Fora Temer: Greve Geral e boicote às eleições! — Gazeta Operária

O governo encabeçado por Michel Temer impôs o início do impeachment contra a presidenta Dilma a mando do imperialismo, principalmente o norte-americano. O racha da base eleitoral do governo do PT se intensificou desde 2014 devido ao aprofundamento da crise capitalista em escala mundial que atingiu em cheio o Brasil e a América Latina. O […]

via Fora Temer: Greve Geral e boicote às eleições! — Gazeta Operária

QUEM É O PRINCIPAL INIMIGO?

(governo do PT, direita, luta contra o golpe e frente única)

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TESE: Diante dos enfrentamentos entre os setores da direita e a frente popular, os revolucionários devem se posicionar contra a direita, porém com independência de classe, com o objetivo de superar a política da frente popular

 

ANÁLISE

  1. A crise entre o PT e a direita representa, atualmente, o principal fator da evolução da situação política nacional. Qualquer análise política séria não pode ignorar as contradições e disputas entre esses dois campos, que representam interesses em disputa de alas diferentes da burguesia.
  2. Para combater o PT, a direita vem há anos colocando em marcha suas “engrenagens golpistas”, que consiste basicamente, neste momento, em uma aliança entre os partidos de direita (representantes direto do Capital e do imperialismo), a imprensa capitalista, o Poder Judiciário e setores empresariais ligados ao Instituto Millenium, que, por sua vez, está ligado ao Instituto Heritage, controlado pela extrema direita norte-americana.
    1. O PT ganhou as eleições de 2002 tendo como principal cabo eleitoral o próprio FHC. Lula foi ao Estados Unidos, junto com a cúpula tucana, para jurar ao fascistoide George Bush Jr. que os interesses do imperialismo continuariam sendo respeitados.
    2. O estouro do escândalo do “Mensalão” em 2005 abriu um novo período na situação política. A burguesia, assim como acontece em escala mundial, usa os governos de frente popular para controlar a situação social, mas, assim que essa tarefa foi comprida, ela busca retornar ao governo. A vitória de Lula no segundo governo manteve a crise aberta.
    3. No segundo semestre de 2012, aconteceu a prisão de dirigentes petistas pelo processo do “Mensalão”. Nas eleições municipais, na mesma semana do primeiro e do segundo turno, aconteceu o julgamento do “Mensalão”. Mesmo assim, o PT venceu as eleições na maior cidade da América do Sul, a cidade de São Paulo. Era um claro sinal da bancarrota eleitoral da direita vinculada ao neoliberalismo que enfrentava crescente crise após o colapso capitalista mundial de 2008.
    4. Em junho de 2013, ocorreu a primeira grande ação de rua da direita, que apoiada por grupos fascistas, cumpriu o papel de controlar as manifestações contra o aumento da passagem do transporte público, excluindo os grupos de esquerda do protesto com o uso da força. Em março de 2014, os golpistas saíram, pela primeira vez, às ruas com identidade própria, em uma marcha convocada por grupos de extrema-direita e intitulada “Marcha da Família com Deus e Pela Liberdade- o retorno”. Em meados do mesmo ano, a direita impulsionou a campanha do “Não Vai Ter Copa”. No início de 2015, tiveram início os atos pelo “Fora Dilma”.
  3. A movimentação da direta brasileira, que, historicamente, sempre esteve vinculada ao capital internacional, despertou uma reação dos setores mais conscientes da classe operária e do movimento de massas. No entanto, mesmo com os campos se delimitando cada vez mais nesta luta entre a esquerda e a direita, ainda existem confusões importantes sobre essa disputa política devido, em primeiro lugar, à política de capitulação de classes impulsionada pela “frente popular” liderada pelo governo do PT. Essa política arrastra os sindicatos ligados à CUT, o MST, a UNE, movimentos sociais e partidos de esquerda. Esta política é nefasta para a organização independente dos trabalhadores, pois, devido ao aprofundamento da crise capitalista, tem abandonado todas as bandeiras operárias e até as bandeiras democráticas em prol da suposta luta contra o golpismo, enquanto faz todo tipo de tramoias nos bastidores na tentativa de conseguir uma “saída negociada” para a crise.
  4. A saída ideal seria um governo de coalisão, a la Macri, que, mesmo sendo uma coalisão frágil, conseguiu imprimir uma certa governabilidade capaz de permitir à direita aplicar o ajuste enquanto a frente popular segura os trabalhadores.
  5. A esquerda pequeno-burguesa, por outro lado, busca negar a existência do conflito entre as duas alas da burguesia e adota ações e palavras de ordem que beneficiam e se alinham com a política da direita, tais como “Fora Todos”, “Eleições Gerais Já” e, em casos mais aberrantes, até mesmo o “Fora Dilma!”. Trata-se da repetição do política estalinista do chamado “Terceiro Período”, do “socialfascismo”, quando a socialdemocracia era identificada com os fascistas.
  6. Os revolucionários não podem se confundir com a direita na crise atual, da mesma maneira que também não podem aderir à política de colaboração de classes da “frente popular”. A suposta “revolta popular”, expressa nas ruas do Brasil no dia 13 de março deste ano, foi o resultado de uma campanha reacionária dos monopólios de comunicação que, com a articulação de outros elementos ligados à extrema direita, busca dirigir a revolta da classe média, arruinada pela crise capitalista, contra a esquerda e, em particular, contra o movimento de massas dos trabalhadores. Não se trata de “revolta popular”, portanto, mas de um movimento reacionário. A luta deles contra o governo do PT é apenas a porta de entrada para uma oposição aos sindicatos, movimentos sociais e posições progressistas em geral. O uso do desespero da classe média pelo capital financeiro para atirá-la contra o movimento operário é uma característica tipicamente de movimentos fascistas, o que explica a presença de grupos de extrema-direita e de um forte sentimento anticomunista nesses atos.
  7. A oposição enérgica às movimentações direitistas é uma obrigação de todo militante revolucionário. Tal oposição não deve admitir tergiversações, nem qualquer forma de conciliação com a direita, pois a política operária não pode em qualquer momento ser confundida com o golpismo.
  8. Essa ofensiva exige a luta em frente única da classe operária para, de forma defensiva, lutar contra essas investidas do imperialismo aliado da direita nacional. Esse tipo de frente tem paralelo na história com as resoluções adotadas pelo III e IV Congresso da Internacional Comunista e da Política de Frente Única elaborada por Leon Trótski para combater a ascensão de Hitler na Alemanha.
  9. Parte-se da necessidade de unificação da classe operária para a luta contra um inimigo comum. A classe operária, no entanto, encontra-se dividida em diversas organizações com diferentes políticas, fato que corresponde ao seu desenvolvimento político desigual. A atual etapa não permitiu ainda a constituição da classe operária em um partido próprio, separado da burguesia. No entanto, as tarefas colocadas no presente período empurram nesse sentido. Por exemplo, a participação da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) no movimento golpista revela a necessidade da união em torno de um inimigo que por meio de um golpe político prepara retrocessos históricos nos direitos dos trabalhadores. A conjuntura política também apresenta ataques desse setor contra as organizações sindicais como um todo, o que exige uma unidade em torno da defesa desse tipo de organização. A contradição entre a necessidade de união e a atual separação da classe operária em diversas organizações só pode ser resolvida pela frente única. Superando as diferenças, diferentes frações dos trabalhadores podem assim se colocar em movimento. Ainda mais, a unificação pode despertar toda uma nova camada operária para a luta.
  10. A frente única está em completa oposição à idéia propagada por setores da esquerda da constituição de um “terceiro campo”. No Brasil, o “terceiro campo” está representado pela política do PSTU na constituição de um movimento denominado “Unidade de Ação” e, de forma envergonhada, pela política de setores do Psol e do MTST que formam a “Frente Brasil Sem Medo”. As necessidades da classe operária são substituídas pela injúria: “governistas!”. Quando não expressam uma adesão completa aos ideais da direita, o “terceiro campo” mostra uma passividade mascarada de intransigência verbal diante das capitulações da direção do PT. O “terceiro campo” representa, na prática, uma “saída pela tangente” de quem não nega a necessidade de lutar contra a direita, mas achou um lugar confortável de onde não necessitará enfrentar a política conciliadora que a Frente Popular impõe ao movimento de massas. Dotar o movimento de uma política capaz de derrotar a ofensiva da direita e do imperialismo significa romper o cerco imposto a esse movimento pelo PT e seus aliados. Ao invés de uma luta nesse campo, prefere-se atos separados onde fica cada direção política com seu quintal. Essa política covarde se expressa hoje principalmente no MTST, dirigido por Guilherme Boulos.
  11. A unidade de ação com a parcela significativa e majoritária da classe operária sob a direção do PT e de seus aliados (CUT, UNE, MST etc.) leva em consideração o estado real do proletariado brasileiro. Mas essa unidade nunca significa se dissolver na Frente Popular. Na unidade com as direções oportunistas, os revolucionários adotam a política de “marchar separados, golpear juntos”. Na última manifestação do dia 18 de março convocada pela Frente Brasil Popular, ficou clara a disposição de amplos setores dos trabalhadores em lutar contra o golpismo. Mas, da mesma forma, ficou nítido que Lula e a direção petista buscam não um enfrentamento com a direita, mas uma conciliação.
  12. Lula e o PT atuam para manobrar e transformar o movimento anti-golpista em meio de pressão contra a direita para a adoção de uma saída negociada. Trata-se de uma subversão dos anseios daqueles que compareceram às manifestações de rua em todo o País. Para efetivamente lutar contra a direita golpista a classe operária devemos romper as barreiras impostas pelo “lulismo”.
  13. Nesse sentido, os revolucionários integram a frente única, mas não se furtam a denunciar as capitulações de suas direções e a apontar o caminho da luta como o único possível para a vitória.
  14. Atualmente, o próprio movimento de massas começa a dar indícios de que caminha nessa direção. Os estudantes da PUC-SP, por exemplo, contrariando aquilo que dirigentes dos sindicatos dirigidos pelo PT, a UNE etc. sempre pregaram, foram para cima de uma manifestação pró-impeachment. O enfrentamento teve enormes repercussões, sobretudo pela ação da PM que protegeu os ativistas a favor do golpe. E houve várias outras tentativas nesse sentido, contidas pela frente popular. Aos revolucionários cabe seguir e expandir esses exemplos. Sem frente única não pode haver luta efetiva contra o golpe. E sem denúncia e ruptura da política conciliadora do PT não pode haver vitória contra a direita.
  15. Lutar contra o golpe não nega, mas implica em defender as bandeiras democráticas e as bandeiras operárias que a esquerda e a frente popular jogou na lata do lixo.

 

Não ao golpismo!

Pelas liberdades democráticas e os direitos dos trabalhadores!

Não ao ajuste!

Pela organização independente dos trabalhadores!

  • Que a crise seja paga pelos capitalistas!

AONDE ESTÁ O GOLPE?

QUAL É O PAPEL DA FRENTE POPULAR?

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TESE: A frente popular, encabeçada pelo governo do PT, devido à sua política de conciliação de classes e reiteradas capitulações, longe de combater o golpismo, se converteu numa das principais engrenagens do golpe e da contenção da organização independente da classe operária

DEFINIÇÃO: 

  1. Chamamos “frente popular” (não confundir com a Frente Brasil Popular organizada contra o golpe) os governos encabeçados pelos partidos que mantêm ligações em aliança com a burguesia. Normalmente esses governos aparecem em períodos de grave crise política e atuam como bombeiros da revolução, contra os interesses dos trabalhadores. É o que aconteceu no Brasil a partir de 2003, apesar da “frente popular” ter começado a se estruturar muito antes, principalmente a partir do governo Itamar Franco.
  2. Os bolcheviques, encabeçados por Lenin, formularam a política revolucionária contra a “frente popular” do governo do “socialista” Kerensky, que era definido como um “governo dos capitalistas”, chamando a “explicar pacientemente, todos os dias, o caráter burguês e contrarrevolucionário deste governo”.
  3. A forma mais apurada da “frente popular” aconteceu na “Frente Popular” francesa de meados da década de 1930 e que serviu como base para o ultra oportunista VII Congresso da III Internacional Comunista, encabeçado por Georguis Dimitrov, e que implicou na saída do socialfascismo (ou “terceiro período”, em que a política oficial da III IC dizia que a social democracia e o fascismo eram a mesma coisa) para o abandono total das bandeiras operárias em aras da priorização da luta contra o fascismo.

 

ANÁLISE:

 

No centro do golpismo, o imperialismo

 

  1. aprofundamento da crise capitalista mundial tem aumentado a escalada da ofensiva do imperialismo para fazer com que os povos de todo o mundo, principalmente a classe operária, em particular dos países atrasados, paguem pelo ônus da crise para que os monopólios mantenham os lucros.
  2. No Brasil, o imperialismo, principalmente o imperialismo norte-americano, vem financiando e incentivando a ascensão da direita que em manifestações de rua vem pedir o impeachment e a derrubada do governo de “frente popular”, encabeçado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), da presidenta Dilma Rousseff.
  3. Mas a política impulsionada pela Administração Obama tem buscado manter uma certa estabilidade na América Latina, assim como em escala mundial, em vista às eleições presidenciais que acontecerão nos Estados Unidos neste ano. O fortalecimento de Donald Trump, que corre por fora do aparato do Partido Republicano, e da única alternativa republicana que sobrou, o ultra conservador do Tea Party, Ted Cruz, está agrupando a “direita tradicional” em torno à candidatura “moderada” de Hillary Clinton. Clinton aparece mais à direita que Obama. Mas com o objetivo de viabiliza-la, a Administração Obama tem promovido a redução dos conflitos no Oriente Médio, na Ucrânia, no Mar do Sul da China e na própria América Latina.
  4. O modelo que a ala hegemônica do imperialismo norte-americano atual busca impor na América Latina é o governo de Maurício Macri, na Argentina, que tem conseguido agrupar, por trás dele, setores do peronismo e do kirchnerismo que lhe tem proporcionado uma certa “governabilidade”. Essa política deverá persistir pelo menos até as eleições nos Estados Unidos, a menos que aconteça algum “imprevisto desestabilizador”.
  5. A “frente popular”, encabeçada pelo governo do PT, organiza atrás de si o grosso da burocracia sindical, a maior parte dos movimentos sociais e estudantis, e a vários partidos políticos da esquerda burguesa e pequeno burguesa.
  6. A “frente popular” vem assumindo uma política de conciliações com a direita cada vez mais profundas afim de garantir a estabilidade do governo e a chamada “governabilidade”. A “direita tradicional” também tem interesse na “saída negociada com a “frente popular” encabeçada pelo PT, na atual situação política, pois se trata de uma direita que representa os interesses do imperialismo. As manifestações impulsionadas pela direita, e que têm mobilizado amplos setores da extrema direita, convertem-se em instrumentos de pressão para que o governo petista “guine à direita” e aplique o ajuste contra os trabalhadores.
  7. O eixo fundamental dessa “saída negociada” se encontra na tentativa de aprofundar a aplicação dos “planos de ajuste fiscal”. Trata-se das principais exigências do imperialismo para conter a crise, estabilizar o regime político e garantir os lucros dos monopólios. A aplicação integral dos planos de ajuste só se concretizará com a vitória do golpe e a aplicação de medidas de força contra os direitos sociais e dos trabalhadores. O ajuste, neste momento, tem quatro pontos fundamentais: a Reforma da Previdência (com brutais ataques contra os aposentados), a Reforma Trabalhista (com o objetivo principal de acabar com a CLT), a maior entrega dos recursos naturais (como a Petrobras) e o “corte dos gastos públicos”, ou seja, o amplo corte dos programas sociais e investimentos em infraestrutura para priorizar, ainda mais, o repasse ultra parasitário de recursos públicos para os grandes bancos e especuladores. Com isso os enormes volumes de recursos repassados por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento para as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que marcaram os governos do PT, devem ser redirecionados para os grandes bancos e a especulação financeira, bem como para o pagamento dos serviços, os juros e as amortizações da dívida pública. Estes se converteram num câncer que, de acordo com a última LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) consome mais de 44% do Orçamento Público Federal.
  8. O governo do PT, assim como fazem os demais governos de cunho nacionalista e de frente popular, aplica os ajustes em determinado grau e de maneira errática. Esses governos não conseguem colocar em pé uma política alternativa ao neoliberalismo e mantêm profundos acordos com a direita e o imperialismo. A reforma da Previdência ficou muito além do que o imperialismo exigia. A reforma Trabalhista não consegue sair do chão por causa da falta de apoio dos sindicatos, que são um dos componentes fundamentais da base do PT. A reforma agrária ficou paralisada, mas o descontentamento no MST é crescente. A entrega do Pré-Sal acabou acontecendo em cima de um acordo entre Dilma e o vampiro José Serra, mas às duras penas e só no Senado. Para evitar a implosão da base de apoio, o governo do PT ensaia uma “saída desenvolvimentista” à crise, com investimentos produtivos e cortes das taxas de juros; essa política vai contra a política do imperialismo.
  9. Embora as políticas de Dilma tenham afetado muito os trabalhadores e sejam uma prova viva das medidas antioperárias e “anti-povo” desse governo ainda são consideradas insuficientes e incapazes de manter os lucros dos monopólios em crise. O próprio PT encontra dificuldades em aplicar integralmente as medidas desejadas pelo imperialismo devido a base eleitoral desse partido, em sua grande maioria trabalhadores, e que conta com o apoio das organizações do movimento de massas, como a CUT, o MST e a UNE todas elas controladas por uma direção extremamente burocrática e que freia a ascensão das massas.

 

A “frente popular” à procura desesperada da “saída negociada”

 

  1. Para tentar acalmar o imperialismo e lhe dar amostras de que o governo petista pode cumprir com suas exigências, Dilma entregou de bandeja vários ministérios e diretorias das empresas públicas para reconhecidos direitistas. Por outro lado, Dilma busca também manter suas alianças com a burguesia nacional, inclusive com seus setores mais reacionários, e por isso entrega o Ministério da Agricultura à maior representante do latifúndio brasileiro, Kátia Abreu, que foi quem garantiu que a reforma agrária fosse paralisada por completo e os recursos públicos fossem destinados ao famigerado agronegócio. O governo petista transformou o governo em uma colcha de retalhos onde existem cada vez mais pedaços direitistas; um verniz pseudo democrático, cada vez mais tênue, para uma ditadura feroz contra a maioria da população.
  2. O imperialismo busca esgotar a “frente popular” fazendo-os aplicar o máximo possível das medidas contra a população. No entanto, se tais medidas forem adotadas pelo governo Dilma a base do PT iria se desintegrar por completo possibilitando que a direita derrotasse com maior facilidade o PT e os sindicatos, uma vez que é esse partido que controla a CUT, os principais sindicatos nacionais e os movimentos sociais. Por isso as capitulações da Frente Popular ante a demanda dos monopólios e do imperialismo devem ser entendidas como uma das engrenagens fundamentais para a vitória do golpe de Estado e a tomada do poder pela direita e devem ser radicalmente denunciadas.
  3. Conforme o PT tem vacilado na aplicação dos planos de “ajustes”, o imperialismo tem passado a pressionar cada vez mais. O Judiciário e a Polícia Federal se encontram na linha de frente das movimentações impulsionadas pela direita e, particularmente, pela extrema direita. Após terem sido mandados para a cadeia vários dirigentes da cúpula do PT no fraudulento e truculento caso do Mensalão, recentemente, houve a tentativa de levar o ex-presidente Lula, a maior figura política do país e dirigente do PT, por meio da, também fraudulenta, “condução coercitiva” para depor à Polícia Federal. Essa movimentação da direita contra o governo de Frente Popular gerou uma grande comoção nas bases do PT que de maneira praticamente espontânea saíram às ruas em defesa de Lula.
  4. Nas principais cidades do país, as bases do PT chegaram a organizar focos de resistência. No Aeroporto de Congonhas, onde se encontrava Lula, o clima era de muita tensão, com boa parte da militância mostrando alta disposição para confrontar a direita. No entanto, a direção petista logo se encarregou de manobrar a combatividade da militância e para impedir a organização dos manifestantes nas ruas concentrou-os nas sedes dos sindicatos. O primeiro balde de água fria foi dado pelo próprio Lula na reunião, realizada logo a seguir na Sede Nacional do PT, em São Paulo. Depois de esfriados os ânimos, a direção petista concentrou toda a militância na Quadra dos Sindicatos dos Bancários, em São Paulo, e Lula voltou a aplicar a velha e conhecida política burocrática, da qual virou um verdadeiro mestre na década de 1980, quando conseguiu quebrar as greves dos metalúrgicos do ABC, com longuíssimos e pastosos discursos que falavam apenas os feitos de Lula quando presidente da República, os seus ótimos relacionamentos com os setores mais reacionários da burguesia mundial, como o fascistoide George W. Bush Jr., e como durante seu governo os bancos e monopólios ganharam fortunas com ele. A mensagem era que a ofensiva do imperialismo e a derrubada do governo Dilma eram injustificadas. Daí em diante, a política assumida por Lula, Dilma e toda a direção petista era a de minar a luta aberta contra o golpe e o avanço da direita e abrir caminho a campanha eleitoral para as eleições municipais do final de 2016 e preparar a campanha presidencial de Lula para 2018. O típico cretinismo parlamentar, o amor incondicional pela democracia burguesa, típico das frentes populares.
  5. O governo do PT tem ficado, cada vez mais, encurralado pelo aprofundamento da crise e pressionado pela direita. A presidente Dilma convocou o ex-presidente Lula para compor seu governo e assumir a cadeira como Ministro-chefe da Casa Civil. Como já havia sido delineado pelo próprio Lula, a ideia não era integrá-lo ao governo para que ele desse outro rumo aos seus planos econômicos e sociais para promover uma mudança estrutural, mas para que uma vez dentro do Planalto pudesse trabalhar para tecer ainda mais acordos com a Oposição de direita na esperança de frear o processo de impeachment. Dentre os resultados da várias manobras, Renan Calheiros, do PMBD, após reuniões com as cúpulas do PT e do Psdb, encaminhou a avaliação do Parlamentarismo, em substituição ao regime presidencialista atual, para o Senado. Essa seria uma saída “excelente” para a direita e o imperialismo, e para o próprio PT. A direita batendo forte nos trabalhadores, enquanto a cúpula do PT segura os mesmos trabalhadores e garante os privilégios.
  6. A ideia do governo do PT de que com Lula á frente o Brasil poderá “retomar o crescimento” não passa de pura demagogia e oculta a gravíssima crise econômica que vem tomando o Brasil conforme o capitalismo agoniza em escala mundial. A saída negociada de Lula e dos burocratas do PT só tem como objetivo usar os trabalhadores e a população explorada como massa de manobra eleitoral e atuar como instrumento de contenção para a luta contra o golpe de Estado, que sim está em andamento, mas que não pode ser combatido por meio das próprias engrenagens golpistas.

 

O esgotamento da base material da “frente popular”

 

  1. O pilar de sustentação da Frente Popular é justamente o controle da burocracia sindical petista sobre a CUT e os movimentos sociais, em primeiro lugar, o MST. A CUT representa a maior organização operária do Brasil e da América Latina, que reúne os setores mais avançados da classe operária brasileira e os mais poderosos, capazes de derrubar governos por inteiro. Sem o acordo da CUT nenhum governo burguês mantém a “governabilidade” no Brasil.
  2. Com a forte queda dos preços das matérias primas nos últimos dois anos, o chamado “modelo de crescimento Lula” se encontra prestes a afundar. As políticas de controle social implantadas durantes os governos Lula tiveram como base o direcionamento do país para a produção e exportação especulativa de meia dúzia de matérias primas. Essa política, que, na prática, foi uma imposição do imperialismo, acelerou a virada do Brasil em direção ao passado, à época da Colônia.
  3. Com a queda na arrecadação e o aperto dos monopólios por uma espoliação maior dos recursos brasileiros, os recursos destinados a manter a “governabilidade petista” mermaram. As empreiteiras, as indústrias e os tubarões do setor da educação viram as verbas públicas mermarem. Os milhares de burocratas sindicais, universitários, dos movimentos sociais e dos partidos políticos da esquerda, que hoje mamam na teta do estado, se encontram ameaçados de perderem sua bonança. A política do “corte nos gastos públicos”, impulsionada pela direita, às ordens do imperialismo, tem como objetivo direcionar ainda mais recursos para os especuladores financeiros.
  4. A “frente popular” brasileira, assim como está acontecendo nos demais países latino-americanos, está se enfraquecendo. O temor à organização independente dos trabalhadores a tem empurrado no sentido de acelerar os acordos com a direita.

 

O apoio à “frente popular” representa a capitulação ao regime burguês e a traição à classe operaria

 

  1. Além de a “frente popular” organizar atrás de si a maior parte das organizações de massas dos trabalhadores, da juventude, dos negros, das mulheres e da população explorada do país, há ainda os grupos e partidos de esquerda que não contam com nenhuma base de massas, mas se mantêm a reboque da política da Frente Popular, em primeiro lugar o PCdoB.
  2. Esses partidos dão um cheque em branco ao governo de Dilma Rousseff. Alguns desses partidos “teorizam” que as capitulações do PT e o próprio plano de ajuste não seria, supostamente, uma engrenagem golpista, mas que, pelo contrário, a luta contra os ataques que a frente popular leva a cabo contra os trabalhadores deve ser deixada de lado e submetida a uma luta maior, que seria a tomada de poder; em abstrato e sem qualquer caraterização de classes. Qualquer semelhança com a política estalinista ultra oportunista do VII Congresso da III Internacional Comunista, estalinista, de 1935, não é mera coincidência. Nesse Congresso, foi imposto a todos os Partidos Comunistas, a partir do relatório elaborado por Gueorgui Dimitrov (intitulado: “A Ofensiva do fascismo e as tarefas da Internacional Comunista na luta pela unidade da classe operária contra o fascismo”), como tarefa fundamental alargar ao máximo a luta contra o fascismo e a guerra ante a ascensão de Hitler ao poder, em janeiro de 1933. Todas as bandeiras da luta histórica da classe operária deviam ser deixadas de lado para lutar contra o fascismo. Desta maneira, a política do chamado Terceiro Período, que considerada que a socialdemocracia também era fascista, foi abandonada. O modelo era a Frente Popular francesa. Essa política permeou todo o período seguinte e está na base dos vários acordos contrarrevolucionários que os burocratas da antiga União Soviética realizaram com o imperialismo (antes, durante e após a Segunda Guerra Mundial) e que teve como corolário a política da Coexistência Pacífica de Nikita Kruschev, do XX e do XXII Congresso do PCUS (Partido Comunista da União Soviética).
  3. Toda organização política, seja ela de esquerda ou de direita, ligada aos trabalhadores ou ao imperialismo, revolucionária ou contrarrevolucionária, coloca no eixo da sua política, em alguma medida, a luta pelo poder. A submissão à política de conciliação de classes da Frente Popular representa abdicar da luta pelo poder pela classe operária. A aplicação do plano de “ajustes fiscais” pelo governo Dilma, e, pior ainda, numa “saída negociada” com a direita, representa uma engrenagem golpista e o abandono até das bandeiras democráticas mais básicas que o Brasil, um país dominado pelo imperialismo, precisa manter em alto para garantir a soberania nacional. E hoje mais do que nunca. Na prática, hoje colocar-se a reboque da frente popular implica não em combater o golpismo impulsionado pelo imperialismo, mas em favorecer o golpismo. Nada muito diferente da política das frentes populares em, praticamente, todos os golpes de estado.

 

A “frente popular” como o instrumento de contenção das massas e das lutas populares após a ditadura militar

 

  1. No Brasil, o movimento de massas que passou por forte ascensão no início da década de 1960, tinha sido contido por meio da ditadura militar. Durante esse período, as massas foram mantidas pacificadas por meio do chamado “Milagre Econômico Brasileiro” (governo do General Médici), quando houve abundância de emprego, apesar dos baixos salários, apesar dos direitos trabalhistas terem sido atacados pela ditadura militar.
  2. Com a crise mundial do petróleo de 1974, que esteve na base da nova escalada da inflação e do desemprego e do colapso das ditaduras militares, a situação política evoluiu rapidamente. Nesse mesmo ano, o partido da ditadura, o Arena (Aliança Renovadora Nacional), sofreu expressivas derrotas eleitorais para o partido consentido pela ditadura, o MDB. Em 1977, apesar das leis repressivas, o movimento estudantil voltou a entrar em cena e foi o pioneiro na luta direta contra a ditadura. Um ano mais tarde, em 1978, o setor de ponta da classe operária, os metalúrgicos, entrou em movimento com a greve deflagrada pelos operários da ferramentaria da Scania, em São Bernardo do Campo. Em 1979, aconteceram grandes greves em todo o chamado ABC paulista que, em 1980, se estenderam para a cidade de São Paulo.
  3. A crise e, nesse primeiro momento, o movimento de massas foram contidos por meio das políticas recessivas implementadas pelo então Ministro da Fazenda Delfim Neto, entre 1980 e 1983. Mas a contenção foi apenas temporária.
  4. A política recessiva da ditadura foi jogada à lona com a vitória eleitoral do PMDB na região sudeste do país, em 1982, e as fortes mobilizações do movimento popular e de desempregados que culminaram com a ocupação do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, durante o governo de Franco Montoro, em 1983.
  5. Nesse mesmo ano, aconteceu uma nova ascensão do movimento grevista, bem como fortes mobilizações no campo. No dia 21 de julho de 1983, a Comissão Pró-CUT convocou uma greve geral que contou com a adesão de mais de três milhões de trabalhadores. No final do mês de agosto do mesmo ano, foi fundada a CUT (Central Única dos Trabalhadores), após setores classistas da CUT Pela Base terem tomado o controle de mais de 1.500 sindicatos ligados aos pelegos da ditadura militar. Naquele momento, a CUT apareceu como alternativa de massas ao PT que tinha sido rapidamente controlado pela burocracia sindical lulista e intelectuais pequeno-burgueses.
  6. Em 1984, aconteceu a campanha das Diretas Já! que foi contida pela primeira formulação da “frente popular”, que representava um bloco entre as organizações de trabalhadores e representantes da burguesia, formada pelo PT, PDT e PCdoB e dirigida pelo PMDB.
  7. No ano de 1985, acontece o pico da luta operária e camponesa no Brasil. Foram mais de 15 mil greves, sendo a esmagadora maioria radicalizadas. No campo, a luta pela terra entrou em forte ascensão e nesse ano foi fundado o MST (Movimento Sem Terra), com centenas de milhares de trabalhadores rurais.
  8. A burguesia tentou conter o movimento operário e camponês por meio dos chamados planos Cruzado. Esta foi a base do fortalecimento da burocracia sindical liderada por Lula, agrupada na Articulação, a corrente majoritária e que desde então dirige o PT, facilitada pela burocratização da própria CUT Pela Base. Os enfrentamentos entre a Articulação e a CUT PELA BASE se  encerraram com a formação da Frente Popular. A DS, majoritária, e os outros setores centristas  revisionistas logo capitularam para a Articulação e foram à direita rapidamente. Desde então compuseram todos os governos de Frente Popular. Pepe Vargas foi ministro até muito recentemente e Miguel Rosseto continua sendo ministro da Dilma.A partir de 1988, a burocracia sindical, com o apoio da esquerda pequeno-burguesa, na época agrupada, principalmente no PCdoB e no PCB, conseguiu paralisar a CUT e sufocar as greves operárias. A Convergência Socialista (principal grupo que formou o PSTU), fundamentalmente, a partir da adoção das “Teses de 90” passa, com “mala e cuia”, a apoiar a burocracia do PT.
  9. Em 1989, a candidatura presidencial de Lula passou a agregar alguns setores minoritários da burguesia, principalmente o setor mais reacionário da burguesia nacional, o latifúndio. O escolhido para compor a chapa junto a Lula foi o latifundiário José Paulo Bisol que era conhecido na época por estar alinhado com Mário Covas, um dos fundadores do PSDB. A pedido de Lula, Bisol não se filiou nesse partido e sim ao PSB (Partido Socialista Brasileiro), visando a candidatura a vice-presidente.
  10. Lula e a cúpula petista, juntamente com os aliados burgueses, buscaram canalizar todas as expectativas das organizações operárias para o terreno eleitoral, o que continua sendo uma constante até hoje. A política lulista, assumida nessas eleições, era a de que as greves atrapalhavam a candidatura de Lula, o que serviu de base para terminar de estrangular o movimento grevista de conjunto.
  11. A derrota de Lula nas eleições de 1989 aconteceu por meio da fraude, encabeçada pela direita pró-imperialista que contou com a ajuda da esquerda burguesa. Uma eventual vitória do PT poderia ter aberto uma crise revolucionária naquele momento, devido às bandeiras levantadas pelos operários.
  12. Após a vitória, o então presidente Fernando Collor de Melo começou a impor as primeiras políticas “neoliberais” no Brasil, que viriam a ser consolidadas, um tanto quanto de forma tardia, em relação aos demais países latino-americanos, pelos governos de FHC. A aplicação dessas políticas contou com uma frente única da burguesia, apoiada de maneira semivelada pela frente popular e pela esquerda pequeno burguesa.

 

A bancarrota das políticas “neoliberais” e a ascensão do PT ao poder

 

  1. O “neoliberalismo” trouxe à América Latina privatizações em larga escala e a subsequente demissão em massa de milhões de trabalhadores. O atrelamento das economias latino-americanas ao dólar, o fechamento em massa de empresas industriais, a destruição de conquistas históricas dos operários e os reflexos das crises financeiras dos países imperialistas foram responsáveis pela sensível deterioração das condições de vida das massas.
  2. Com isso, o movimento operário entrou em refluxo. As últimas greves metalúrgicas importantes aconteceram em 1991, na cidade de São Paulo. A última grande greve de uma categoria nacional de ponta, os petroleiros, aconteceu em 1995, e foi quebrada pela burocracia lulista.
  3. O período de refluxo consolidou o poder da burocracia petista nos sindicatos e nas principais organizações de massas, a CUT, a UNE e o MST.
  4. Durante esse período, o papel do PT até o final do governo FHC, em 2002, foi fundamental para a tentativa da burguesia de estabilizar o regime político abalado pela crise da ditadura militar, pela ascensão operária do final dos anos de 1970 e início dos anos de 1980, e pela crise econômica. Com o movimento operário acuado, as burocracias sindicais se consolidaram e a CUT passou a ser controlada pela ala direita da Articulação, liderada por Vicentinho, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.
  5. Os dois mandatos de FHC entregaram o Brasil aos monopólios estrangeiros, seguindo a receita do chamado Consenso de Washington (1989), o que levou a um enorme desgaste da direita no Brasil. Após a crise de 1997 na Argentina, que também tinha sido devastada pelos governos neoliberais de Menem (1989-1999), a crise se aprofundou no Brasil.
  6. A partir de 2002, as políticas neoliberais implantadas por FHC tinham se esgotado. O movimento operário ensaiou um despertar, mas foi rapidamente contido pela eleição de Lula à presidência da República, que aconteceu em comum acordo com a direita e o imperialismo.
  7. A Frente única formada entre a esquerda burguesa, PT e PCdoB, e a esquerda pequeno-burguesa (PSTU e PCB), que formava a base de apoio das políticas neoliberais, acabou rachando.
  8. O governo Lula, de cunho nacionalista moderado, no entanto, não chegou ao poder sobre a base da mobilização dos setores operários fundamentais, mas das camadas mais desorganizadas da classe operária. Isso explica o caráter profundamente conciliador com o imperialismo, na mesma medida em que a bancarrota da política neoliberal “forçou” o imperialismo a permitir que a burguesia nacional pudesse, em certa medida, governar, uma vez que não possuía melhores condições de por em prática seus planos à revelia do nacionalismo-burguês. A ascensão das massas levou a governos nacionalistas muito mais radicais na Venezuela, na Bolívia e no Equador, apesar que, em termos ideológicos e até políticos, a diferença com o lulismo é só de grau.
  9. A partir de 2003 o governo frentepopulista de Lula passou a investir em um punhado de programas sociais criados para a população de baixa ou baixíssima renda. Esse foi o colchão social colocada em pé, e sustentado pela “bonança das matérias primas”, para garantir sua popularidade e os altos índices de aprovação. Além dos programas de caráter assistencialista, aumentou o crédito para a população com o objetivo de promover o consumo de bens e serviços, e manter a economia em movimento, seja em produtos tradicionais (alimentos, material de construção etc), ou seja em novos (celulares, DVDs, passagens aéreas etc). O objetivo fundamental era manter os acordos com o imperialismo e os lucros dos grandes banqueiros que, como o próprio Lula o tem dito, nunca ganharam tanto como nos governos dele.
  10. Um dos principais programas assistencialistas de Lula foi o Bolsa-Familia, criado no governo de FHC. Ele foi convertido em uma espécie de renda mínima para todas as famílias brasileiras que comprovassem extrema necessidade. Nessa mesma linha, durante os governos Lula houve um aumento real de 24,25% nos salários mínimos, isso durante seu primeiro mandato, o que possibilitou a dinamização das economias locais menos desenvolvidas no país.
  11. Além disso, para atender aos interesses do capital financeiro o governo Lula passou a expandir o financiamento popular através do crédito consignado, que inclui o aumento do empréstimo à agricultura familiar, como meio de escamotear a reforma agrária, do microcrédito e do processo de “bancarização” de pessoas de baixa renda, o que permitiu aos bancos descontar empréstimos em parcelas mensais retiradas diretamente da folha de pagamento do assalariado ou do aposentado.
  12. Esse tripé, formado pelo Bolsa-familia, pelo aumento do salário mínimo e pela expansão do crédito popular e os referidos programas sociais, serviu especificamente como um amortecedor para a classe operária, onde o governo repassava rios de dinheiro público, em forma de isenções fiscais para que as empresas pudessem produzir, continuava pagando a dívida pública enquanto dava migalhas para a população mais pobre.
  13. Por último, os governos do PT têm sido responsáveis pela cooptação da principais lideranças dos movimentos sindical, social, camponês estudantil e dos principais partidos políticos da esquerda.
  14. O aprofundamento da crise capitalista e o aumento da pressão do imperialismo estão implodindo os pilares de contenção social da “frente popular” brasileira. Ela poderá ganhar fôlego numa eventual aliança, uma saída negociada, com a direita. Mas a crise não deverá reduzir-se, mas deverá aumentar. O mundo caminha para um novo colapso de proporções colossais. A “frente popular” tende a implodir. Os partidos e organizações que compõem a frente popular tendem a rachar, da mesma maneira como acontece com o restante da esquerda pequeno burguesa que se agrupa em cima da chamada “frente de esquerda”. Está colocado, para o próximo período, o surgimento de uma nova esquerda revolucionária em cima da inevitável entrada em movimento da classe operária.

 

DELCÍDIO E CUNHA: GOLPISMO OU DEMOCRACIA?

A PRISÃO DO SENADOR DELCÍDIO AMARAL, O “FORA CUNHA!” E O PAPEL DA CAPITULAÇÃO DO GOVERNO DO PT NO FORTALECIMENTO DA DIREITA

FORA CUNHA

 

Nos últimos dias, o Brasil assistiu estarrecido à prisão do líder do governo no Senado, o senador pelo Mato Grosso do Sul, Delcídio Amaral. A primeira questão que saltou à vista é que essa prisão aconteceu sobre um parlamentar que tem imunidade e que somente poderia ter sido preso em flagrante delito. Delcídio caiu numa armadilha montada pela Operação LavaJato, a partir da “República do Paraná”, com o objetivo imediato de livrar o ex diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, por meio da chamada “delação premiada”, mas também para dificultar as negociações do governo sobre o orçamento que estava sendo liderada por Delcídio. A “prova” apresentada pelo juiz Sérgio Moro, que é um agente da direita contra o governo do PT, foi uma conversa gravada pelo filho de Cerveró. O STF (Supremo Tribunal Federal), por meio do ministro relator da chamada Operação Lavajato, Teori Zavascki, aprovou a prisão de Delcídio pela Polícia Federal a pedido do Procurador Geral da Justiça. O Senado também a aprovou, por ampla maioria e até com o voto favorável de dois senadores do PT. A cúpula do PT também foi favorável, junto com o apoio de setores de esquerda do Partido, como a Articulação de Esquerda.

A prisão de Delcídio aconteceu no contexto do acuamento progressivo do governo do PT com o objetivo de coloca-lo ainda mais contra as cordas e obriga-lo a aplicar com mais intensidade o plano de ajuste contra os trabalhadores, transforma-lo numa rainha da Inglaterra, com a direita controlando e aumentando a intensidade do ajuste, ou com a própria direita assumindo as rédeas do governo a partir do impeachment da presidente Dilma.

 

POR QUE A DIREITA LEVA PARA A CADEIA A DIREITA DO PT?

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Delcídio Amaral é um elemento da direita do PT, um ex tucano que agora se somou aos chefões da esquerda do PT que foram incriminados, como José Dirceu, José Genoíno e João Vacari. Um dia antes tinha sido preso um grande empresário do “agronegócio” ligado a Lula. A corrente da “corrupção” vai longe e muito além da Petrobras. Isso sem contar a “corrupção legalizada”, como, por exemplo, as obscenas “privatizações” de FHC.

Junto com Delcídio foi preso André Esteves, sócio do Banco Pactual, que também mantém fortes ligações com os tucanos, e que inclusive é padrinho de casamento de Aécio Neves. Esteves é sócio de Pérsio Arida, o figurão tucano, no Banco Pactual, que, por sua vez, é sócio de Daniel Dantas no Banco Opportunity. Pérsio, além de ter sido diretor do Banco Central no governo FHC, é marido de Elena Landau, responsável pelas privatizações de FHC e pelo BNDES. Em 1997, e com dinheiro do BNDES, o Banco Opportunity “comprou” a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais). A Cemig foi uma das fontes do chamado, e nunca investigado, “mensalão tucano”, que teve como operador o “famoso” Marcos Valério. Um dos beneficiários foi Delcídio Amaral.

Delcídio foi diretor de Gás e Energia, na Petrobras, na década de 1990, durante o governo de FHC. O subdiretor era Nestor Cerveró.

O objetivo dos ataques contra esses elementos de direita tem como objetivo apertar ainda mais o cerco sobre o PT, implodindo as alianças com os setores de direita, dando continuidade aos ataques que já foram aplicados contra os donos das grandes empreiteiras. É a mesma política que foi aplicada na Argentina e que levou à vitória do direitista Maurício Macri nas recentes eleições presidenciais.

 

OBJETIVO DO LAVAJATO: MAIOR ENTREGA DO BRASIL E O “AJUSTE”

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Na América Latina e no Brasil, o imperialismo busca descarregar o peso da crise sobre a região conforme a crise capitalista mundial se aprofunda e as derrotas militares no resto do mundo têm levado a concentração da espoliação no próprio “quintal traseiro”. Não por acaso a Operação Lavajato foi deflagrada contra a Petrobras, que está no olho dos abutres capitalistas.

O “ajuste” passa pela redução dos salários, dos direitos trabalhistas e das condições de vida dos trabalhadores, com o aumento do repasse parasitário de recursos para os grandes bancos. O governo federal destina mais de 45% do orçamento para sustentar os serviços da ultra parasitária e corrupta dívida pública. Mas os monopólios querem mais. Para isso, a pressão aumenta para que todos os recursos sejam concentrados nessa política. Setores da burguesia nacional que dependem do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), da especulação imobiliária ou dos repasses de recursos públicos por meio de outros mecanismos são afetados. Mas o aprofundamento da crise ameaça levar o Brasil ao colapso, como um dos elos fracos do sistema capitalista mundial.

O imperialismo tenta impulsionar uma nova frente única em cima de um novo choque neoliberal. Na Argentina, essa política está sendo imposta por Maurício Macri em aliança com a direita do kirchnerismo e com os setores majoritários da burocracia sindical. A mesma política está tentando ser imposta na Venezuela, nas eleições legislativas que acontecerão no dia 6 de dezembro; está em jogo 40% do orçamento público que hoje é destinado aos programas sociais.

 

DUAS VELOCIDADES PARA O AJUSTE

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A Administração Obama tenta impor o ajuste por meio da direita reciclada a la Maurício Macri, a la Peña Nieto (o presidente imposto no México) ou a la Psdb. A ala mais à direita do imperialismo norte-americano tenta impor o ajuste por meio de uma política de força, conforme tem ficado claro nos últimos debates do Partido Republicano. Obama desescalou as tensões na Ucrânia, no Mar do Sul da China e na América Latina para estabilizar o Oriente Médio, em aliança com inimigos tradicionais, a Rússia, o Irã, a China, o Hizbollah e os curdos.

Neste momento, Obama tenta evitar o acirramento das contradições que possam conduzir a explosões sociais, o que inclui evitar golpes de estado como os do Egito, da Ucrânia ou da Tailândia. A política da chamada “contrarrevolução democrática” ficou evidente na América Latina por meio dos acordos com Cuba, o processo de paz com as FARC-EP, na Colômbia, o envio do Papa ao Equador, há quatro meses, em plena histeria direitista contra o presidente Rafael Correia, nas declarações de Obama em favor da presidente Dilma, e na contenção da tradicional histeria da direita venezuelana.

Essa é uma política frágil aplicada em cima de uma direita neoliberal que ficou muito fragilizada após o colapso capitalista de 2008. A frente única para a aplicação dessa política inclui setores da burguesia nacional que temem a ascensão dos trabalhadores por causa do novo colapso capitalista que aparece no horizonte. Mas ao mesmo tempo, esses setores também temem a resposta popular ao ajuste, a ascensão dos protestos sociais e do movimento grevista. No centro do problema, está a velocidade com que o ajuste pode ser aplicado. A vitória do Macri na Argentina foi apertada e somente aconteceu no segundo turno, o que revela as dificuldades para formar a frente única hegemônica com o objetivo de impor o novo choque neoliberal. No Brasil, o impeachment contra a presidente Dilma avança com muitas dificuldades e tem sido priorizada a política de “comer pelas bordas”, desgastar o governo do PT.

A velocidade do ajuste e a priorização de uma determinada política para impo-lo depende do aprofundamento da crise e do grau de resistência das massas.

 

A CAPITULAÇÃO DO GOVERNO DO PT: UMA ENGRENAGEM GOLPISTA

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Enquanto a CUT, o MST e a UNE têm chamado a várias manifestações em defesa do governo do PT, contra o Fora Dilma e a favor do Fora Cunha, o governo do PT tem realizado negociações com a direita que têm entregado ministérios chaves até para Kátia Abreu e buscado dar uma sobrevida para o ultra reacionário Eduardo Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados. Capitulando à direita, o PT considera que poderá salvar o governo. Mas enquanto as tramoias parlamentares avançam, também avança a política antipovo imposta pelo imperialismo e aplicada pelo governo do PT, que, cada vez mais, não passa de um espantalho para disfarçar o núcleo direitista que controla o governo.

A inflação continua aumentando enquanto os aumentos dos salários não conseguem acompanhar a carestia da vida. Novos ataques aconteceram contra as aposentadorias, o seguro desemprego, os servidores públicos federais. Novas privatizações são disfarçadas como concessões. A capitulação em relação a Lei Antiterrorista é total e é muito grave, pois se trata de uma lei, imposta pelo imperialismo, que renova, em certa medida, o famigerado AI5 da ditadura militar. A dívida pública que consome o grosso dos recursos públicos nem sequer é mencionada pelo PT; ela simplesmente é paga sem questiona-la.

Todos os esforços são direcionados para “manter a governabilidade”, o que recebe um reforço da política da defesa cega do governo devido à iminência de um golpe de estado. O governo do PT, na realidade, é cada vez mais o governo da direita do PMDB. Qual é o sentido dos partidos e agrupamentos de esquerda apoiarem de maneira cega o governo do PT? Há grupos que chegam a dizer que o “ajuste” faz parte dos ataques da direita.

A capitulação do governo do PT, e do próprio Partido, às pressões da direita tem se convertido numa das principais engrenagens para o fortalecimento da direita, para a aplicação do ajuste contra os trabalhadores.

O reacionário Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara dos Deputados, está sendo fritado pela direita devido à incapacidade de levar adiante o impeachment do governo Dilma. A direção do PT tem manobrado para dar sobrevida a Cunha, pois enfraquecido representaria um perigo menor e, ao mesmo tempo, possibilita a mudança dos holofotes dos ataques contra os trabalhadores que estão em curso. As políticas do governo têm se transformado num dos componentes principais que permitem o avanço da direita. Trata-se da mesma capitulação vergonhosa que levou à vitória de Macri sobre o kirchnerismo na Argentina e que, provavelmente, levará ao fortalecimento da truculenta direita venezuelana nas próximas eleições legislativas do dia 6 de dezembro. Enquanto a política da “contrarrevolução democrática” vai se impondo na América Latina, impulsionada pela Administração Obama, continua se fortalecendo a direita, e a extrema direita, abrindo passo a uma política ainda mais dura contra as massas. Essa política conta com a ajuda objetiva, e pela esquerda, da capitulação dos governos nacionalistas e pseudo nacionalistas,

 

GOLPE DE ESTADO IMINENTE?

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A direita encontra dificuldades para deslindar os parlamentares direitistas da corrupção generalizada da Petrobras e das demais empresas públicas apesar da obscena propaganda do PIG, da imprensa golpista. A fragilidade do impeachment contra o governo Dilma tem levado figuras do primeiro escalão golpista, como o ministro do STF, Ricardo Lewandowski, a declarar que seria necessário “aguentar três anos sem golpe institucional”. “Com toda a franqueza, devemos esperar mais um ano para as eleições municipais. Ganhe quem ganhe as eleições de 2016, nós teremos uma nova distribuição de poder. Temos de ter a paciência de aguentar mais três anos sem nenhum golpe institucional… Estes três anos [após o ‘golpe institucional’] poderiam cobrar o preço de uma volta ao passado tenebroso de trinta anos. Devemos ir devagar com o andor, no sentido que as instituições estão reagindo bem e não se deixando contaminar por esta cortina de fumaça que está sendo lançada nos olhos de muitos brasileiros”.

A direita teria bastante facilidade, em termos jurídicos, em aplicar o impeachment contra a presidente Dilma em cima das “pedaladas” contra a Lei da Responsabilidade Fiscal, a principal política de todo governo, imposta a partir do chamado Consenso de Washington. O chamado superávit primário (recursos públicos priorizados para o pagamento da dívida pública), que deveria ter fechado em R$ 168 bilhões no ano passado, por meio de uma série de manobras, fechou em menos de R$ 10 bilhões para desespero dos grandes banqueiros. O problema colocado reside em como espoliar ao máximo os trabalhadores sem provocar uma explosão social. E o PT cumpre um papel muito importante na contenção das massas. O problema é que a política assistencialista do PT, a necessidade de dar alguma resposta para os movimentos sociais e sindical representa um entrave para o aumento da velocidade dos ataques contra as massas.

A defesa cega do governo do PT, sem denunciar o ajuste contra os trabalhadores que está em marcha, faz parte da política de conciliação de classes, da capitulação à frente popular. A “defesa da governabilidade”, a “defesa da democracia”, que no Brasil não passa de um arremedo de democracia, sem lutar contra a política do ajuste imposta pelo imperialismo tem como objetivo encobrir o brutal ataque contra os trabalhadores que já está em marcha. O governo do PT pode não conseguir imprimir a velocidade que os monopólios precisam, mas desbrava o caminho para ataques em maior escala. O movimento operário e social não pode ser despertado sem denunciar os ataques, simplesmente fazendo conchavos com a burocracia sindical. É preciso defender a independência de classes, a necessidade dos trabalhadores se organizar, de maneira independente, contra os ataques da burguesia.

O fantasma do golpe militar, neste momento, é usado com o objetivo de encobrir a capitulação da frente popular à direita, o que representa uma traição aos interesses da classe operária.

Dizer que o ajuste é uma manobra da direita desarma a luta dos trabalhadores. A crise deve ser enfrentada por meio da luta nas ruas. A crise deve ser paga pelos capitalistas e não pelos trabalhadores. O governo Dilma é uma das engrenagens do ajuste e, conforme capitula à direita, se converte numa das principais engrenagens golpistas. Nada muito diferente do que tem acontecido em todos os golpes de estados, no Brasil e no mundo.

Sem uma política clara contra as capitulações da frente popular à direita não é possível nem sequer enfrentar o sucateamento da educação no Estado de São Paulo, onde mais de 200 escolas estariam ocupadas.

 

 

GOLPISMO NA AMÉRICA LATINA (E NO BRASIL)?

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A esquerda latino-americana se divide em dois blocos principais, aquele que considera que o golpe de estado é iminente e o que considera que o golpe de estado não existe. O primeiro tende a se aproximar do nacionalismo burguês devido à iminência do golpe. O segundo tende a se aproximar da direita na espera de que a queda dos governos nacionalistas abram a possibilidade da entrada em cena de grupos ao estilo do Syriza grego.

A avaliação do problema deve considerar a questão da crise aberta em 2008, mas também a política que a Administração Obama colocou em pé, neste ano, em escala mundial.

A crise capitalista mundial de 1974, mais conhecida como crise mundial do petróleo, acabou com os chamados “Anos Dourados” do capitalismo e também quebrou todas as ditaduras de cunho fascistoide com as quais o imperialismo norte-americano tinha infectado o mundo. O chamado keynesianismo colapsou. Por causa da crise, não havia mais dinheiro para grandes investimentos públicos direcionados a infraestrutura e programas sociais. O chamado Consenso de Washington impôs uma política altamente depredadora em benefício dos monopólios em cima da especulação financeira.

O chamado “neoliberalismo” entrou em colapso em 2008, mas a burguesia foi incapaz de estruturar uma política alternativa.

Uma das políticas colocadas em pé com o objetivo de conter a crise foi a inundação do mercado mundial com crédito. Mas a crise do regime político não se fez esperar. Em 2011, estouraram as revoluções árabes que representavam o elo mais fraco do sistema capitalista mundial. A política preferencial do imperialismo, a chamada “contrarrevolução democrática”, começava a engasgar em regiões de primeira importância em escala mundial.

Aos golpes brancos de Honduras (2009) e do Paraguai (2011), se sucederam os golpes pinochetistas no Egito e na Tailândia e o golpe, promovido em cima de grupos fascistas, na Ucrânia.

ESTABILIZAÇÃO DO ORIENTE MÉDIO A QUALQUER CUSTO

A desestabilização do Oriente Médio demonstrou a incapacidade do imperialismo em controlar a região após as derrotas militares sofridas no Iraque e no Afeganistão. Em 2007, o governo Bush promoveu um acordo com o Irã para estabilizar o Iraque. A história se repetiu neste ano.

Um dos principais pontos de virada para entender a “nova” política impulsionada pela Administração Obama foi a visita realizada por John Kerry, o chefe do Departamento de Estado norte-americano, a Sochi, no sul da Rússia, onde se encontrou com Vladimir Putin, o presidente russo, e Seguei Lavrov, o ministro das Relações Exteriores russo. O objetivo era conseguir a adesão da Federação Russa à estabilização da Síria. Em contrapartida, o governo norte-americano promoveu os acordos nucleares com o Irã, a estabilização da Ucrânia e a redução da agressividade no Mar da China, para onde o Pentágono direcionou nada menos que a metade do orçamento. Esses três pontos representam possíveis pontos de partida para enfrentamentos militares em maior escala.

O presidente sírio, al-Assad, declarou, recentemente, estar pronto para novas eleições, onde ele deixaria o poder. Aconteceram negociações em Viena para negociar uma saída para a crise na Síria, com a participação da Arábia Saudita, a Turquia, a Rússia e os Estados Unidos. Aconteceram negociações em Sochi entre o presidente russo, Vladimir Putin, e membros do primeiro escalão da Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, estes ligados diretamente à ala direita do imperialismo norte-americano. O primeiro ministro de Israel, Netanyahu, esteve em Moscou na tentativa de chegar a acordos com os russos em relação ao controle do Hizbollah, a poderosa milícia libanesa.

Agora, o verdadeiro objetivo dos bombardeios russos ficou claro. Em primeiro lugar, estabilizar a situação do governo al-Assad para facilitar uma saída negociada imediata. Conter a ascensão dos “rebeldes”, que recebem o apoio, direto e indireto, da reação do Oriente Médio e mundial. Forçar negociações, sobre as quais as monarquias do Golfo estavam relutantes devido à pretensão de avançar sobre uma posição de força contra as demais potências regionais, em primeiro lugar, o Irã.

DUAS POLÍTICAS DO IMPERIALISMO NORTE-AMERICANO

A Administração Obama busca conter o fortalecimento da ala direita do imperialismo, perante as eleições presidenciais do próximo ano, e apresentar a política da direita tradicional como viável para conter o aprofundamento da crise e garantir o lucro dos monopólios. Essa divisão ficou evidente durante as últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos. Mitt Rommey representou a ala direita do imperialismo, fortemente pressionada pela ala de extrema direita, agrupada no Tea Party, no interior do Partido Republicano. Na época já ecoava o mesmo discurso que pode ser visto no recente debate entre os pré-candidatos do Partido Republicano. Guerra contra o Irã, inclusive atômica. Guerra contra a China. Aperto maior do cerco contra a Rússia. Tropas no Oriente Médio. Golpismo generalizado. Uma parte da burguesia olhou para esses “cachorros loucos” e recuou. Mesmo figurões do Partido Republicano acabaram apoiando Obama.

Agora, a história também se repete, mas de maneira ainda mais dramática por causa do ulterior aprofundamento da crise capitalista. A direita já controla as duas câmaras do Congresso. Se vencer as eleições presidenciais e mantiver o controle do Congresso, uma política muito mais agressiva será colocada em prática. Obama representa a reação da ala que se opõe a essa política, enfrentando, ou deixando de lado, inclusive aliados tradicionais como pode ser visto de maneira muito clara no Oriente Médio com a Arábia Saudi,ta, o Catar e Israel. Até que ponto essa política será a escolhida pelos monopólios depende do aprofundamento da crise capitalista mundial. Mas, neste momento, e a partir do segundo semestre deste ano, representa a política hegemônica.

OS GOLPES DE ESTADO SÃO IMINENTES NA AMÉRICA LATINA?

Na América Latina, a onda golpista também foi desescalada nos países mais importantes. Há três meses, o Papa foi enviado ao Equador, no meio de importantes manifestações da direita contra o governo de Rafael Correia. Na Venezuela, nem o próprio Capriles, o líder da direita unificada na MUD (Mesa Unificada de Diálogo) apoia a extrema direita, que tem como principal expoente o “cachorro louco”, que se encontra preso, Leopoldo López. A conhecida histeria da direita desapareceu das ruas a apenas um mês e meio das eleições nacionais que acontecerão no dia 6 de dezembro. Na Colômbia, o “uribismo”, ligado ao ex presidente Álvaro Uribe, um aliado de carteirinha da ala direita do imperialismo norte-americano e dos latifundiários, foi derrotado nas recentes eleições municipais. Ao mesmo tempo, também foi derrotada a esquerda burguesa e pequeno-burguesa agrupada no Polo Democrático, que perdeu a prefeitura da capital do país, Bogotá. Os acordos com as FARC-EP, agora, são iminentes, e beneficiarão, em primeiro lugar, os monopólios do chamado agronegócio e as mineradoras.

Na Argentina, o imperialismo está conseguindo avançar em cima de uma direita “renovada”, com Maurício Macri à cabeça, que segue os moldes de Peña Nieto no México e de Juan Manuel Santos na Colômbia.

No Brasil, o governo do PT tem sido encurralado pelo imperialismo que, como resposta, tem conseguido o aumento do grau da capitulação do governo Dilma. A ala Obama tem muito temor da reação das massas e, por esse motivo, tenta impulsionar uma política de menor intensidade golpista. O próprio Barak Obama e Angela Merkel (chanceler alemã) declararam o apoio à presidente Dilma.

As engrenagens golpistas continuam se movimentando, mas em “velocidade cruzeiro”, em menor escala que no período anterior, inclusive sem a histeria golpista que a caracterizava.

Em cima dessa caraterização, as capitulações do nacionalismo burguês adquirem uma importância ainda maior para o desenvolvimento do próprio golpe. As capitulações do governo Dilma, por exemplo, assim como as de todos os demais governos nacionalistas, tendem a favorecer a preparação golpista. Neste momento, elas abrem caminho a governos mais ligados ao imperialismo, como é o caso do que está acontecendo na Argentina. Esses novos governos direitistas somente podem representar um passo intermediário para governos mais duros conforme a crise capitalista se aprofundar.

Sem denunciar e enfrentar essas capitulações com energia, é impossível avançar no sentido da organização independente dos trabalhadores. Nem mesmo no sentido de enfrentar o desenvolvimento das engrenagens golpistas.

O urso contra a águia? JOHN KERRY em SOCHI (RÚSSIA). PUTIN IRÁ a NOVA IORQUE? O eixo da estorinha: reduzir as tensões na Ucrânia para estabilizar o Oriente Médio

Nos dias 11 e 12 de maio, o secretário do Departamento de Estado norte-americano, John Kerry, esteve no sul da Rússia, na cidade turística de Sochi, onde se encontrou com o presidente Vladimir Putin e o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov. Foi a primeira visita oficial desde a crise na Ucrânia.

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Essa movimentação da Administração Obama representa uma virada em relação à política orientada ao endurecimento das sanções, impulsionada pelos neo-conservadores norte-americano que controlam o Congresso e o próprio Departamento de Estado. Seguindo os passos do governo alemão, Obama busca, evidentemente, estabelecer alguns acordos com o governo russo, que é determinante no desenvolvimento dos acordos com o Irã, no controle da crise na Síria e na Ucrânia.
Os resultados foram qualificados como muito positivos por ambas as partes. Na conferência de imprensa, John Kerry declarou que a solução para a crise na Ucrânia passa pela implementação dos acordos de Minsk II, exatamente a mesma política seguida pela Alemanha/ França e a Rússia.
A crise econômica e política está levando o falido estado ucraniano ao colapso, o que foi potencializado com a perda da Crimeia e a guerra separatista no Donbass (Donetsk e Lugansk). Aumenta o risco de um colapso do governo de Poroshenko, por meio de um golpe de estado, dentro do atual golpe de estado. A “saída” só pode se encaminhar para a anexação do país pelo imperialismo, no sentido da intervenção militar direta. Kerry afirmou que as declarações de Poroshenko de que o aeroporto de Donetsk seria retomado em breve, por meio de uma grande ofensiva militar, estavam por completo fora de lugar.
Mas a implementação do acordo de Minsk II, tal como foi acordado no papel, é impossível de ser colocado em prática. O foco da aproximação dos norte-americanos com o governo russo só pode ter buscado reduzir o confronto na Ucrânia, mas mantendo os desacordos, com o objetivo de alavancar esforços em comum no Oriente Médio.

A TENTATIVA de DISTENDER a CRISE na UCRÂNIA

O ponto central das conversações entre os governos dos Estados Unidos e da Federação Russa somente pode ter se desenvolvido no sentido de minimizar a crise na Ucrânia, que se relaciona com as sanções econômicas e a desestabilização da região que pode evoluir em direção à própria Rússia. O ingresso da Ucrânia na OTAN é o principal ponto inaceitável para os russos, mas também o é um enfrentamento de grande envergadura com o imperialismo.
No final deste ano, expiram as sanções contra a Rússia. Os governos da Alemanha, França e Itália são favoráveis a alivia-las, por causas da perdas econômicas dos monopólios europeus.

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O mais provável, em relação à proposta do Departamento de Estado, é a de-escalação do conflito no Donbass e a não renovação das sanções. Esta é a base para contar com o apoio da Rússia na última cartada de Obama para estabilizar o Oriente Médio antes das eleições presidenciais que acontecerão no próximo ano. A direita norte-americana já domina as duas câmaras do Congresso.
O acordo com o Irã aumentou as contradições dos Estados Unidos com a Arábia Saudita e as demais monarquias do Golfo. Não por acaso, o novo monarca saudita, Salman al Saud, não compareceu pessoalmente à reunião convocada recentemente pelo presidente Barack Obama, em Camp David. Não é nenhum segredo que os sauditas têm consideráveis desacordos com a política atual em relação à Síria, ao Irã e ao petróleo. Pelo menos nestes três casos, a situação evoluiu para uma guerra semi aberta.
Na Síria, os Estados Unidos estão tentando criar uma frente única com a participação da Arábia Saudita, a Turquia e o Catar, o que tem se materializado em ofensivas conjuntas de vários dos grupos guerrilheiros que se opõem ao governo de al-Assad, tanto no norte como no sul do país. Mas alinhado com o governo estão a Rússia, a milícia libanesa, Hizbolah, apoiada pelo Irã, e, por baixo do pano, a China. A Alemanha mantem a política tradicional de evitar o envolvimento direto em conflitos militares.
Os grupos muçulmanos, como o Estado Islâmico, a al-Nusra e o Exército Livre, tendem a preencher o vácuo deixado pelo governo, como aconteceu recentemente no estratégico povoado de Deir el-Zour.
Sem a Rússia e o Irã o imperialismo não consegue controlar a situação, nem fazer frente à pressão das ultra reacionárias monarquias do Golfo Pérsico e dos sionistas israelenses. O governo norte-americano precisa que os russos limitem o repasse de tecnologia militar ao Irã, que não voltem atrás no tratamento dos resíduos nucleares iraniano e que, no geral, não implodam o acordo. A importância da Rússia no Oriente Médio, particularmente a influência sobre o Irã, diminui com o acordo, e aumenta a influência dos norte-americanos. O programa russo “petróleo por mercadorias”, por exemplo, não terá razão de ser. O imperialismo precisa controlar alavancas que hoje lhe escaparam das mãos e que, devido ao aprofundamento da crise capitalistas, têm se tornado cada vez mais difícil de controlar. Para isso, algumas concessões se fazem necessárias.

QUAL é o CARÁTER do GOVERNO PUTIN?

Uma parte da esquerda mundial tem caraterizado o governo Putin como semi-fascista, ecoando a propaganda imperialista. Na Europa, e principalmente nos países dominados pela direita, essa propaganda vai a mil por hora. Outros setores da esquerda chegam a caracterizar o próprio Putin como sendo um grande democrata e até um lutador pelo “socialismo real” em alguma medida.
Na realidade, Putin é o principal representante do nacionalismo burguês russo. Ele foi a principal liderança que tirou a Rússia do colapso em que se encontrava em 1998, e conseguiu estabilizar o país em cima do direcionamento da economia para uma política de exportação de energia e de armas. Com o enfraquecimento do imperialismo, devido às derrotas militares no Iraque e no Afeganistão, e o colapso capitalista de 2008, que teve o epicentro nos países desenvolvidos, a Rússia se fortaleceu e avançou sobre os países da antiga periferia, no sul do país e na Europa Oriental. Essa política gerou contradições com as potências imperialistas que, por sua vez, tem como objetivo estratégico impor um governo alinhado, avançam sobre a periferia da Rússia e apertaram o cerco militar por meio da OTAN.
ale ru 18Na Ucrânia, o governo russo tem sido muito ativo na defesa das repúblicas separatistas contra os golpistas de Kiev, que não passam de meros marionetes do imperialismo. O próprio levante armado contra os golpistas, no Donbass, começou na cidade de Slaviansk, em Donetsk, e foi liderado, fundamentalmente, pelo antigo funcionário da FSB (o serviço de inteligência que sucedeu a KGB), o atual general Strukov. O apoio não se relaciona em absoluto com interesses revolucionários, mas com a defesa dos interesses russos perante a pressão do imperialismo. A entrada da Ucrânia na OTAN deixaria as fronteiras da Rússia extremamente expostas. A própria sobrevivência do setor vinculado a Putin ficaria fragilizada. Esse setor controla das grandes empresas estatais e goza de amplos privilégios públicos. Trata-se de exatamente a mesma política aplicada em relação às minorias russas existentes em todos os países vizinhos.

CAMPANHA CONTRA A CORRUPÇÃO?

No Equador, na Venezuela, na Argentina, no Brasil …
1-
Se trata de uma política única, regional, aplicada pelo imperialismo norte-americano.
2-
O objetivo é derrubar os governos nacionalistas, apesar dos acordos e da maior ou menor proximidade.
3-
Perante o aprofundamento da crise capitalista e do esperado novo colapso capitalista mundial, existe a necessidade de salvar “a economia”, isto é o lucro dos monopólios, a qualquer custo.
4-
E como não há mágica, ou como o “neoliberal” George Friedman falava, “não há almoço gratis”, perante a falta de alternativas para o capitalismo, os trabalhadores devem pagar pela crise.
5-
A derrubada dos governos nacionalistas devem dar lugar a governos muito mais duros, direitistas.
6-
Se bem neste momento não estão colocados à ordem do dia golpes pinochetistas na América Latina, se estão colocados golpes de estado “brancos” como os que aconteceram em Honduras e no Paraguai.
7-
Esses golpes de estado “brancos” podem evoluir facilmente para golpes de estado “cinzas” ou “negros”.
O problema não é moral, mas uma necessidade material concreta: salvar os lucros do punhado de parasitas que domina o mundo.
8-
A campanha contra a CORRUPÇÃO é uma constante de TODOS os golpes de estado, isto é, a tomada do governo por meio de mecanismos extra parlamentares.
– 1964 e AI 5 (1968) no Brasil
– 1973 no Uruguai e no Chile
– 1976 na Argentina
– 2013 no Egito
– 2013 na Tailândia
– 1933 na Alemanha
– O fascismo italiano
– Stroessner (Paraguai), Salazar (Portugal), Franco (Espanha), Sukarno (Indonésia), Zha Reza Palevi (Irã)
– Etc, etc
9-
A única maneira de parar o golpe militar é com a população nas ruas.
É preciso denunciar todas as movimentações golpistas, pois o fascismo é a última carta que a burguesia joga quando as demais fracassaram. A ideia de que ela entrega o poder e os privilégios “de maneira democrática” é absoluto infantilismo ( = cretinismo parlamentar), e profundo oportunismo.

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Golpismo no Equador

Golpismo no Equador