médio, no Mar do Sul da China e na América Latina, com o objetivo de apresentar a candidata da “direita tradicional”, Hillary Clinton como a alternativa viável para manter os lucros dos monopólios e a estabilidade social.
  10. A política do imperialismo norte-americano para a América Latina hoje passa pela imposição de governos a la Macri, que avancem na aplicação de ajuste contra os trabalhadores, mas em cima de uma frente única, de maneira negociada em grande medida.
  11. A política da cúpula do PT, neste momento, busca uma “saída negociada” com a direita, o que também é do interesse da própria direita, que teria muitas dificuldades para avançar na aplicação do ajuste contra os trabalhadores sem contar com o apoio do PT ou, alternativamente, sem avançar na direção de um governo muito mais duro.
  12. A burocracia sindical, do movimento camponês, dos movimentos sociais, do movimento estudantil e das organizações de esquerda, amplamente integradas ao regime burguês, enfrentam forte crise como reflexo da crise do sistema capitalista. Essas organizações funcionam, na esmagadora maioria, como organizações cartoriais, com escassas ligações com as massas e, no fundamental, com clara atuação contra os trabalhadores. Esses setores burocráticos tendem a ser rapidamente ultrapassados na ascensão do movimento de massas que está colocado para o próximo período.

 

As tarefas colocadas para os revolucionários proletários

 

  1. A esquerda burguesa e pequeno burguesa, brasileira e mundial, integrada ao regime burguês, enfrenta gigantesca burocratização. Os partidos operários e revolucionários acabaram se desestruturando nas últimas décadas, principalmente por causa dos ataques promovidos contra a classe operária pelo “neoliberalismo”; hoje as ligações com a classe operária são muito escassas, quando há alguma.
  2. A maior parte da esquerda atual se encontra isolada ou integrada ao regime político burguês, tanto por meio das frentes populares, como é o caso do governo do PT no Brasil, ou outras políticas oportunistas, como a da frente de esquerda eleitoral que busca eleger deputados a qualquer custo.
  3. A luta contra o sistema capitalista passa, em primeiro lugar, pela clara identificação dos agentes, das classes, sociais, que disputam o poder político e, fundamentalmente, da classe social que tem como tarefa histórica promover a mudança do capitalismo, paraíso das poucas famílias que dominam o mundo, pela sociedade socialista.
  4. A classe social que tem como tarefa histórica a derrubada do capitalismo é a classe operária. Ela se encontra ainda paralisada. Mas ela deverá acordar no novo período em cima do aprofundamento da crise capitalista que colocará abaixo os colchões de controle social.
  5. No Brasil, está colocada a ascensão das massas que, no final da década de 1970, em cima da crise mundial de 1974, colocou abaixo a ditadura militar; que, em 1983, após a retomada de mais de 1.500 sindicatos pelas oposições classistas, dos pelegos da ditadura militar, fundou a CUT; que em 1985 promoveu mais de 15 mil greves, muitas delas muito radicalizadas. Essa mesma classe operária está começando a acordar do longo sono liberal, e em escala mundial.
  6. O que está colocado é levantar as bandeiras operárias e as bandeiras democráticas que a esquerda oportunista, da “frente popular” encabeçada pelo PT, jogou no lixo. É a luta pelas questões que podem tirar o Brasil, e os demais países, da crise, as medidas que passam pela luta contra o grande capital (o chamado 1% que governa o mundo) e a sobrevivência dos trabalhadores, que, cada vez mais, ficarão encurralados pelos capitalistas.
  7. Sem uma avaliação correta e profunda da realidade e, sobre esta base, o estabelecimento de uma política correta, a luta revolucionária fica inviabilizada ou, pelo menos, errática. Esta luta passa pelo rompimento com a frente popular e a política pequeno burguesa da frente de esquerda eleitoralista (da qual fazem parte o Psol, o PSTU, o PCB e satélites) que, de maneira recorrente e em questões fundamentais, tem se posicionado no mesmo campo da direita.
  8. No presente momento, o objetivo não deveria ser a formação de um partido com apenas um punhado de militantes. O que está colocado é a definição da melhor maneira para intervir na situação política no próximo período, quando o movimento operário deverá entrar em movimento novamente, a burocracia deverá ser ultrapassada e estará colocada a formação de partidos operários, revolucionários e de massas, inclusive em escala mundial.
  9. As organizações da esquerda ligadas ao regime burguês que existem hoje faz tempo que abandonaram os princípios leninistas de organização, a começar pelo jornal. Quem ainda mantém um jornal, o mantém com objetivos de arrecadação, ou como jornais informativos, jornais “amplos” da esquerda etc, que não têm absolutamente nada a ver com a necessidade de estruturar uma organização revolucionária para atuar nos setores de ponta da classe operária. As organizações menores se encontram desligadas da classe operária e, na maior parte das vezes, mergulhadas em tremenda confusão. Há, por exemplo, a confusão entre um jornal operário e um jornal amplo da esquerda; as dificuldades financeiras para sustentar a imprensa; a periodicidade; o conteúdo; a integração à luta revolucionária. Sobre o formato e a facilidade de leitura; sobre a política que deve transmitir etc.
  10. As questões políticas colocadas não negam, e, no sentido contrário, pressupõem, a necessidade de considerar os avanços tecnológicos e as peculiaridades da situação atual. É preciso avaliar em detalhes a melhor maneira de trabalhar com edições em papel e digital. Se as edições digitais podem substituir as edições em papel e em quais circunstâncias. O trabalho nas redes sociais, inclusive com as possibilidades relacionadas com audiovisuais. A periodicidade, o balanço entre as matérias de fundo, as notícias e as denúncias. A distribuição nos setores de ponta da classe operária.
  11. A tarefa colocada é a formação de um grupo de agitação e propaganda que aglutine os revolucionários em torno de um jornal político operário e revolucionário, para todo o Brasil, que seja usado como instrumento de organização real dos próprios revolucionários e da classe operária. O Jornal deverá ser o instrumento fundamental para desenvolver o programa revolucionário que, longe de ser algo estático, deve ser enriquecido com a análise do dia a dia à luz do desenvolvimento da luta de classes.
  12. O foco da atuação do novo agrupamento revolucionário deve ser nos setores de ponta da classe operária. Quando esses setores entram em movimento influenciam profundamente a situação política, como já o vimos acontecer no Brasil nos anos de 1970 e 1980 por exemplo. Esse agrupamento deve ser estruturado, em primeiro lugar, nos moldes estabelecidos por Vladimir I. Lenin no livro O Que Fazer? Lenin orientava a fundar um jornal político para toda a Rússia e que o partido se estruturasse em torno dele.

 

 

Não ao golpismo!

Pelas liberdades democráticas e os direitos dos trabalhadores!

Não ao ajuste!

Pela organização independente dos trabalhadores!

Que a crise seja paga pelos capitalistas!